Mensagem de Dom Antonio Carlos Rossi Keller,
Bispo de Frederico Westphalen-RS,
no final da Cerimônia de Ordenação Episcopal

Em.mo. Sr. Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, DD. Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Ex.mo Sr. Dom Dadeus Grings, DD. Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre,
Ex.mo Sr. Dom Joaquim Justino Carreira, DD. Bispo Titular de Cabarsussi, e Auxiliar de São Paulo,
Ex.mos Senhores Bispos das Províncias Eclesiásticas de São Paulo e de Porto Alegre,
Ex.mos Senhores Bispos,
Rev.mo Mons. Vicente Ancona Lopes, Vigário Regional do Opus Dei no Brasil,
Reverendíssimos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas,
Caríssimos seminaristas e aspirantes ao sacerdócio,
Digníssimas autoridades aqui presentes,
Povo Santo de Deus da Arquidiocese de São Paulo, especialmente os paroquianos de Santo Antonio do Limão,
Irmãos e irmãs de outras Dioceses, aqui presentes,
Meus queridos Diocesanos de Frederico Westphalen,
Irmãos e irmãs que acompanham esta cerimônia através da televisão, pela TV Canção Nova, e através do radio pela Rádio 9 de julho de São Paulo e pela Radio “Luz e Alegria” AM e FM de Frederico Westphalen,

Ao final desta Solene Cerimônia de minha Ordenação Episcopal, gostaria de dirigir a todos uma breve palavra. Minha palavra, antes de tudo, é de agradecimento. Não vou particularizar o agradecimento, como se costuma fazer nestas ocasiões. Teria que ficar aqui horas e horas, já que agora, mais do que em outras ocasiões,  tomo consciência de que em minha vida, tudo tem sido dom, tudo tem sido graça: tudo o que sou e o que tenho, recebi de Deus, que com Sua Providência, sempre cuidou de mim, colocando também muitas pessoas em minha vida, que manifestaram este amor e este cuidado de Deus por mim. Não posso porém, por uma questão de justiça, deixar de agradecer a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, ajudaram a preparar esta solene Cerimônia de Ordenação Episcopal. Sem estas expressões de carinho, generosidade e amor de tanta gente, não teria sido possível celebrar esta ocasião com a dignidade que ela merece. Obrigado.  Deus lhes pague.

“Deo omnis gloria”: A Deus, toda a glória!

Quero, neste momento de profunda emoção sobrenatural, manifestar, em pouquíssimas palavras, como que um programa para meu episcopado: faço-o especialmente, diante daquele que, até o momento anterior de minha ordenação, era meu bispo: o Emmo. Sr. Dom Odilo Pedro Scherer, Cardeal Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que como sagrante principal conferiu-me a Ordem Episcopal.

Diante deste digno pastor que a Arquidiocese de São Paulo recebeu, quero fazer como que um compromisso público. Faço-o com a intenção de garantir a Dom Odilo, que com gentileza paterna acompanhou-me neste período que antecedeu minha ordenação episcopal, e que, com sentido sobrenatural, viu em minha indicação para o episcopado, um repto missionário, um verdadeiro desafio para esta Centenária Arquidiocese, para avançar pelos mares profundos da Missão no meio do mundo. Faço este compromisso público, para garantir a Dom Odilo, à Igreja em São Paulo que me envia e à Igreja em Frederico Westphalen que me acolhe , que farei todo o possível para que este espírito missionário eclesial sempre seja o norte de meu episcopado.

Assim, quero professar como que um Credo orientador para meu Ministério Episcopal, proclamando aquilo que creio, o que quero como Bispo:

Quero exercer o “munus pascendi”, que é a primeira responsabilidade de um bispo: aquela de “edificar a Igreja como família de Deus e como lugar de ajuda recíproca e de disponibilidade”, como diz o Papa Bento XVI sobre a missão dos bispos, na Encíclica “Deus Charitas est” (n. 32).

Quero ser sempre um instrumento para o crescimento na comunhão eclesial, ou seja “a construção de uma comunidade concorde na escuta do ensinamento dos apóstolos, na fração do pão, nas orações e na união fraterna”, como nos ensina os Atos dos Apóstolos (2,42).

Quero que o exercício do episcopado seja um verdadeiro ato de amor para com Deus e para com o todos sem exceção, amor este expresso na caridade pastoral que tem como modelo acabado e completo, Cristo Bom Pastor, que veio para servir, não para ser servido. E é d´Ele, e de tantos generosos irmãos no Episcopado, que quero aprender a ser Bispo.

Quero viver em comunhão efetiva e afetiva com o Santo Padre, o Papa,  com meus irmãos bispos, especialmente meus irmãos da Província Eclesiástica de Porto Alegre, que abrange também o regional Sul 3 da CNBB, sendo sempre alguém que busca a união, a colaboração, o esforço comum.

Quero fazer-me “tudo para todos” (1 Cor 9,22), propondo a verdade da fé católica com absoluta fidelidade ao Magistério da Igreja, celebrando e ensinando a celebrar os sacramentos da nossa santificação segundo os Ritos e Normas indicados pela Igreja, ensinando a Moral cristã como esta é entendida e ensinada oficialmente pela Igreja, praticando e ensinando a praticar a Disciplina proposta pela Igreja e testemunhando a caridade do Senhor, especialmente para com aqueles mais necessitados dela.

Quero a todos acolher de coração aberto, para aconselhá-los, confortá-los e apoiá-los no caminho de Deus, procurando, como diz o papa Bento XVI, guiar todos àquela unidade na fé e no amor da qual, por vontade do Senhor, deverei ser o princípio visível e o fundamento na Igreja que me foi confiada.

Minha primeira solicitude será a de cuidar dos padres. Deles, quero ser um pai e um irmão maior, que sabe ouvir, acolher, confortar e mesmo corrigir, já que o amor exige a correção fraterna. Deles procurarei sempre a colaboração, bem como o estar muito próximo, especialmente nos momentos significativos de seu ministério e de sua vida, sejam eles bons ou maus momentos. Com eles, quero encetar o caminho de viver profundamente o espírito de uma autêntica família presbiteral. O mesmo se diga daqueles que se preparam para a ordenação sacerdotal: o Seminário e os vocacionados serão a menina dos olhos do novo bispo. Para isso, peço a intercessão dos beatos Pe. Manuel Gonzales e do coroinha Adilio Daronch, glórias da Igreja Diocesana de Frederico Westphalen.

Como está previsto pela disciplina universal da Igreja em relação ao governo que os bispos devem exercer em suas Igrejas particulares, quero cuidar do Povo Santo de Deus da Igreja de Frederico Westphalen, buscando que esta Igreja esteja unida a seu Bispo e unida em seu interior, procedendo em profunda comunhão de fé, de amor e de disciplina com o Bispo de Roma e com toda a Igreja.

Assim, quero ser guardião autêntico desta comunhão eclesial, promovendo-a e defendo-a, vigiando constantemente sobre o rebanho do qual fui constituído Pastor. Aí está um verdadeiro ato de amor, que exigirá de mim discernimento, coragem apostólica e bondade paciente, que visa sempre convencer e comprometer, jamais impor.

Visando esta autêntica comunhão eclesial e comprometimento, quero fomentar a “comunhão e a participação” de todos, buscando um autêntico e empenhado “protagonismo dos leigos”, especialmente na formação de um laicato santo e apostólico, dedicado a levar a todos os recantos da Diocese e do mundo, como discípulos e missionários, como nos pede o Documento de Aparecida, a mensagem da Boa Nova do Evangelho de Cristo. Vou dedicar-me a que a Igreja de Frederico Westphalen forme leigos santos e apostólicos, que façam do apostolado no meio das realidades do mundo, um transbordamento de seu amor a Cristo, à Igreja e a seus irmãos e irmãs: eis aí o coração de meu projeto pastoral.

São Gregório Magno, em sua “Regra Pastoral”, diz que “o governo das almas é a arte das artes”. Sei que esta arte só se aprende em uma escola: a da oração. Assim, sabendo que esta arte exige o crescimento constante das virtudes, especialmente a da prudência, “mãe da fortaleza” como ensina São Bernardo, virtude esta que leva a ser paciente consigo mesmo e com os demais, corajoso e firme nas decisões, misericordioso e justo, buscando sempre o bem espiritual e material de todos, quero também buscar apoiar minha vida pessoal e meu ministério episcopal em uma intensa vida espiritual, “alimentada, como diz o Papa Bento XVI, pela oração pessoal e comunitária assídua… Quero viver em íntima união com Cristo”, para não cair no risco do ativismo ou de um episcopado burocrático.

Quero ser, antes de tudo o que sempre quis ser como padre: um pastor. Não quero ser um “bispo de Cúria”, no sentido de que isso significasse transformar-me em um bispo burocrata. Antes, quero pedir a Deus, encerrando minhas palavras, a graça de, mediante a vida de oração e de dedicação às ovelhas que Ele me confia, ser um verdadeiro Pastor segundo o coração de Cristo, Sumo e Eterno Pastor da Igreja.

Peço, humildemente, as orações de todos, para que como Bispo, possa tender pessoalmente à santidade bem como ajudar meu presbitério e meus diocesanos a serem santos. A santidade é a finalidade fundamental da existência de cada cristão.

Que Maria Santíssima, patrona desta catedral Metropolitana, Nossa Senhora da Assunção, a quem a Diocese de Frederico Westphalen venera, no Santuário Diocesano de Nonoai, como Nossa Senhora da Luz, ilumine meu Ministério Episcopal. Peço a intercessão daquele sacerdote que, durante todos os meus anos de padre, serviu-me sempre como exemplo e modelo, como um ideal objetivo de santidade, São Josemaría. Que do céu, interceda sempre por mim, junto com Dom Álvaro, seu primeiro sucessor, que carregou também com dedicação e amor, a cruz do ministério Episcopal.

A todos, agradeço de coração por todo o carinho recebido. Rezem por mim. A todos abençôo no Senhor. Muito obrigado.

Catedral Metropolitana de São Paulo

Sábado, dia 02 de agosto de 2008.

+Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen

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