Espaço do Leitor

Leitor pergunta sobre o segundo casamento de Napoleão

[Leitor autorizou a publicação de seu nome no site] Nome do leitor: jeferson pinheiro
Cidade/UF: Jaguaribe  CE
Religião: Católica

Mensagem
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Gostaria de fazer uma pergunta para voces: Eu sei que o Imperador Napoleão Bonaparte mandou prender o Papa Pio VII em 1809,e esse antes de ser preso excomungou o Imperador,estando o Papa preso o casamento de Napoleão com Josefina foi anulado( eles casaram-se na Igreja em 1804 ) e Napoleão casou-se com a Princesa Maria Luísa da Áustria em 1810. Daí eu pergunto: como pode o Imperador excomungado ter o seu casamento anulado e casar-se com outra mulher? Será que o Papa que estava preso revogou a excomunhão,anulou o casamento dele e permitiu o novo casamento? Esclareçam-me essa Questão por favor. Obrigado.

Caríssimo Jeferson,

PAX DOMINI

Essa questão tem uma resposta muito simples, mas antes irei fazer um breve apanhado histórico. Napoleão trazia dentro de si um terrível ódio ao Vigário de Cristo, Pio VII. O Papa, como tal, era o real soberano espiritual da terra, e de certa forma o Imperador via o Santo Padre como um empecilho no seu projeto expansionista, afinal, Bonaparte, tinha como fim o estabelecimento de um império napoleônico com uma forte veneração a sua figura. Ademais, o Romano Pontífice detinha um vasto território sob o seu comando; os Estado Papais, numa posição privilegiada – centro da Itália. A ambição do Imperador francês era tamanha e incondicional. Não obstante, o Papa sempre se mostrou solícito, tanto pela salvação pessoal do Imperador, quanto pelo estrago que seu total rompimento com a Igreja geraria no povo francês.

Quando o irmão do Imperador, Jerônimo, casado de forma plena e legal, resolveu se divorciar da sua esposa, uma ilustre protestante americana, Napoleão enxergou a possibilidade de concretizar seus intentos. Obviamente o Papa não anulou o matrimônio, havia sido celebrado e consumido licitamente. O Imperador, que sempre foi um grande estrategista e ardiloso confabulador de planos e projetos, resolveu invadir Roma sustentado-se num pretexto mentiroso.

Depois de tomar a Cidade Eterna, e se autodeclarar Imperador de Roma, proclamou o fim dos Estados Eclesiásticos, como se estivesse retomando a doação de Carlos Magno, a quem se dizia herdeiro.

O Papa, como reação a essa tamanha arbitrariedade, excomungou Napoleão numa Bula emitida em 11 de junho de 1809.

Napoleão tinha uma vida amorosa conturbada e nada cristã, como se percebe nessas suas palavras; “Não é preciso que uma esposa seja uma mulher bonita. Já em relação a uma amante, é o contrário. Uma amante feia é uma monstruosidade. Faltaria a ela seu principal, ou melhor, seu único dever”, em carta ao seu irmão José.

Ele se casou com Josefina em 1804, mesmo dia de sua coroação. Não obstante, sempre tiveram pouca fidelidade um ao outro, e ambos a Deus. O divórcio entre eles foi minuciosamente estabelecido, numa negociação muito bem feito pelos secretários do Imperador. Antes mesmo de o divórcio ser consumado, Napoleão já estava à procura de uma esposa nobre que pudesse gerar um digno príncipe herdeiro, já que Josefina não conseguira. Apenas desse modo Napoleão poderia ter um sucessor ao trono, que ainda seria aquilo que ele não foi; um sangue azul.

Numa escolha estratégica, Napoleão foi procurar Maria Luísa, princesa austríaca. Ele tinha em vista sua aliança com o país de origem de sua futura esposa, uma das potências européias. Seria a instituição de uma paz entre os grandes inimigos; Áustria e França.

Cardeal Fesch, tio de Napoleão, e que intercalava atitudes de extrema subserviência ao império, ao mesmo tempo em que defendia o Papado, concedeu uma benção ao casamento do Imperador com a Princesa austríaca. Entretanto, diferentemente do clero officialité, não consentiu na ilegal anulação do primeiro casamento do Imperador. Quando Napoleão perguntou a Card. Fesch se ele e sua esposa estavam casados, o Purpurado disse; Sim, Majestade; perante as leis civis!

Pedro Ravazzano


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