Uma leitora católica (aqui tratada por A.)enviou-nos um questionamento feito por seu namorado (adventista)no qual ele visava demonstrar que o dia de descanso do cristão é o sábado e não o domingo. Suas palavras seguem em preto. As nossas, em azul.

 

 

Princesa, não sei porque você diz que leio a bíblia de forma superficial e que não conheço a verdade. Ainda tenho muito pra aprender mas o pouco q sei me trouxe onde estou. Antes de ser Adventista não entrava na minha cabeça a possibilidade de Deus instituir uma outra igreja que não fosse a Igreja Católica Apostólica Romana. Vou tentar esclarecer (e não convencer) alguns pontos, pois quem convence é o Espírito de Deus.

 

Atos Capítulo : 15

1 Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.

2 Tendo Paulo e Barnabé contenda e não pequena discussão com eles, os irmãos resolveram que Paulo e Barnabé e mais alguns dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, por causa desta questão.

3 Eles, pois, sendo acompanhados pela igreja por um trecho do caminho, passavam pela Fenícia e por samária, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos.

4 E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles.

5 Mas alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se dizendo que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes observar a lei de Moisés.

6 Congregaram-se pois os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto.

7 E, havendo grande discussão, levantou-se Pedro e disse-lhes: Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem.

8 E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo, assim como a nós;

9 e não fez distinção alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé.

10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?

11 Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que eles também.

12 Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios.

13 Depois que se calaram, Tiago, tomando a palavra, disse: Irmãos, ouvi-me:

14 Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios para tomar dentre eles um povo para o seu Nome.

15 E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito:

16 Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído; reedificarei as suas ruínas, e tornarei a levantá-lo;

17 para que o resto dos homens busque ao Senhor, sim, todos os gentios, sobre os quais é invocado o meu nome,

18 diz o Senhor que faz estas coisas, que são conhecidas desde a antigüidade.

19 Por isso, julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus,

20 mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue.

21 Porque Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que o preguem, e cada sábado é lido nas sinagogas.

22 Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a igreja escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens influentes entre os irmãos.

23 E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos e os anciãos, irmãos, aos irmãos dentre os gentios em Antioquia, na Síria e na Cilícia, saúde.

 

24 Portanto ouvimos que alguns dentre nós, aos quais nada mandamos, vos têm perturbado com palavras, confundindo as vossas almas,

25 pareceu-nos bem, tendo chegado a um acordo, escolher alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo,

26 homens que têm exposto as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

27 Enviamos portanto Judas e Silas, os quais também por palavra vos anunciarão as mesmas coisas.

28 Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas necessárias:

29 Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição; e destas coisas fareis bem de vos guardar. Bem vos vá.

30 Então eles, tendo-se despedido, desceram a Antioquia e, havendo reunido a assembléia, entregaram a carta.

Com esta passagem agente percebe que alguns Judeus que se converteram ao cristianismo desceram da Judéia para a Antioquia. Haviam muitos gentios naquele local e muitos haviam se convertido ao cristianismo. Os gentios não guardavam o sábado. Mas os gentios convertidos guardavam o sábado. A prova está nesta passagem. Os Judeus da parte dos fariseus tentavam ensinar que os gentios deviam circuncidar-se. Por que é que os mesmos que queriam que os gentios fossem circuncidados não exigiram que os mesmos observassem o Sábado?

Paulo imediatamente subiu a Jerusalém para informar aos apóstolos e anciãos o que estava acontecendo. Paulo em nenhum momento falou mal acerca do sábado, essa seria uma boa oportunidade já que estavam reunidos com os apóstolos alguns da seita dos fariseus. Mas nem os apóstolos nem mesmo Pedro  levantaram a questão sobre o dia de guarda, visto que não tinham nenhuma dúvida acerca do dia que eles guardavam.

Tudo o que tu me escreveu é bem convincente se partirmos do pressuposto de que se deve guardar o domingo.

São Tiago nos diz:

2:8 Todavia, se estais cumprindo a lei real segundo a escritura: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem.

2:9 Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores.

2:10 Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos.

2:11 Porque o mesmo que disse: Não adulterarás, também disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor da lei.

2:12 Falai de tal maneira e de tal maneira procedei, como havendo de ser julgados pela lei da liberdade.

Deus disse para não adulterar, não matar e foi ele que disse para guardar o sábado.

 

A ORIGEM DO DOMINGO  

OBJETIVO

 Entender, a partir da história, a origem da guarda do primeiro dia da semana e situar também o momento exato em que esse dia passou a fazer parte do mundo cristão e o porquê veio a fazer parte.

 QUANDO TUDO COMEÇOU Excetuando-se Deus, tudo quanto existe teve uma origem, um começo. Por conseguinte, a guarda do domingo teve uma origem, um começo. Segundo os anais da história, a guarda do domingo precede a era cristã, originou na Pérsia e, tal prática, foi absorvida também por vários povos dentre eles os egípcios e daí, mais especificamente em Alexandria, foi inserida gradativamente, a partir do II século da era cristã, no seio do cristianismo. E com esse sincretismo religioso esse dia tomou ares de dia santo ?por isto? ou ?por aquilo?, menos  por causa da palavra de Deus! Enquanto o 7º dia da semana, desde a criação, carregava sobre si a benção e santificação por Jeová, Gn 2:3. O 1º dia da semana, séculos depois da criação, passou a carregar sobre si uma solenidade pagã segundo o costume dos antigos babilônicos, os quais, dedicavam ao astro rei (o sol) o centro de suas adorações, Ez 6:4-7; 8:15,16. Os caldeus atribuíram aos sete dias da semana nomes dos deuses astros: Sol, lua, marte, mercúrio, júpiter, vênus e saturno. Em latim: ?Dies solis, dies lunae, dies martis, dies mercuri, dies iovis, dies veneris e dies saturnis?. Até aos dias de hoje muitas línguas adotam essa nomenclatura para os dias semanais, exemplos no inglês e alemão o primeiro dia da semana é denominado ?sunday? e ?sonntag?. No antigo Egito, como já foi dito, também adotava esta forma de culto aos deuses astros. Falando sobre o mitraismo (culto ao sol), o historiador Francisco Cumont em seu livro The mysteries of Mithra, pág 167 diz: ?Cada dia da semana, num lugar fixo, na cripta, invoca-se o planeta a quem o dia era consagrado, e no domingo, sobre o qual presidia o sol, era especialmente santo?. (grifo é meu). Foi no Egito, em meio a esse costume, que surgiram os primeiros supostos ?pais da igreja?, mais precisamente na cidade de Alexandria, são eles Barnabé, Justino ?o Mártir?, Clemente e Orígenes. Nesta cidade havia uma escola onde os alunos discutiam seus conceitos. A igreja em Alexandria ficou contaminada com o gnosticismo e pela filosofia grega, adoravam imagens, adoravam o sol e guardavam o primeiro dia da semana (o dia do sol) como especialmente santo. Em contra partida, em outros paises a igreja continuava a guardar o sábado bíblico (o dia que recebeu a bênção e santificação direta de Deus). Todavia, nesse período a apostasia estava na fase embrionária, na escola de Alexandria formavam pastores, bispos e anciões. A maioria desses formados vieram do paganismo, onde se guardava o primeiro dia da semana. Portanto, os convertidos vindos do paganismo, trouxeram consigo o velho costume de adoração no dia do sol e, pela influência de muitos deles que se tornaram ?mestres?, esse dia foi ?cristianizado?, causando detrimento ao sábado bíblico, muitos desses ?mestres? foram enviados para outros paises, principalmente para Roma e , assim, exerciam esse ensinamento que

brotara em Alexandria. Foi desta maneira que se deu a ?cristianização? do domingo. O afirmado aqui tem respaldo histórico, a saber, falando sobre esse período, Sócrates, historiador do quinto século, disse: ?Conquanto quase todas as igrejas do mundo celebrassem os sacramentos aos sábados, cada semana, os cristãos de Alexandria e de Roma, por causa de alguma tradição, deixaram de fazer isto? (grifo é meu), Eclesiastical History, tomo V, cap.2, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.a série, vol. 2, pág. 132. A partir daí começou a surgir aqui e acolá novos grupos comungando com esse ensino e, assim, pela influência desses ?mestres?, esse dia penetrou na igreja, Atos 20:29,30 e II Pd 2:1,2. A partir da influência desses ?doutores?, relatos históricos indicam que em alguns lugares guardava-se o sábado bíblico, porém noutros o primeiro dia da semana e em outros ambos os dias e isto se deu pela influência cultural de Alexandria casada com o poder de Roma e, assim, o domingo começou a suplantar o sábado a partir desse período. E, a partir de Roma a guarda desse dia em substituição ao sábado, agigantou-se e por volta do século V apenas uma pequena minoria ainda guardava o sábado bíblico.  

 

TESTEMUNHO DA HISTÓRIA ?O povo de Constantinopla e de outras cidades, congrega-se tanto no sábado como no dia imediato; costume esse que nunca é observado em Roma, nem em Alexandria?, Eclesiastical History, livro VII, cap. 19. João Cássio, em fins do século segundo escreveu: ?Pelo que, exceto as horas canônicas e noturnas, não há reuniões públicas diurnas, entre eles, a não ser aos sábados e domingos, quando às nove horas se congregam para a comunhão?. Institutes, tomo II, cap. 18.

Nas ?Constituições Apostólicas?, escritas entre fins do século terceiro e início do quarto, diz o seguinte ?Guarda o sábado e a festividade do dia do Senhor, porque o primeiro é a memória da criação, e o último, da ressurreição?. Livro 7, cap. 23

O edito do imperador Constantino, em 7 de março do ano 321, não retrata o início da guarda do dia pela igreja, pois, como vimos, a semente surgiu na igreja de Alexandria e pouco depois foi plantada na igreja de Roma e, daí, criou raízes, pois encontrou um meio propício, visto que o ?dia do sol invicto? já era proeminente naquele mundo pagão, bem como numa crescente parte dos cristãos. Por isso, quando surgiu esse edito, o domingo já era guardado por uma boa parte dos cristãos, conforme relato dos ?pais da igreja? antes do ano 321. Todavia, como diz a obra intitulada ?História da Igreja Antiga? III período, pág. 464: ?Ele…ordenou a celebração cívica do domingo, porém não como ?dies dominis? (dia do Senhor), mas sim como ?dies solis? (dia do sol), o que se podia unir com seu culto a Apolo…?.

43 anos depois do edito de Constantino, no concílio de Laodicéia, foi publicado o decreto eclesiástico: ?Os cristãos não devem judaizar e descansar no sábado, mas sim trabalhar neste dia; porém, ao domingo honrar de maneira especial, como cristãos. Se, entretanto, forem encontrados judaizando, sejam então excomungados por Cristo?, Hefele, History of the Councils of the Church. Vol. 2, livro 6, séc. 93, cânon 29. Primeiro, se esse edito foi promulgado é porque havia ainda cristãos guardando o sábado. Segundo, esse edito encontrou resistência por parte das igrejas orientais onde o poder de Roma exercia pouca influência. Este fato levou Gregório, bispo de Nisa, repreender os ?rebeldes?da igreja, conforme atesta Gregor Opera, tomo II, pág. 312.

 

 O PRINCIPIO DA APOSTASIA Com a presença viva dos apóstolos, a apostasia não se instalava. Porém, logo após a era apostólica, as profecias indicavam uma igreja contaminada por falsos mestres, Atos 20:29,30; II Pd 2:1,2. Os primeiros ?mestres? surgiram na igreja de Alexandria e aos poucos foram também surgindo aqui e acolá outros ?pais da igreja?. Os quais passaram a serem vistos, pela maioria dos cristãos daquela época, como ?autoridades da igreja? e os que não comungassem com seus ensinos eram rotulados de ?judaizantes?, portanto, não é de se admirar o porquê o sábado sucumbiu diante do domingo! O apóstolo Pedro já advertia: ?Entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente (?cristianizadas?) heresias  e  muitos seguiram as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade?. E assim, a verdade veio a ?ser? heresia e a heresia ?verdade?. E o casamento entre a igreja e o estado deu à igreja de Roma um tremendo poder! Poder este que durou vários séculos. Nesse período, pouquíssimos tinham acesso às Escrituras, a maioria dos cristãos ?comiam com as mãos dos outros?. Porém, após a reforma, as cadeias foram quebradas e povo pode, por si mesmo, investigar as Escrituras e aos poucos foi brotanto novamente aqui e acolá remanescentes da igreja primitiva.

 

CONCLUSÃO  A origem da guarda domingo precede a era cristã, nasceu num berço pagão e entrou sorrateiramente (II Pd 2:1,2) no seio do cristianismo em Alexandria, pelos supostos ?pais da igreja? a partir de um sincretismo religioso, numa fusão entre as religiões mitraismo e cristianismo. O tempo ofuscou o mitraismo, mas a história não. ?Conquanto quase todas as igrejas do mundo celebrassem os sacramentos aos sábados, cada semana, os cristãos de Alexandria e de Roma, por causa de alguma tradição, deixaram de fazer isto? (grifo é meu), Eclesiastical History, tomo V, cap.2, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.a série, vol. 2, pág. 132. ?Cada dia da semana, num lugar fixo, na cripta, invoca-se o planeta a quem o dia era consagrado, e no domingo, sobre o qual presidia o sol, era especialmente santo?. (grifo é meu). The mysteries of Mithra, pág 167.

 Nota complementar: É possível acompanhar o transcurso do mitraismo desde as civilizações antigas. Vejamos o que diz a ©Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações Ltda: ?De suas remotas origens, na Índia, o culto a Mitra difundiu-se gradualmente e passou por diversas transformações, até alcançar lugar proeminente na Pérsia e representar, no mundo romano, o principal oponente do cristianismo nas primeiras etapas de sua expansão. Na religião védica indiana, Mitra, cuja primeira menção data aproximadamente de 1400 a.C., era o deus que assegurava o equilíbrio e a ordem no cosmo. Por volta do século V a.C., passou a integrar o panteão do zoroastrismo persa — primeiro, como senhor dos elementos; mais tarde, sob a forma definitiva de deus solar. Após a vitória de Alexandre o Grande sobre os persas, o culto a Mitra se estendeu por todo o mundo helenístico. Nos séculos III e IV da era cristã, as legiões romanas, identificadas com o caráter viril e luminoso do deus, transformaram o culto a Mitra na religião conhecida como mitraísmo. Os imperadores romanos Cômodo e Juliano o Apóstata foram iniciados, e Diocleciano consagrou, junto ao Danúbio, um templo a Mitra, “protetor do império”.

A religião mitraica tinha raízes no dualismo zoroástrico (oposição entre bem e mal, entre matéria e espírito) e nos cultos helenísticos, como os mistérios de Dioniso e de Elêusis. Mitra era um deus do bem, criador da luz, em luta permanente contra a divindade obscura do mal. Seu culto estava associado à crença na existência futura absolutamente espiritual e libertada da matéria — compatível com as idéias religiosas e filosóficas da época, como o gnosticismo e o neoplatonismo, e capaz de oferecer uma esperança de salvação, tal como o cristianismo.

Os mistérios de Mitra, acessíveis aos iniciados, celebravam-se em grutas sagradas (sempre no primeiro dia da semana). O evento central era o sacrifício de um touro, símbolo do sacrifício original do touro da fecundidade, de cujo sangue brotava a vida e que proporcionava a imortalidade. Com a adoção do cristianismo (pelo imperador Constantino) como religião oficial do Império Romano (século IV), o mitraismo entrou rapidamente em declínio. O dualismo do perpétuo conflito entre o bem e o mal, ou entre a luz e as trevas, sobreviveu na doutrina maniqueísta?. ( o grifo é meu). Quando o cristianismo começava a se expandir além da fronteira de Israel, o mitraismo dominava a cena religiosa de grande parte da Ásia, da Europa e da África. Após a morte dos apóstolos, houve uma  amálgama de ?ismos? religiosos (mitraismo com o cristianismo) pelos supostos ?pais da igreja? e, isto se deu de forma bastante sutil (II Pd 2:1,2 e Atos 20:29,30). Exemplos: O primeiro resultado dessa amálgama foi a ?cristianização? do primeiro dia da semana (o dia de Mithra) como sendo ?o dia do Senhor?, anos depois, o correu a ?cristianização? do natal de Mithra (25 de dezembro) como sendo o dia do natal de Jesus Cristo! Esses fatos expressam de forma visível a influência que tiverem as ?autoridades eclesiásticas? daquela época sobre a Igreja de Deus, onde um dia (domingo) e uma data (25 de dezembro) vindas do mitraismo passaram a fazer parte do mundo cristão mesmo não havendo respaldo bíblico para tal!

Outra questão importantíssima para entendermos as ?mudanças? que ocorreram na Igreja de Deus são os livros de Daniel e Apocalipse. Não sei porque tratá-los diferentes dos outros livros da Bíblia uma vez que Jesus disse para lermo-lo e entendê-lo. Podemos estudá-los em outra oportunidade.

SHALOM!!!

 

 

Cara A.,

 

Lendo a mensagem do teu namorado, percebo que, infelizmente, ele repete um padrão de comportamento humano dos mais tristes e curiosos. Há algo na alma humana que nos inclina ao sectarismo. Gostamos de nos imaginar parte de um grupo (que, quanto menor for, tanto melhor será) privilegiado e que detém conhecimentos alheios à maioria. Assim, sentimo-nos parte de um grande projeto divino, seres escolhidos e pinçados dentre os demaise que, por mais simples, pobres e miseráveis que sejamos, somos, na verdade, mais amados por Deus que os outros.

 

Este comportamento, entre os protestantes, é muito comum. É uma das marcas dos adventistas, que crêem ter descoberto uma verdade desconhecida dos demais cristãos. Todos estão enganados, menos eles. A todos, arrastou o Demônio, mas aos membros da IASD, Deus amou com tal intensidade que o demônio não os pôde enganar.

 

Por que digo isto?

 

Digo-o porque este comportamento é uma verdadeira barreira para que a luz da verdade ingresse no coração destas pessoas. Afinal, abrir mão desta “verdade apenas a eles revelada” equivale a descer de um pedestal. Equivale a reconhecer-se uma pessoa comum, que não apenas não havia sido preservada por Deus de um erro, mas que havia sido enganado pelo Demônio, tolamente, enquanto que a maioria não o fora. Equivale a abrir mão de tudo aquilo que, na mente destes indivíduos, o torna uma pessoa diferenciada.

 

E o orgulho humano, por vezes, não o permite.

 

Creio que você conhece um ditado que diz: contra fatos, não há argumentos. Pois bem. Estas pessoas têm tanta dificuldade de descer do pedestal de mentira em que se colocaram que, quando instadas a encarar os fatos, subvertem a máxima acima. Para eles, contra argumentos não há fatos.

 

Para defender o argumento que os tornaria pessoas especiais (no caso do teu namorado, o argumento é: o verdadeiro cristão guarda o sábado), elas estão dispostas a negar os fatos mais óbvios. Negam-nos com toda a sua alma, com toda a sua força e com toda a sua mente, e se apegam à fumaça do engano.

 

Oremos ao Senhor para que teu namorado ainda não esteja tão convencido de sua “posição privilegiada” entre os demais cristãos. Se estiver, nada podemos fazer por ele, senão rezar. Sua inteligência estará fechada para além de qualquer ajuda humana, e somente Deus poderá convencê-lo da verdade.

 

Vejamos os “argumentos” do teu namorado acima.

 

Relativamente ao Concílio de Jerusalém, a controvérsia lá tratada é bem conhecida: os cristãos vindos da gentilidade não guardavam a Lei de Moisés. Qualquer pessoa minimamente isenta concluiria, daí, que também não guardavam o sábado, visto que descansar no sétimo dia era ínsito à Antiga Aliança.

 

Portanto, em princípio, o simples fato de não discutirem este tema no Concílio já é um indício veemente de que não passava nem pela cabeça de São Tiago impor aos cristãos a observância de um dia que havia sido mera sombra do Dia do Senhor.

 

Teu namorado, contudo, nega isto. E, se o faz, era de se presumir que tivesse algum argumento minimamente sólido para tanto. Mas não o tem. Nega por negá-lo. Nega porque, se não o fizesse, teria que descer do pedestal. Tanto que, à míngua de algo melhor, ele cita um trecho de São Tiago que não tem absolutamente nada a ver com o assunto. Um trecho que fala de outros mandamentos, sem se dar conta que a observância dominical cumpre o terceiro mandamento em sua essência eterna, com uma alteração meramente em seu aspecto ritual.

 

Mas, contra este ponto de vista, temos um texto que fala, especificamente, acerca de não se observar o sábado. Um trecho que você já conhece e que já o mostrou para seu namorado, mas que ele, infelizmente, não quis responder. Trata-se de Cl 2, 16: “Ninguém, pois, vos critique por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou de luas novas ou de sábados.” Este texto deixa claro que os cristãos não guardavam o sábado. Tanto não o guardavam, que eram criticados e azucrinados pelos judeus e judaizantes de todas as matizes.

 

Aliás, se me permite uma observação, este versículo é a mais perfeita resposta a ser dada a um adventista que tenta nos convencer do imbróglio demoníaco do sabatismo. Citar este versículo nestas ocasiões é atirar-lhe na cara um direito bíblico de todo verdadeiro cristão. O direito de não ser criticado por questões relativas à guarda do sábado.

 

Portanto, o pressuposto do teu namorado ao abordar a problemática do Concílio de Jerusalém é francamente equivocado, como francamente equivocada é a abordagem histórica que seguiria e que passamos a analisar.

 

Os protestantes em geral defendem a legitimidade de suas igrejas por detrás da afirmação de que, em algum momento histórico, a Igreja Cristã apostatou da fé e deu origem ao que hoje se chama de Igreja Católica Apostólica Romana. A luta dos nobres protestantes é, sob a Luz do Espírito Santo em Pessoa, restaurar as verdades perdidas na grande apostasia, fazendo uma ponte direta entre o crente de hoje e os cristãos primitivos.

 

A maioria dos protestantes prefere datar a ?grande apostasia? (que eu, pessoalmente, penso ter acontecido apenas com Lutero et caterva) após a Pax Constantiniana, isto é, após o imperador Constantino ter feito cessar as perseguições romanas no século quarto. Há um motivo psicológico nisto. Antes de Constantino, os cristãos foram perseguidos, torturados e mortos das formas mais cruéis que a mente humana já concebeu justamente porque se negavam a apostatar da fé adorando deuses pagãos.

 

Para a maioria das mentes, é inconcebível que tais pessoas, morrendo para não apostatar, tenham apostatado.

 

Desta forma, o discurso oficial da ?ortodoxia protestante? é o de que a Igreja Católica surgiu após Constantino, sendo que, antes dele, todos os cristãos eram verdadeiros protestantes, leitores da Bíblia e crentes no sola fide. Quando nós, católicos, lhes mostramos textos da época anterior a Constantino demonstrando que os cristãos de então eram mais católicos do que os de hoje (fracos na fé que somos), eles tentam se virar como podem para negar a obviedade de tais textos e se agarrarem em seus argumentos.

 

Ocorre que, se há um discurso protestante ?ortodoxo?, há também o heterodoxo. Há alguns pontos em que o testemunho pré-Constantiniano em favor do catolicismo é tão grande que mesmo os mais descarados protestantes teriam vergonha em afirmar que a apostasia somente ocorreu após a Pax Constantiniana. A guarda do sábado é um destes pontos, razão pela qual o teu namorado, mandando às favas o discurso protestante ?ortodoxo?,  resolveu fixar a data da apostasia dominical poucos anos após a morte dos apóstolos.

 

É óbvio que esta argumentação sofre sérios problemas. Em primeiro lugar, ela reconhece que os pais da Igreja já guardavam o domingo. E, se assim o é, e sem perder de vista que qualquer investigação séria acerca dos primeiros séculos do cristianismo somente conta com os escritos destes pais da Igreja como fonte, então está implicitamente reconhecida a mais completa ausência de provas históricas acerca da guarda do sábado. Não existem fontes que a testifiquem.

 

Além disto, tal linha de argumentação parte do pressuposto de que o cristianismo é fato historicamente irrelevante. Mortos os apóstolos, ele já se corrompeu. Após a corrupção, seguiu por dezoito séculos apodrecendo (sem ninguém que o seguisse tal qual estabelecido por Deus), sendo restaurado apenas em meados do século XiX e seguido, até hoje, por um número tão pequeno de adeptos que a imensa maioria das pessoas ainda não ouviu falar deles.

 

Vinte séculos de ostracismo.

 

Os adventistas preferem acreditar neste fracasso histórico do cristianismo a descer do seu pedestal sabático…

 

Contudo, dê uma olhadinha no seguinte texto:

 

?Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.

Mas todo aquele que vive em discórdia com o outro, não se junte a vós antes de se ter reconciliado, a fim de que vosso sacrifício não seja profanado [Cf Mt 5,23-25].

Com efeito, deste sacrifício disse o Senhor: Em todo o lugar e em todo o tempo se me oferece um sacrifício puro, porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre todos os povos.?

 

Este trecho, tirado da Didaché, para o desespero de todo adventista, foi escrito no primeiro século. Portanto, enquanto os apóstolos ainda estavam vivos. Era lido em diversas igrejas e, para muitos, sua inspiração divina era tão evidente que o tinham por Escritura Sagrada.

 

E este trecho é bombástico: o dia cristão de guarda é o Dia do Senhor (Dies Domini: Domingo). Neste dia, os cristãos se reuniam para celebrar a Eucaristia, na qual era ofertado um sacrifício (tal qual é feito na Missa, e tal qual não é feito nos cultos protestantes) a Deus.

 

Qualquer semelhança com o catolicismo (e qualquer divergência com o protestantismo) não é mera coincidência.

 

Como fica, então, a tese de teu namorado de que a apostasia instaurou-se na Igreja após a morte dos apóstolos?

 

Se houver um mínimo de coerência da parte dele, ele mandará esta tese às favas.

 

Contudo, sinto dizê-lo, descer do pedestal é muito difícil. Certa feita, li um apologista católico afirmando que, num debate com um protestante, seu interlocutor foi antecipando cada vez mais a data da ?apostasia?. Começou dizendo ter ela ocorrido após Constantino. Terminou afirmando que já no primeiro século a bagunça era geral. Em outras palavras: agarrou-se ao argumento, desprezou os fatos.

 

Se teu namorado também não aceitar os fatos, cite o trecho de Apocalipse 1, 10/11: ?Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.?

 

 

Como você vê, este trecho é um verdadeiro block buster contra o sabatismo. Afinal de contas, estamos diante de um testemunho apostólico (e bíblico) de que o primeiro dia da semana sempre foi chamado, entre os cristãos, de Dia do Senhor. Não é necessário um QI muito elevado para perceber que, se assim o faziam, faziam-no porque, verdadeiramente, era este o seu dia de guarda.

 

Note, minha cara A., que a importância deste trecho não está no fato de São João ter sido arrebatado em um domingo. Está no fato de que os cristãos chamavam de domingo (isto é Dia do Senhor) ao primeiro dia da semana.

 

No mais, seu namorado enveredou pela paranóia típica de muitos protestantes, ávidos em confundir catolicismo com mitos pagãos pré-cristãos. Para estes, qualquer semelhança (ainda que não muito evidente) entre catolicismo e cultos pagãos pré-cristão é uma prova incontestável da influência destes naquele. Eu mesmo já tratei deste assunto num artigo que, mutatis mutandis, aplica-se bem ao presente caso. Peço que acesse o seguinte link: https://www.veritatis.com.br/article/3001

 

Espero ter ajudado. Que Deus abençoe tanto a você (confirmando-a na fé) quanto ao teu namorado (trazendo-o de volta à Igreja de Cristo).

 

Alexandre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Facebook Comments