Bíblia - Tradição - Magistério

O Novo Testamento – História ou Mito?

“O Novo Testamento pode hoje ser descrito como o livro mais investigado da literatura mundial.” Assim disse Hans Küng no seu livro “Sobre Ser Cristão”. E ele tem razão. Durante os últimos 300 anos, o Novo Testamento foi investigado ao máximo. Foram mais cabalmente dissecadas e mais minuciosamente analisadas do que qualquer outra literatura.

AS CONCLUSÕES a que alguns investigadores chegaram são estranhas. Lá no século 19, Ludwig Noack, da Alemanha, concluiu que o Evangelho de João foi escrito em 60 d.C. pelo discípulo amado — o qual, segundo Noack, era Judas! O francês Joseph Ernest Renan sugeriu que a ressurreição de Lázaro provavelmente foi uma fraude elaborada pelo próprio Lázaro, para dar apoio à afirmação de Jesus, de fazer milagres, ao passo que o teólogo alemão Gustav Volkmar insistiu em que o Jesus histórico de maneira alguma podia ter feito reivindicações messiânicas.

Bruno Bauer, por outro lado, decidiu que Jesus nunca existiu! “Ele sustentou que as verdadeiras forças criativas no primitivo cristianismo eram Filo, Sêneca e os gnósticos. No fim, ele declarou que nunca houve um Jesus histórico… que a gênese da religião cristã ocorreu em fins do segundo século e procedeu de um judaísmo no qual o estoicismo se tornara dominante.”

Hoje em dia, poucos sustentam tais idéias extremas. Mas, ao ler as obras de eruditos modernos, verificará que muitos ainda acreditam que o NT contêm lendas, mitos e exageros. Será que isso é verdade?

Quando Foram Escritos?

Mitos e lendas levam tempo para se desenvolver. Por isso é importante fazer a pergunta: Quando foram escritos esses livros? Michael Grant, historiador, diz que os escritos históricos do NT tiveram início “trinta ou quarenta anos após a morte de Jesus”. O arqueólogo bíblico William Foxwell Albright citou C. C. Torrey como chegando à conclusão de “que todos os Evangelhos foram escritos antes de 70 A.D. e que não há neles nada que não pudesse ter sido escrito dentro de vinte anos após a Crucificação”. A opinião do próprio Albright era que sua escrita foi completada “o mais tardar por volta de 80 A.D.”. Outros apresentam cálculos um pouco diferentes, mas a maioria concorda que a escrita do Novo Testamento estava completa por volta do fim do primeiro século.

O que significa isso? Albright conclui: “Só podemos dizer que um período de vinte a cinqüenta anos é limitado demais para permitir qualquer corrupção substancial do conteúdo essencial e mesmo da fraseologia específica dos dizeres de Jesus.” O Professor Gary Habermas acrescenta: “Os Evangelhos são de bem perto do período que registram, ao passo que as histórias antigas costumam descrever eventos que ocorreram séculos antes. Todavia, os atuais historiadores conseguem com bom êxito derivar os eventos mesmo de tais períodos antigos.”

Em outras palavras, as partes históricas do NT merecem pelo menos tanto crédito quanto as histórias seculares. Por certo, nas poucas décadas decorridas entre os acontecimentos do primitivo cristianismo e o tempo em que foram assentados por escrito, não houve tempo para se desenvolverem mitos e lendas, e para estes serem universalmente aceitos.

Testemunho Ocular

Isto se dá especialmente em vista do fato de muitos dos relatos falarem à base de testemunho ocular. O escritor do Evangelho de João disse: “Este é o discípulo [o discípulo a quem Jesus amava] que dá testemunho destas coisas e que escreveu estas coisas.” (João 21.24) O escritor do livro de Lucas diz: “[Os fatos] no-los transmitiram os que desde o princípio se tornaram testemunhas oculares e assistentes da mensagem.” (Lucas 1.2) O apóstolo Paulo, falando daqueles que testemunharam a ressurreição de Jesus, disse: “a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem.” — 1 Coríntios 15.6.

Neste respeito, o Professor F. F. Bruce faz uma perspicaz observação: “De modo algum deve ter sido tão fácil, como alguns escritores parecem pensar, inventar palavras e atos de Jesus naqueles primeiros anos, quando ainda existiam tantos dos discípulos Dele, que podiam lembrar-se do que havia e do que não havia acontecido… Os discípulos não podiam arriscar-se a cometer inexatidões (sem se falar em deliberadamente manipular os fatos), que seriam imediatamente expostas por aqueles que teriam muito prazer em fazer isso. Ao contrário, um dos pontos fortes da pregação apostólica original é o apelo confiante para o conhecimento dos ouvintes; eles não somente disseram: ‘Somos testemunhas destas coisas’, mas também: ‘Conforme vós mesmos também sabeis’ (Atos 2.22).”

É o Texto Digno de Confiança?

Existe a possibilidade de que esses testemunhos oculares fossem registrados com exatidão, porém mais tarde corrompidos? Em outras palavras, introduziram-se mitos e lendas depois de se completar a escrita original? Já vimos que o texto do NT está em melhores condições do que qualquer outra literatura antiga. Kurt e Barbara Aland, peritos do texto grego da Bíblia, alistam quase 5.000 manuscritos que sobreviveram desde a antiguidade até agora, alguns deles já desde o segundo século.O testemunho geral desta grande quantidade de evidência é no sentido de que o texto é essencialmente correto. Além disso, há muitas traduções antigas — as mais antigas sendo de cerca do ano 180 — que ajudam a provar que o texto é exato.

Portanto, não importa como encaremos isso, podemos ter a certeza de que não se infiltraram lendas e mitos no NT depois de os escritores originais terem terminado seu trabalho. O texto que temos é substancialmente o mesmo que os escritores originais registraram, e sua exatidão é confirmada pelo fato de que foi aceito pelos cristãos contemporâneos. Então, é possível verificarmos a historicidade da Bíblia por compará-la com outras histórias antigas? Até certo ponto, sim.

A Evidência Documentária

De fato, no que se refere aos eventos na vida de Jesus e de seus apóstolos, a evidência documentária fora da Bíblia é bastante limitada. Isto é somente lógico, visto que, no primeiro século, os cristãos eram um grupo relativamente pequeno, que não se envolvia na política. Mas a evidência que a história secular de fato provê concorda com o que lemos na Bíblia.

Por exemplo, depois de Herodes Ântipas ter sofrido uma esmagadora derrota militar, o historiador judaico Josefo, escrevendo em 93, disse: “A alguns dos judeus parecia que a destruição do exército de Herodes era vingança divina, e certamente uma vingança justa, pelo tratamento que dispensou a João, apelidado de Batista. Porque Herodes mandara matá-lo, embora fosse um homem bom e tivesse exortado os judeus e levar uma vida justa, a praticar a justiça para com o seu próximo e a piedade para com Deus.” Josefo confirma assim o relato bíblico de que João, o Batista, era homem justo, que pregava o arrependimento e foi executado por Herodes. — Mateus 3.1-12; 14.11.

Josefo menciona também o primo de Jesus, Tiago, que, segundo nos diz a Bíblia, no começo não seguiu Jesus, mas depois tornou-se um líder de destaque em Jerusalém. (João 7.3-5; Gálatas 1.18, 19) Ele documenta a prisão de Tiago com as seguintes palavras: “[O sumo sacerdote Ananus] convocou os juízes do Sinédrio e levou perante eles um homem chamado Tiago, irmão de Jesus, que era chamado o Cristo, e certos outros.” Escrevendo estas palavras, Josefo confirma adicionalmente que “Jesus, que era chamado o Cristo”, era uma pessoa histórica, real.

Outros dos antigos escritores também se referem a coisas mencionadas no NT. Por exemplo, os Evangelhos nos dizem que a pregação de Jesus na Palestina teve ampla aceitação. Quando ele foi sentenciado à morte, por Pôncio Pilatos, seus seguidores ficaram confusos e desanimados. Pouco depois, estes mesmos discípulos, destemidamente, encheram Jerusalém com a mensagem de que seu Senhor havia sido ressuscitado. Em poucos anos, o cristianismo se espalhou pelo Império Romano. — Mateus 4.25; 26.31; 27.24-26; Atos 2.23, 24, 36; 5.28; 17.6.

Testemunho a respeito da veracidade disso é dado pelo historiador romano Tácito, que não era amigo do cristianismo. Escrevendo logo depois do ano 100, ele fala sobre a perseguição cruel que Nero movera aos cristãos e acrescenta: “O autor deste seu nome foi Cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava de novo a grassar não só por toda a Judéia, origem deste mal, mas até dentro de Roma.”

Em Atos 18.2, o escritor bíblico se refere ao fato de que “[o imperador romano] Cláudio tinha ordenado que todos os judeus saíssem de Roma”. Suetônio, historiador romano do segundo século, também menciona esta expulsão. Na sua obra O Deificado Cláudio, o historiador diz: “Visto que os judeus causavam constantemente distúrbios às instigações de Cresto, ele [Cláudio] os expulsou de Roma.” Se o Cresto aqui mencionado se refere a Jesus Cristo, e se os eventos em Roma acompanhavam o que ocorria em outras cidades, então os distúrbios realmente não eram às instigações de Cristo (quer dizer, os seguidores de Cristo). Antes, eram a reação violenta dos judeus à fiel atividade de pregação dos cristãos.

Justino, o Mártir, em meados do segundo século, escreveu com referência à morte de Jesus: “Que estas coisas realmente aconteceram, podes averiguar dos Atos de Pôncio Pilatos.” Além disso, segundo Justino, o Mártir, os mesmos registros mencionavam os milagres de Jesus, a respeito dos quais ele diz: “Que Ele fez essas coisas, podes saber dos Atos de Pôncio Pilatos.” É verdade que esses “Atos”, ou registros oficiais, não mais existem. Mas, eles evidentemente existiam no segundo século, e Justino, o Mártir, confiantemente desafiava seus leitores a verificá-los para confirmar a veracidade do que ele dizia.

A Evidência Arqueológica

As descobertas arqueológicas também têm ilustrado e confirmado aquilo que lemos no NT. Assim, em 1961, o nome de Pôncio Pilatos foi encontrado numa inscrição nas ruínas dum teatro romano em Cesaréia. Até esta descoberta, havia apenas evidência limitada, à parte da própria Bíblia, da existência deste governante romano.

No Evangelho de Lucas, lemos que João, o Batista, iniciou seu ministério “quando . . . Lisânias era governante distrital de Abilene”. (Lucas 3.1) Alguns duvidaram desta declaração, por Josefo mencionar um Lisânias que governou Abilene e que morreu em 34 a.C., muito antes do nascimento de João. No entanto, os arqueólogos descobriram uma inscrição em Abilene que menciona outro Lisânias, que era tetrarca (governante distrital) durante o reinado de Tibério, que governou como César em Roma quando João iniciou seu ministério. Este facilmente pode ter sido o Lisânias mencionado por Lucas.

Lemos em Atos que Paulo e Barnabé foram enviados para fazer uma obra missionária em Chipre e que ali encontraram um procônsul chamado Sérgio Paulo, “homem inteligente”. (Atos 13.7) Em meados do século 19, em escavações feitas em Chipre, descobriu-se uma inscrição datando de 55, a qual menciona este mesmo homem. Sobre isso diz o arqueólogo G. Ernest Wright: “Esta é a única referência que temos a este procônsul, fora da Bíblia, e é interessante que Lucas nos forneça seu nome e título corretos.”

Durante a estada de Paulo em Atenas, ele disse que havia observado um altar dedicado “A um Deus Desconhecido”. (Atos 17.23) Em outras partes do território do Império Romano descobriram-se altares dedicados em latim a deuses anônimos. Um deles foi encontrado em Pérgamo, com uma inscrição em grego, como seria o caso em Atenas.

Mais tarde, enquanto Paulo estava em Éfeso, sofreu oposição violenta por parte dos prateiros, cujo rendimento provinha da fabricação de santuários e imagens da deusa Ártemis. Éfeso era chamada de “guardiã do templo da grande Ártemis”. (Atos 19.35) Em harmonia com isso, descobriram-se diversas estatuetas de Ártemis, de terracota e de mármore, no lugar da antiga Éfeso. No último século, escavaram-se os restos do próprio enorme templo.

O Tom da Verdade

Portanto, a história e a arqueologia ilustram, e até certo ponto confirmam, os elementos históricos do NT. Mas, novamente, a prova mais forte da veracidade destes escritos se encontra nos próprios livros. Sua leitura não dá a impressão de mitos. Eles têm o tom da verdade.

Em primeiro lugar, são muito francos. Pense no que se registrou a respeito de Pedro. Pormenoriza-se seu embaraçoso fracasso quanto a andar sobre água. Depois, Jesus disse a este altamente respeitado apóstolo: “Para trás de mim, Satanás!” (Mateus 14.28-31; 16.23) Além disso, depois de protestar vigorosamente que, mesmo que todos os outros abandonassem Jesus, ele é que nunca faria isso, Pedro adormeceu na sua vigília noturna e então negou ao seu Senhor três vezes. — Mateus 26.31-35, 37-45, 73-75.

Mas, Pedro não é o único cujas fraquezas foram expostas. O registro franco não encobre as discussões dos apóstolos quanto a quem seria o maior deles. (Mateus 18.1; Marcos 9.34; Lucas 22.24) Tampouco deixa de contar-nos que a mãe dos apóstolos Tiago e João pediu que Jesus desse aos seus filhos as posições mais favorecidas no seu Reino. (Mateus 20.20-23) O “forte acesso de ira” entre Barnabé e Paulo também é documentado fielmente. — Atos 15.36-39.

Digno de nota também é o fato de que o livro de Lucas nos informa que foram “as mulheres, que tinham vindo com ele desde a Galiléia”, que primeiro souberam da ressurreição de Jesus. Este é um pormenor bem incomum na sociedade dominada pelos homens, do primeiro século. De fato, segundo o registro, o que as mulheres disseram ‘parecia tolice’ aos apóstolos. (Lucas 23.55–24.11) Se a história do NT não for verdade, então deve ter sido inventada. Mas, por que inventaria alguém uma história que retratasse personagens tão respeitados de forma nada lisonjeira? Tais pormenores só teriam sido incluídos se fossem verdade.

Jesus — Uma Pessoa Real

Muitos tem encarado Jesus, assim como ele é descrito na Bíblia, como ficção inventada. Mas o historiador Michael Grant observa: “Se aplicamos ao Novo Testamento, conforme devemos, o mesmo critério que devemos aplicar a outros escritos antigos que contêm matéria histórica, não podemos rejeitar a existência de Jesus assim como tampouco podemos rejeitar a existência duma multidão de personagens pagãos, cuja realidade como figuras históricas nunca é questionada.”

Não somente a existência de Jesus, mas também a sua personalidade se manifesta na Bíblia com um decidido tom de verdade. Não é fácil inventar um personagem incomum e depois apresentar um retrato coerente dele em todo um livro. É quase que impossível quatro escritores diferentes escreverem sobre um mesmo personagem e coerentemente apresentarem o mesmo quadro dele, se esse personagem realmente nunca existiu. O fato de que o Jesus descrito em todos os quatro Evangelhos é obviamente a mesma pessoa é evidência persuasiva da veracidade dos Evangelhos.

Michael Grant cita uma pergunta bem apropriada: “Como é que, em todas as tradições evangélicas, sem exceção, surge um quadro de traços notavelmente firmes de um atraente jovem, que andava livremente no meio de todo tipo de mulheres, inclusive as decididamente mal-afamadas, sem qualquer traço de sentimentalismo, falta de naturalidade, ou melindre, e que, no entanto, em todo momento, mantinha uma integridade simples de caráter?” A única resposta é que tal homem realmente existiu e agiu assim como a Bíblia diz.

O Motivo de Alguns Não Crerem

Visto que existe evidência irrefutável para se dizer que o NT é história verdadeira, por que dizem alguns que não são? Por que é que muitos, embora aceitem partes delas como genuínas, não obstante recusam aceitar tudo o que elas contêm? Isto se dá principalmente porque a Bíblia registra coisas em que os modernos intelectuais não querem crer. Por exemplo, ela diz que Jesus tanto cumpriu como proferiu profecias. Diz também que ele realizou milagres e que, após a sua morte, foi ressuscitado.

Neste céptico século 20, coisas assim são incríveis. A respeito de milagres, o Professor Ezra P. Gould observa: “Há uma ressalva que alguns dos críticos se sentem justificados a fazer . . . que milagres não acontecem.” Alguns aceitam que Jesus tenha feito curas, mas apenas do tipo psicossomático, do ‘domínio da mente sobre a matéria’. Quanto aos outros milagres, a maioria deles os rejeita, quer como invenções, quer como eventos reais que foram deturpados no relato.

Como exemplo, considere a ocasião em que Jesus alimentou uma multidão de mais de 5.000 com apenas alguns pães e dois peixes. (Mateus 14.14-22) O erudito Heinrich Paulus, do século 19, sugeriu que o que aconteceu mesmo foi o seguinte: Jesus e seus apóstolos se viram acompanhados por uma grande multidão que estava ficando com fome. De modo que ele decidiu dar um bom exemplo aos ricos presentes. Tomou o pouco alimento que ele e seus apóstolos tinham e compartilhou-o com a multidão. Logo, outros que trouxeram alimentos consigo seguiram o exemplo dele e compartilharam o que tinham. Por fim, a multidão inteira foi alimentada.

Se isto foi o que realmente aconteceu, porém, então é uma notável prova do poder dum bom exemplo. Por que se deturparia uma história tão interessante e significativa para fazê-la parecer um milagre sobrenatural? De fato, todos esses esforços para explicar os milagres como não tendo sido algo miraculoso criam mais problemas do que solucionam. E baseiam-se em premissas falsas. Começam por presumir que milagres são impossíveis. Mas, por que se daria isso?

De acordo com as normas mais razoáveis, tanto o AT como o NT são história genuína, no entanto, ambas contêm exemplos de profecias e de milagres. (Veja 2 Reis 4.42-44.) Que dizer, então, se as profecias são mesmo genuínas? E que dizer se os milagres realmente aconteceram? Neste caso, Deus, de fato, estava por detrás da escrita da Bíblia, e ela realmente é a palavra dele, não a de homem.

A Moderna Crítica É Falha

Como exemplo da natureza incerta da moderna crítica bíblica, considere as seguintes observações feitas por Raymond E. Brown a respeito do Evangelho de João: “No fim do século passado e nos primeiros anos deste século, a erudição passou por um período de extremo cepticismo a respeito deste Evangelho. João foi datado muito tarde, até mesmo como da segunda metade do 2.° século. Pensava-se que, como produto do mundo helenístico, estava totalmente desprovido de valor histórico e tinha pouca relação com a Palestina de Jesus de Nazaré . . .

“Não há nem um único de tais postulados que não tenha sido afetado por uma série de inesperadas descobertas arqueológicas, documentárias e textuais. Estas descobertas nos levaram a questionar de modo inteligente os conceitos críticos que quase se tornaram ortodoxos e a reconhecer quão frágil era a base em que se apoiava a análise altamente céptica de João. . . .

“A datação do Evangelho foi recuada, para o fim do 1.° século, ou mesmo antes. . . . Talvez o mais estranho de tudo isso seja que alguns eruditos até mesmo se atrevem mais uma vez a sugerir que João, filho de Zebedeu, talvez tivesse mesmo algo que ver com o Evangelho”!

Por que deve parecer estranho crer que João escreveu o livro que tradicionalmente lhe é atribuído? Só porque não se enquadra nas idéias preconcebidas dos críticos.

Apenas Mais um Ataque Contra a Bíblia

Timothy P. Weber escreve: “As conclusões da alta crítica obrigaram muitos leigos a duvidar da sua capacidade de entender alguma coisa [da Bíblia]. . . . A. T. Pierson expressou a frustração de muitos evangélicos quando declarou que, ‘igual ao romanismo, [a alta crítica] praticamente retira a Palavra de Deus do povo comum por presumir que apenas os eruditos podem interpretá-la; ao passo que Roma coloca um sacerdote entre o homem e a Palavra, a crítica coloca um expositor erudito entre o crente e a sua Bíblia’.” De modo que a moderna alta crítica fica exposta como apenas mais um ataque contra a Bíblia.


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