Espaço do Leitor Respostas a Leitores (por Marcos Monteiro Grillo)

Leitor questiona texto do Padre Zezinho sobre o Purgatório

Sou leitor assíduo do Veritatis, abro quase todos os dias. Fico sempre à espera de novos assuntos. Assino um jornal católico – Correio Riograndense e li na edição de 23/04/2008, página 12, um texto do pe. Zezinho que me impressionou. Ao que parece está contrariando as Orações Eucarísticas, as indulgência plenárias… Sinceramente, acho que não entendi o texto do padre. Gostaria que vocês me explicassem melhor (Francisco):

CATEQUESE DA PURIFICAÇÃO

A palavra purgatório significava na Igreja, lugar de purificação.

Encontrou respaldo na história contada por Jesus sobre o servo mau e sem misericórdia. Mt 18,21.

O servo cruel que pediu misericórdia ao patrão a quem devia não teve misericórdia para com o companheiro que lhe devia muito menos.

E foi jogado numa cela e torturado até pagar sua dívida.

Certos de que ninguém chega a Deus se não estiver puro – Salmo 24,3-4

Mt 5,8 … e ninguém verá a Deus se não for puro, concluíram os catequistas de ontem que para quem morre impuro, ou insuficientemente puro, não pode haver céu. Mas também não pode haver inferno, pois não rejeitaram Deus. Então deve haver algum lugar de purificação que não seja nem inferno nem céu. A doutrina do purgatório foi ensinada por muitos séculos na Igreja. E ainda é ensinada ipsis literis por muitos sacerdotes.

Uma corrente que acentua a misericórdia de Deus e o sentido redentor da morte de Jesus para as pessoas de boa vontade, inclusive os pecadores que não fizeram pecado de opção e sim de atos e atitudes, tende a crer que não há o estágio purgatório depois da vida. Certamente não é lugar de fogo, nem de tortura. E não é lugar. A purificação existe. Ninguém chega impuro à Deus, mas só Deus e a pessoa sabem o que valeu como purificação para ela. Dores, enfermidades, sofrimentos, infelicidades, decepções, derrotas, caridade, justiça, atos heróicos, só Deus sabe o que purificou este filho.

A tendência não é mais rezar pelas almas do purgatório e sim orar pelos que precisam de conversão e de pureza de alma, os vivos e os que morreram e por ventura venham a precisar de nossa prece. Não sabemos nada sobre o depois da vida. Por isso tateamos. O melhor é rezar, sem nos prendermos a imagens.

De qualquer modo aquelas orações que salvam alguém no 5º sábado depois da morte, ou as 9 primeiras sextas feiras que garantidamente salvam alguém, ou ainda, os anjos que vão lá tirar uma alma do fogo do purgatório cada vez que se faz uma oração infalível por ela, não fazem mais parte do catecismo católico. Quem fizer isso está mais no terreno do folclore do que da fé. Religião também evolui. As almas não queimam no fogo. Fogo só queima a matéria.

Não existe fogo nem de inferno nem de purgatório. Existe sofrimento e conversão ou teimosia. Faz sentido começar em vida e voluntariamente o seu purgatório. Não há ninguém que não precise purificar-se. Baptitsomai: batizar-se todos os dias.

Fonte: Site oficial do Pe. Zezinho, scj (http://www.padrezezinhoscj.kit.net/artigos/rc5.htm)

Prezado Francisco,

A paz de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

A doutrina do purgatório ensinada pela Igreja não mudou. A julgar por esse texto, o Pe. Zezinho, como teólogo, é um excelente cantor… Chama-nos a atenção o seguinte trecho:

“Uma corrente que acentua a misericórdia de Deus e o sentido redentor da morte de Jesus para as pessoas de boa vontade, inclusive os pecadores que não fizeram pecado de opção e sim de atos e atitudes, tende a crer que não há o estágio purgatório depois da vida.”

Que “corrente” seria essa? E por maior que seja essa “corrente” (supostamente, de “teólogos”), a única coisa que importa é o ensino oficial da Igreja, e esse não mudou. O católico deve seguir aquilo que a Igreja ensina, e não dar ouvidos a esta ou aquela “corrente” ou “tendência”.

Outras afirmações contidas no artigo, como “só Deus e a pessoa sabem o que valeu como purificação para ela” e “a tendência [sic] não é mais rezar pelas almas do purgatório e sim orar pelos que precisam de conversão e de pureza de alma”, tudo isso fica por conta do Pe. Zezinho (ou da suposta “corrente” a que ele se refere). Quanto à afirmação de que “não sabemos nada sobre o depois da vida”, talvez o Pe. Zezinho tenha se esquecido do que ensina o Catecismo da Igreja Católica nos seus parágrafos 1020 a 1065.

É oportuno ler os ensinamentos abaixo (grifos meus), de João Paulo II:

“6. As orações de intercessão e de súplica, que a Igreja não cessa de dirigir a Deus, têm um valor enorme. Elas são «próprias dum coração conforme com a misericórdia de Deus» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2635). O Senhor deixa-Se sempre tocar pelas súplicas dos Seus filhos, pois é o Deus dos vivos. Durante a Eucaristia, mediante a oração universal e o memento pelos defuntos, a comunidade reunida apresenta ao Pai de todas as misericórdias aqueles que morreram, a fim de que, pela prova do purgatório, se esta lhes for necessária, sejam purificados e cheguem à felicidade eterna. Ao confiarmo-los ao Senhor, reconhecemo-nos solidários com eles e participamos na sua salvação, neste admirável mistério da Comunhão dos Santos. A Igreja acredita que as almas que estão retidas no purgatório «são ajudadas pela intercessão dos fiéis e sobretudo pelo sacrifício propiciatório do altar» (Concílio de Trento, Decreto sobre o Purgatório), assim como «pelas esmolas e as outras obras de piedade» (Eugénio IV, Bula Laetantur caeli). «Com efeito, a própria santidade já vivida, que deriva da participação na vida de santidade da Igreja, representa o primeiro e fundamental contributo para a edificação da própria Igreja, como “Comunhão dos Santos”» (Christifideles laici, 17).

7. Encorajo, pois, os católicos a orarem com fervor pelos defuntos, por aqueles das suas famílias e por todos os nossos irmãos e irmãs que morreram, a fim de obterem a remissão das penas devidas aos seus pecados e ouvirem o apelo do Senhor: «Vem, ó minha alma querida, ao repouso eterno entre os braços da Minha bondade, que te preparou as delícias eternas» (Francisco de Sales, Introdução à vida devota, 17, 4).” (Carta do Papa João Paulo II ao Bispo de Autum, Châlon e Mâcon Abade de Cluny)

No mais, recomendo a leitura dos artigos abaixo, todos publicados [no site do Apostolado Veritatis Splendor]:

– DEBATE SOBRE A DOUTRINA DO PURGATÓRIO

– ESCATOLOGIA: ESTUDO DAS REALIDADES DO ALÉM (PARTE 1)

– ESCATOLOGIA: ESTUDO DAS REALIDADES DO ALÉM (PARTE 2)

– O PURGATÓRIO E A ORAÇÃO PELOS MORTOS

– O PURGATÓRIO É PASSAGEM OBRIGATÓRIA PARA TODOS?

– O PURGATÓRIO NAS SAGRADAS ESCRITURAS

– PROTESTANTE PERGUNTA: QUAL A BASE BÍBLICA PARA A DOUTRINA DO PURGATÓRIO (PAPA GREGÓRIO), 593 D.C.?

– PURGATÓRIO, LIMBO E PENITÊNCIA?

– RESPONDENDO ARGUMENTOS CONTRA A DOUTRINA DO PURGATÓRIO

– SOBRE PENAS TEMPORAIS E PURGATÓRIO

– LEITOR PERGUNTA SOBRE O LIMBO

Em Cristo,

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