[Leitor autorizou a publicação de seu nome no site] Nome do leitor: Seminarista André Schueroff
Cidade/UF: Tubarão-SC
Religião: Católica

Mensagem
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Caros Irmãos da Veritatis Esplendedor Pax Christi! Lendo a Biblia me deparei com uma questão um pouco difícil de entender, pelo menos para mim que sou sem muita sabedoria! A questão é a seguinte: no evangelho de São Mateus e São Marcos, nas passagens sobre a Crucificação, e em especial a citação sobre os ladrões, é feita da seguinte forma:
“E até os ladrões, que foram crucificados junto com ele, o insultavam” (Mt 27, 44).

“E até os que haviam sido crucificados com ele o ultrajavam” (Mc 15, 32b).
Mas se vermos o Evangelho de São Lucas ele fala sobre o BOM LADRÃO. (Cf. 23, 39-43).

Importante ressaltar que São João não faz menção a nenhum dos dois aspectos. Gostaria de saber então, quando me perguntarem, como posso explicar esta questão. É uma questão de linguagem ou não?

Desde já agradeço pela colaboração.
Obs:Usei a Biblía de Jerusalém para fazer as citações.
Salve Maria!

Prezado André, a paz de Cristo e o amor de Maria. Bem, irmão, em primeiro lugar peça sim, sempre, a sabedoria do Senhor, que começa com o temor (respeito e devoção) a Ele (Pv. 9.10). Com respeito a tua pergunta, esses ladrões, na verdade bandidos, eram provavelmente seguidores de Barrabás. Nosso Senhor foi colocado na cruz entre esses dois “malfeitores”, para acrescentar a ignomínia desta posição. De acordo com tradição, Dimas foi o nome do ladrão penitente pendurado à direita, e Gesmas do impenitente à esquerda.

Lc. 23.39 diz que um deles consolava Jesus, e o outro O reprovava e era impenitente. O relato de Lucas pode ser facilmente reconciliado com o de Mateus, supondo que, no princípio, os dois ultrajaram o Salvador, e que é deste fato que Mateus fala. Depois um deles cedeu, e se tornou penitente — talvez por testemunhar os sofrimentos pacientes de Cristo. É particularmente disto que Lucas fala. Ou pode ser, que o que é verdade de um dos malfeitores, é por Mateus atribuir a ambos. Os evangelistas, quando por causa da brevidade evitam dar detalhes, freqüentemente atribuem a muitos o que é dito ou é feito por uma pessoa, querendo dizer que isso não foi feito por alguns ou mais deles, sem especificar a pessoa. Compare Mc. 7.17 com Mt. 15.15; Mc. 5.31, com Lu 8.45 e Lc. 9.13 com Jo. 6.8,9.

Tecnicamente, o que ocorreu aqui em Mt. 27.44 é chamado de sinédoque, que é uma figura de linguagem, pois somente um dos ladrões o ultrajou. Veja esta forma de expressão também em Mt. 26:8 e Jo. 12.4.

Então, resumindo: à princípio, os dois criminosos reprovaram a Jesus (Mt. 27.44) e a menção de Lucas do que um dos dois disse não é uma negação disso; e provável que um mencionado aqui se referiu ao mais veemente dos dois; porque, como Lucas relata em um momento, o outro malfeitor se voltou ao Senhor e recebeu perdão.

Espero ter ajudado. Ore por nós.

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