Espaço do Leitor

Leitor questiona artigo que nega a existência histórica de cristo

– Envio-lhes um email que recebi e gostaria de receber ou ter acesso a posição católica sobre o assunto. Grato. Do Irmão em Cristo. Enner Jefferson.

Prezado Enner,

Pax Christi!

Antes de mais nada, gostaríamos de agradecer pelo encaminhamento desse artigo que “põe em dúvida” a historicidade de Jesus, a quem nós cristãos consideramos como “o Cristo” e “Filho de Deus”.

Mais ainda, damos graças ao nosso Bom Senhor por tal artigo ter sido encaminhado por você, um cristão protestante que, certamente com toda a boa fé, “gostaria de receber ou ter acesso a posição católica sobre o assunto”, confiando, assim, em nossa humilde resposta.

Que o Pai todo-poderoso, com a sua graça, possa nos ajudar a empreender essa tarefa, para que você também, assim como nós, possa render-Lhe um “cântico novo”, por ter sido tão bom e amoroso para conosco, pobres pecadores.

Para facilitar a compreensão e não deixar NADA sem resposta, faremos uso do nosso costumeiro método de abordagem da matéria, considerando cada parágrafo ou idéia do artigo original.

*****

Iniciemos… O conteúdo original do artigo é indicado em azul. Nossas respostas seguem em preto:

“Antes de iniciar o aspecto da inexistência do homem chamado Jesus, é necessário dissociar o conceito Jesus do de Cristo”.

É evidente que o CONCEITO entre Jesus (uma Pessoa) se diferencia do de Cristo (o Salvador Ungido). Porém, isto não significa que JESUS DE NAZARÉ – E APENAS ELE – SEJA O CRISTO! Há, pois, total compatibilidade entre Pessoa e Função.

Nada obstante, verifica-se claramente que o articulista pretende demonstrar a inexistência histórica do “homem chamado Jesus” (se esquecendo ainda que os cristãos não consideram Jesus apenas como mero homem, mas verdadeiramente como “homem E Deus”); logo, mais exato seria ele pretender provar a impossibilidade da Encarnação do Verbo (o que – reconheçamos – não conseguiria mesmo fazer, pois “para Deus, tudo é possível” [Mateus 19,26]). Então, como não pode provar a premissa maior, tenta a menor…

“Cristo vem do crestus essênio e significa peixe, literalmente, mas o sentido é de ungido, entre outras palavras, referindo-se ao estado transpessoal do ser humano”.

Sabemos muito bem que os primeiros cristãos atribuíam, sim, a figura do peixe a Jesus Cristo, Senhor Nosso. As catacumbas de Roma possuem inúmeras pinturas do Peixe nas lápides que encerram ou encerraram corpos de cristãos falecidos e martirizados.

Porém, Cristo não significa “peixe”, mas “Ungido”; e tal fato nada tem à ver com “o estado transpessoal do ser humano” – como quer fazer crer o articulista – se relacionando, ao contrário, ao fato de que o Pai consagrou o Filho para uma missão de salvação (esclarecendo, assim, o Novo Testamento, o motivo prefigurado pelo qual os reis e sacerdotes de Israel eram ungidos com um caráter sagrado: eram a “sombra” de Cristo Jesus, o Messias! O único que seria DE FATO simultaneamente rei e sacerdote!).

Por seu turno, o hábito de os cristãos apontarem Cristo pela imagem do Peixe também nada tem a ver com o tal “crestus essênio”, pois o óleo da unção dos reis e sacerdotes encontra-se detalhamente descrito em Êxodo 30,22, o qual foi redigido centenas de anos antes da própria existência dessa seita judaica.

Na verdade, a figura do Peixe foi sabiamente escolhida pelos primeiros cristãos (que passaram a ser perseguidos logo no início de sua formação, quer por judeus, quer por pagãos) porque encontrava fundamento bíblico nas palavras de Jesus: “Eu vos farei pescadores de homens” (Marcos 1,17) e também porque a palavra “peixe” em grego (escrita em caracteres latinos “ichtus”) representava abreviadamente a expressão “Jesus [I] Cristo [CH], de Deus [TH] Filho [U], Salvador [S]”.

Cristo, como se vê, é representado pelos caracteres latinos CH que, por sua vez, correspondem aos caracteres gregos P (chi) e X (rô). Prova disto é que também são encontrados inúmeros símbolos “PX” nas catacumbas e túmulos cristãos, tendo se convertido no monograma clássico de Cristo (que, mais tarde, em latim, passaria a significar também “Christus Rex”, ou seja, “Cristo Rei”).

Qualquer cristão que visitasse as catacumbas mais antigas (onde eram enterrados não apenas cristãos mas também e principalmente pagãos) conseguia rapidamente identificar um túmulo cristão através desses símbolos ou outros, como a âncora, o pelicano, o pavão e o pastor.

Percebemos, assim, que o articulista, desconhecendo ou desprezando completamente a primitiva iconografia cristã, as Sagradas Escrituras e a Sagrada Tradição da Igreja, inventa estórias (sem “H” mesmo!) e faz uma tremenda salada, que se revela indigesta para os incautos.

“Autores de peso, como Sêneca, Marcial, Juvenal, Plínio o Velho, Apuleio, Fílon de Alexandria e muitos outros, viveram no transcorrer do século I e nunca o mencionaram, apesar de serem imensamente interessados nas questões religiosas da sociedade em que viviam. Os autores gregos, hindus, árabes e judeus também nunca ouviram falar na existência de Jesus”.

Primeiramente, vamos ver quem era cada um desses homens: Sêneca (+65), Apuléio (+164) e Fílon (+50) eram FILÓSOFOS e não historiadores, possuindo crenças pagãs próprias; Marcial (+102) e Juvenal (+50?) eram POETAS e não historiadores; Plínio o Velho (+79) era NATURALISTA e não historiador.

Em suma: NENHUM deles tinha compromisso com a tarefa de apontar e narrar FATOS HISTÓRICOS, pois se dedicavam principalmente às matérias ESPECULATIVAS. Com efeito, não nos surpreende em absolutamente nada que TALVEZ nada tenham abordado sobre a figura histórica de Jesus.

E usamos aqui um “talvez” porque, sabendo do penoso processo de redação, publicação e transmissão dos textos na época antiga, é bem possível que diversas obras desses escritores nem mesmo tenham sido copiadas e transmitidas…

Ironia do “destino” é que as obras literárias desses homens, que conseguiram chegar até os nossos dias, só foram salvas GRAÇAS aos monges católicos medievais que as copiaram e as difundiram em manuscritos, ainda que não fizessem referências a Jesus Cristo ou à religião cristã, o que redunda em prol da própria Igreja Católica em dois pontos:

1º) Por salvar a literatura “clássica” e antiga;

2º) Por demonstrar que os monges copistas reproduziam, com boa fé e fidelidade, tais textos de origem pagã. E se tomavam tal cuidado com essas obras, quanto mais tomariam com as Sagradas Escrituras e outras obras de autores cristãos!!!

Seja como for, o articulista OMITE que outras personalidades antigas NÃO ESQUECERAM de falar de Cristo! Inclusive historiadores, compromissados com fatos históricos…

Tácito (+115), historiador e jurista romano, aponta: “Este nome (cristãos) lhes vem de Cristo, que no tempo de Tibério tinha sido entregue ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos” (“Anais” XV,44).

Ou o também historiador e sociólogo romano Suetônio (+141), que observava que durante o reinado do imperador Cláudio (41-54),  expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestós, se haviam tornado causa frequente de tumultos” (“Vita Claudii” XXV). Observe-se que “Chréstos” é uma forma grega equivalente a Christós e a informação condiz perfeitamente com o relato de Atos 18,2: Cláudio decretou que todos os judeus saíssem de Roma” .

Ou o historiador judeu Flávio Josefo (+98), que afirma: “Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo.” (Josefo, “Antiguidades Judaicas” XVIII,3,2).

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Ou, ainda, com o antiquíssimo Talmud Babilônico, relatando a seu jeito, para favorecer os judeus: ” Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: ‘Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferí-lo!’ Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa” (Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia). Note-se que este relato judaico não põe em dúvida a existência histórica de Jesus, muito pelo contrário…

Como se vê, todos eles falam da PESSOA de Cristo (não simplesmente da existência de cristãos). Logo, não há como se afirmar que “escritores antigos” nunca ouviram ou falaram acerca de Jesus Cristo. Afirmar o contrário é querer passar uma “borracha” injustificadamente sobre a História, deliberadamente para satisfazer seus próprios interesses e desejos pessoais.

“Nada consta no Sinédrio de Jerusalém, nem nos anais de Pôncio Pilatos, nem nos do Imperador Tibério, malgrado a ameaça de um novo rei, ainda que do ‘outro mundo’ merecesse toda a atenção do Império Romano. O silêncio é gritante!”.

Jerusalém foi destruída pelos romanos, no ano 70 d.C., em razão dos constantes tumultos e levantes judaicos; no ano 135, após nova e violenta revolta, os romanos tornaram a invadir e, desta vez, a destruir por completo toda Jerusalém… Praticamente nada sobrou e o Templo foi arrasado. Quereria o articulista ainda esperar encontrar algum documento do Sinédrio e, mais especificamente, sobre Cristo? Quanta pretensão!

No que diz respeito aos registros públicos romanos, também não seria necessário lembrar que Roma foi invadida, pilhada e destruída algumas vezes pelos bárbaros, outras vezes pelos próprios governantes romanos em guerras que travavam entre si. Portanto, poderiam muito bem ter sido destruídos em algum desses eventos ou o articulista pode provar, com ALGUM registro histórico, o contrário?

Ademais, se Jesus de fato nunca tivesse existido, tal “mentira cristã” não teria durado muito, até porque contava com a total repressão dos judeus? Como poderia um “mito sem pé nem cabeça” conquistar todo o vasto e poderosíssimo Império romano, sofrendo duríssima perseguição, quer de judeus, quer de pagãos, em apenas três séculos?

Como quer que seja, pelo que apreciamos até aqui, a evidência histórica fala muito mais favoravelmente à existência de Jesus…

“Segundo La Sagesse, ‘As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que teriam sido contemporâneos de Jesus os quais não fazem qualquer referência ao mesmo. Por outro lado, a ciência histórica tem-se recusado a dar crédito aos documentos oferecidos pela Igreja, com intenção de provar-lhe a existência física. Ocorre que tais documentos, originariamente não mencionavam sequer o nome de Jesus, todavia foram falsificados, rasurados e adulterados visando suprir a ausência de documentação verdadeira. Por outro lado, muito do que foi escrito para provar a inexistência de Jesus Cristo foi destruído pela Igreja, defensivamente. Assim é que por falta de documentos verdadeiros e indiscutíveis, a existência de Jesus tem sido posta em dúvida desde os primeiros séculos desta era, apesar de ter a Igreja tentado destruir a tudo e a todos os que tiveram coragem e ousaram contestar os seus pontos de vista e os seus dogmas'”.

Com a apreciação que fizemos anteriormente, percebemos como são vãs e ridículas as palavras de La Sagesse… Até porque vimos que foi graças aos monges copistas da Igreja Católica que nos chegaram até mesmo as obras de escritores pagãos…

Se fôssemos levar à sério as palavras de La Sagesse, deveríamos começar a duvidar também da existência de muitíssimos (não só de alguns!) personagens antigos e anteriores a Cristo, inclusive Sócrates e Platão, que só nos chegaram graças a esses monges…

Ou teríamos ainda que concluir – ABSURDAMENTE – que a Terra e todo o universo não existem verdadeiramente porque faltam registros históricos confiáveis e documentados que sigam a “ciência séria e pessoal” de cada um destes críticos do Cristianismo e da Igreja Católica.

Com efeito: se os documentos que fazem menção à existência histórica de Cristo que citamos acima foram corrompidos, que nos apresentem – segundo a mesma ciência EXATA que nos pedem – QUAIS são os manuscritos mais antigos, dos MESMOS escritores, que contradizem a existência histórica de Jesus e os relatos acima transcritos.

Que não façam, pois, acusações LEVIANAS E GRATUITAS, mas que demonstrem com dados cientificos CONFIÁVEIS E IRREFUTÁVEIS. O articulista, portanto, faz uma alegação pura e simples, mas não apresenta PROVA em contrário e nem se dá ao luxo de pelo menos fazer uma referência, segundo o critério científico, de onde tirou as suas “conclusões racionais”.

“Paralelamente, Alberto Cousté diz que ‘A única exceção estaria em um parágrafo das Antigüidades Judaicas, de Flávio Josefo (37-95), mas Hainchelin demonstra, pela crítica comparada que faz de outras passagens, que se trata de uma grosseira e tardia interpolação. Voltaire já o havia intuído no artigo ‘Cristianismo’ do Dicionário Filosófico: ‘Como teria esse judeu obstinado afirmado que Jesus era o Cristo? Que absurdo colocar na boca de Josefo palavras de um cristão!’. É muito importante se indagar qual o porquê desta interpolação forjada por Eusébio. Qual motivo haveria senão encobrir a inexistência de Jesus?”

O autor cita a passagem interpolada de Flávio Josefo, mas esquece de dizer que existe uma outra, mais antiga, que não possui tal interpolação e que não nega a existência de Jesus (apenas não afirma que ele era o Cristo, como realmente seria de se esperar de um historiador que professa o Judaísmo!). Tal passagem é justamente aquela que apontamos mais acima e que novamente reproduzimos aqui, para relembrar:

“Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo. [Talvez ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas]” (Josefo, “Antiguidades Judaicas” XVIII,3,2). (Josefo, “Antiguidades Judaicas” XVIII,3,2).

Mas ainda que se considerasse a interpolação (indicada acima entre colchetes), o fato é que ela também não diz respeito à historicidade de Jesus, mas parece apontar uma “dúvida” de Josefo de TALVEZ ser Jesus o Messias prometido ao Povo de Israel (e nada mais que isso!).

Cai por terra, assim, e de uma só vez, todos os argumentos de Cousté e de Voltaire… Novamente notamos que a História tende para a existência de Jesus de Nazaré!

Mais interessante, porém, é saber – ah, como a História nos faz bem!! – que Voltaire morreu buscando a sua reconciliação com a Igreja Católica, tendo sido assistido por sacerdotes católicos, que ali estavam a seu pedido (ou seja, será que não acreditava mesmo na existência histórica de Jesus Cristo?)!!!

“Os maçons do mais alto grau sabem (ou desconfiam) que as palavras postas na boca do mito de Jesus eram na realidade de João, o Essênio, também conhecido como o Batista. Marcelo Mota, em Carta a Um Maçon, denuncia esse fato, explicando que João teria nascido antes do século I e o seu pensamento teve grande impacto sobre a época em que viveu, afirmando que ‘o homem era o templo do deus vivo’. Assim, os primeiros patriarcas não puderam deixar de incluí-lo, sob pena de levantar suspeita. O quarto Evangelho diz que ‘Havia um homem enviado por Deus, cujo nome era João’. Iguala, pois, João a Jesus”.

A fé e a doutrina da Igreja Católica é TOTALMENTE incompatível com as crenças e as afirmações maçônicas.

Ademais, nunca é tarde para lembrar que a Igreja Católica continua DECLARANDO não ser possível a ninguém querer ser católico e, ao mesmo tempo, maçon. Se alguém afirmar ser maçon, CERTAMENTE não poderá afirmar ser “cristão católico”, dada a condenação existente.

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Logo, o que os maçons acham ou deixam de achar sobre Jesus NÃO NOS QUER SIGNIFICAR ABSOLUTAMENTE NADA! Se eles acham que Jesus e João Batista eram iguais, PROBLEMA deles. Responderão por sua posição no Dia do Juízo.

Porém, para sermos um pouco mais práticos: onde e como o tal Marcelo Mota PROVOU que Jesus não existiu? Apenas por ter dado a entender que Ele usou ensinamentos de João Batista? Mas João Batista era judeu, assim como o próprio Jesus!!! Logo, os pensamentos de João Batista e de Jesus, EVIDENTEMENTE, não se opunham às verdades contidas no Antigo Testamento e poderiam ser realmente bem semelhantes!!! Ora, em que isto contradiz a existência fática de Jesus? Em nada!

“Em relação aos supostos milagres do mito do nazareno, a cópia descarada foi, agora, de Apolônio de Tiana, que teria revivido os mistérios de Dionísio. Vejamos alguns desses milagres, de acordo com Alberto Cousté: a) Apolônio teria nascido também de mãe virgem; b) Diversos reis enviaram presentes e cartas à parturiente; c) Ainda criança, ele discutiu com os doutores do templo de Esculápio e os derrotou; d) Os cisnes cantaram no seu nascimento e um raio caiu do céu (adoração dos pastores e a estrela de Belém); e) Os anjos transportavam-no pelo ar (segunda tentação de Jesus); f) Ressuscitava mortos, curava cegos e aparecia na frente de amigos distantes; g) Entendia a linguagem dos pássaros; h) Convocava o demônio, que lhe aparecia sob a forma de um olmo; i) Tinha poder sobre os demônios inferiores que atormentavam os possuídos, expulsando-os ao capricho dos seus desejos. Basta dar uma consultada em A Vida de Apolônio, escrita por Filóstrato. Não é só. Os ritos solares baseados na fórmula do deus sacrificado, copiaram-se uns aos outros. Seria cansativo repeti-los todos aqui, mas, veja-se, por exemplo, em relação ao mito de Horus, há milhares de anos antes do conto de Jesus e, depois, leitor, julgue você mesmo a espantosa semelhança: a) Horus nasceu de uma virgem em 25 de dezembro; b) Horus teve 12 discípulos, que representavam os doze signos zodiacais; c) Horus foi enterrado em um túmulo e ressuscitado; d) Horus era também a Verdade, a Luz, o Messias, o Pastor Bom etc.; e) Horus também realizava milagres; f) Horus ressuscitou um homem chamado El-Azar-Us, que, é óbvio, traduziram como Lázaro, o leproso. O copista nem se deu ao trabalho de mudar o nome, já que a grande massa era ignara e não sabia latim; g) O epíteto de Horus era “Iusa” (Jesus), “o Filho sempre tornando-se” de “Ptah”, o “Pai”; h) Horus também era chamado o “KRST” (Cristo) ou “Ungido”. Se perscrutar outros ritos, como o de Mitra, Adônis, Krishna, Osíris etc., fica patente novas e inúmeras cópias, vários plágios de textos religiosos, com pouca alteração. Indico aqui ao leitor que quiser se aprofundar no assunto a obra Ísis Sem Véu, de Madame Blavatsky.”

Como o articulista – NA VERDADE – não possui NENHUM ARGUMENTO SÓLIDO (principalmente histórico) para fundamentar a sua pretensão de negar a existência de Jesus, parte para um plano B, que seria dizer que o Cristianismo (em especial o Catolicismo) é resultado de um Paganismo misturado com crenças judaicas. Em outras palavras, os cristãos teriam criado o “mito” Jesus fazendo uso de uma série de crenças pagãs.

TAL ARGUMENTO É PRA LÁ DE VELHO… E ANTI-HISTÓRICO!! O argumento, aliás, costuma a ser explorado pelos protestantes (Hislop, White etc.), sem convencer dada a precariedade das “provas” suscitadas.

A propósito, há alguns anos, um Pastor protestante, pr. Ralph Woodrow, publicou um livro, baseado sobretudo nas teses de Hislop, rotulando as crenças católicas como “pagãs”; passados alguns anos, humildemente reconheceu que fôra injusto e se retratou publicamente, tirando o seu livro de circulação e publicando um outro em que restabelecia a verdade que descubrira em suas pesquisas mais honestas (veja aqui, nas suas próprias palavras: http://www.ralphwoodrow.org/books/pages/babylon-mystery.html). Obviamente que, além de desagradar os ateístas de plantão, acabou por desagradar muitos protestantes que enxergavam no seu livro anterior uma arma hábil contra os católicos… 😉

Ora, nós, cristãos em geral (católicos, ortodoxos e protestantes) oramos a Deus. Os pagãos faziam (e fazem o mesmo). Então porque oramos, somos pagãos? Nós cremos em Deus, os pagãos também; então somos pagãos? Nós cremos que Deus tem o poder de fazer milagres, os pagãos também pensam o mesmo de seus inúmeros deuses; então nosso Deus teve origem pagã? Uma mentalidade bem simplista… e curta…

E as ORIGENS de certos detalhes seriam exatamente as mesmas e expressariam também os MESMOS SIGNIFICADOS? O Natal dos cristãos expressaria a recordação da Encarnação do Verbo ou A adoração de um deus pagão chamado Mitra?

É ÓBVIO que a origem do Natal encontra-se na Encarnação de Jesus, Deus feito homem, e sua celebração NADA TEM a ver com o Mitraísmo… A idéia é ridícula e sem sentido algum; TOTALMENTE FORA DA REALIDADE, demonstrando apenas a FANTASIA de certas pessoas que, para negarem alguma coisa que não lhe agrada, misturam alhos com bugalhos e só podem confundir mesmo aqueles que NÃO EDIFICARAM A SUA FÉ SOBRE A PEDRA (Mateus 16,18), mas sobre a areia.

Pois muito bem, se tais coisas REALMENTE são pagãs, então que nos PROVE não apenas alegando gratuitamente, mas apresentando fontes confiáveis e, acima de tudo, PRECISAS! Na verdade, o autor do artigo incorpora aqui o famoso “espírito de papagaio”, repetindo coisas afirmadas por outros, que por sua vez ouviram de outros e assim vai, sem se atentar para uma análise mais cuidadosa e… histórica!

Os 12 Apóstolos correspondem aos 12 signos do zodíaco? Em que fonte ESCRITA foi relatado isso ORIGINALMENTE? Em que livro, em que capítulo e em que ano foi escrito PRECISAMENTE?  …  E que o articulista faça o mesmo para cada “plágio cristão” que encontrar, vez que o ônus de provar é sempre de quem afirma…

Estaremos aqui, SENTADOS, esperando as PROVAS…

“Além disso, os textos pagãos, essênios e gnósticos foram descaradamente copiados para compor o atual Novo Testamento, junto com o expurgo dos apócrifos, no Concílio de Nicéia, em 325, onde provavelmente foi criado o mito de Jesus para dar cumprimento à profecia judaica sobre o advento de um messias. O anônimo autor de Supernatural Religion demonstra o caráter espúrio dos quatro Evangelhos, perpetrada por Irineu e seus lacaios”.

Desta vez o autor “viajou na maionese”…

Primeiro: se os textos gnósticos foram COPIADOS para compor o Novo Testamento então porque Santo Ireneu (+202) escreveu justamente sua obra “Contra as Heresias” especificamente contra os gnósticos e citando inúmeras vezes trechos do Novo Testamento?

E isto basta também para demonstrar que o tal “anônimo autor de Supernatural Religion” caiu também em total contradição ao afirmar que os Evangelhos foram “perpetrados por Irineu e seus lacaios”… Ora, se Ireneu é antignóstico, como poderia usar os textos gnósticos para compor o NT?

Veja também  O que fez Caifás ao receber Jesus na sua casa?

Segundo, a ciência já PROVOU DEFINITIVAMENTE que o Novo Testamento é muito anterior ao Concílio de Nicéia. Diversos fragmentos de papiros do NT são datados – segundo as modernas técnicas e metodologias das ciência – como ANTERIORES ao séc. IV (vários deles, inclusive, do mesmo séc. I d.C.!).

Ademais, existem muitos autores cristãos anteriores ao referido Concílio e a Ireneu (Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Hermas de Roma, Pápias de Hierápolis, Aristides de Atenas, Taciano da Síria, Atenágoras de Atenas, Teófilo de Antioquia, entre vários outros) que citam LITERALMENTE passagens e seções inteiras do Novo Testamento tal como sempre conhecemos em nossas leituras…

Percebe-se que o articulista, no seu afã de pregar contra a existência de Cristo, CAI EM TOTAL CONTRADIÇÃO, pois ao querer fazer uso favorável dos apócrifos gnósticos para retirar a autoridade do Novo Testamento canônico, SE ESQUECEU QUE OS ESCRITOS GNÓSTICOS APÓIAM E CONCORDAM QUE JESUS REALMENTE EXISTIU!!!!

E assim, o próprio o Autor deste artigo contra Jesus perde TOTALMENTE a sua autoridade (se é que ainda lhe restava alguma…).

“É óbvio que esta fraude em nada influenciou os judeus, que sabiam da história toda, razão por que eles têm sido perseguidos nestes dois milênios pelo Vaticano”.

E eis que novamente o articulista cai em contradição… Afirma ele agora que a “fraude do NT não influenciou os judeus” e que eles “sabiam da história toda” (isto é, de que Jesus não teria existido!)…

Ora! Se isto fosse verdade, ou seja, se soubessem MESMO que Jesus nunca teria existido, não teriam preferido afirmar isso CLARA E ABERTAMENTE ao invés de se reunirem em Jâmnia, por volta do ano 90 DEPOIS DE CRISTO, para estabelecerem o cânon da Bíblia judaica – “retirando” (como se pudessem fazê-lo após a vinda do Cristo Salvador!) a autoridade das escrituras aceitas naturalmente pelos judeus alexandrinos (que adotavam a Septuaginta, com os livros que chamamos hoje de “deuterocanônicos”) e que agora vinha sendo usado pelos cristãos para suportar todo o ensino cristão (inclusive da própria existência de Cristo)?

E (relembrando mais uma vez a afirmação do autor feita no parágrafo anterior), porque esses judeus, que “sabiam de tudo” não agregaram à sua Bíblia oficial, de Jâmnia, os livros gnósticos se estes tinham verdadeiramente alguma autoridade? Mais: por que não teriam feito o mesmo no seu Talmud, ao invés de – ao contrário – confirmarem a existência histórica de Cristo? Ora, leiamos novamente o que o Talmud afirma CATEGORICAMENTE:

NA VÉSPERA DA PÁSCOA suspenderam a uma haste JESUS DE NAZARÉ. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: ‘Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferí-lo!’ Nada, porém se encontrou que o justificasse; ENTÃO suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa.” (Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia).

Com efeito, se o autor assume que os judeus “sabiam de tudo”, DEVERÁ RECONHECER QUE JESUS CRISTO REALMENTE EXISTIU NO TEMPO E NO ESPAÇO TERRESTRE, pois os judeus reconheceram isso!!!!!

CHEQUE-MATE!!!

Quanto à acusação de que o Vaticano persegue os judeus, eles mesmos já  reconheceram HISTORICAMENTE que foi graças ao Vaticano que muitos deles se salvaram durante a II Guerra Mundial. E, além disto, o papa João Paulo II emitiu um pedido de perdão aos judeus pelos crimes praticados pelos FILHOS DA IGREJA. Portanto, o articulista está tratando, no mínimo, de coisas que desconhece; ou pretende – inutilmente! – ressuscitar uma culpa que já foi sepultada pela própria História.

“Havia quase setenta seitas, no século IV, de acordo com uma enumeração de Epifânio, que compartilhavam sobre a maldade intrínseca da criação e viam em Jeová um demiurgo imperfeito e rancoroso, que se deixava enganar por sua própria criação. Uma dessas seitas, de opinião diversa, sofrera enormemente a influência do culto mitral, trazida pelos soldados de Pompeu, pouco antes do início da era cristã, deslumbrados pelo dualismo persa. Estando o Império Romano fragilizado, esta seita aliou-se a Constantino. O benefício seria mútuo. Por um lado, ajudaria a fortalecer o império, por outro destruiria as outras seitas, firmando-se por absoluto. Esta seita se transformou no que conhecemos hoje como a Igreja Católica”.

Esse argumento já foi inúmeras vezes refutado aqui, no site do Veritatis Splendor.

Por essa razão, além de observar que o articulista faz novamente uma afirmação gratuita, sem apontar fontes em que possa fundamentar seu o “raciocínio”, preferiremos indicar os artigos em que as teses mais absurdas sobre um “possível” relacionamento entre Catolicismo e Paganismo foram abordadas:

http://www.veritatis.com.br/article/575
http://www.veritatis.com.br/article/3001
http://www.veritatis.com.br/article/468
http://www.veritatis.com.br/article/3958
http://www.veritatis.com.br/article/4044

Esses são apenas alguns textos; mas é possível encontrar MUITOS outros usando a ferramenta de busca existente do site Veritatis Splendor, digitando-se no campo de pesquisa (no topo superior direito) palavras-chave como “Paganismo”, “Babilônia”, “Pagã” etc. Para aí remetemos o leitor interessado em mais detalhes.

“Portanto, o Cristianismo só poderia se assentar através da pena (fé cega) e pela espada (perseguição religiosa). E, invocando a própria Igreja Católica, está na frase histórica, proferida pelo papa Leão X: Quantum nobis prodeste haec fabula Christi! – ‘Quanto nos ajuda esta fábula de Cristo!'”.

O desfecho CERTAMENTE não poderia ser o pior e mais desastrado possível…

Inconformado pelo “cheque-mate” dado anteriormente, parte o autor para jogar no ar uma “lenda urbana”, citada por muitos protestantes anticatólicos (na base do já mencionado “espírito de papagaio”), mas NUNCA PROVADA…

Pois muito bem, CHEQUE-MATE 2: Aponte-nos em qual documento da Igreja o Santo Padre o Papa Leão X  (1513-1521) escreveu tal coisa!!!

EIS AÍ O NOSSO DESAFIO, já que a Verdade é única!!!

Se achar, aliás, mande-nos uma cópia para que possamos disponibilizá-la na Área de Documentos da Igreja, que mantemos aqui no Veritatis Splendor. E não se importe se não encontrar tal documento em português, mas só em qualquer outra língua, pois teremos IMENSO PRAZER em traduzí-lo.

Aliás, achamos que isso seria o mínimo que o articulista deveria fazer… Pelo menos assim, talvéz pudéssemos rever este nosso segundo “cheque-mate” e então ficaríamos empatados, já que ele NUNCA conseguirá derrubar o nosso primeiro “cheque-mate”… 😉

Em outras palavras… O ARTICULISTA NUNCA PROVARÁ QUE JESUS DE NAZARÉ NÃO EXISTIU!!! E NÓS TEMOS A CERTEZA DE QUE TAMBÉM NUNCA CONSEGUIRÁ DEMONSTRAR QUE O PAPA PIO X TENHA PRONUNCIADO TAL DESATINO!

Bom. Se antes esperávamos sentados, cremos agora FIRMEMENTE que poderemos deitar e dormir pra lá de despreocupados 😉

CONCLUSÃO: A HISTÓRIA E A RAZÃO DEMONSTRAM QUE JESUS CRISTO EXISTIU. A ESTÓRIA [DA CAROCHINHA] E A FALTA DE RAZÃO DEMONSTRAM O INVERSO!

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Em complemento a esta resposta que oferecemos, sugerimos ainda a leitura dos seguintes artigos do Veritatis Splendor:

A Igreja e o Paganismo
http://www.veritatis.com.br/article/3958/
http://www.veritatis.com.br/article/4073/
http://www.veritatis.com.br/article/3001/
etc.

Historicidade de Cristo
http://www.veritatis.com.br/article/569/
http://www.veritatis.com.br/article/570/
http://www.veritatis.com.br/article/4041/
etc.

Vaticano e Judaísmo
http://www.veritatis.com.br/article/3339/
http://www.veritatis.com.br/article/3729/
http://www.veritatis.com.br/article/3123/
http://www.veritatis.com.br/article/57
http://www.veritatis.com.br/article/1832
etc.

(Use a ferramenta de busca existente do site Veritatis Splendor, para obter outros resultados e artigos interessantes!).


Livros recomendados

A Auto-estima do cristãoA Oração em LínguasA Fraude do Aquecimento Global





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Veritatis Splendor