Recentemente a Montfort publicou um texto (1) de um sínodo valdense/metodista, tentando apresentá-lo como prova do pseudo-relativismo do Concílio do Vaticano II.

A atitude desonesta a Montfort vem mostrar mais uma vez o que já vimos dizendo, que os “tradicionalistas” se servem de todo tipo de erro escrito por quem quer que seja para atacar a Igreja. E já que se consideram os “iluminados”, todos aqueles que discordam de seus erros, estão “cegos pelas trevas da falsidade“(2).

Os ateus dizem que Deus não existe, pois há muita desgraça e sofrimento no mundo. E concluem “só quem é cego é que vai achar que Deus existe e que existindo é bom”. Esta “lógica” é a mesma da Montfort contra o Vaticano II, tudo que veio de ruim após o Concílio é culpa dele, como se fosse possível a Deus semear o joio e não Satanás (cf. Mt 13,23-29).

O método da Montfort contra o Vaticano II é o mesmo método de outros pseudo-católicos que se servem de obras de Voltaire e Renan contra aquilo que eles não gostam na Igreja. É o mesmo método usado pelos relativistas quando se servem de obras protestantes para demonstrar a “verdadeira hermenêutica” da Bíblia.

Para uma melhor compreensão da desonestidade da Montfort, é como se fosse moralmente aceitável um católico se servir de obras de calvinistas para tentar provar o que Santo Agostinho (Doutor da Igreja) realmente ensinava, quando deveria referir-se às próprias obras do santo e outros escritos católicos relacionados. Em resumo, é totalmente absurdo servir-se de textos de hereges (protestantes ou modernistas) para dizer o que a Igreja ensinou, ainda mais no que se refere a um Concílio Ecumênico.

É por estas e outras que um colaborador nosso, referindo-se a isto, disse (3) que os “tradicionalistas” se servem de lavagem para atacar o Vaticano II. Se alguém tem um nome melhor do que lavagem para a se nomear os textos carregados de porcarias, por favor, nos informem.

Infelizmente há no seio da Igreja um ecumenismo à moda Paiva Neto (4) promovido por clérigos modernistas. Daí dizer que isto é fruto do Vaticano II, quando tal relativismo já era denunciado e condenado pelos Papas Leão XIII, S. Pio X e Pio XI antes mesmo do Concílio Vaticano II é uma tremenda falta com a verdade, ainda mais quando textos da própria Igreja em relação ao Concílio provam o contrário.

Antes de fazermos referência a um importante documento que desmascara a falsidade da Montfort, chamamos atenção para um parágrafo-chave do manifesto valdense/metodista:

“— agradecemos a Deus por nos ter livrado há oito séculos, como valdenses, e há cinco séculos, como protestantes da subordinação ao Pontífice romano que nós reconhecemos como irmão em Cristo, mas não como mestre da Fé, tanto mais devendo constatar ainda uma vez que o papado e a cúria romana são hoje, como já no século XVI, um obstáculo à unidade cristã;” (1).

Como bem se vê, os hereges valdenses e metodistas vêem nas recentes ratificações da Doutrina de sempre pela Igreja um ato magisterial do Papa. Conseqüentemente, enxergam o primado do Papa como “um obstáculo à unidade cristã”.

Graças à Providência Divina, aos 11 de Novembro de 1961, quarto ano de seu Pontificado, o Papa beato João XXIII nos dá a conhecer a Encíclica AETERNA DEI SAPIENTIA (5), onde nos tramite as intenções ecumênicas do Vaticano II, pelo menos um ano antes de sua realização.

O documento começa com uma bela exposição do Papado, referindo-se especialmente ao pontificado do Papa S. Leão Magno, demonstrando que sem a autoridade petrina dos Bispos Romanos não haveria jamais unidade da Igreja, provando exatamente o contrário do que concluiu o sínodo valdense/metodista: que o Papado não é obstáculo para a Unidade, mas a fonte da Unidade.

Depois de muito bem demonstrar que tanto no ocidente quanto no oriente, o Primado de Pedro foi reconhecido, o Papa João XXIII finalmente nos escreve:

“15. Veneráveis Irmãos, na iminência do concilio ecumênico Vaticano II, no qual os bispos, unidos em torno do romano pontífice e com ele em íntima comunhão, darão ao mundo inteiro um mais esplêndido espetáculo da unidade católica, é grandemente instrutivo e confortador trazer ao espírito, ainda que rapidamente, a alta idéia que s. Leão teve da unidade da Igreja. Esta evocação será, a um tempo, um ato de homenagem à memória do sapientíssimo pontífice, e, na iminência desse grande acontecimento, um pábulo espiritual para as almas dos fiéis” (grifos meus).

Aqui o Papa prepara o terreno para mostrar o real ecumenismo do Vaticano II, que só pode se dar na Verdade perene dos Santos Apóstolos. A chave de leitura e entendimento deste ecumenismo é o Primado de Pedro, pois é ele a fonte da unidade da Igreja:

“16. Antes de tudo s. Leão nos ensina que a Igreja é una, porque um é o seu esposo, Jesus Cristo: ‘Tal é, com efeito, a Igreja virgem, unida a um só esposo, Cristo, a ponto de não admitir erro algum; de modo que, em todo o mundo, nós gozamos de uma só união, casta, integra’.O santo acha, outrossim, que essa admirável unidade da Igreja teve início com o nascimento do Verbo encarnado, como resulta destas expressões: ‘É, com efeito, o nascimento de Cristo que determina a origem do povo cristão: o natal da Cabeça é também o natal do corpo. Mesmo se cada um dos chamados [à fé] tem a sua vez, se todos os filhos da Igreja estão distribuídos na sucessão dos tempos, todavia o conjunto dos fiéis, nascidos da fonte batismal, assim como com Cristo são crucificados na sua paixão, são ressuscitados na sua ressurreição, são postos à destra do Pai na sua ascensão, assim também com ele são congerados neste nascimento’. Desse misterioso nascimento do ‘corpo da Igreja’ (Cl 1,18participou intimamente Maria, graças à sua virgindade, tornada fecunda por obra do Espírito santo. Com efeito, s. Leão exalta Maria como ‘Virgem, serva e mãe do Senhor’; ‘Genitora de Deus’ e ‘Virgem perpétua’.

[…]

18. Mas, note-se bem, para s. Leão não pode haver perfeita união dos fiéis com Cristo Cabeça e entre si, como membros de um mesmo organismo vivo e visível, se aos vínculos espirituais das virtudes, do culto e dos sacramentos não se juntar a profissão externa da mesma fé: ‘Grande sustentáculo é a fé íntegra, a fé verdadeira, à qual nada pode ser acrescentado ou tirado por quem quer que seja; pois que a fé, se não é única, então absolutamente não existe’. Entretanto, à unidade da fé é indispensável a união entre os mestres das verdades divinas, isto é, a concórdia dos bispos entre si em comunhão com o pontífice romano e em submissão a ele. “A compacidade de todo o corpo é que dá origem à sua sanidade e à sua beleza; e essa mesma compacidade, se reclama a unanimidade, exige entretanto sobretudo a concórdia dos sacerdotes. Estes têm em comum a dignidade sacerdotal, mas não o mesmo grau de poder; já que, mesmo entre os apóstolos, houve igualdade de honra, mas diferença de poder, enquanto a todos foi comum a graça da eleição, mas a um só foi concedido o direito de preeminência sobre os outros’”.

Depois de uma bela exposição do Primado de Pedro como centro da unidade visível da Igreja, o Papa João XXIII faz seu apelo à unidade aos cristãos que não estão em comunhão com o Papa, sejam protestantes ou ortodoxos:

“25. Apraz-nos, veneráveis irmãos, repetir que o coro de louvores que na antiguidade exalta a santidade do sumo pontífice s. Leão Magno foi concorde tanto no oriente como no ocidente. Oh! torne ele a receber o aplauso de todos os representantes da ciência eclesiástica das Igrejas que não estão em comunhão com Roma. […].

26. Pois bem: nós, que sucedemos a s. Leão na Sé episcopal de s. Pedro, assim como com ele professamos a fé na origem divina do mandato de universal evangelização e de salvação confiado por Jesus Cristo aos Apóstolos e aos seus sucessores, assim também, igualmente a ele, alimentamos o vivo desejo de ver todas as nações enveredarem pelo caminho da verdade, da caridade e da paz. E, justamente com o fito de tornar a Igreja mais idônea para cumprir nos nossos tempos essa excelsa missão, é que nos propusemos convocar o segundo concílio ecumênico Vaticano, com a confiança de que a imponente reunião da hierarquia católica não só reforçará os vínculos de unidade na fé, no culto e no regime, que são prerrogativas da verdadeira Igreja, (48) como também atrairá o olhar de inúmeros crentes em Cristo, e convidá-los-á a reunir-se em torno do “grande Pastor do rebanho” (Hb 13,20), que a Pedro e aos seus sucessores confiou a perene guarda dele (cf. Jo 21,15-17)” (grifos meus).

O Papa mostra nas palavras acima que o espírito ecumênico do Vaticano II não é o espírito relativista dos modernistas, mas o verdadeiro ecumenismo que só se dá na Verdade, que dialoga para atrair a todos os Cristãos à casa de onde nunca deveriam ter saído, a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, governada pelos sucessores de S. Pedro.

A intenção ecumênica do Vaticano II, que corresponde ao verdadeiro ecumenismo e não àquele falso gerado pelos modernistas e adotado pelos “tradicionalistas” para criticar o Concílio. Isto se prova ainda mais nas palavras abaixo do Papa beato João XXIII.

“27. O nosso cálido apelo à unidade quer ser, portanto, o eco daquele outro muitas vezes lançado por s. Leão no século V, evocando aquele outro já dirigido aos féis de todas as Igrejas por santo Ireneu, que a Providência divina chamara da Ásia para reger a sé de Leão e para ilustrá-la com seu martírio. De fato, depois de haver reconhecido a ininterrupta sucessão dos bispos de Roma, herdeiros do próprio poder dos dois príncipes dos apóstolos, concluía ele exortando: ‘É com esta Igreja, por causa da sua preeminente superioridade, que deve estar de acordo cada Igreja, isto é, todos os fiéis que estão no universo; e pela comunhão com ela é que esses féis (ou então: todos os chefes das Igrejas) têm conservado a tradição apostólica’

28. Porém o nosso apelo à unidade quer ser sobretudo o eco da prece dirigida pelo nosso Salvador a seu divino Pai na última ceia: ‘A fim de que todos sejam um; como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós’ (Jo 17,21). Nenhuma dúvida acerca do deferimento desta prece, tal como foi atendido o sacrifício cruento do Gólgota. Acaso o Senhor não afirmou que seu Pai sempre o escuta? (Jo 11,42). Nós, portanto, cremos que a Igreja, pela qual ele rogou e se imolou na Cruz, e à qual prometeu a sua presença perene, sempre foi e continua a ser ‘una, santa, católica e apostólica’, tal como foi instituída” (grifos meus).

Como foi demonstrado, a Encílica AETERNA DEI SAPIENTIA do Papa beato João XXIII descreve o tipo de espírito ecumênico que inspirou o Vaticano II, o espírito ecumênico na Verdade perene e não no relativismo do demônio.

Providencialmente o nome da encíclica significa SABEDORIA ETERNA DE DEUS. Com efeito, Deus que tudo sabe, sabia que um dia falsos católicos se serviriam de declarações de hereges para atacar a própria Igreja que dizem amar.

Quem são os “cegos pelas trevas da falsidade“? Nós que defendemos de forma sóbria a Igreja ou aqueles que deram as mãos aos hereges para a atacar?

Recomendamos às almas sinceras a leitura da referida encíclica do Papa João XXIII.

Nós do Veritatis Splendor, defendemos a Verdade com a Verdade. No dia em que nos servirmos de textos dos hereges para mostrar o que ensina a Igreja, isso só mostrará a que nível de baixeza chegamos. Ainda bem que nunca o fizemos. Queira Deus que nunca o venhamos fazer!

Obrigado Meu Deus por nos ajudar a expor mais uma vez o ESPLENDOR DA VERDADE.

Notas

(1) “Sinodo Valdense e Metodista chia contra Bento XVI, defendendo o ecumenismo do Vaticano II”  MONTFORT Associação Cultural. http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=valdense_metodista=bra. Online, 07/09/2007 às 22:12h.
(2) Conforme “nota da Montfort” no artigo referido.
(3) CAMPOS, Marcio Antonio. Apostolado Veritatis Splendor: Sobre teólogos e lobos: desmascarando os sites rad-trads. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4389. Desde 20/7/2007.
(4) Fundador Legião da Boa Vontade (LBV) entidade de forte inspiração maçônica.
(5) PAPA, João XXIII. Apostolado Veritatis Splendor: AETERNA DEI SAPIENTIA. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/1279. Desde 5/9/1999.

(1) “Sinodo Valdense e Metodista chia contra Bento XVI, defendendo o ecumenismo do Vaticano II”  MONTFORT Associação Cultural. http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=valdense_metodista=bra. Online, 07/09/2007 às 22:12h.

(2) Conforme “nota da Montfort” no artigo referido.

(3) CAMPOS, Marcio Antonio. Apostolado Veritatis Splendor: Sobre teólogos e lobos: desmascarando os sites rad-trads. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4389. Desde 20/7/2007.

(4) Fundador Legião da Boa Vontade (LBV) entidade de forte inspiração maçônica.

(5) PAPA, João XXIII. Apostolado Veritatis Splendor: AETERNA DEI SAPIENTIA. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/1279. Desde 5/9/1999.

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