Poucos eram os testemunhos públicos de famosos que estavam dispostos a manifestar sua fé cristã, a defendê-la e falar da grande importância que está exercendo em suas vidas. Mas de tempos para cá temos nos deparado com testemunhos exemplares, com palavras que oferecem esperança de conversões edificantes, de projetos de rádio, TV, Internet e produções cinematográficas que colocam os meios tecnológicos à disposição da evangelização com temas abertamente cristãos ou que promovem os valores humanos e as virtudes que o Cristianismo defende… São poucas as vozes, mas que cada vez fazem maior barulho.

Em meados do ano passado [2008], Nicole Kidman surpreendeu o mundo hollywoodiano com seu retorno ao Catolicismo, seu matrimônio e palavras de feliz recordação da aprendizagem da fé no seio de sua família.

Juliette Binoche, a atriz favorita de Kieslowski e Goddard, ganhadora de um Oscar pelo filme “O Paciente Inglês”, indicada para outro por sua interpretação em “Chocolate” e que há cerca de apenas um ano tornou a surpreender por sua interpretação em “Maria”, tem sempre expressado publicamente a importância daquilo em que crê. Em recentes declarações sobre a sua fé católica, sublinhou: “O primeiro exemplo cristão que me recordo é o de minha mãe, de origem polonesa. Dos meus colégios católicos também guardo uma boa recordação”. Obviamente, passou por dúvidas, momentos de vazio e raiva, porém ela mesmo disse: “Desde muito pequena me sinto acompanhada. No silêncio e solidão raramente me sinto sozinha”. Além disso, mencionou que no Evangelho de São João descobriu “um tesouro, sobretudo no Prólogo, um abismo que exprime o mistério do Verbo feito carne. O fato de Cristo ser divino e humano, de ser a ponte, que toma todas as cores do humano para nos levar ao divino é algo grandioso!”.

E o que dizer das palavras da conhecida lésbica afro-americana, fundadora e editora da revista homossexual “Vênus”, Charlene Cothran, que no artigo “Redimida! Dez maneiras de deixar ‘a vida’ homossexual se quiser sair dela”, comunicava os quase 40 mil assinantes da revistas e as centenas de leitores do site na Internet, sua decisão de mudar o rumo da publicação para auxiliar na recuperação de homossexuais? “Decidi entregar todos os meus dons novamente ao Senhor, inclusive a revista ‘Vênus’. O público será o mesmo, porém a missão é renovada: ‘Nossa nova missão é animar, educar e assistir todos aqueles que na vida querem mudar, porém não encontraram uma saída’. Meu irmão, minha irmã: por favor, sigam-me no caminho de saída de tudo isto”. E, mais impressionante ainda: “Embora eu tenha vivido como lésbica ao longo de toda a minha vida adulta, não tenho dúvida alguma de que o objetivo da minha alma é usar os meus dons para amorosamente compartilhar a verdade de como chegamos aqui: como nos convertemos em gay ou lésbica, como chegamos a desfrutar de nosso ‘estilo de vida’ e como chegamos a crer – equivocadamente – que isto estava de acordo com Deus”.

Em recente entrevista concedida ao periódico “National Catholic Register”, Sylvester Stallone manifestou sua intenção de, além da mensagem cristã que apresentou em “Rocky Balboa”, fazer o mesmo agora em sua nova produção “Rambo IV: Pearl of the Cobra”. No semanário, Stallone narra sua história de retorno à fé católica e mostra como o nascimento de sua filha em finais dos anos 1990 exerceu determinante papel nele: “Quando minha filha nasceu doente e percebi que precisava de ajuda, comecei a colocar tudo nas mãos de Deus, sua onipotência e grande misericórdia”.

Também a conversão do ator e cantor mexicano Eduardo Verástegui tem sido muito apontada e difundida na América Latina…

Porém, nem tudo ficou nos planos pessoais. Apenas no último semestre os diversos grupos, movimentos e leigos católicos e cristãos têm apresentado novas iniciativas na rádio, no cinema, na Internet e na televisão (basta recordar a Rádio Guadalupe, H2O.tv ou o site que o Vaticano destinará aos jovens, sobretudo aqueles que têm participado das Jornadas Mundiais da Juventude, conforme recente entrevista da ir. Judith Zoebelein, responsável pelo Departamento de Internet da Santa Sé, ao periódico “The Inquirer”).

E em declarações feitas ao diário italiano “La Stampa”, o porta-voz do Opus Dei, Pippo Corigliano, anunciou o projeto de filmagem sobre São Josemaría Escrivá de Balaguer. Nomes como Robert de Niro, Antonio Banderas ou Nicolas Cage soam como candidatos a representar o santo fundador em uma produção não financiada mas orientada pela Prelazia.

Mas nem tudo pára aqui. Após a Páscoa, a “Mondo TV” presenteará o mundo com um desenho sobre a infância de Mons. Escrivá, que será apresentado em algumas salas de cinema e canais internacionais de televisão.

Outra megaprodução, embora fonográfica e em inglês, será lançada em outubro próximo: uma coleção de 20 CDs com 25 horas de áudio, elaborada pela Thomas Nelson Inc. – a maior produtora e vendedora de Bíblias do mundo – com o propósito de efetuar uma peregrinação pela história do Novo Testamento. Neste projeto participaram atores da grandeza de Jim Caviezel (novamente interpretando Jesus), Marisa Tomei, Stacy Keach, Terence Stamp e Kimberly Williams-Paisley.

Além disso, grandes produtoras não-confessionais têm apostado em conteúdos explicitamente religiosos ou de virtudes e valores que levam a Deus. Neste sentido, durante 2006 foram lançados filmes como “Copiando Beethoven” (uma recriação autobiográfica do músico e compositor que vai desenvolvendo a alma de músico e revelando tanto a sua profunda espiritualidade quanto a sua luta interior). Juana Samanes, diretora e apresentadora de “Mais Cinema, por Favor”, da TV Popular, sublinha que “No filme, o grande compositor manifesta sua certeza de que nenhum dom humano é possível sem a participação do Criador”.

Outras boas produções foram:

– “Babel”: filme baseado em um trilogia sobre o homem contemporâneo e sua indigente situação: “O grande tema é a universalidade da ferida humana onde o abraço expressa o perdão curador mediante um sentimento de orfandade e abandono”;

– “A Rainha”: aborda o valor da família, além de ter o “plus” de registrar em filme a vida de Diana de Gales e a família real britânica.

Outros três sucessos foram:

– “O Grande Silêncio”: três horas na vida cotidiana dos [monges] cartuxos;

– “Natividade”: filme que expressa a vida da Sagrada Família, a relação humana entre Maria e José e o nascimento de Jesus;

– “Guadalupe”.

E neste ano a imprensa mexicana começou a especular acerca do projeto de gravação da vida do Pe. Kino pela “Icon”, a empresa cinematográfica de Mel Gibson;

Por outro lado, esse interesse pela evangelização, pela promoção de um humanismo cristão e por tornar pública a fé chegou também ao mundo dos esportes. Em dezembro passado, o time dos Estudantes de La Plata, campeão do futebol argentino, foi, após o campeonato, à catedral da cidade para apresentar diante da imagem da Imaculada Conceição um arranjo floral em vermelho-e-branco (as cores do time) e agradecer a Deus pela conquista.

É óbvio que não é necessário ser famoso para se testemunhar a fé, porém tampouco devemos desvalorizá-la quando pode nos servir como interpelação para viver aquilo a que fomos chamados. Como dizíamos, são pequenas vozes que se elevam, que saem ao ar; contudo, bem que poderíamos transformá-las em um alto brado, unânime e firme, se todos nos somamos a imitar o modo exemplar de vida dAquele que nos deu o maior exemplo: Cristo!

Não basta apenas crer; deve-se levar a fé à ação. Como bem dizia o Apóstolo: “Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei com obras a minha fé!”

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