Recebi vários emails pedindo que escrevesse algo sobre a entrevista do ex frei Leonardo Boff na TV – BAND , programa Canal Livre, no domingo, 25/03/2007; quando Boff pôde sozinho, sem ninguém para contestá-lo, mais uma vez, sob os aplausos do público, massacrar a Igreja Católica e o Papa Bento XVI.

Em primeiro lugar é de se lamentar que a BAND tenha “colocado o cabrito para cuidar da horta”; isto é chamar um declarado inimigo da Igreja e do Papa Bento XVI para falar sobre a Exortação do Papa “Sacramentum Caritatis”. Seria o mesmo que chamar o senador Bornhaussen para avaliar o presidente Lula. Visivelmente a BAND tentou “faturar” em cima do polêmico Boff e da Igreja Católica; pois ela sabe que atacar a Igreja dá IBOPE, já que a Igreja tem 73% de seguidores no país, e continua a ser a Instituição mais respeitada no país segundo as pesquisas..

Foi uma violência e uma covardia deixar que Boff fosse entrevistado sozinho sem alguém que pudesse contestá-lo. Assim ele pode, livremente, bater na Igreja e no Papa, indefesos no Programa. Senti como se Cristo fosse novamente julgado e condenado por um Pilatos eletrônico, diante de todo o Brasil.

O povo precisa saber que Boff está “cuspindo no santo prato que o alimentou” durante toda a sua vida; a Igreja Católica. Tudo o que ele hoje é, teólogo, escritor rico, conferencista, etc., ele deve à Igreja. Ele não precisou trabalhar para pagar a sua Faculdade de Filosofia, a Igreja lhe deu de graça; ele não precisou pagar sua Faculdade de Teologia, a Igreja lhe deu de graça; ele não precisou pagar o seu doutorado em Teologia na Alemanha, a Igreja lhe deu de graça… A Igreja lhe deu uma editora católica (Vozes) para ele lançar os seus livros e ficar famoso, e agora ele cospe no prato que o alimentou tão bem.

O povo precisa saber que Boff foi suspenso pela Congregação da Fé na década de 80 porque estava ensinando heresias. No seu livro “Igreja, Carisma e Poder”, ele diz que o Dogma não é perene, que não foi Cristo quem instituiu a Igreja, que a Sagrada Hierarquia constituída por Jesus não existe, e outros erros crassos que negam 2000 anos da vida da Igreja e que a destroem até os alicerces.  No seu livro “Jesus Cristo Libertador”, ele mostra um Cristo tão humano que já não é divino; não sabia que ia morrer na Cruz e passar pela Paixão… Que Cristo é esse?

Chamado pela Congregação da Fé, cujo Prefeito era o atual Papa, ele não se emendou, não voltou atrás, preferiu ficar no seu orgulho espiritual do que obedecer a Santa Mãe Igreja, assistida pelo Espírito Santo desde Pentecostes (cf. Mt 20,28; Jo 1,15.25; 16,12-13; 1Tm 3, 15; Lc 10,16, Mt 16,17; 18,18). O pior de tudo é que ainda levou dois cardeais brasileiros, que tinham sido seus professores, para defendê-lo na Santa Sé: D. Evaristo Arns e D. Aloísio Lorscheider; pouco adiantou, e mais desgaste trouxe para a Igreja. Foi doloroso. Boff afrontou tremendamente o Papa atual e o Papa João Paulo II na época; correu o mundo difamando a Igreja e os Papas, como continua a fazer.

Ora, para manter a “sã doutrina”, é obrigação sagrada do Magistério da Igreja coibir esses erros de doutrina de seus filhos, especialmente dos que ensinam a fé. Quando uma perna está com gangrena o médico não pode deixar de cortá-la, mesmo que isto doa muito ao paciente; senão ele morre. Na Constituição Apostólica “Fidei Depositum” (Depósito da Fé), com a qual o Papa João Paulo II aprovou o Catecismo da Igreja Católica, em 11 de outubro e 1992, ele disse na primeira frase: “Guardar o depósito da fé é a missão que Cristo confiou à Igreja e que ela cumpre em todos os tempos”.

Por causa disso, para cortar as heresias, a Igreja teve de enfrentar muitos cismas em sua História, como o dos pelagianos no século IV após o Concilio de Nicéia (em 325); o cisma dos monofisitas, monoteletistas e dos nestorianos no século V, dos velhos católicos no século XIX, e muitos outros.

A mãe Igreja sofre ao punir os seus filhos desencaminhados, mas tem de fazer isto para não deixar sofrer e se perder o grande “Rebanho que o Senhor conquistou com o seu Sangue”, como disse S.Paulo aos bispos de Efeso (cf. At 20,28). Se o Magistério da Igreja não fizer isso, ele é omisso diante do Senhor. Jesus disse aos Apóstolos: “Quem vos houve a Mim ouve, quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,36). O Pai enviou o Filho e o Filho enviou os seus Apóstolos (os bispos hoje), o Magistério da Igreja, formado pelo Papa e pelos bispos em comunhão verdadeira com ele.

Depois de inúmeras oportunidades que a Igreja deu a Boff para se emendar, para vestir a túnica da penitência, ele preferiu deixar o ministério sacerdotal, para o qual a Igreja carinhosamente o formou com tanto investimento; deixou a Casa Sagrada, a família de Deus, batendo as portas como um menino mal educado. Às suas teses inaceitáveis sobre Jesus, juntou a famigerada teologia da libertação, unindo-se a Jon Sobrino, recém punido pela  Congregação da Fé, a frei Betto e outros contestadores da Igreja e do Papa.

Boff mais uma vez foi contra o ensino da Igreja e defendeu o uso da camisinha, do casamento dos divorciados, e outras práticas inadmissíveis moralmente. Como disse o Salmista; “um abismo chama outro abismo”.

Lamento que diante de Deus cresça o débito desse irmão tresmalhado como aquela ovelha da parábola, e, pior ainda, lamento pelo prejuízo que continua causando ao povo de Deus.

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