A paz de Cristo!!!!!!!

Mais uma vez agradeço pela grande ajuda que este site oferece na minha formação católica.
Agora, quero propor-vos outro questionamento: rezamos, no credo niceno-constantinopotilano, que Jesus Cristo é "GERADO, não criado, consubstancial ao Pai". Jamais consegui entender o sentido real da palavra gerado neste contexto, e para isso peço a ajuda de vocês.
Desde já grato pelo auxílio, Ivan Mendes

Prezado Ivan, a Santa Paz!

No passado alguns cristãos tinham muita dificuldade de entender a Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, as primeiras heresias que surgiram eram relacionadas à Cristologia, e por esta razão para fim de estudo foram classificadas como heresias cristológicas. Para melhor se inteirar do assunto recomendo a obra “História das Heresias” de Roque Frangiotti, Ed. Paulus, 1995.

A motivação do Evangelho de São João foi exatamente pontuar este assunto. Note que logo no início o Evangelho declara:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. […] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1,1-4.14).

O Símbolo dos Apóstolos, como também é conhecido o Credo Niceno-constantinopolitano, expõe a Verdadeira ortodoxia frente a um grande número de heresias. Como seria demasiado longo expor tal questão, vamos nos ater àquela que diz respeito à tua pergunta.

O termo “gerado” conforme é empregado no Credo, quer dizer que Cristo não foi criado, isto é, que não é criatura, que foi gerado no Pai antes dos séculos dos séculos. Por isso mesmo Ele é eterno como o Pai, sem princípio e sem fim. O Credo assim ensinou para combater a heresia de Ário, presbítero de Alexandria. Ele afirmava que Cristo foi criado como princípio de toda criação.

Mas fica aquela pergunta: ser gerado não é o mesmo que ser criado? Não de forma alguma.

Toda criação de Deus foi feita no tempo, por isso tem princípio e fim.

Cristo, como bem explicou São Tomás de Aquino, é o Verbo de Deus, gerado por Deus antes do Tempo. Assim como nosso verbo expressa as nossas idéias, os nossos conhecimentos, o Verbo de Deus é a própria inteligência de Deus. Como Deus sempre foi sábio, sempre tudo conheceu, antes dos séculos dos séculos, assim Cristo que é o Verbo de Deus, também sempre existiu. Veja como São Tomás explica isso:

Devemos saber que há diversos modos de geração, conforme a diversidade dos seres. A geração em Deus é diferente da geração nos outros seres. Por isso, não podemos chegar a conhecer a geração de Deus, senão por meio da geração das criaturas que mais se aproximam de Deus e que mais se assemelham a Ele. Ora, como já foi dito, nada se assemelha tanto a Deus, como a alma humana.

Há na alma, uma espécie de geração, quando o homem conhece alguma coisa pela própria alma, que se chama concepção intelectiva. O conceito (efeito da concepção) tem a sua origem da própria alma, como de um pai. Chama-se verbo (isto é, palavra mental) da inteligência ou do homem.

A alma, portanto, gera o seu verbo pelo conhecimento.

O Filho de Deus, também, nada mais é que o verbo de Deus, não como se fosse um verbo (uma palavra) já pronunciado exteriormente, porque assim seria transitório, mas como um verbo (uma palavra mental) concebido no interior. Desse modo este verbo de Deus possui a própria natureza de Deus, e é igual a Deus” (1)

Não é fantástica esta exposição do Doutor Angélico?

Por esta mesma razão, São João em seu Evangelho diz sobre o Verbo: “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1,3). Ora, um artista não cria sua obra com base no modelo que está em sua inteligência? Da mesma forma, tudo que Deus fez foi junto com o Seu Verbo. Ora, se para criar Deus necessita do seu Verbo, como poderia ser o Verbo de Deus uma criação Dele?

Percebe agora como é profundo o termo “gerado” que se encontra no Credo? E ainda há gente que não crê que o Espírito Santo sempre esteve presente nos Concílios Católicos.

Espero tê-lo ajudado.

Em Cristo, Jesus.

Prof. Alessandro Lima.

Referências

(1) Aquino, Santo Tomás. Exposição Sobre o Credo. Tradução D. Odilão Moura, OSB. Edições Loyola, São Paulo Brasil, 1981. 5a. Edição. Pg. 36.

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