Os tradicionalistas radicais, pretendendo ser mais católicos que o Papa, acusam o novo rito da Missa de ser irreverente e heretizante, isso quando não o atacam de ilícito e mesmo inválido. Consideram, pois, o rito antigo, de São Pio V, como “Missa de sempre”.

Faremos aqui uma despretensiosa correção de algumas impropriedades tradicionalistas em relação à Missa.

1. Toda Missa é de sempre. Do contrário, não seria Missa.

2. Querem alguns, com a expressão, significar que exista um “rito de sempre”. Ainda assim é errado, pois o rito a que os tradicionalistas se referem foi codificado por São Pio V, baseado no sacramentário de São Gregório (o qual, por sua vez, sofreu as interpolações dos sacramentários Gelasiano, Galicano e de Adriano). Logo, não é de sempre. Mais ainda: os demais ritos são tão antigos, ou mais, que o romano. Portanto, não existe isso de um rito ser “de sempre”.

3. A Missa de São Pio V sempre foi lícita. O que se pleiteou e o Papa autorizou não foi sua volta, mas a autorização direta de Roma, sem interferência dos Bispos.

4. Dizer que a Missa de São Pio V é a mesma coisa que “Missa em latim” é um absurdo. A Missa nova também é em latim. Pode ser celebrada versus Deum também. Eu mesmo tenho, seguidamente, Missas em latim, versus Deum, e com canto gregoriano, incenso etc. E é Missa no rito novo mesmo, de Paulo VI!!!!

5. Contrapor a Missa no rito antigo romano ao rito novo romano é uma falácia extremista. Ambas são válidas, lícitas, legítimas, e santificantes. Se o rito antigo tinha pontos positivos, também tinha limitações (tanto que, após São Pio V, houve muitas reformas, até Pio XII e Beato João XXIII). O mesmo com o rito novo: limitações, mas pontos positivos. Claro que alguns, como eu, por exemplo, podem sustentar que a forma tradicional (rito antigo) explicitava melhor o aspecto sacrifical da Missa, além de ser mais coerente com um orgânico desenvolvimento litúrgico. Mas daí a dizer que a Missa na forma ordinária do rito romano é heretizante?

6. Importa assistir Missa bem celebrada, obediente às rubricas, e piedosa, seja em rito oriental, ocidental, tradicional, moderno. E preferir, claro, aquela que, nos seus aspectos acidentais, seja mais adequada segundo o pensamento do fiel e a mente da Igreja.

7. A bagunça litúrgica que se vê na esmagadora maioria das Missas em rito romano moderno no Brasil não é culpa do rito novo e da reforma litúrgica. A Missa bagunçada que vemos não é a Missa nova, mas uma distorção da Missa nova.

8. Poderíamos dizer que a Missa celebrada pelo Papa é irreverente, modernista, protestantizada? Pois é uma Missa no rito novo…

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