Nota de Apresentação 

O seguinte texto foi escrito há três meses, no dia 04 de Abril de 2007, quando anunciava-se a publicação do Motu-Proprio de Bento XVI liberando a Missa de S. Pio V para o Domingo de Páscoa. O texto, embora já conte algum tempo, em nada está desatualizado. Quer desfazer equívocos, demonstrando de uma forma rápida como os dois Missais provêm da mesma autoridade, a autoridade do Sucessor de Pedro. Aliás, segundo noticiam algumas agências, este deverá ser um dos pontos-chave da carta do Santo Padre Bento XVI, que instituirá como forma ordinária do Rito Romano o Missal de Paulo VI, e como forma extraordinária o Missal de S. Pio V. Neste texto nos detemos, entretanto, no Missal de S. Pio V, expondo como este constitui-se um tesouro da liturgia da Igreja, e como não nos devemos deixar levar por concepções modernistas, que encaram este Missal com um inimigo ferrenho, nem por concepções tradicionalistas anti-Vaticano II, que vêm na liberalização deste Missal uma condenação a um Concílio Ecumênico legítimo da Santa Igreja, o que é igualmente um absurdo. Esperamos com isto advertir aos católicos leitores do Veritatis para que não se deixem levar nem por uma corrente (a modernista) nem por outra (a tradicionalista anti-Vaticano II), mas sim seguir o Santo Padre em tudo que nos ordenar, sentindo com a Igreja. Pois nenhum poder temos contra a Verdade, só o temos em favor da Verdade. E contra a splendorosa falsitatis dos hereges e cismáticos, nos resta fazer brilhar o Veritatis Splendor!

Anuncia-se para breve a publicação do Motu-Proprio de Bento XVI liberalizando a Missa de S. Pio V. Algumas notícias nos deram conta de que este documento sairia no mais tardar até o Domingo de Páscoa próximo, o que já nos parece um pouco improvável. Entretanto, de uma forma ou de outra, já se tem praticamente uma completa certeza de que o Motu-Proprio está pronto e apenas aguarda para ser publicado. È motivo de júbilo para todos nós, fiéis católicos, a liberalização da Missa de S. Pio V.

Quão bela, quão maravilhosa, quão esplendorosa é esta tradição litúrgica! Tudo nela a constitui um genuíno patrimônio da Santa Igreja. Ainda um dia desses escrevia a um amigo meu (infelizmente imbuído de certo Modernismo, que vê a Missa de S. Pio V como inimiga) a respeito desta tradição litúrgica: “O Rito de S. Pio V é um rito maravilhoso, uma tradição belíssima que não pode se perder. Faz parte de nossa ‘cultura católica’, e não podemos deixar que uma coisa tão bela seja enterrada pelas areias do tempo. É exatamente isso que, comenta-se, o Papa não deseja. João Paulo II também desejava liberar o Rito de S. Pio V, ou Missa Antiga, para que pudesse ser celebrado junto com a Missa Nova, o Rito de Paulo VI; tanto é assim que liberou para algumas associações o direito de celebrar segundo o Rito de S. Pio V, como aconteceu com a Associação Sacerdotal S. João Maria Vianney. Bento XVI, comenta-se, quer ampliar essa abertura ao Rito de S. Pio V para que não só estas associações, mas todos os fiéis, possam ter acesso a essa tradição litúrgica tão belíssima. Logicamente, por enquanto, isto são só boatos; mas eu, particularmente, torço pela liberalização do Rito de S. Pio V, pois me arrepia a idéia de que um rito tão belo, tão maravilhoso, se perca com o tempo” (SOUSA, T.F. Carta, 25 de março de 2006).

Infelizmente os hereges modernistas têm semeado a idéia de que a Missa de S. Pio V representa o retrocesso à “Igreja pré-conciliar”, uma Igreja que seria clericalista, elitista, e cuja liturgia seria um abismo entre Deus e os fiéis; a Missa de Paulo VI, ao contrário, seria a única Missa realmente sagrada e cuja celebração é indicada, banindo-se o significado do Missal de Pio V. Esta concepção que encara a Missa de S. Pio V como uma inimiga que deve ser abolida e eliminada da Santa Igreja infiltrou-se de tal maneira entre os católicos e mesmo entre o Clero, que para mim já não é surpresa quando a encontro, de modo que vencer este estereótipo forjado pelos modernistas tem sido uma de minhas preocupações constantes. Em primeiro lugar, não existe Igreja pré ou pós-conciliar, como alegam os modernistas e também os tradicionalistas anti-Vaticano II; admitir tal idéia seria o mesmo que afirmar que o Corpo Místico de Cristo, a Igreja, rachou-se, isto é, dividiu-se em duas igrejas distintas durante o Concílio Ecumênico Vaticano II, o que é um absurdo sem precedentes: o Corpo de Cristo não pode romper-se, quebrar-se; transpassa inabalável o curso dos tempos. Dessa forma, como admitir, como querem os hereges modernistas, que a Missa de S. Pio V representa um retrocesso à “Igreja pré-conciliar”, se esta nem existe? Pois se o Corpo de Cristo, a Igreja Católica, permanece inabalável ao longo dos séculos, então a Missa de S. Pio V não é retrocesso, mas belíssima e singular tradição litúrgica da Igreja de Cristo. O mesmo para a Missa de Paulo VI, aprovada pelo Papa Paulo VI em sua autoridade, tal como anteriormente fizera Pio V, o que deixa evidente a sacralidade de ambas as tradições litúrgicas, de modo que uma ou outra não podem representar retrocesso, e muito menos uma será inimiga da outra. Vê-se, portanto, como é errônea a idéia herética dos modernistas. Aliás, o que se poderia esperar destes lobos carniceiros, fantoches do Anticristo, se não erros e engodos?

Por outro lado, também se constata com tristeza uma outra opinião, proveniente da corrente tradicionalista anti-Vaticano II, para a qual a Missa de Paulo VI é a inimiga, ao passo de que a Missa de S. Pio V seria a única realmente sagrada e cuja celebração é indicada. Ora, esta idéia é errônea pelos mesmos motivos que fazem da concepção modernista anteriormente citada um engodo: ambos os Missais (de Pio V e Paulo VI) sustentados pela mesma autoridade, são igualmente sagrados, de forma que um não é adversário ou inimigo do outro!

Estas duas correntes errôneas (a dos modernistas e a dos tradicionalistas anti-Vaticano II) motivaram o surgimento de uma terceira idéia, ainda mais absurda e perigosa que as anteriores: a que diz que a Missa de S. Pio V é patrimônio dos tradicionalistas anti-Vaticano II e a Missa de Paulo VI, patrimônio dos modernistas.

Quão perigosa é esta idéia! Quão perigosa! É preciso tomar bastante cuidado com ela!

Então eu, por aceitar o Missal de Paulo VI, sou modernista? E se eu desejasse a liberalização do Missal de S. Pio V, por reconhecer sua sacralidade, serei tradicionalista anti-Vaticano II?

Mas eu aceito tanto o Missal de Pio V quanto o de Paulo VI, reconheço a sacralidade tanto de um quanto de outro, pois ambos estão apoiados na mesma autoridade do Sucessor de Pedro! Então eu serei modernista e tradicionalista anti-Vaticano II ao mesmo tempo? Não! Eu serei autêntico católico!

O católico deve rejeitar estas concepções errôneas da corrente modernista e da corrente anti-Vaticano II.

A Missa de S. Pio V e a Missa de Paulo VI não são patrimônio deste ou daquele: ambas pertencem à Santa Igreja de Deus, à Igreja Católica! Logo, ambas devem ser aceitas pelos fiéis, e por eles reconhecidas e reverenciadas! Esta deve ser a atitude do verdadeiro fiel católico: reverência e aceitação.

E agora, retornemos ao assunto inicial deste artigo: o Motu-Proprio de Bento XVI.

O Papa, ao liberalizar a Missa de São Pio V, estará condenando o Missal de Paulo VI e o Concílio Vaticano II? De modo algum, pois tanto um quanto outro são patrimônio litúrgico e, no caso do Concílio, patrimônio doutrinário da Santa Igreja de Deus.

Então por que o Motu-Proprio ainda não foi publicado? Não sou ninguém para saber o que o Espírito inspira nos ouvidos do Santo Padre, mas posso supor que tanta prudência e cautela não são sem motivo: talvez a imaturidade de tantos em reconhecerem a sacralidade destes dois Missais sustentados pela autoridade do Sucessor de Pedro, e assim oporem um Missal ao outro, como se os dois fossem inimigos, seja um dos motivos pelo qual o Papa é tão prudente.

Cabe a nós rejeitarmos as idéias errôneas dos modernistas e tradicionalistas anti-Vaticano II, reconhecermos e reverenciarmos o patrimônio litúrgico da Igreja, e rezarmos pelo Santo Padre, para que o Senhor lhe dê sabedoria e consolo diante destes lobos ferozes e carniceiros, que uivam e desejam sua queda.

Outrossim, exultemos, pois eis que em breve será liberalizada esta esplêndida tradição litúrgica da Santa Igreja! Exultemos, pois novamente veremos soar nas igrejas as palavras do Missal de Pio V! Glorifiquemos a Deus pela belíssima liturgia católica!

E sigamos ao Papa, Vigário de Cristo, Doutor e Pastor de todos os fiéis! Salve Bento XVI!!!

Viva o Papa!!!

Campina Grande, 04 de abril de 2007,

Festa de Santo Isidoro de Sevilha.

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