A ausência de diferença visível (no trajar, no comportamento, no papel social, etc.) entre homem e mulher, assim como a dissociação da função reprodutora e do ato sexual, são componentes do mesmo movimento social, absoluta e completamente contrário ao que ensina a Igreja, que deu origem à chamada “Nova Era”. Não se trata de uma “tática da Nova Era”; este fenômeno não é um movimento organizado, sim o reflexo de uma visão de mundo cada vez mais comum, que engloba tanto os aspectos pseudo-religiosos (falsas espiritualidades orientais, pseudo-misticismo à moda de Paulo Coelho, relativismo moral, etc.) quanto os políticos (dissolução do Estado Nação em prol de um “Governo Mundial” “politicamente correto”, com tribunais internacionais e ausência de soberania nacional; dissolução das grandes correntes de pensamento modernas, como o comunismo e as várias vertentes do nacionalismo socialista; presença maciça do Estado na vida dos cidadãos, regulando cada detalhe de suas vidas; campanhas pregando o desarmamento da população civil sem que haja desarmamento proporcional entre os que não respeitam a lei, muito pelo contrário…), sociais (“Orgulho Gay”, divórcio, aborto, igualitarismo feminista e socializante…) e moral (código “moral” puramente pragmático, tendo como dogma apenas o relativismo e o pensamento único a favor da dissolução dos padrões de moral tradicionais). Não podemos, assim, dizer que a moda atual seja “ditada pela Nova Era”.

Não; a moda atual e a Nova Era são ditadas pelo mesmo processo de dissolução da herança cristã, iniciado no Renascimento, tornado mais forte com a dissolução da unidade da Cristandade efetuada por Martinho Lutero e seus sequazes, tornada explícita na Revolução Francesa e genocida com o comunismo e o nazismo do século passado.

O problema que se coloca, porém, é como agir diante desta sociedade. Ao proibir ao homem vestir-se de mulher, Deus proibiu não o uso de uma roupa determinada; nós não saberíamos, ao ver uma roupa do século VIII a.C., se aquela roupa era feminina ou masculina. Ele proibiu que fosse feito individualmente o que hoje está sendo feito pela sociedade como um todo: o apagar das fronteiras entre os sexos. Para um homem, vestir-se de mulher de modo inconfundível (saias, maquiagem, etc.) é evidentemente proibido e uma abominação. Para uma mulher, uma roupa completamente identificada com o sexo masculino também o seria (ainda que seja hoje difícil saber qual roupa seria essa!). Na medida, porém, em que quem o faz é a sociedade como um todo – obedecendo não a um objetivo plenamente identificado como anti-cristão, sim a uma lenta deriva que a leva a distanciar-se de Deus – torna-se cada vez mais difícil manter um comportamento correto. O uso de calças por mulheres, por exemplo, é hoje tão universal que quem o faz não está procurando (o que seria pecaminoso) negar a sua feminilidade. É um comportamento tão socialmente aceito que não há nenhuma “mensagem” nele, ao contrário até do uso de saias. Usar saias é hoje em dia para uma mulher uma verdadeira declaração de princípios. Usar calças compridas é simplesmente usar a roupa que parece mais prática.

Isso significa que seja indiferente a mulher usar saias ou calças? Não, claro que não. O uso da saia, em nossos tempos, é uma virtude. É uma forma de deixar bem claro que não se está de acordo com o caminho tomado pela sociedade moderna. A mulher que usa saias normalmente está deixando claro que não compactua com a “canonização” do pecado em geral – e da luxúria em particular – encetada pela sociedade. O uso da calça, porém, não é hoje em dia (como o seria no princípio do século passado) uma negação da diferença essencial entre os sexos. É simplesmente uma roupa como outra qualquer. Usar calças não é mais, portanto, o que foi e é condenado por Deus, por não ser o uso de uma roupa socialmente considerada como sendo especificamente masculina.

Aconselhar as mulheres a usar saias é evidentemente correto, e o faço sempre que posso. A cada vez que uma aluna minha usa saias (modestas, é claro) eu faço questão de elogiá-la em público diante de todos os outros alunos, dizendo que é uma alegria ver uma moça que se veste como convém a seu sexo. Não é, porém, algo que pertença ao campo da prudência, mas sim da virtude o uso de saias pelas mulheres. Seria o caso de considerar este um comportamento prudente (e não necessariamente virtuoso) em meados do século passado, quando começou a popularizar-se o uso de calças por mulheres. Naquela época, quando as calças eram “uma roupa de homem que as mulheres começam a usar”, era sem dúvida prudente não usá-las. Hoje em dia, quando há calças femininas e calças masculinas, com cortes diferentes (ainda que provavelmente fossem tão indistingüíveis uma da outra por, digamos, um hebreu do tempo de Moisés quanto para nós o seriam as roupas masculinas e femininas daquele tempo), quando as calças não trazem em si absolutamente nenhuma conotação de masculinidade, recusar-se a usá-las é comportamento mais que prudente: é virtuoso. Usá-las, porém, é moralmente neutro por não representarem mais uma afirmação de identidade como homem ou mulher.

Cabe contudo lembrar que esta neutralidade moral do uso de calças por mulheres só é válida quando não se trate de calças que revelam as formas do corpo feminino. Calças justas, que permitem perceber as formas do corpo feminino, não são modestas e é no mínimo, aí sim, questão de prudência não usá-las. Calças que colam ao corpo, como infelizmente está na moda, são roupas imodestas (assim como as minissaias, os vestidos “tubinho”, etc.) e não devem ser usadas.

O único problema que pode ser trazido pelo uso habitual de saias é a declaração que se quer dar ser mal entendida, e ser passada a impressão de que a mulher de saias pertence a alguma seita protestante fundamentalista. Nada que uma bela medalha de Nossa Senhora não resolva. Este mal entendido pode ainda ser ocasião para evangelizar, mostrando que as mulheres ditas católicas que usam roupas impudicas não estão fazendo isso com permissão da Igreja, pelo contrário.

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