Estou no meio do mundo  para me fazer santa; e para isso O Espírito Santo tem como missão me assistir exteriormente, mas pelo Batismo, veio também habitar “em mim”. Minha vocação é portanto, uma vocação para a intimidade e para o Céu. Não só não posso trai-LO, mas sou chamada a viver das minhas riquezas divinas. Sim, minhas, porque me foram dadas pelo Pai das luzes, que me chama a ser santa e a viver como filha amada que sou, me tornando tal como Ele é, perfeita para toda boa obra e para a adoração incondicional a Ele.

Portanto, minha vida de batizada consiste em: Assegurar o estado de graça e explora-la ao máximo.

1 – Assegurar o estado de graça em si mesmo  – Preciso para isto, fugir de pecado e toda ocasião de encontra-lo. Sei que todos os dias travarei uma guerra entre a “carne” e o “espírito”, para fazer vencer o homem novo renascido em Cristo. O que o Espírito Santo realiza, a partir do momento que veio habitar em mim, é predominar as potências espirituais, a vontade racional esclarecida e ajudada pela fé. Se permaneço fiel, na terra, esta vida florescerá no Céu – “Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos, habita em vós, Ele, que ressuscitou à Jesus, também fará reviver os nossos corpos mortais graças ao seu Espirito que habita em vós” ( Rom 8,11.)

Ele me dá, a cada dia, forças para lutar e me conduz à libertação quando me ajuda a rejeitar o que me arrastaria ao mal. Para tanto, é preciso que eu viva com prudência para  prevenir qualquer ataque, seja do mundo, da carne ou do demônio, que me quer aliciar e matar para Deus. O divino Espirito me adestra para a guerra a fim de poder repeli-los.

Nesta luta caminharei e a vida em estado de graça deve ser minha meta, para que eu não seja surpreendida pela morte em estado de pecado, com todas as suas consequências. Esta vida em estado de graça é que me fará “merecer” estar diante de Deus. Com ela, meu labor, minhas dores, minhas renúncias, minhas provações, terão repercussão no céu e me fará ajuntar um tijolinho para ele.

2 – Explora-la ao máximo, com os auxílios de Deus e minha vontade racional bem formada pela doutrina e pela graça. Para explora-la, devo entender que não se trata só de uma parte negativa: não ter pecados mortais na consciência, mas também de alguma coisa muitíssimo positiva: a presenca de uma Hóspede ilustre e santo em mim – “doce hóspode da alma”. Se Ele é aquele que guia, santifica e que habita no batizado, deve ser então “nosso” Mestre e nosso guia.  – “É pela “intimidade” da Sua união com Ele que medem os seus progressos de santidade” – (La Divinisation du Chrétien – Pe. P. Ramiére, pag. 218)

O Espírito Santo age em nós, nos dando úteis aspirações, para que possamos pensar e agir conforme os desígnos de Deus, desígnos estes que nos levarão à Ele para ve-LO tal qual Ele é. Quanto mais uma alma é dominada e guiada por Ele, tanto mais grandioso e santo se torna aquilo que faz, mesmo tratando-se de atos pequenos, das pequenas ocupações. Quando Ele encontra as disposições necessárias para agir, realiza exatamente em nós a vontade do Pai. Realiza uma verdadeira metanóia, e a partir da raiz; por isso um novo homem nasce, porque este, disposto e acessível, recebe d’Ele grandes graças.

Torna líquido o que é duro  – “dar-te-ei um coração de carne” -, ao que precisa de consistência, dá força e coragem para lutar contra o mal, move o inerte, pois penetra até o fundo da alma a iluminando  e dando sabedoria para testemunhar Cristo com toda a intrepidez, neste mundo tão avesso à Deus. Tira o medo das afrontas, das calúnias, e dá coragem para anunciar a Verdade, mesmo que doa. Ajuda, consola, direciona, robustece e dá alegria plena. Faz daquele que crê um vencedor, pois revela Cristo sem cessar ao seu coração – “Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (I Jo 5, 4b), abrasa o coração da perfeita caridade, torna-o um verdadeiro adorador e um filho obediente aos mandamentos do Senhor.

Devemos observar, como nos explica São Leão XIII na sua Encíclica sobre o Espírito Santo – Divinum illud munus -, que dizer que o Espírito habita em nós em estado de graca, não significa que venha só, mas é toda Santíssima Trindade que vem agir em nós.

O que temos que entender é que a vida da graça deve ser contínua, já que se trata de intimidade e este hóspede habita e convive conosco. Jesus nos alertava sobre esta presença santa que deve ser cultivada com toda solicitude e amor, se alguém vive em estado de graça, “meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele a nossa morada” (São João 14, 23).

Ora, não haveremos nós de deixarmos limpo este aposento para tão ilustre hóspede, não preparemos nós a morada de nosso coração para Deus, tirando dele toda imundície das más obras?

Devemos procurar o Senhor não somente no tempo da compunção, mas também no tempo da tentação e muito mais neste, já que é exatamente nele que poderemos perder o santo dentro de nós. Para isso, é exigido decisão de mudança e de perseverança. Temos que estar dispostos a  evitar e rejeitar “tudo”, para não perder o estado de graça. Mas será que eu humana e fraca, tenho forças suficientes, já que se trata de uma luta extremamente necessária e vital?

Não. Devo esperar no meu Batismo a minha intimidade com Deus. Se amamos a Deus e se na docilidade O procuramos, Ele jamais nos abandonará, Ele jamais nos deixará sem a ajuda necessária. Se permanecermos fieis, podemos e devemos procurar n’Ele o nosso descanso, que é a doce alegria de não estar só, mas estaremos certos, – mesmo que não tenhamos a graça de “gozarmos” a Deus presente  -, de que Ele nos possui e age nos auxiliando na luta, pois  o combate só acaba quando chegar nosso fim, que pode e deve ser maravilhoso, pois estaremos na posse do Amado. Muito nos ajuda também, – se tivermos a docilidade de nossa Mãe Maria Santíssima  -,  rezarmos como ela: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra”.

Oração:

Senhor, se algum dia eu tiver a desgraça de destruir com uma falta grave, a graça na minha alma – as surpresas  são sempre possíveis, não obstante dever contar com grande confiança no auxílio de Deus para ser constantemente fiel – recorrerei logo ao Sacramento do perdão. A confissão, que costuma certamente agir em mim como sacramento  de vivos, se tenho a felicidade de viver habitualmente em estado de graça, atuaria então segundo a sua força constitutiva original e como sacramento que tem por fim primordial fazer passar a alma da morte à vida. Não me preserveis somente das quedas graves; fazei que não haja nada em mim que Vos desgoste e siga à risca o conselho de São Paulo: “Não constristeis o Espírito Santo”. Fazeis mais ainda! Fazei que, segundo outra palavra de São Paulo, eu viva “conforme o Espírito”que, penetrado cada vez  mais da Vossa presença em mim, eu cresça todos os dias em intimidade convosco”(Pe. Raul Plus – Em União com o Espirito Santo – Quadrante)

Vem Espírito Santo, toma-me!

Facebook Comments

Livros recomendados

EuPaixão por vencerAs crônicas de Nárnia