Por que vcs enciste em colocar maria como mediadora sendo que texto em (Ia timoteo 2-5) diz: “porque a um so Deus e um so mediador entre Deus e os Homens jesus cristo ‘homem.” e ainda em (Ia joao 2-1)diz que jesus é o nosso adivogado alem do mais nao existe nenhum verciculo no novo testamento que diz a respeito de maria ser intercessora.encotra partida a reja diz santa maria mae de Deus rogai por nos? (Roselaine)

 

Caríssima Roselaine, salve Maria, a Mãe de Nosso Senhor.

Primeiramente agradecemos o seu e-mail com suas dúvidas sobre tema tão cativante e maravilhoso quanto é Maria, Mãe de Deus, Nossa Senhora.

Tantos são os títulos e honras dadas a Maria que ficamos inebriados e convencidos com tamanho amor de Mãe que jamais se esgota!

Nas Sagradas Escrituras Maria não é muito citada, mas quando é citada é sempre com ternura. Há uma única passagem que pode gerar algumas incompreensões: aquela onde Jesus, seu Filho amado, fala sobre a família. “Disse-lhe alguém: ?Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te?. Jesus respondeu: ?Quem são meus irmãos e minha mãe? (…) Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de meu Pai, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe?. ( Mt, 47. 49-50 ).

Chesterton nos ensina: “Somente pertencemos à Cristo na medida em que pertencermos à nossa Mãe Santíssima. “Quem são meus irmãos e minhas mãe?” pergunta o Cristo. E aponta para os seus discípulos: “eis aqui a minha família!”. E, doravante, somente os que forem discípulos do Mestre, ouvindo as suas palavras e as cumprindo poderão pertencer plenamente a esta família. Por isto, como doce discípula Maria “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” ( Lc 2, 19.51) Meditava e as guardava! Eis o exemplo da perfeita discípula. Maria, com efeito, não é mãe apenas na carne, mas na vida toda, na alma e na total obediência ao seu Divino Filho.

Alguns, que ainda não amam suficientemente a Santíssima Virgem, usam estes versículos acima justamente contra ela, tentando convencer-nos de que Jesus a teria desprezado naquele momento. Esses “estudiosos da Bíblia” esquecem que Jesus jamais desprezaria sua mãe, conforme ensina o próprio Espírito Santo: “Apenas o filho insensato despreza sua mãe” ( Pr 15, 20 ). E assim, com esta interpretação desastrosa, que espalham ardorosamente, ofendem não apenas a boa Mãe, como blasfemam contra Jesus Cristo, como se o mesmo fosse violador do sagrado mandamento: “Honra teu Pai e tua Mãe” ( Ex 20,12 e Deut 5,16 )”. Resposta a: 8. Jo 2, 3 ? 5.

Nesse aparente “silencio” da Bíblia sobre Maria podemos auferir uma imensa grandeza: Ela laborou na quietude da devoção plena a seu Filho, naquelas “não-palavras”, no olhar, na alegria e na dor. Uma só é a carne dos dois, Mãe e Filho; compartilham o mesmo coração: Jesus é Filho de Maria, Maria é Mãe de Deus. Isso é inegável.

A longa meditação e estudos que se seguiu na linha da Tradição Apostólica, continuada pelos Santos Padres, pelos Doutores até nossos dias nos capacita a extrair desse silencio todo o tesouro que Deus lá ocultou para que pudéssemos sempre ser contemplados com essa Graça: a Graça de Deus criar tudo de um nada, de um silencio. O desenvolvimento orgânico das verdades de Fé, fonte eterna e inesgotável de dadivas santificantes, é tal que sobrepõe verdade sobre verdade, amor sobre amor, conhecimento sobre conhecimento, obedece aquela máxima beneditina Ora et Labora, ora e trabalha para a maior gloria de Deus e que para que em todas as coisas Deus seja glorificado. Diligentemente esses homens e mulheres escutaram a voz de Deus oculta naquele silêncio e conseguiram extrair os maravilhosos tesouros de piedade: viram, como S. Tomé, as graças dAquela que é “cheia de Graça”, “a Bendita entre as mulheres, por que Bendito é o Fruto de seu ventre: Jesus”.

Esse verdadeiro tabernáculo onde Deus depositou a Sua semente para a redenção da humanidade, essa Nova Eva, concebida sem pecado é a Mãe de Deus que fonte da graça: não apenas mãe segunda a carne, como a primeira Eva, mas segundo o Espirito, como uma Eva perfeita. Onde em Eva temos o orgulho e o pecado, em Maria temos a doçura e a graça; onde em Eva temos a revolta, em Maria temos a submissão e a obediência; em Eva temos a desobediência e soberba, em Maria temos a pequenez e a humildade. Em Eva se instala a queda, em Maria entra a graça.

Então podemos dizer que a concepção da Virgem Maria foi o primeiro ato, depois do pecado de Adão e Eva a não ser manchado pela escuridão da queda; foi o primeiro ato realizado neste nosso mundo, todo ele iluminado de perfeição, de graça, de vida divina sem lugar para as fraquezas do comum dos humanos. E essa constatação tão simples, toda derivada da nossa fé católica, da Revelação, mostra a grandeza e a importância desta outorga divina: Co-Redentora e Medianeira. Se Deus em Sua omnipotência e omniciência Se confiou a Maria, porque nós deveriamos resistir? “E o Senhor me enredou com laços de amor”.

Orar pelo rogo de Maria não é apenas um gesto piedoso: é se deixar amar por quem muito amou. É se deixar amar pela Mãe de Deus, por Aquela que vai nos entregar sãos e salvos ao seu Filho.

Certa vez, um dileto amigo muito querido e amado, me escreveu uma carta declarando o seu amor por Maria e depositando o seu coração em Suas mãos de Mãe. Muita coisa se passou depois disso: as esperanças minoraram, seu coração se endureceu… Espero que um dia ele encontre, mais uma vez, o caminho de Casa pelas mãos de Maria e, consequentemente, o caminho ao Sacratissimo Coração de Jesus.

Oh, Deus, tu que escondestes essas coisas dos “grandes”, dos soberbos, dos tíbios, dos timoratos, dos covardes, dos invejosos, dos pusilânimes; Tu que revelastes aos “pequenos”, aos humildes, aos dóceis, aos mansos, àqueles que querem ver a Tua glória nos cantos mais recôndidos do mundo: no seio de uma mulher que Te acolheu.

Nos corações de Jesus, Maria e José;

MARCUS PIMENTA

Carta de um filho a sua Mãe

Mui querida Mãe,

Vós, que abrigastes em vosso bem-aventurado ventre o Salvador da humanidade;

Que provestes Deus dos nutrientes indispensáveis ao desenvolvimento do sagrado Feto;

Que destes à luz ? que acontecimento tremendo! ? a forma humana e finita do Criador;

Que amamentastes, ternamente, o Senhor do Universo;

Que acalmastes e fizestes adormecer o nosso Redentor;

Que transmitistes, junto com vosso esposo José, as primeiras palavras e os primeiros ensinamentos ao Deus onisciente;

Que vistes, de perto, crescer, em formosura e graça, o Filho de Deus;

Que presenciastes o nascer do ministério do maior mestre que já andou por esse mundo;

Que acompanhastes todo o sofrimento, toda a dor e a morte cruenta de Nosso Senhor Jesus Cristo;

Que vos rejubilastes com vitória sobre a morte e com a gloriosa ressurreição do Cristo;

A vós, a mais bem-aventurada das mulheres, que encontrastes graça aos olhos do Senhor;

A vós, a escolhida pelo Eterno para trazer ao mundo o Caminho, a Verdade e a Vida;

A vós, sagrada e querida mãe, eu vos peço: intercedei por esse filho rebelde, que ousa vos dirigir essa prece imperfeita;

Todo o poder é de Deus, mas vós, o mais especial dos seres simplesmente humanos, estás junto a Ele;

Com vosso amor materno, potenciação infinita do amor que tenho recebido da minha querida mãe terrena, rogai por mim, pobre pecador;

Estendei o vosso manto sublime sobre mim e acolhei em vossos braços ? os mesmos que embalaram o nosso Salvador ? esse filho maltrapilho;

Perdoai-me pela indiferença de tantos anos, pela falta de respeito e pelas tristezas que vos causei;

Se o amor de minha mãe terrena é tremendo, infinitamente maior será o vosso;

Que vossa lembrança/presença seja cada vez mais concreta na minha vida;

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,

Bendita sois vós entre as mulheres

E bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus

Santa Maria, mãe de Deus

Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte

Amém

Quando meditamos na maravilha da Encarnação, é impossível não nos emocionarmos com a bem-aventurança de Maria. Imaginemos o momento da concepção, o instante único e decisivo de toda a história do cosmo, em que o Criador assume a forma humana. Que anagogia não terá experimentado a Virgem! Com efeito, Maria sublimou o ser humano de modo ímpar, elevando-o à condição de depositário do Senhor do Universo. No ventre excelso e imaculado de Maria (sim, tal santuário jamais poderia ser profanado), foi gestada humanidade de Deus. A Virgem santíssima alimentou, com seiva e sangue, o próprio Deus. Pelo sacrossanto cordão umbilical, nossa Mãe nutriu o feto divino (e que dor Ela terá sentido, quando tal cordão foi cortado?)

Maria amamentou o Deus Filho. Acalentou nosso Salvador com sua voz maviosa de mãe amorosa. Acompanhou, com incomparáveis orgulho e amor maternais, o crescimento daquEle que daria a vida por nossos pecados.

Ainda assim, apesar de tão grande honra, permaneceu humilde nossa Mãe querida! À sombra de seu Filho, Maria soube manter-se digna até o fim.

Como meditar sobre a grandeza de Cristo, sem lembrar de sua Mãe santíssima? Como refletir sobre o mistério insondável da Encarnação, sem engrandecer aquela que cedeu de sua própria carne ao Deus dos deuses?

Desmerecer Maria é menosprezar o próprio Jesus Cristo em Sua natureza divino-humana. Pois se Ele foi verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, Maria foi mãe de Deus. Entre Deus e Maria estabeleceu-se uma relação única e inigualável entre o humano e o divino.

Sendo Mãe de Deus, Maria, a nova Eva, tornou-se também mãe não só de todos os cristãos, mas de todo o gênero humano.

E nossa Mãe Maria, em seu incomensurável amor, poderia deixar de interceder por nós no céu?


Não importa se a mente humana não é capaz de entender como uma mulher possa ser mãe do Deus eterno. O fato, incontestável, é que Maria foi (é) mãe de Deus, a não ser que seja possível separar a humanidade de Jesus de Sua divindade. Por esse motivo, quanto mais veementemente afirmarmos a divindade de Jesus de Nazaré, mais veementemente teremos de reconhecer que Maria foi (é) Mãe de Deus. Se os protestantes não conseguem conceber que o Deus eterno tenha uma mãe, que decepem as próprias cabeças (“Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena.” Mateus 18, 8-9).


Maria jamais será suficientemente louvada, tamanha a sua graça. Se a Terra se enchesse completamente de templos em honra a Maria, Ela não seria suficientemente louvada.


Deus parece ter feito silêncio sobre Maria nos Evangelhos, para dar à Sua Igreja e aos seus santos a maravilhosa oportunidade de extrair, da silenciosa passagem da Virgem pelas Escrituras, as mais sublimes conclusões. Fazendo assim, nosso Deus, sábia e amorosamente, transformou Maria numa fonte inesgotável de piedade e amor, uma fonte que, infelizmente, permanece oculta para os protestantes. Do silêncio bíblico de e sobre Maria, o mais eloqüente de todos os silêncios, a cristandade jamais conseguirá haurir toda a riqueza teológica.

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