2. FALSAS LIBERDADES

As duas palavras de que mais se abusa no mundo moderno são amor e liberdade.

Para a nossa geração amor geralmente significa sexo, e liberdade significa o direito de usar da palavra. Só nos interessa aqui a liberdade em suas duas formas errôneas, das quais uma agoniza e a outra vem raiando. A liberdade de indiferença é o erro já em declínio de uma ordem social decadente; a liberdade de necessidade é o erro que desponta com o novo Estado opressor.

LIBERDADE DE INDIFERENÇA

A liberdade de indiferença é assim chamada por ser indiferente à verdade, à moralidade, à justiça e ao bem social. Como tal, dominou o mundo por vários séculos, definindo-se invariavelmente como direito de o indivíduo dizer, fazer, ou pensar o que bem lhe aprouver. Supondo não existir norma absoluta para a verdade e o erro, coloca o indivíduo como a autoridade suprema e considera toda regulamentação da liberdade como indefensável e injustificada restrição.

Evidentemente tal opinião cons idera a liberdade mais em termos de ordem física do que de ordem moral, ou mais como uma ausência de coação do que como um direito a escolher o bem. São bem conhecidas de todos nós suas falsas manifestações nos setores da fisiologia, religião, educação, política e economia. Em filosofia ela afirmava não existir aquilo que se chama a Verdade ?com V maiúsculo?; a verdade é meramente passageira, – nós a forjamos à medida em que vivemos. A verdade é mero ponto de vista, pois cada homem é a medida do bom e do verdadeiro. Naturalmente, tal sistema engendra tantas filosofias quantas são as cabeças. A fim de que o mundo pudesse ficar a salvo do conflito de tantas opiniões, cultivou-se o espírito de tolerância como a mais desejável de todas as virtudes. Quem ainda acreditava na verdade era freqüentemente tido como homem de visão acanhada, enquanto que aquele que não cuidava de distingui-la do erro era louvado pela sua largueza de vistas. Em religião, a liberdade de indiferença afirmava que pouco nos deve importar aquilo em que cremos; uma religião é tão boa quanto a outra, o que afinal vale dizer ser tão má uma quanto outra. Em educação, asseverava que toda disciplina é uma restrição da liberdade e um injustificado ataque ao direito do indivíduo ao que ingloriosamente se rotulou de ?afirmação da personalidade?. Na ordem política, supunha que o Estado exerce simples função negativa, qual seja proteger os direitos do indivíduo. A moralidade era considerada como um problema de aritmética, e a verdade e o erro eram determinados pela contagem de votos, bem esquecidos de que a verdade é verdade mesmo que ninguém a siga e o erro é erro mesmo que todos estejam errados. Na ordem econômica afirmava que, se se deixasse aos indivíduos a liberdade de gerir seus negócios como bem lhes aprouvesse, sem nenhuma interferência social da parte do governo, resultaria daí o maior de todos os bens. Por isso, qualquer tentativa da parte do Estado de regulamentar o uso da propriedade privada era tachada de usurpação e violação dos direitos constitucionais. Eram essas as diversas manifestações da falsa liberdade de indiferença, também chamada liberalismo ou economia do laissez faire, que quer dizer laissez moi faire. Os males de tão falsa concepção eram duplos: sociais e econômicos. Socialmente, produzia uma civilização formada por uma série de contraditórias correntes de egotismo, uma em desacordo com a outra. O mundo começava a assumir o aspecto de um ?salve-se quem puder?, dito que se enaltecia ao ser chamado the struggle for existence.

Ninguém se interessava pelo bem comum, mas unicamente por sua própria pequenina pessoa, o que valia dizer que cada homem era o seu próprio deus no panteão dos outros pequenos deuses. Economicamente, a liberdade de indiferença resultava em tremendas desigualdades de riqueza em que o poder e o crédito ficavam concentrados nas mãos de poucos, enquanto a grande maioria dos cidadãos ficavam reduzidos ao estado de assalariados com pouca ou nenhuma segurança material para o futuro. Uma vez de posse da riqueza, tal liberdade apenas significava uma coisa: o direito de os ricos tornarem-se mais ricos e de os pobres ficarem mais pobres. Deixar economicamente cada indivíduo livre para fazer o que desejasse resultava em desordenada e má distribuição da riqueza.

Sessenta e cinco por cento das famílias dos Estados Unidos recebiam menos de $1,500 por ano em 1935-36: 48 de cada 100 famílias tinham menos de $1,000 por ano. O primeiro décimo das famílias da América, tinha uma renda 18 vezes maior que a do ultimo, enquanto que o ultimo décimo da renda total correspondia ao sustento de um numero de famílias 82 vezes maior que o décimo superior. Quinze de cada 100 famílias necessitavam de auxílio para viver. Metade das famílias da zona rural estavam abaixo da linha dos $1,000 e três quartas partes estavam abaixo da linha dos $1,500.

REAÇÃO

Urgia fazer alguma coisa para contrabalançar o egoísmo individual e as desigualdades econômicas; por um ou outro meio devia-se fazer os homens elevarem-se acima de seus desejos individuais e voltarem-se para o bem de todos; precisava-se encontrar um meio de fazer as forças econômicas penderem para o bem comum, de igualar as desigualdades, e restaurar nas consciências o sentido do caráter funcional da riqueza em prol do bem comum. Mas como fazer o homem pensar que é o protetor de seu irmão? Como ensinar o homem a ver que a liberdade não significa indiferença ao bem de todos os cidadãos? A religião poderia tê-lo feito, pois só a religião tem o poder de inculcar a caridade e a justiça, sem as quais nenhuma sociedade pode subsistir. A unidade da vida social e econômica teria sido assim restaurada na sociedade por um movimento livre dos espíritos. Mas, uma vez que se rejeitou a religião como solução, em parte por terem os espíritos perdido o amor da verdade, só restava um meio, que foi forçá-los a viver para o bem-estar geral; isto é, apoderar-se da riqueza e do poder a fim de nivelar as desigualdades. Assim nasceram na Europa as ditaduras do fascismo, do nazismo e do comunismo.

Se por si mesmas as ovelhas não querem andar juntas na unidade do redil, então que se ponham os cães a latir em seu encalço. Se os indivíduos não querem responder ao apelo da consciência que Deus lhe deu, e que os incita a reconhecerem suas responsabilidades sociais, então os ditadores forçá-los-ão a isso. A unidade assim alcançada não procedeu do interior por meio da religião, mas do exterior por meio da força.

As ditaduras fascista, nazista e comunista representam a oscilação de um conceito de sociedade em que o indivíduo era soberano, para o outro igualmente absurdo de uma sociedade em que o Estado é soberano. A violência ativa inerente ao fascismo, nazismo e comunismo é apenas a reação ou talvez mesmo o produto da violência passiva de um liberalismo que permitia que os fortes devorassem os fracos. Naturalmente, nenhum ditador pode jamais conquistar as massas senão prometendo-lhes liberdade. Empregaram a força, agiram como tiranos, eliminaram toda oposição e expurgaram as minorias, mas tiveram sempre o cuidado de faze-lo sob o nome sagrado da liberdade. Assim foi que a palavra liberdade passou a ter uma nova significação.

LIBERDADE E NECESSIDADE

A liberdade não seria mais identificada com a indiferença mas com a necessidade.

Tal como Frederico Engels, o comunista a definiu: ?Liberdade é necessidade?. Por exemplo, uma pedra é livre quando, obedecendo á lei da gravidade, cai ao solo logo que a soltamos. O homem é livre de acordo com esta opinião, porque sabe que tem de agir de acordo com determinadas leis. Quando um homem sabe o que tem de fazer e o faz, então é livre. Assim também, dizem os ditadores, um homem é livre enquanto obedecer à vontade do ditador que sempre se identificou com o bem comum. Desse modo um cidadão da Rússia só goza da liberdade da palavra e da liberdade de imprensa com a condição de usá-la para apoiar Stalin; do contrário é um demolidor, e a única liberdade que lhe resta é a liberdade do martírio. Na Alemanha, na Itália e na Rússia não há minorias políticas. O governo está identificado com um partido, e liberdade de votar significa liberdade de aprovar a vontade do ditador. Em teoria, não ha razão para que a ditadura invada o santuário da alma; na pratica, contudo, a maior parte dos ditadores não se limita à política ou à economia; tornam-se também ditadores das consciências, como tão bem o provam a Alemanha e a Rússia. As novas ditaduras supõem que podemos tratar com a vida humana da mesma forma como quem lida com mercadorias, e que a alma do homem é suscetível da mesma regulamentação que a lavoura ou a indústria. Na pratica, isso significa fortalecimento da O.G.P.U., tcheca, e organizações policiais para dar caça àqueles que pensam de modo diferente. Nestas circunstâncias, a nova liberdade, em vez de acabar com o caos, organiza-o superficialmente; consegue obter, valendo-se da força, a unidade externa, embora raramente a unidade interna pela aquiescência geral. Eis por que as ditaduras do mundo não estão inaugurando uma nova ordem; são meras transições para uma nova ordem que é dever nosso criar.

Nossa geração esta assistindo, quer o saiba, quer não, ao ocaso e à aurora de dois conceitos radicalmente falsos de liberdade: uma liberdade de indiferença, que dá ao indivíduo o direito de ignorar a sociedade, e uma liberdade de necessidade, que dá ao Estado o direito de ignorar o indivíduo absorvendo-o na raça, na nação ou na classe e destruindo a liberdade de escolha. A primeira espécie de liberdade resultava em licença, a segunda atira-nos na escravidão; a primeira era indiferente à verdade; a segunda identifica a verdade com os decretos de um ditador; a primeira prometia a riqueza individual à custa do bem comum, a segunda promete a riqueza social à custa da liberdade da pessoa humana; a primeira esquece a sociedade, a segunda esquece o homem. A liberdade de indiferença é o pecado de um liberalismo agonizante; a liberdade de necessidade é o pecado do nascente absolutismo do Estado. A liberdade de indiferença operava na sociedade de modo muito semelhante ao da bomba colocada debaixo de uma casa. Uma vez que se desse a explosão, todos os tijolos, todas as vigas, todos os pedaços de vidro, todas as tábuas ficavam livres de fazer o que desejassem sem nenhuma preocupação com o bem-estar da própria casa. A liberdade de necessidade, ao contrário, opera na sociedade como uma prensa de lagar. Cada cacho de uva da vinha, quando atirado na tina com milhares de outros cachos, perde sua própria identidade; sua existência tornou-se agora inseparável do vinho. No primeiro exemplo, a liberdade de indiferença arruinava a sociedade ao definir a liberdade como a licença individual que ignorava o bem social; no segundo exemplo, a liberdade de necessidade arruína a humanidade ao definir a liberdade como a necessidade que dá ao ditador o direito de usurpar toda a personalidade de um homem, de modo que ele não ouse pensar, querer ou sentir separado da massa, da classe ou da raça a que pertence.

Leão XIII de há muito, em 20 de julho de 1888, advertiu-nos a respeito das conseqüências dos falsos conceitos de liberdade. ?A verdadeira liberdade da sociedade humana não consiste em cada qual fazer o que bem desejar, pois isso acabaria simplesmente em distúrbio e confusão, e acarretaria a ruína do Estado… De igual modo a liberdade não consiste no poder daqueles que, autoridades, ditam desarrazoadas e caprichosas ordens a seus súditos, o que seria igualmente criminoso e levaria à ruína da coisa pública .? (Libertas Praestantitssimum .)

Esses dois falsos conceitos da liberdade desempenharam um papel na morte de Jesus Cristo. E quase certo dizer que Ele foi crucificado em nome da falsa liberdade. A liberdade de indiferença ou o espírito de tolerância crucificou-O no individualismo de Pilatos. A liberdade de necessidade ou a nova intolerância crucificou-O em nome das massas. Depois de uma noite inteira de padecimentos, aquela noite em que, flagelado com os olhos vendados, Lhe põem na cabeça uma ridícula coroa de espinhos e Lhe dão um caniço como cetro, Jesus Cristo é levado diante de Pilatos. Respondendo a uma pergunta, Nosso Senhor diz a Pilatos que o Seu Reino não é deste mundo e a seguir acrescenta: ?Para este fim nasci, e para este fim vim ao mundo – para trazer testemunho à Verdade. Todo aquele que é da Verdade ouve Minha Voz.? (S. João, XVIII, 37.) Havia muito que Pilatos renunciara à crença na verdade e bondade absoluta; o que para os homens era verdade ou erro, para ele não passava de ?um ponto de vista?. Verdade universalmente aceita não existia; e para melhor afirmar sua crença na relatividade da verdade, de modo zombeteiro pergunta: ?Que é a verdade??, e volta as costas à Verdade sem esperar pela resposta.

Numa hora a indiferença de Pilatos teve seu natural desfecho quando mandou que trouxessem o Cristo e Barrabás a seu ensolarado pórtico e disse à população que escolhesse entre os dois: ?Qual dos dois quereis que vos solte: Barrabás ou Jesus, que é chamado o Cristo?? (S. Mateus, XXVII, 17.) Aqui chegava o falso espírito de tolerância à sua última e lógica conseqüência: indiferença ao Cristo e a Barrabás, à verdade e ao erro, à virtude e ao vício. Era outro modo de dizer que liberdade é indiferença, e indiferença à verdade, naquele dia, significava o que tem significado sempre desde então: a crucifixão da Verdade. Parta-se do falso pressuposto de que democracia significa liberdade de ser indiferente à verdade e à virtude, e a democracia acabará, como naquele dia, crucificando a ambas.

As massas nem sempre escolhem com acerto; a verdade não é o que a maioria quer.

Liberdade não significa direito de preferir o sedicioso ao Salvador, ou de ser tolerante a ponto de pregar a Justiça numa árvore. Uma vez que essa falsa liberdade meça as conseqüências de sua indiferença, procura logo lavar as mãos do sangue culpado, tal como Pilatos naquele dia em que após lavá-las, com as mãos molhadas brilhando aos raios do sol, gritou: ?Estou inocente do sangue desse homem.? Mas a água não lava a nódoa desse crime; nem todas as águas dos sete mares poderiam lavar o sangue rubro de suas mãos. Assim tem sido até neste mesmo instante em que dizemos: ?Padeceu sob Pôncio Pilatos.? Mal podia Pilatos acreditar no que ouvia quando lhe pediram que soltasse Barrabás, e enquanto os gritos da populaça atroavam contra a balaustrada de mármore de sua fortaleza, fez uma outra pergunta: ?Que devo fazer com o vosso Rei, o Cristo?? Mas responderam-lhe: ?Se soltares este Homem não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei é inimigo de César.? (S. João, XIX, 12.)

Chegara a vez de a nova liberdade de necessidade e a nova intolerância mandaremno matar. A liberdade de indiferença realizara sua tarefa como a maioria que vota pela morte da verdade; a liberdade de necessidade tem ainda sua nojenta tarefa a realizar. Na prática, significa isso que não há nenhum Deus acima de César, nenhum direito acima do governo, nenhuma liberdade de palavra acima do régulo.

Significava exatamente isso na Sexta-feira da Paixão, quando a populaça apelava para o seu ditador, a quem odiava mais que às serpentes, e protestava seu amor por César contra o Cristo. ?Se o Cristo não quiser obedecer a César e renunciar ao absurdo de dizer: ?Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?, então entreguem-no à morte. César é o único Rei; o Ditador é a única lei; o partido é o único governo. Até mesmo os direitos de Deus emanam de César. Ou fazê-lO submeter-se ou mandá-lO para a cruz.? Pois liberdade, pensavam eles, é obediência à vontade do ditador.

E para a cruz foi Ele, crucificado pela corrompida liberdade do liberalismo, que é indiferente à verdade, e pela desmoralizada liberdade da ditadura que identifica a Verdade com César. O Calvário desse dia é um quadro do mundo moderno. A crise daqueles tempos como a dos nossos próprios tempos é a crise da liberdade. Como o Cristo foi crucificado na Sexta-feira da Paixão pela falsa liberdade, assim hoje é o homem crucificado. O mundo moderno há vários séculos que não tem liberdade e, se seguir nova definição da liberdade, não a terá por mais alguns. O liberalismo e o capitalismo, que foram indiferentes à moralidade e à verdade, não nos deram a liberdade mas apenas um pretexto de sermos individualmente egoístas. A ditadura, os Estados totalitários, fascismo e comunismo, não nos dão a liberdade, mas apenas o direito de sermos coletivamente egoístas. Aqueles criavam escravos econômicos, e estes criam escravos políticos. Ambos são amigos de sua própria espécie de liberdade, e nenhum homem é amigo da liberdade se não desejar que os outros a possuam tão bem quanto ele. O liberalismo e o capitalismo, por se mostrarem indiferentes à verdade, tornavam impossível que uma democracia se defendesse contra o fascismo, o comunismo ou o nazismo, pois, se não existe a verdade, nada há então a defender.

A liberdade é mais do que um fenômeno econômico tal como a democracia corrupta pretende; é mais do que um fenômeno político tal como quer a ditadura tirânica; a liberdade é mais do que uma aristocracia da riqueza tal como o capitalismo pretende; e mais do que uma aristocracia de privilégio tal como quer o comunismo; a liberdade não significa separação do direito das responsabilidades tal como afirmou o liberalismo; nem significa a separação das responsabilidades dos direitos tal como assevera o comunismo. A liberdade não é livre-pensamento tal como julga o liberalismo, nem é o pensamento imposto tal como supõem as ditaduras. A liberdade não é direito de escolher entre Barrabás e o Cristo tal como o espírito de tolerância proclama; nem é o direito de dizer que não existe outro Deus senão César tal como proclama a nova intolerância.

Não temos liberdade em nosso mundo moderno, mas precisamos recuperá-la ou perecer. Não a encontraremos voltando ao liberalismo, nem convertendo-nos em ditadura, pois não está nem nesta nem naquela. Só a podemos recuperar retornando a uma Verdade que não é nem a voz da maioria nem as imposições da minoria, uma Verdade que é inseparável da finalidade do homem; isto é, a união com o seu último fim, que é Deus. Quando o homem conforma o seu pensar e suas ações com essa Finalidade, é livre porque está com a verdade. Será pedir demais ao mundo moderno que faça isso? Precisa nossa civilização moderna, assim como o Cristo, de ser primeiro crucificada pela liberdade de indiferença e pela liberdade de necessidade, para que possa ressurgir? A resposta a essa pergunta está nas mãos de Deus. Mas isto certamente sabemos: se amarmos a Verdade, a ?Verdade nos libertará?.

Facebook Comments

Livros recomendados

A cólera dos imbecis – Cartas de um terráqueo ao Planeta Brasil – Volume XCanções e ElegiasO Inferno e Seus Tormentos