Caros Amigos, tenho algumas duvidas as quais gostaria que me ajudassem com a as mesmas,perguntas estas que me fizeram:

Se Roma tem a primazia por ser supostamente considerada a cidade em que Pedro exerceu seu ministério, então por que não foi dada razão maior a Antioquia, pois diz a mesma tradição que antes de Pedro ir para Roma ele exerceu primeiro seu episcopado em Antioquia, deixando lá seus sucessores Evódio e Inácio?

Desde já agradeço pela resposta

EDGAR

Prezado Edgar, a Santa Paz!

Parece-me que esta pergunta é de algum sítio protestante, pois outros leitores têm nos interpelado com a mesma questão.

Engraçado como vemos alguns protestantes utilizarem a mesma “malandragem” dos fariseus: quando não conseguiam negar a realidade histórica de alguma doutrina (no caso a Católica) procuravam colocá-la em uma “sinuca de bico” (cf. Mt 19,3; 22,15-22).

Para sermos razoáveis devemos considerar que a pergunta só é válida se a sucessão dos apóstolos for considerada uma realidade. Será que o autor desta pergunta saiu de sua seita e ingressou na Igreja que guarda a sucessão ininterrupta dos apóstolos? Eu duvido…

Seguindo o exemplo do Senhor, vamos responder de bom grado as objeções que nos foram apresentadas para a Sua Glória, Honra e confirmação da Verdade.

Sabemos que os Bispos da Igreja são sucessores diretos dos apóstolos. Por que sucessores? Porque deveriam cuidar da Igreja na ausência deles:

"44. Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por esse motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião da morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério". (Primeira de Clemente Carta aos Coríntios, 90 d.C).

Matias foi sucessor de Judas Iscariotes (cf. At 1,23-26), Timóteo também recebeu o carisma do Episcopado (cf. 1Tm 4,14; 2Tm 1,6), Tito também foi Bispo (cf. Tt 1,1-7) e todos eles foram discípulos dos apóstolos.

O Episcopado de São Pedro em Roma não é uma suposição católica, mas a afirmação de uma realidade histórica (3). Historiadores antigos como Eusébio e Sócrates fizera registro dela, confirmada por discípulos dos apóstolos como Ireneu, Pápias entre outros.

Quando o Pedro escreveu sua primeira Epístola ele já estava em Roma (cf. 1Pd 5,13 onde Babilônia é o codinome para a capital do Império).

Desta forma todo Bispo validamente ordenado, isto é, sagrado por um Bispo que também recebeu sua sagração episcopal na linha sucessória dos Apóstolos, é um sucessor deles (diferente dos charlatões fundadores de seitas). Então por que Inácio ou até mesmo Marcos (evangelista) não podem ser considerados “sucessores” de Pedro, como acontece com Lino?

A questão é que a sucessão de Pedro a ser considerada aqui é a sucessão de sua cátedra, isto é, de seu Episcopado. Os apóstolos tinham a missão de pregar o Evangelho em todo mundo conhecido. Todos eles foram Bispos peregrinos e por onde passaram instituíram outros bispos, até que fixaram sua residência, fixando conseqüentemente a residência de seu Episcopado.

Inácio foi sucessor de Evódio, e este instituído Bispo de Antioquia por Pedro e Paulo. Marcos, que também foi discípulo pessoal de ambos, teve seu Episcopado no Egito. Logo, eles não foram sucessores do Bispo de Roma, como é o caso de Lino, pois seus respectivos Episcopados estão em Antioquia e Egito.

Veja que na saudação da carta de Inácio aos romanos, se percebe seu respeito pela cátedra de Roma, por ser esta a residência do Ministério Petrino:

"Inácio, também chamado Teósforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside o amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai; eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai a. Àqueles que física e espiritualmente estão unidos a todos os seus mandamentos, inabalavelmente repletos da graça de Deus, purificados de toda coloração estranha, eu lhes desejo alegria pura em Jesus Cristo, nosso Deus" (Santo Inácio de Antioquia, aos Romanos, 107 d.C) (1).

O testemunho de Inácio não é isolado e reflete exatamente o pensamento dos discípulos dos apóstolos sobre a Cátedra de Pedro (3).

Todas as referências da Igreja Primitiva que temos sobre a sucessão apostólica de Pedro somente apontam como sucessores dele os Bispos Romanos (4), embora Bispos de outras localidades também foram seus discípulos. A razão: a sucessão apostólica considera a sucessão do Episcopado que o apóstolo exerceu (sentido restrito) e não uma sucessão de filiação espiritual (sentido amplo).

É como um Governador que possui poder de sancionar a criação de alguma prefeitura no Estado que governa. O prefeito desta nova cidade não é sucessor do Governador, são coisas totalmente distintas. Uma coisa é o Governo do Estado e outra é da prefeitura. Só podem ser considerados sucessores do Governador aqueles que o substituíram no exercício seu público.

Ser discípulo de Pedro não é o mesmo que ser seu sucessor em Roma. Marcos foi discípulo de Pedro, mas não o sucedeu em Roma, foi Bispo do Egito. Enquanto Eleutério, o décimo segundo Bispo na sucessão apostólica de Pedro, nem mesmo chegou a conhecer o Santo Apóstolo, mesmo assim foi Bispo de Roma sob o imperador Antonino Vero.

Note ainda que até os ortodoxos reconhecem os Bispos romanos como sucessores da cátedra de Pedro. Para eles o Romano Pontífice é o “primeiro entre os iguais”.

Espero tê-lo ajudado.

Em Cristo Jesus,

Prof. Alessandro Lima.

Notas

(1) Santo Inácio de Antioquia aos Romanos .

(2) Pregação, Episcopado e Martírio de São Pedro em Roma .

(3) Sobre o Primado da Igreja de Roma.

(4) O que é Igreja ApostólicaBispos Protestantes?

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