Espaço do Leitor

Leitor pergunta sobre o significado de Ap 12,6

Nome do leitor: M.

Cidade/UF: SP / SP

Religião: Católico

Mensagem

Irmãos do Veritatis, a Paz do Senhor Jesus Cristo seja convosco !

Em um artigo do Prof. Alessandro Lima sobre Maria, foi citado Apocalipse 12:1-5 apresentando a Santa Serva de Nosso Deus Pai como a “Mulher grávida”. Neste contexto, gostaria de uma explicação sobre o versículo seguinte:

“A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. “

O que significaria “exatamente” este versículo ? A que tempo se refere e a quais fatos ?

Muito obrigado pela atenção !

Em Cristo,

M.

Resposta

Caríssimo M.., a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Agradeço imensamente o seu contato e a confiança em nosso trabalho. Que Deus lhe recompense imensamente pelo seu carinho.

Bem, primeiramente é preciso deixar claro que nós não somos intérpretes da Sagrada Escritura. Quem interpreta a Escritura é a Santa Igreja.

O mais prudente seria verificar se na Tradição da Igreja, algum dos Santos Padres já comentou esta passagem.

No entanto pela dificuldade de executar tal empreendimento, poderemos sondar o significado deste versículo, lembrando a confirmação da Igreja é necessária.

A Vitória do Imaculado Coração de Maria

O verso 5 do capítulo 12 deixa claro que a Mulher vestida de Sol é Santa Maria, Mãe de Jesus e da Igreja (cf. Jo 19,27).

Penso que o verso 6 refere-se à vitória da Mãe de Jesus sobre o demônio, vitória que já estava predita desde o Gênesis onde lemos: “Porei ódio entre ti [o demônio] e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar” (Gn 3,15).

O paralelo entre Eva e Santa Maria

Eva foi mãe dos viventes e por ela veio a ruína do homem. Santa Maria é mãe dos cristãos e por ela veio a salvação do homem. S. Ireneu (séc. II), S. Basílio (séc. IV), S. Jerônimo e S. Agostinho (Séc. V) escrevam sobre o paralelo entre Eva e S. Maria.

O paralelo com o Gênesis ainda se confirma no próprio capítulo 12:

Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12,14-17).

Como se vê a descendência da Mulher que entraria em guerra com o demônio (cf. Gn 3,15) é a de Santa Maria, isto é, seus filhos espirituais, os cristãos católicos; pois somente estes têm Maria por mãe e guardam os mandamentos de Deus, que nos deu por Pastor S. Pedro (Lc 22,31-32).

A Assunção de Santa Maria

As duas asas que a Mulher recebe é figura do favor de Deus para com ela, conforme lemos no livro do Profeta Isaías: “Até os adolescentes podem esgotar-se, e jovens robustos podem cambalear, mas aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar” (Is 40,30-31) (grifos meus). Ver também Dt 32,9-11.

Que favor foi este? A Escritura diz que “à Mulher foram dadas duas asas de grande águia”.   A Bíblia refere-se muitas vezes a esta simbologia para referir-se ao cuidado que Deus tem em encaminhar-nos para junto Dele (cf. Ex 19,4), pois a águia é a ave que voa mais alto (cf. Ab 1,4; Pr 30,19), seu vôo simboliza a jornada para o Céu (cf. Pr 23,5).

O deserto é muitas vezes utilizado como a simbolismo do lugar onde Deus está (Ex 3,18; 4,27; 7,16). Por isso o retiro da Mulher é no deserto, isto é, ela é tomada por Deus para junto de Si.

Desta forma, é notório verificar que as asas dadas para a Mulher referem-se à Assunção de Santa Maria ao Céu. A Tradição ensina que a Mãe de Jesus foi assunta ao Céu pelo poder e favor de seu próprio Filho. Os protestantes dizem que Santa Maria foi comida pelos vermes. Será que o Deus que tomou Elias numa carruagem de fogo (cf. 2R 2,11) e que deixou a sepultura de Moisés envolta em mistério (Dt 34,5-6), deixaria o ventre santo que o concebeu e gerou ser comido pelos vermes? Claro que não e os primeiros cristãos creram na Assunção da Mãe de Jesus.

O significado dos 1260 dias

Foi por causa do Pecado Original que o homem tornou-se escravo do pecado, logo escravo de Satanás. A serpente, figura do demônio, planejou a desobediência do primeiro casal para fazê-lo escravo assim como toda sua descendência.

Muitos Pais da Igreja compararam a transmissão do Pecado Original a uma torrente de águas. Segundo a Tradição, Deus impediu que Santa Maria no momento de sua conceição (o ajuntamento da alma criada por Deus com o corpo dado por nossos pais) o pecado original presente no gene humano manchasse sua a alma. Assim, por ordem de Deus a carne de Maria não transmitiu os defeitos do pecado original à sua alma.

Ora, isto é confirmado pela Escritura que diz “A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara”. O demônio queria fazer a Mãe de Jesus “submergir”, isto é, ter domínio sobre ela pela transmissão do pecado original, mas “a terra”, simbologia da nossa carne que foi formada do barro da terra (cf. Gn 2,7), obedecendo aos desígnios de Deus (que preparava Maria para conceber Jesus) não permitiu a transmissão do pecado original (“abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara).

Daí vem ódio do demônio pela Mãe do Senhor (“então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência”). Como ela foi preservada da transmissão do Pecado Original (Imaculada Conceição), Deus deu-lhe “asas de grande águia” e a elevou ao Céu (Assunção de Nossa Senhora), onde está “fora do alcance da cabeça da Serpente”.

Na sagrada Escritura um ano possui 360 dias. 1260 dias divididos por 360 dias são três anos e meio. Por isso os 1260 dias também são referidos como “um tempo, dois tempos e a metade de um tempo” (cf. Ap 12,14).

Ora, este período simbólico de 1260 dias diz respeito ao tempo que deverá se cumprir até que a Serpente seja finalmente derrotada.

Em Mt vemos que o número das gerações de Abrão até Cristo é de 42 (cf. Mt 1,17). No Gênesis vemos que o tempo entre uma geração e outra é de 30 anos (cf. Gn 11,14.18.22). Somente os homens com no mínimo 30 anos eram contados (cf. Nm 4,3.23.30.35.39). Ora, “1260 dias” é o tempo necessário para a sucessão de 42 gerações (30 x 42 = 1260). Assim como 42 gerações deveriam se suceder até a vinda de Cristo (cf. Mt 1,7), também 42 gerações deverão vir até que Cristo venha pela segunda vez.

Em Ap 11,4 podemos confirmar a simbologia do tempo que levará até que todos os eleitos sejam reunidos (cf. Ap 6,10-11).

Infelizmente pela falta de tempo e tantas outras coisas a tratar não poderei lhe ajudar mais. Verifique, no entanto se a Santa Igreja confirmou (seja pelos Santos Padres, seja por seus documentos) o que eu escrevi aqui.

Em Cristo Jesus,

Alessandro Lima.



Livros recomendados

Catecismo anticomunistaCatena Aurea – Vol. 1 – Evangelho de São MateusO livro negro do Comunismo






About the author

Veritatis Splendor