A participação dos leigos nas cerimônias litúrgicas foi incrementada pela Igreja ao ensejo da renovação originada do Vaticano II.

Ao lado de uma formação adequada para os que possuem o carisma deste serviço, alguns pormenores não podem passar despercebidos. Em primeiro lugar, é mister a compostura reverente de quem assume qualquer função. Trata-se da calma, da dignidade da postura que irradiam piedade e unção.

A modéstia no traje é de suma importância, embora o emprego de outra veste, legitimamente aprovada pela Conferência Episcopal em cada região, colocada sobre o vestuário, tenha diminuído este problema. Tudo isto incentiva uma atitude consciente e plenamente sintonizada com a grandeza do culto divino.

A grande preocupação dos dirigentes deve ser a inserção dos fiéis no mistério celebrado, evitando-se transformar o templo numa academia de ginástica, de tal forma que tudo favoreça, isto sim, a adoração da divindade e a escuta da Palavra. Há um significado profundo nos gestos e estes devem ser inspirados pelo Espírito Santo que produz no batizado o impulso para Deus. Por isto mesmo, devem ser comedidos. A linguagem gestual litúrgica prescrita pelas rubricas é um modelo acabado, apresentando uma sintonia fundamental com a cerimônia em tela. Daí o valor do estar assentado, do ficar de pé, do ajoelhar-se, o elevar das mãos na prece do Pai Nosso.

Além disto, nunca é demais insistir no silêncio que é o clima favorável à prece. Donde serem chocantes o emprego de instrumentos de percussão que provocam ruídos estridentes, mais convenientes a festas profanas do que a um lugar sagrado.

Como ressaltou o douto liturgista Lucas Brandolini, “o que torna a liturgia verdadeira, viva e bela não são tanto as estruturas e os elementos que a compõem, porém, sobretudo o estilo, o modo de comportar-se, o sopro interior que quem celebra consegue incutir e inserir na celebração e nos que dela participam”.

Para isto, contudo, há necessidade de um clima favorável à piedade e que não conduza à dispersão que agride a compreensão total e sinfônica das mensagens do Espírito Santo. Não se pode esquecer que a ação da Terceira Pessoa da Trindade deve conduzir à contemplação, à disponibilidade interior de melhoria constante de vida. Um fiel não deve sair do templo do mesmo modo como ali entrou, mas precisa estar iluminado para irradiar no cotidiano e no meio em que vive a presença de Deus.

Por isto, as celebrações precisam favorecer a interiorização e a adequação do cristão à luz divina que para ele deve brilhar sobretudo na participação da Missa. Nesta é preciso perceber o sopro do Pneuma que quer alimentar a reflexão visando a configuração com Cristo. O silêncio obsequioso, mormente após a Comunhão, é o momento de uma intercomunicação profunda com o Redentor.

Enfim, o que se faz urgente é intensificar a espiritualidade litúrgica. Espírito Santo e Liturgia são indissociáveis. Donde as práticas litúrgicas terem como objetivo a santificação dos fiéis, sua consagração total ao Ser Supremo, manifestação da adoração, reparação, ação de graças e das súplicas. Estas têm um valor imenso, pois a assembléia que ora faz subir até o trono da divindade clamores inenarráveis, poderosos, que trazem o aval da Igreja unida a Cristo.

Pela ação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade é que se dá em plenitude o que está na Carta aos Hebreus: “Viva é a palavra de Deus, operante e mais cortante do que qualquer espada bigume, e penetrante, até ao ponto da separação entre alma e espírito, entre articulações e medulas, e perscrutadora dos pensamentos e intenções do coração” (Hb 4, 1).

O que muitas vezes se esquece é que o Espírito fala através de uma linguagem quer verbal, quer não verbal, ou seja, gestual coerente, e por inspirações.

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