18 DE FEVEREIRO

 

SÃO SIMEÃO, BISPO E MÁRTIR (+ 107 ou 112)

Em S. Simeão saudamos um parente próximo de Nosso Senhor Jesus Cristo. O pai, Cleófas, era irmão de São José, e sua mãe , Maria, parenta muito chegada da SS.Virgem. Era irmão do Apóstolo São Tiago Menor, amigo muito dedicado de Nosso Senhor, testemunha ocular de sua Paixão e Ressurreição. Com os demais Apóstolos recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes, e quando estes procuraram cada um o campo de sua ação evangélica, Simeão ficou em Jerusalém, com seu irmão Tiago, primeiro Bispo daquela cidade. São Tiago sucumbiu à sanha feroz dos judeus e morreu mártir. São Simeão, por ordem do Conselho dos Apóstolos, continuou a obra do irmão, sucedendo-lhe como Bispo de Jerusalém. Com um zelo verdadeiramente apostólico, pregou a doutrina de Cristo a judeus e pagãos, e pelo exemplo edificou a jovem Igreja jerusalemitana.

Sob seu governo cumpriu-se a terrível profecia de Nosso Senhor sobre Jerusalém. Os judeus, em vez de ouvir os conselhos dos Apóstolos, correram atrás de falsos profetas e levantaram-se contra os romanos, o que foi sua perdição. Antes, porém, do imperador Vespasiano cercar e atacar a cidade, os cristãos, por um aviso que receberam do céu, tiveram tempo de providenciar o seu êxodo. Simeão, obedecendo à voz de Deus, retirou-se para a cidade de Pela, onde, com toda a calma, pode dedicar- se ao múnus apostólico, enquanto em Jerusalém não ficou pedra sobre pedra. Mais de um milhão de homens morreram de fome, de miséria, vitimados por doenças, ou crucificados pelos romanos; cem mil judeus foram levados à escravidão. Tendo terminado o terrível castigo, com que Deus profligou a cidade deicida, os cristãos voltaram, e por entre os escombros e ruínas construíram casas e continuaram a viver em paz, servindo a Deus Nosso Senhor.

Muitos judeus, vendo os grandes milagres que o Apóstolo fazia, converteram-se ao cristianismo. O demônio, inimigo de todo o bem, observou com maus olhos o progresso da religião de Cristo na Capital da Judéia. Não lhe sendo possível causar maiores males, semeou cizânia que medrou produzindo várias heresias, que S. Simeão pode logo abafar.

Trajano era imperador de Roma. Na perseguição que decretou contra os cristãos, visou principalmente evitar, que a família e os descendentes daquela estirpe pudessem conceber a idéia de restaurar o reino davídico ou de proclamar um novo Messias, e levar os judeus a uma grande rebelião. Foi bastante esta preocupação do monarca, para os judeus e hereges de Jerusalém lhe denunciarem o nome de Simeão, que realmente era da família de Davi.

Simeão, ancião de 120 anos, recebeu ordem de prisão e intimação de prestar homenagem aos deuses.

“Nunca, nunca – foi à resposta do venerável Apóstolo – nunca jamais farei tal coisa, negando e traindo assim meu Mestre e Senhor. Teus deuses têm sido entes infames e ímpios; Jesus Cristo, porém, é Deus verdadeiro”. –

No meio da cruel flagelação, a que o desumano governador o sujeitou, Simeão louvou e bendisse o nome de Deus e o de Jesus Cristo. Vendo que nada conseguia, o governador condenou-o à morte da cruz. Honra maior não lhe podia ser dispensada, e por isso Simeão, ouvindo esta sentença, exultou de alegria. Ele próprio se estendeu sobre o instrumento do martírio e ofereceu aos algozes as mãos e os pés. Do alto da cruz ainda confessou o nome do divino Mestre, rezou pelos inimigos e entregou o espírito a Deus.

 

REFLEXÕES

 

  1. Em testemunho de fé São Simeão foi crucificado. Não é este o martírio que Deus de ti exige; mas muita ocasião se te apresenta de crucificar tua carne; e esta crucificação é necessária para tua salvação. Aqueles que pertencem a Cristo, diz São Paulo, crucificam a carne com seus apetites (Gal 5,24). Segundo Santo Anselmo chama crucificação da carne a guerra contínua contra as más inclinações e paixões. Os Santos Padres vêm na crucificação da carne mortificação exterior dos sentidos, que não devem ter demasiada liberdade para não ofender a Deus. Se queres, pois, cruficificar o corpo, observa os dias de jejum e abstinência, embora te custe um pouco. Fecha o ouvido a conversas inconvenientes, inúteis e maldizentes. Guarda a língua de palavras que ofendam a Deus. Não profanes a boca com beijos ilícitos. Afasta a mão de toda a impureza, e não a estendas para o bem injusto. Não permitas aos pés que te levem a lugares que importam perigo para a alma. Resiste aos ímpetos da ira, da vaidade, da ambição e domina as más inclinações. Desta maneira, crucificando a carne, serás crucificado com Cristo, e pertencerás ao teu Senhor e Deus.
  2. São Simeão morreu na idade de 120 anos e teve morte gloriosa. Que idade alcançarás? Ninguém o sabe. Como será tua morte? Santo Agostinho responde a esta pergunta, dizendo: “Não pode ter morte má, quem viveu piedosamente.” Não será provável alcançares a idade de São Simeão; tua esperança, entretanto, é chegar a um bom número de anos. Quais são as razões, que justificam essa esperança? A mocidade? O vigor e a saúde? Muitos há que morreram mais moços; muitos morreram, quando pareciam ter força e saúde para cem e mais anos. O rico do Evangelho também embalava a doce esperança de viver muito bem e a morte colheu-o inesperada e prematuramente. Não contes com o futuro, como com uma coisa garantida e toma em consideração as palavras da Imitação de Cristo: “Louco, porque contas com vida longa, não tendo seguro nenhum dia? Quantos que, pensando viver muito, se viram enganados e morreram imprevistamente? Faze agora o que está ao teu alcance, pois não sabes quando a morte te chamará.”

 

Santos do Martyrologio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Óstia os santos mártires Máximo e seu irmão Cláudio; a esposa deste, de nome Prepedigna e seus filhos Alexandre e Cucia. Não obstante a sua nobre origem, foram presos e exilados, por ordem de Diocleciano. Mais tarde sofreram o martírio pela fogueira. Suas cinzas foram atiradas ao Tibre, mas os cristãos retiraram das águas as preciosas relíquias e as sepultaram em Óstia.

Em Toledo o santo Bispo Heládio.

Na Missão de Honan, na China, o lazarista Francisco Regis Ciet. Falecido em 1820.

 

Fonte: LEHMAN, João Baptista. NA LUZ PERPÉTUA. Volume I. 2a Edição revista e aumentada. Edição Lar Catholico, 1935. Juiz de Fora/MG.

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