“‘Quando o Filho do homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e de te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos para a vida eterna.’” (Evangelho de São Mateus, XXV, 31-46)
 
“Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno e brilhe para eles a vossa luz.” (Missal Romano; Comemoração de Todos os Fiéis Falecidos – II Missa; Antífona da Entrada)

 
No ano de 998, alguns mosteiros da Ordem de São Bento instituíram em seu calendário litúrgico particular a memória dos fiéis defuntos. Não tardou para que Santo Odilon, abade beneditino, popularizasse a comemoração entre os demais mosteiros ligados à federação de Cluny, para, bem mais tarde, em 1311, a Santa Sé houvesse por bem estendê-la à universalidade da Igreja Ocidental, fazendo-a constar no Calendário Litúrgico Romano e Universal.
 
Queremos propor, a partir da presente reflexão, que meditemos todos em nossos falecidos, considerando como encerraram sua carreira nesta terra. Estão eles no Céu? No Purgatório, a caminho daquele? Ou no Inferno, condenando-se para sempre?
 
Nós não o sabemos… Só Deus conhece os corações e sabe quem respondeu à ação da graça. Mesmo a Igreja, quando canoniza ou beatifica um servo de Deus não faz mais do que reconhecer que ele está no Céu, mas não limita os seus habitantes a número tão exíguo. Como refletimos na solenidade de ontem, muitos santos estão no Céu e nem conhecemos seus nomes ou suas vidas.
 
Pensemos em nossos entes queridos e rezemos para que suas almas, aqui na terra, tenham tido tempo de arrepender-se de seus pecados – pois Deus pode ouvir preces hoje por acontecimentos passados, eis que situa Seu poder fora dos limites de tempo aos quais estamos acostumados na carne. Rezemos, enfim, para que, arrependidos de seus pecados e os tendo confessados ou, em situação extraordinária, feito um ato de contrição perfeita, tenham também, agora com os erros perdoados, igualmente a reparação dos mesmos.
 
“Senhor, lembrai-vos do vosso filho (N), que chamastes deste mundo à vossa presença; concedei-lhe que, assim como já participou da morte de Jesus Cristo, participe também com Ele da glória da ressurreição, quando Cristo fizer surgir da terra os mortos e transformar o nosso frágil corpo num corpo glorioso com o seu. Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.” (Oração por um defunto)
 
De tal maneira, contemplemos, como nos ensina Santo Afonso, os corpos de nossos mortos, e consideremos que um dia estaremos reduzidos à sua mesma podridão. O tempo da conversão é, portanto, hoje. De nada adianta deixar para acertar as contas com Deus no dia de amanhã: pode ser tarde demais! “As almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz. Assim seja.” (Oração pelos defuntos, após as refeições)
 
Terminemos com uma oração da tradição oriental da Igreja Católica:
 
“Novamente, nós oramos pela bendita memória e pela lembrança eterna das almas de vossos servos defuntos: reis, papas, patriarcas, bispos, sacerdotes, abades, diáconos, monges e monjas, e todos os falecidos e piedosos cristãos ortodoxos, de um canto a outro da terra, nossos pais, predecessores, avós, bisavós, irmãos, irmãs e todos os parentes, e pelo perdão de todos os seus erros, tanto voluntários quanto involuntários. Para que o Senhor Deus coloque suas almas na memória dos justos, e garanta para eles as misericórdias divinas, o Reino dos Céus e o perdão de seus pecados, peçamos a Cristo nosso Rei e Deus imortal.” (Mícron Eucológion – Pequeno Sacramentário Bizantino; Trisagion para os Sábados em Memória dos Defuntos)

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