Eu pretendo fazer um curso universitário de filosofia e estou na dúvida porque sou católica praticante. Tenho receio de mudar de religião ou me tornar atéia. O que fazer? Aguardo resposta. A filosofia faz uma lavagem cerebral nas pessoas? Ou não devemos confundir filosofia e religião? Me ajude! (Jane)

Prezada Jane,

A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Peço-lhe desculpas pela demora na resposta. Aliás, devo dizer que tal demora é culpa exclusivamente minha mesmo, devida à má organização do meu tempo, e não tem nada a ver com o apostolado Veritatis Splendor.

Como resposta ao seu questionamento, recomendo a leitura do seguinte artigo: https://www.veritatis.com.br/article/4939. Como complemento ao artigo indicado, gostaria de dizer umas poucas palavras.

Eu sou bacharel e mestre em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Tanto a minha monografia de bacharelado quanto a minha dissertação de mestrado foram sobre um pensador cristão (de origem luterana), a saber, o dinamarquês Søren Kierkegaard (1813-1855). Mas é muito difícil conseguir escrever sobre um pensador cristão numa universidade secular. Eu dei “sorte” de encontrar um professor que se dispôs a me orientar, mas essa “sorte” deveu-se ao fato de que Kierkegaard é considerado “o pai do existencialismo”, uma corrente filosófica que, embora ultrapassada, tem sua relevância na história da filosofia. Além disso, Kierkegaard influenciou autores de peso na filosofia do século XX, como Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre. Mas a verdade é que o ambiente nos cursos de filosofia, de um modo geral, é eminentemente anticristão, o que, obviamente, não um ambiente edificante para ninguém que queira viver e levar a fé cristã a sério, muito pelo contrário, oferece riscos que não são desprezíveis. É certo que nós devemos ser luz nas trevas, e também sal, que dá sabor e evita o apodrecimento. Porém, o espírito anticristão nesse meio é tão avassalador que praticamente nada ou quase nada pode ser feito.

Além disso, o mercado de trabalho para quem cursa filosofia é bastante restrito. Praticamente só se pode trabalhar como professor do ensino médio ou superior. E é aqui que surge um outro problema. Para conseguir emprego, é preciso seguir a cartilha anticristã vigente. O professor que quiser levar a sério sua fé cristã dificilmente conseguirá emprego, e mais dificilmente ainda numa faculdade que não seja confessional. Caso realmente queira trabalhar em universidades públicas ou particulares de renome, terá que fazer uma série de concessões, sendo forçado a aderir ao progressismo e ao relativismo para que sua fé seja diluída ao ponto de não “ofender” nem “escandalizar” os colegas professores.

Finalmente, é preciso reconhecer que um curso superior de filosofia dá ao estudante uma boa bagagem do ponto de vista intelectual e cultural, mas nada que não possa ser conseguido estudando-se por conta própria. Aliás, muitas vezes um estudo pessoal (autodidata) pode ser mais proveitoso do que um estudo dirigido por professores que não têm nenhuma simpatia pela fé cristã, muito pelo contrário. Caso você queira obter essa formação intelectual e cultural através de um curso superior, eu não recomendaria o curso de filosofia, mas sim de teologia, de preferência numa instituição reconhecidamente fiel à Igreja e ao Magistério. Assim, você estará progredindo intelectual e culturalmente e aprofundando seus conhecimentos sobre a fé católica, podendo inclusive vir a trabalhar na Igreja, isto é, em sua paróquia ou diocese, além de poder trabalhar também com ensino religioso em escolas de ensino fundamental e médio, bem como em seminários e cursos de teologia em geral. Outra ótima opção no que se refere à formação em teologia católica é a Escola Mater Ecclesiae, cujos cursos são conhecidos por sua excelência e pela fidelidade ao ensino da Igreja. Apenas devo observar que os cursos da Mater Ecclesiae são cursos livres, ou seja, não conferem nenhum diploma oficial (seja no nível de Ensino Médio ou Superior).

Espero ter ajudado.

Desejo-lhe a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o amor da Santíssima Virgem Maria.

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