Espaço do Leitor

Leitor pergunta sobre poligamia no at

Porque a poligamia é um pecado, se no antigo testamento são demonstrados muitos casos de poligamia, e no entanto, nos dias atuais a IGREJA defende a monogamia!!

Ora pro nobis, sancta genetrix Dei

Daniel.

Resposta

Prezado Daniel, a Paz de Cristo!

Sua pergunta é muito importante é um grande desafio principalmente para os seguidores da doutrina humana da Sola Scriptura.

Martinho Lutero, Pai da ?Reforma? aprovava a poligamia:

“Confesso não poder evitar que uma pessoa despose muitas mulheres, pois tal não contradiz as Escrituras. Caso um homem escolha mais de uma mulher, deve procurar saber se está satisfeito com sua consciência de que o fará em acordo com o que diz a Palavra de Deus. Neste caso, a autoridade civil nada tem a fazer.” (De Wette II, 459, ibid., pp. 329-330).

O louvado Lutero dos “Evangélicos” até aprovou novas núpcias de diversos Reis que lhe apoiavam. Confira em nossa matéria “Lutero e os primeiros Reformadores pregaram a Poligamia?” (http://www.veritatis.com.br/article/280).

Está certo o “Reformador” em pregar que a poligamia é algo permitido para o cristão ou é a Igreja Católica em ensinar o cristão deve possuir uma única esposa?

Para dar luz à questão por ti levantada vejamos o ensinamento de Santo Agostinho, Doutor da Santa Igreja de Deus:

“Os justos de antigamente imaginavam o reino celeste contemplando o reino terrestre e o anunciavam desse modo. A necessidade de ter posteridade isentava de culpa o costume de um homem possuir muitas esposas ao mesmo tempo. Mas pelo fato de a mulher não ser mais fecunda por ter muitos maridos, não era honesto para ela ter vários maridos. Ao contrário, era torpeza de meretriz prostituir-se por dinheiro ou para ter filhos.

A Escritura não culpa o que nessa ordem de costumes praticavam os justos daquele tempo, aliás sem licenciosidade, ainda que sejam costumes impossíveis de serem praticados agora, sem tendência libidinosa.

Tudo o que de análogo vem narrado na Escritura, deve ser tomado não só em sentido figurado e profético, e há de ser interpretado tendo como finalidade o amor, seja o de Deus e do próximo, seja o de ambos ao mesmo tempo.

Outrora, entre os antigos romanos, trazer uma túnica longa de mangas compridas era coisa considerável infame, ao passo que hoje, entre as pessoas bem nascidas, não trazer tal túnica é uma vergonha. Está aí uma prova de que, em todos os demais usos que fazemos das coisas, se há de procurar evitar a paixão que abusa perversamente dos costumes autorizados no meio em que vivemos e que também muitas vezes exorbitam os limites, fazendo aparecer de modo vergonhoso e manifesto as concupiscências até então comprimidas sob o véu dos costumes adotados.”(A Doutrina Cristã).

Agora devemos entender porque que no tempo dos Patriarcas Deus tolera que eles tomassem mais de uma esposa e porque em nosso tempo isso não é mais permitido.

Os homens Santos dos antigos tempos não eram levados pela sensualidade como normalmente acontece hoje. Tomavam suas mulheres com o fim de procriar. Veja:

Ora, vós sabeis, ó Senhor, que não é para satisfazer a minha paixão que recebo a minha prima como esposa, mas unicamente com o desejo de suscitar uma posteridade, pela qual o vosso nome seja eternamente bendito.” (Tb 8,9)

Quando os Patricarcas tinham relações com as escravas de suas esposas, o faziam com o único fim de procriar e não para se aproveitarem delas sexualmente.

Cristo Nosso Senhor, quando vem ao mundo nos ensina que o verdadeiro sentido do casamento: “homem e mulher uma só carne”. Depois desta revelação de Cristo, torna-se impossível tomar mais de uma esposa. Por isso a prática dos antigos para nós agora é impossível. O que deles Deus tolerava pela ignorância que tinham deste grande mistério e pelo fato de não as usarem de forma sensual, Ele não tolerará de nós que já recebemos de Cristo o ensino do que é o Matrimônio.

Ainda sim faz uso incorreto do Matrimônio aquele que utiliza sua esposa sensualmente.

Termino aqui com a Catequese de Santo Agostinho:

“Se é verdade que, em razão das circunstâncias, um homem pode usar na castidade muitas esposas, é verdade também que outro pode usar com sensualidade uma só. Com efeito, eu aprovo mais quem usa a fecundidade de uma só, por fins carnais. O primeiro procura uma utilidade apropriada às condições de seu tempo. O segundo satisfaz a sua concupiscência enlaçada em voluptuosidades temporais. Assim, os homens a quem o Apóstolo concede, por tolerância, um comércio carnal, para evitar a fornicação, com sua única esposa (1Cor 7,2), estão num grau mais baixo na ascensão a Deus, do que os homens que, embora tendo diversas esposas, tinham unicamente em vista, em seu relacionamento com elas, a procriação de filhos. Assemelhavam-se por aí com o sábio que, no beber e no comer, tem unicamente em vista a saúde do corpo. É porque, se eles tivessem vivido durante a vinda  do Senhor, quando ?não era tempo de espalhar pedras, mas tempo de as juntar? (Ecl 3,5), eles ter-se-iam logo feito eunucos pelo reino dos céus. Isso porque só há dificuldade na privação quando há concupiscência na posse.” (A Doutrina Cristã)

Espero ter ajudado.


Livros recomendados

Anatomia do ÓdioMentiram para Mim Sobre o Desarmamento1964 — O ELO PERDIDO – O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista





About the author

Veritatis Splendor