Espaço do Leitor

Mais sobre pt e psdb

[Leitor autorizou a publicação de seu nome no site] Nome do leitor: Tayroni Alves
Cidade/UF: Fortaleza
Religião: Católica

Mensagem
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A doutrina exposta aqui, no VS, quanto a posição dos católicos com respeito ao PT é cristalina e realmente de acordo com o que ensina a Igreja a respeito do socialismo. Porém, lendo os textos do site, geralmente em resposta as acusações de que o VS é parcial com respeito ao PT, descobri que é posição corrente da maioria de vocês que a diferença entre o PSDB e o PT é apenas a velocidade de esquerdização do pais e de suas instituições. Portanto, é fato que o VS não é parcial em relação a qualquer agremiação partidária.

No entanto, achei um texto destoante dessa opinião corrente, escrito por Rafael Vitola

https://www.veritatis.com.br/article/3969/psdb

onde ele afirma que existe liberdade por parte dos Católicos sobre a liberdade de decidir o quão socialista é a social-democracia do PSDB e se portanto, o PSDB é digno dos votos dos católicos. Vejam a citação:

“A questão é que a Igreja condenou o socialismo, seja qual tendência for, mesmo as mais mitigadas. O mesmo não ocorreu em relação à social-democracia, podendo cada fiel fazer um justo, pessoal e equilibrado juízo a respeito da questão.”

e vejam, logo após, onde Rafael Vitola faz uma afirmação ainda mais forte:

“Condenou a Igreja o socialismo (qualquer tipo!), mas não a social-democracia. Assim, há liberdade ao católico para julgar qual espécie de social-democracia é a do PSDB e, se concluir que facilita o socialismo ou mesmo que é socialista, não votar nesse partido. Como também há liberdade para conclusões diversas.”

Com o objetivo de contestar estas afirmações, resolvi escrever esta carta.

Comecemos justamente a partir das citações anteriores, que constituem o ponto nevrálgico do texto de Rafael Vitola: No mesmo texto, ele não diz o porque da afirmação acima, nem cita outro texto dele ou de outrem que esclarece essa posição. É no mínimo estranha esta postura, porque no mesmo parágrafo se afirma que a Igreja condenou o socialismo de qualquer tipo, se diz que não foi condenada a social-democracia! O que se deduz dessa posição assumida por Rafael Vitola, é a afirmação implícita de que a social-democracia não é socialismo.

Ora, social-democracia é socialismo sim! Veja por exemplo: Adam Przeworski, Capitalism and Social Democracy (NY: Cambridge University Press, 1988), onde se explica a social-democracia como a implantação do socialismo pelas vias normais, democráticas, sem a necessidade de revolução armada, tal como defendiam Marx e Lênin.

Portanto, se a Igreja condenou “o socialismo de todo o tipo”, não há a liberdade de decisão pelos católicos a respeito do voto dado ao Partido da Social-Democracia Brasileira, que é sim, socialista. Alias, o próprio PSDB admite o socialismo democrático e a social-democracia. Vou citar o programa do partido do PSDB de 1988, disponível em www.psdb.org.br

“[O partido é] Amplo bastante para possibilitar a confluência de diferentes vertentes do pensamento
político contemporâneo, por exemplo, liberais progressistas, democratas cristãos, socialdemocratas e socialistas democráticos. O PSDB nasce coeso em torno da democracia enquanto valor fundamental e leito das mudanças reclamadas pelo povo brasileiro.”

Ora, Rafael fala no texto

“Enfim, o PSDB não é um partido socialista, mas social-democrata. Essa palavra composta presta-se a inúmeros sentidos – diferentemente de “socialista”. Assim, há, realmente, sociais-democracias que tendem ao socialismo ou, mesmo sem querer, favorecem o socialismo.” O problema é que o PSDB comporta todas elas conforme admitido no programa do partido!

Cabe no momento a seguinte pergunta: A verdade pode se aliar ao erro para um bem maior? Claro que não!

Apesar do erro de afirmar que social-democracia não é socialismo, devo reconhecer a seguinte afirmação, feita por Rafael Vitola, no fim do artigo, entendida como uma mensagem ao leitor que a inclinação política particular dele não pode ser tomada como posição magisterial

“Não podemos fazer de nossas opiniões pessoais atos de Magistério. O Veritatis Splendor tem compromisso com a verdade, com a propagação de seu esplendor.”

Ainda bem que não! Pois a verdade jamais deve compactuar com o erro. Porém, cabe mais uma pergunta, feitas em conseqüência do texto supracitado: Será que esse compromisso com o esplendor da verdade poderia ser melhor mostrado com a ação em repetir a condenação da Igreja a todas as formas de socialismo, inclusive a social-democracia, em vez de propagar uma posição pessoal?

Esta é a pergunta que deixo ao próprio Rafael Vitola.

Em tempo, reafirmo três coisas, que podem dar margem a distorções do que escrevi:

Reafirmo que a minha posição, por ser católico, é a mesma cristalina posição da Igreja em condenar o programa, as ações e o PT como um todo. O meu objetivo, nesta missiva, é advogar que esta posição também é cristalina a respeito do PSDB e da social-democracia.

Reafirmo que a posição do VS é concordante com a Igreja em condenar a social-democracia e o PSDB, conforme dito em vários textos, que a diferença do PSDB quanto ao PT é apenas a velocidade da “esquerdização”.

Reafirmo que discordo da posição de Rafael Vitola, que defende que o PSDB pode ser considerado digno do voto de católicos porque a social-democracia, que este partido defende em seu programa, não pode ser chamado socialismo, por todos os motivos que expus ao longo da missiva.

Caríssimo Sr. Tayroni, estimado em Cristo,

Muito agradeço sua cordialidade em nos escrever. Com algumas coisas de sua missiva concordo integralmente. Aliás, certos pontos da mesma em nada destoam do que já escrevi. Outras, talvez, tenham ficado mal entendidas.

O socialismo é o que tende para o coletivismo, para, na expressão de João Paulo II, o “capitalismo do Estado”. Assim, haverá tantos socialismos quantas táticas existirem para alcançar esse ideal, todos eles condenados por sua raiz ontológica anticristã.

O programa do PSDB não é socialista, mas o de certas facções desse partido é, o de FHC é. Pôde não executar o socialismo na economia, mas o fez em muitas outras áreas. O desrespeito à propriedade privada foi gritante no governo FHC, com inúmeros e vergonhosos financiamentos do MST. O grupo de FHC está ligado à agenda dos grandes inspiradores da moderna Revolução Cultural: Fundação Ford, George Soros, Fundação Rockefeller. Inegável que esse grupo dentro do partido seja socialista, entenda a social-democracia à maneira clássica, socializante.

Recomendo a leitura dos seguintes artigos:

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5559

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5387

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2757

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=1051

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=1004

E um, de minha autoria:

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2956

De outra sorte, social-democracia é uma expressão vaga. Pode significar uma máscara do socialismo para, disfarçando-se de democrata, galgar o poder e lá permanecer para, sutilmente, implantar sua agenda, como o senhor deixou bem claro. E nunca discordei desse ponto.

Sim, o PSDB abarca socialistas em seu seio. É verdade. Mas o que isso significa? Que não devemos votar nos socialistas que lá se escondem, ora. O voto ao PT, PC do B, PSOL, PSTU, PPS, PSB e congêneres é proibido aos católicos porque tais partidos são socialistas, têm estatutos com doutrinas do socialismo. Diverso é o caso do PSDB, que, não sendo socialista nem tendo estatutos socialistas, possui socialistas em seus quadros.

A Igreja, realmente, é contra todo o tipo de socialismo, seja o do PT, seja o do PSDB. E o VS, que está com a Igreja – e não aceitaremos nenhuma insinuação de que não estejamos, nem que eu ou qualquer membro estejamos priorizando posições pessoais em detrimento da verdade, como o senhor fez em sua carta –, sabe disso e reitera tal condenação. Contudo, o fato é claro: o PT é socialista em si mesmo, ao passo que o PSDB é um saco de gatos com socialistas e não-socialistas.

Frise-se que não tenho partido, muito menos o PSDB, de quem discordo veementemente. Já escrito diversos artigos em que critico posições dessa agremiação política, inclusive. Não defendo o PSDB, e não admitirei esse tipo de acusação falsa contra minha pessoa ou o VS. Apenas fiz, com justiça e direito, a diferenciação entre um partido socialista e um partido com socialistas.

Algumas reflexões ulteriores…

Sabemos que o socialismo se passa por bonzinho às vezes. Nunca um comunista de verdade será contra o mercado. Lênin não deixou de usar o mercado a seu favor. O socialismo, na verdade, é uma teoria sobre o capitalismo, não necessariamente contra ele. Assim, embora pareça que os partidos socialistas ou mais à esquerda aceitem a economia de mercado, o que fazem é usá-la para financiar suas manobras, e também fingem docilidade pois sabem que os povos não mais aceitarão a Revolução sangrenta. A estratégia, hoje, para os socialistas, é jogar o jogo da democracia. Foi o que fez Chávez. Foi o que fez Morales. Foi o que fez Zapatero. Foi o que fez Lula. O namoro com o mercado livre é transitório, e só serve aos seus interesses. Depois que Kerensky não mais serviu ao jogo revolucionário, Lênin não hesitou em defenestrar os mencheviques do governo russo.

Não há problema em, temporariamente, um Estado comunista aceitar a economia de mercado (irá dizer que aceitou, mas, saberemos que, na verdade, é uma mera tolerância, nunca confessada, por motivos óbvios), desde que isso sirva a seus propósitos igualitários a longo prazo. O socialismo é uma ideologia, e, como tal, subverte a realidade, escravizando-a à idéia.

Alguns artigos ilustram o que digo:

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3915

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4414

Muitos ex-comunistas refugiaram-se em partidos aparentemente centristas e deram apoio a políticas liberais. A aliança liberal-socialista contra a verdadeira direita é clássica.

Enfim, penso que existe o pensamento ideológico e o pensamento realista. O pensamento ideológico, caracterizado pela submissão da realidade à idéia, manifesta-se pelas filosofias esquerdistas e falsamente direitistas (como os nacionalismos de vários cortes, o liberalismo etc). Já o pensamento realista é o que prima pela realidade, adequando a ela as idéias. Não existe, propriamente, um pensamento católico, mas a Igreja e, mais especificamente, a Civilização Cristã (reflexo do espiritual na sociedade temporal) adota o pensamento realista, o real aristotélico-tomista (expressão imprecisa, eu sei). Politicamente, esse realismo pode estar no centro ou em uma verdadeira direita. Os termos são, novamente, imprecisos, mas ajudam a entender. Por isso, católico de centro é possível (é o que admite mais casos extraordinários para a aplicação de alguns princípios da DSI, como a intervenção tópica do Estado), como também de direita (o que considera que esses casos são, na melhor acepção, extraordinários mesmo). Mas, nunca de esquerda. Não por ser de esquerda, mas porque essa “escola”, digamos assim, parte de premissas contrárias ao real (e, de quebra, viola a DSI).

É a resposta.

Em Cristo,

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