Espaço do Leitor

O que a Igreja combate na Teologia da Libertação?

– Gostaria de saber o que a Igreja combate na Teologia da Libertação e também sobre o Direito Canonico antes de Graciano. Desde já agradeço (Efferson).

Prezado Efferson,

Pax Domini!

Obrigado por nos escrever.

Inúmeras são as posições e idéias defendidas pela chamada “Teologia da Libertação” manifestamente contrárias às doutrinas de Cristo e da Igreja. Citemos apenas algumas:

– Separação entre o “Cristo Histórico” e o “Cristo da Fé”;

– Classificação do “Cristo Histórico” como um “agitador político” (transformado em um “mini-comunista”, talvez mais comprometido com Marx do que com o Pai do Céu);

– Compreensão meramente simbólica dos milagres ligados a Cristo (multiplicação dos pães, eucaristia, ressurreição etc.);

– Aberta contestação e confrontação da autoridade da Igreja e do Papa e das autoridades estatais constituídas (exceto alguns presidentes socialistas/comunistas da América Latina);

– Mistura intencional e anacrônica de elementos do Marxismo na doutrina cristã;

– Remoção da dimensão vertical da fé católica (=relação com Deus), mantendo-se apenas a dimensão horizontal (=relação com o próximo).

– Promoção da “luta de classes” visando “libertar” os “pobres oprimidos” (materialmente falando) dos seus “ricos opressores” (também materialmente falando);

– Forte indiferentismo ou relativismo diante da fé bimilenar da Igreja;

etc. etc. etc.

Observamos, porém, que não são TODOS os teólogos da libertação que admitem a lista acima em sua totalidade. Com efeito, é possível encontrar um ou outro teólogo que aceite, pessoalmente, algum dos pontos que seus outros colegas nega… Neste caso, entra um pouco do subjetivismo, próprio do Protestantismo, resultante dessa visão indiferentista ou relativista que freqüentemente adotam (ainda que neguem por palavras).

Tudo isto explica a razão de vermos diversos organismos e grupos eclesiais, liderados ou influenciados por membros ligados à Teologia da Libertação, fomentarem ou promoverem certas coisas que são INADMISSÍVEIS dentro da Igreja… Alguns exemplos: sermões marxistas durante a missa, mudança arbitrária das palavras de consagração ou da oração eucarística, abusos litúrgicos, empregos de meios ilícitos e violentos para a ocupação de terras e imóveis, sincretismo religioso injustificado (especialmente nas chamadas “missas-afro”), atitudes e pronunciamentos promovidos por certos padres e bispos frontalmente contrários ao ensino do Magistério ordinário e extraordinário da Igreja, os frequentes discursos políticos pré-eleitorais, padres e bispos candidatos a cargos políticos etc.

Cinco casos mais concretos que podemos citar são:

– As violentas invasões a terras não destinadas pelo Governo ou pela Justiça à Reforma Agrária.

– O ensino religioso relativista ou indiferentista, totalmente descompromissado com a fé católica/cristã, que vem sendo ministrado em muitas escolas que se dizem “católicas”, mas não seguem a orientação dos documentos oficiais da Igreja.

– A greve de fome levada a efeito por d. Cappio, em razão da transposição do rio São Francisco.

– A lamentável introdução do “ponto de vista” de uma certa organização abortista (que reconhece explicitamente sua origem e ligação com a Teologia da Libertação) no DVD da Campanha da Fraternidade de 2008, que ostentava a logomarca da CNBB (e que até a presente data não foi explicada pela mencionada Conferência, apesar de terem soltado, após muita pressão, uma breve e tímida nota condenando tal organização abortista).

– A imensa maioria dos temas escolhidos para as Campanhas da Fraternidade, a partir da década de 1970, que segue muito mais a dimensão horizontal da fé (humana), praticamente extingüindo a dimensão vertical (divina), dando margem a inúmeros sermões mais aparentados a discursos socialistas/comunistas que a homilias dignas da Palavra de Deus…

Por isso, muito propriamente o pe. Martín Zavala (mpd) atribui a “migração de católicos para as seitas pentecostais e neopentecostais” a esse “esquecimento” da dimensão vertical (espiritual) promovida pela Teologia da Libertação. E, citando certo sociólogo, aponta: “A Igreja fez a opção pelos pobres [cf. Teologia da Libertação], mas os pobres fizeram opção pelos pentecostais [=para suprir suas necessidades espirituais]” (v. artigo “Teologia da Libertação: ‘nem só de pão vive o homem'”, que será publicado em breve no Veritatis Splendor).

Os exemplos seriam inúmeros e infindáveis diante de tantos abusos que as idéias da Teologia da Libertação suscitam nas mentes de seus adeptos. Você pode, porém, ver com seus próprios olhos o que a Igreja Católica afirma sobre a Teologia da Libertação lendo os seguintes documentos (que você pode encontrar no site do Vaticano ou em outros sites, alguns inclusive aqui no Veritatis Splendor):

– Audiência Geral do Papa João Paulo II (21.02.1979).

– Discurso do Cardeal Joseph Ratzinger (18.03.1984), intitulado “Eu vos explico a Teologia da Libertação”

– Instrução Libertatis Nuntius, sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação (06.08.1984)

– Discurso do Papa João Paulo II a um grupo de prelados da Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (13.03.1986).

– Instrução Libertatis Conscientia, sobre a liberdade cristã e a libertação (22.03.1986)

– Instrução Donum Veritatis, sobre a vocação eclesial do teólogo (24.05.1990).

– Discurso do Papa João Paulo II aos bispos do Brasil por ocasião do Encontro no Centro de Convenções de Natal (13.10.1991).

– Nota Doutrinal sobre alguns aspectos da Evangelização (03.12.2007).

Como já dizia nosso querido Papa João Paulo II, de saudosa memória, já em 1979, “a libertação nasce da verdade de Cristo”. Por isso, o Papa Bento XVI, vindo para Aparecida no ano passado (09.05.2007, cf. Agência ZENIT), lembrou que as idéias da Teologia da Libertação “eram errôneas, mas isto TODOS já sabem” (acrescentamos: exceto os próprios teólogos da libertação e seus seguidores, evidentemente, que continuam insistindo nos mesmos erros ou já evoluíram para outros piores…) e que ela foi “uma forma de Milenarismo” que não tem justificação hoje, especialmente diante da difusão da autêntica preocupação social da Igreja, sendo que a missão principal da Igreja é (e sempre foi, acrescentamos) religiosa.

Aproveitamos para informar-lhe que o Apostolado Veritatis Splendor estará abordando a Teologia da Libertação em seus próximos artigos, de maneira mais detalhada. Por ora, recomendamos a leitura deste artigo: “TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: O COMUNISMO INVADE A IGREJA – https://www.veritatis.com.br/article/4288”. Mas continue a nos acompanhar, pois há muito por vir!

Você também nos pede informações a respeito do Direito Canônico antes de Graciano. Neste caso, indicamos a leitura do artigo “A Estabilização do Direito Canônico e o Decreto de Graciano”, de autoria de Cláudia Rosane Roesler, publicado na revista Seqüência nº 49, dez/2004, pp. 9-32, que pode ser baixado através deste link: http://www.buscalegis.ufsc.br/busca.php?acao=abrir&id=24563 .

Espero que tenha respondido às suas perguntas.

[]s,
Que Deus te abençoe


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