Espaço do Leitor

Leitora pergunta sobre a missa de são pio v e a de paulo vi

Caríssimos irmãos, Paz e bem! Estava lendo um artigo em um site que falava sobre a “Missa de S.Pio V e Missa de Paulo VI”. Gostaria de sua ajuda e esclarecimento sobre esse assunto. Se precisar o site é www.montfort.org.br Por favor, se puder responda o mais rápido possivel. Desde já, Obrigada!

Caríssima Sra. Tatiane, estimada em Cristo,

O site da Montfort tem coisas boas, mas não é recomendável. As críticas ao Papa são freqüentes e o Prof. Orlando Fedeli, seu diretor, talvez com boa vontade, se equivoca ao atacar um Concílio legítimo da Igreja. Diz ele que não existe uma interpretação ortodoxa do Vaticano II e que seria, em si, um Concílio modernista. Ora, não é isso que a Igreja diz, dado que os Papas sempre aprovaram e louvaram os documentos do Concílio. Os erros que se seguiram ao Vaticano II devem-se a interpretações progressistas que alguns fizeram dos seus documentos, e não ao texto conciliar.

Isto posto, as críticas do Prof. Fedeli à Missa de Paulo VI ou Missa “nova” são decorrência de sua posição tradicionalista, i.e., de sua negação e condenação ao Vaticano II. Há bons motivos para defender a Missa de São Pio V (ou Missa “antiga” ou “tridentina”). Entre eles, entretanto, não está a negação de validade ou licitude da Missa de Paulo VI (“nova”, Novus Ordo Missae), nem a rejeição da mesma como facilitadora da heresia.

É certo que a Missa foi reformada pelo Papa. Mas ele tem autoridade para isso! É o Papa a suprema autoridade de governo na Igreja. Pode, pois, mudar o texto litúrgico, e não nos cabe criticá-lo: o Papa não pode ser julgado sequer por um Concílio Ecumênico, muito menos por um leigo!

As acusações tradicionalistas à Missa “nova” são, geralmente, a de que o vernáculo substituiu o latim, a de que a posição do sacerdote em relação ao altar mudou, a de que foi desobedecida a Bula Quo Primum de São Pio V, e a de que o conceito do que é a Missa mudou com a aprovação do novo rito (o que favoreceria a heresia protestante de considerar a Missa uma mera ceia e não um sacrifício).

Ora, nada disso é verdade!

O latim continua como idioma oficial da Missa, mesmo do rito de Paulo VI. Há, isso sim, uma permissão para o vernáculo. E, embora defendamos o latim, e o incentivemos por sua solenidade, sua história, e sua precisão na definição dos termos teológicos, não podemos simplesmente questionar a licitude de uma Missa por ser celebrada na língua vulgar. O Papa Paulo VI autorizou que se celebrasse em vernáculo, e isso basta! Sua autoridade é legítima e suprema! Os dois modos, em latim ou em língua vulgar, têm foros de cidadania na Igreja Católica, e o rito novo pode ser oferecido em ambos os idiomas, segundo o Código de Direito Canônico e o Missal Romano.

Quanto à posição do sacerdote. Muitos pensam que o Missal de 1970, instituindo a nova forma de celebrar a Missa romana, modificou a direção a qual deve estar voltado o celebrante. Ledo engano! A posição do ofertante foi mantida a mesma. É o que informam recentes documentos da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como o próprio Papa Bento XVI, à época Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em entrevista por ocasião do lançamento de seu livro “O espírito da liturgia”. Também das próprias rubricas do Missal Romano de Paulo VI encontramos as informações que confirmam tal ensino: o sacerdote deve, segundo tais textos, durante a Liturgia Eucarística, “voltar-se para o povo” durante alguns atos; isto significa que, se deve voltar-se ao povo, é porque antes estava voltado ad Orientem. “Estes avisos que em certos momentos o sacerdote esteja ‘voltado para o povo’ seriam supérfluos, se o sacerdote durante toda a celebração ficasse atrás do altar e frente ao povo.” (RUDROFF, Pe. Francisco. Santa Missa, Mistério de nossa Fé. 1996, Serviço de Animação Eucarística Mariana, Anápolis, com apresentação de Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Diocesano de Anápolis, p. 110, nota 37; cf. ELLIOTT, Mons. Peter. Cerimonies of the Modern Roman Rite, 1995, Ignatius Press, San Francisco, p. 23) Isso, aliás, não é nenhuma surpresa, uma vez que nunca a posição ad Orientem foi expressamente proibida por algum decreto, nem esse foi o desejo dos Padres do Concílio Vaticano II, autor da reforma litúrgica. Outrossim, essa é a forma histórica de oferecimento da Missa, observada inclusive pelos ritos orientais.

Mesmo assim, ainda que a norma seja a manutenção da direção do sacerdote ad Orientem, também conhecida como versus Deum, foi permitida pela reforma a posição versus populum, i.e., voltado para o povo, atrás do altar, forma, aliás, que se disseminou mundialmente, tornando-se bastante popular, por força da Instrução Geral do Missal Romano.

Uma nota publicada, em 1993, pela Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em seu boletim Notitiae, reafirmou o valor de ambas as opções, celebração versus populum ou versus Deum, de modo que quaisquer dúvidas devem ser dissipadas.

Uma opção, bastante coerente com as normas da Instrução Geral do Missal Romano, é que a Liturgia da Palavra seja feita versus populum, uma vez que não é celebrada no altar, senão no ambão ou na cadeira, e a Liturgia Eucarística, porque é celebrada no altar, seja feita ou versus populum ou ad Orientem. Sempre, porém, o sacerdote pode celebrar toda a Missa versus Deum, pois é representante da Igreja diante de Deus, virando-se para o povo nas partes apropriadas, nas quais age como representante de Deus diante da Igreja – monições, bênçãos, certas leituras, convites à oração, apresentação da Hóstia consagrada.

Ainda que a crítica tradicionalista fosse dirigida à mera permissão da celebração versus populum, estaria desprovida de fundamento. Realmente, é melhor que seja celebrada a Missa versus Deum, mesmo no rito novo. Sem embargo, a posição versus populum não é, de si, equivocada, e, por isso a Igreja, em seus documentos, pode muito bem autorizá-la, como de fato o fez (além, é óbvio, de ter a Igreja autoridade para isso). Evidentemente, nem todos os que celebram versus populum agem de modo a favorecer o antropocentrismo ou por recusa à celebração versus Deum, pois é perfeitamente possível a Missa externamente voltada para o povo e, ao mesmo tempo, espiritualmente centrada em Deus. “Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo].” (Cardeal Joseph Ratzinger, A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang,  in 30 Dias)

Outra acusação que fazem à Missa de Paulo VI é que ela violaria o conteúdo da Bula Quo Primum Tempore, do Papa São Pio V, que promulgou a codificação do Missal contendo a chamada Missa “tridentina”. Tal bula dispunha, textualmente: “Queremos e, pela mesma autoridade, decretamos que, depois da publicação de Nossa presente Constituição e deste Missal, todos os padres sejam obrigados a cantar ou celebrar a Missa de acordo com ele. (…) Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo-poderoso e de seus bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo.”

Alegam os tradicionalistas, entre os quais o Prof. Fedeli, que Pio V, com esse documento, estava proibindo, de antemão, qualquer reforma na Missa. A Missa em rito romano deveria ser obrigatoriamente cantada ou celebrada “de acordo com” o Missal pela Quo Primum promulgado.

Ora, a proibição é dirigida aos que, na vigência do rito tridentino, insistissem em continuar com outros Missais locais. Não há como entender que a Quo Primum proíba o próprio Papa de modificar o texto da Missa. Assim como Pio V fez uma reforma litúrgica, e como ao longo de toda a história eclesiástica se fez (com importantes alterações no rito da Missa), também Paulo VI, com sua autoridade suprema de Pastor da Igreja Universal, agiu.

O conteúdo da obrigação imposta pela Quo Primum, ademais, não é de observância do rito em si, mas refere-se à obediência devida ao Papa. A forma litúrgica de celebração da Missa se desenvolve por sua própria natureza. O que se move, pois, não pode ser alvo de uma declaração estática. Não proibiu o Papa São Pio V, portanto, que a Missa pudesse ser modificada, mas impediu, pelas condenações da bula, que sua autoridade fosse questionada (a mesma autoridade que Paulo VI possui, aliás, o que mostra que se não podemos questionar o poder de jurisdição de Pio também não podemos o de Paulo, que é o mesmo, derivado de sua condição de Sucessor de Pedro).

Como explicado certa vez por um amigo nosso, Fernando Farrapeira, em um debate, “se o objeto da proteção da condenação moral é o próprio rito, a bula conteria uma contradição em si mesmo, porque estaria cristalizando um objeto suscetível a mudanças, evolução etc., não sujeito, portanto, a juízos de valor eternizantes. (…) Se não é o rito, como vimos, o que poderia ser objeto da proteção sugerida pela condenação moral da bula senão a própria obediência às determinações pontifícias na matéria de que trata? Para mim está claro que o que faria incorrer na indignação dos apóstolos é a desobediência às determinações disciplinares do Papa, algo que, ao contrário do rito, não muda de conteúdo. (…) O juízo de valor infalível envolvido
–se existente na bula– seria a necessidade de se obedecer às determinações emanadas pela Sé Apostólica na matéria e isso fica claríssimo na leitura completa do documento.”

A proibição de alterar o Missal, lançada por São Pio V, na Bula Quo Primum Tempore, se referia, segundo a interpretação sistemática das leis litúrgicas, a mudanças introduzidas por quem não fosse revestido da devida autoridade, e também servia de ordenança para os que eventualmente insistissem em utilizar formulários não aprovados pela Santa Sé ou influenciados por doutrinas perniciosas, como os protestantes, que ameaçavam a Igreja. Em face desse esclarecimento, a par da autorização de ser celebrada a Santa Missa segundo o Missal Romano tradicional de São Pio V, a ninguém é dado o direito de questionar a validade ou a licitude da Santa Missa celebrada segundo o Missal Romano moderno de Paulo VI, promulgado em 1970.

Por fim, resta a acusação de que a Missa “nova” não seria um sacrifício. Nada mais falso. Se ela é válida, não resta dúvida de que seja sacrifício. Por isso é que não se acusa, geralmente, de não ser sacrifício, e sim de não demonstrar suficientemente o caráter sacrifical ou de os reformadores do texto litúrgico não pretenderem que ela seja entendida como sacrifício. Igualmente uma acusação falsa.

Vejamos.

O próprio documento do Papa Paulo VI que aprova o novo rito chama a Santa Missa de “celebração do sacrifício eucarístico” (Sua Santidade, o Papa Paulo VI. Constituição Apostólica Missale Romanum). O texto da Missa “nova” contém a oração: “De coração contrito e humilde, sejamos, Senhor, acolhidos por vós; e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus.” (Missal Romano; Ordinário da Missa; Preparação das Oferendas) E também: “Orai, irmãos e irmãs, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai Todo-Poderoso.” (Missal Romano; Ordinário da Missa; Monição antes da Oração sobre as Oferendas) Ademais, a Instrução Geral do Missal Romano – documento que serve de proêmio ao Missal, dando a fundamentação teológica da Missa – é claríssima: “A natureza sacrifical da Missa, que o Concílio de Trento solenemente afirmou, em concordância com a universal tradição da Igreja, foi de novo proclamada pelo Concílio Vaticano II (…). (…) Assim, no novo Missal a regra da oração da Igreja corresponde à regra perene da fé, que nos ensina a identidade, exceto quanto ao modo de oferecer, entre o sacrifício da cruz e sua renovação sacramental na Missa, que o Cristo Senhor instituiu na última Ceia e mandou os Apóstolos fazerem em sua memória. Por conseguinte a Missa é simultaneamente sacrifício de louvor, de ação de graças, de propiciação e de satisfação.” (IGMR, 2) Não se pode dizer que, na mentalidade do Papa Paulo VI, que aprovou o novo rito, e de João Paulo II, que o manteve, a Santa Missa não fosse mais considerada sacrifício. É uma acusação infundada, pois, a de que a Missa “nova” pretende ser apenas uma ceia espiritual à moda protestante.

Cabe, outrossim, lembrarmos que os constantes abusos na liturgia, tão comuns em nossos dias, não são causados pelo novo Missal. A Missa “nova” simplesmente não é os seus abusos. O abuso, diz o aforismo, não tolhe o uso. Missas com palmas, com paramentos estranhos (ou mesmo sem paramento algum!), o celebrante mudando as palavras e as cerimônias, falta de sacralidade, bandas de rock “animando” a celebração, leigos distribuindo a Eucaristia fora dos casos de extrema necessidade previstos, quase desuso do gregoriano, da polifonia sacra e dos cantos populares mais tradicionais, presença de pastores protestantes nos altares para participar da Missa, falta de fé de muitos em que a Missa seja realmente sacrifício ou na conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, novidades nada respeitosas… Tudo isso são abusos, claro. Mas não decorrem da reforma litúrgica! A culpa, definitivamente, não é da Missa “nova”. Essas Missas bagunçadas são tudo, menos a Missa “nova”. São um arremedo do novo rito (e, se não houvesse a reforma, fariam tal bagunça com o rito antigo, de São Pio V, como, aliás, alguns já estavam fazendo desde os anos 20 do século passado).

Não se pode, pois, comparar a Missa “antiga” bem celebrada, com toda a solenidade, com uma deturpação da verdadeira Missa “nova”. A Missa “nova” não é irreverente. Veja-se o Papa celebrando no Vaticano, vejam-se os sacerdotes do Opus Dei, dos Legionários de Cristo, dos Arautos do Evangelho: podemos dizer que são irreverentes, que são bagunçadas, que são mundanas ou protestantes, que não expressam o sentido do sagrado ou o caráter de sacrifício? Evidentemente que não!

Pode-se até preferir a Missa no rito antigo, e tal preferência é válida. Muitos de fato a preferem e têm indulto do Papa para continuar a celebrar a liturgia segundo os livros litúrgicos anteriores à reforma. Mas preferir a Missa de São Pio V não significa, como fazem os tradicionalistas (entre os quais o site citado pela senhora), atacar a Missa de Paulo VI.

Há, portanto, bons e maus motivos para querer a Missa dita tridentina. Quais os bons?

“Seria porque consideramos a Nova Missa, ou Missa de Paulo VI, inválida, heterodoxa, pecaminosa, sacrílega ou não católica? Essas afirmações seriam contra o dogma da indefectibilidade da Igreja e o dogma da sua unidade de culto, e já receberam o anátema do Magistério da Igreja, pois se trata de uma lei litúrgica universal, promulgada pela suprema autoridade da Igreja há 34 anos e adotada unanimemente por toda a Igreja docente.

Os verdadeiros motivo são: por uma questão de melhor e mais precisa expressão da nossa Fé nos dogmas eucarísticos, segurança, proteção contra abusos, benefício para toda a Igreja, contribuição para a reforma da crise litúrgica, riqueza e solenidade dos ritos, maior precisão e rigor nas rubricas (não dando espaço a “ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações”, como lamenta o Papa – Ecclesia de Eucharistia, n. 10, 52, 61), senso do sagrado, mais riqueza e precisão nas fórmulas das orações, reverência, humildade ritual e pessoal, elevação e nobreza das cerimônias, respeito, beleza, bom gosto, piedade, língua sagrada, tradição e direito legítimo e reconhecido pela Suprema Autoridade da Igreja.” (Dom Fernando Arêas Rifan. Por que amamos, conservamos e preferimos a forma litúrgica clássica do Rito Romano, a Missa Tradicional?)

A preferência pela Missa tradicional, tridentina, de São Pio V, não pode ser escudo para a rejeição da Missa renovada, reformada, de Paulo VI. Tampouco pode-se colocar de um lado a Missa “antiga” como sinônimo de Missa em latim, como se a “nova” fosse em vernáculo (sabemos que continua a ser em latim, com permissão para o vernáculo), ou acusar essa última de sacrílega, não-sacrifical, herética, ilícita, inválida, favorecedora de heresia, ou confundi-la com os abusos litúrgicos que por aí vemos.

De outra sorte, mesmo válida, lícita, santa, plenamente católica, e com muitíssimos elementos introduzidos pela reforma litúrgica e que, portanto, não existiam na Missa chamada tridentina (mais leituras bíblicas e sua melhor distribuição em três anos, novo calendário litúrgico, inserção do vocábulo “omissões” durante o Ato Penitencial, simplificação da graduação das festividades litúrgicas, maior possibilidade de concelebrações, permissão para uso mais extenso do vernáculo, melhoria no modo como se unem a Missa e outros ritos que lhe podem anteceder etc), a Missa “nova” pode ter certas deficiências acidentais práticas e, desta feita, é bastante natural que o Papa queira corrigi-las, como João Paulo II (que arrumou, aqui e ali, alguns pontos da reforma de Paulo VI) já vinha fazendo.

Atualmente, Bento XVI está empenhado no que se chama “reforma da reforma”, trabalhando para, de um lado, aumentar a possibilidade de uso da Missa tridentina, e, por outro, disciplinar de modo mais rigoroso a celebração da Missa “nova”, coibindo os abusos que se fazem em nome dela. Tudo isso, comenta-se muito fortemente, com vistas a, num futuro talvez próximo, resgatar bons elementos da Missa na forma clássica que se perderam na reforma de seu predecessor e uni-los aos também bons elementos da Missa na forma nova, unificando, assim, ambas as formas do único rito romano, o qual preservaria os melhores pontos de cada um dos Missais de uma maneira harmônica, orgânica e perfeitamente coerente com o desenvolvimento natural da liturgia ocidental.

Espero ter respondido sua pergunta.

Rogo suas orações por nosso apostolado, em defesa do esplendor da verdade, que só se encontra na Santa Igreja por Cristo fundada, sob Pedro.

Em Cristo,

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