A confirmação ou crisma é o sacramento, cuja graça específica é dar vigor espiritual. Dia venturoso, este do Pentecostes daquele que foi batizado. Data feliz na qual recebe o epígono de Cristo singular fortalecimento. A plenitude dos dons do Espírito Santo e a robustez das virtudes infusas lhe são outorgadas em vista à maturidade cristã. O discípulo de Cristo se torna então apto para colher os frutos espirituais (Gl 5,22). Marcado com o caráter crismal, torna-se soldado do Redentor para um testemunho autêntico de seu Chefe e Senhor. No Novo Testamento está claro que, por meio da imposição das mãos, num rito especial e sumamente significativo, era comunicado o Espírito Santo. Este texto dos Atos dos Apóstolos focaliza o que Pedro e João fizeram na Samaria: “Ora os Apóstolos que estavam em Jerusalém, tendo ouvido dizer que a Samaria tinha recebido a palavra de Deus, mandaram-lhe Pedro e João, os quais tendo chegado, fizeram oração por eles a fim de receberem o Espírito Santo; porque ele ainda não tinha descido sobre nenhum deles, mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus” (At 8, 14-17).

Em Éfeso, Paulo falou a alguns fiéis sobre o Paráclito “e, tendo-lhes imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam línguas e profetizavam” ( Ef 19,1-7). Aos coríntios o mesmo Paulo diz: “Ora, o que nos confirma em Jesus Cristo convosco, e que nos ungiu, é Deus, o qual também nos imprimiu o seu selo, e deu em nossos corações o penhor do Espírito” ( 2 Cor 2,15). Jesus prometeu o Espírito Santo aos seus seguidores: “Quando, porém, vier o consolador que vos enviarei, ele dará testemunho de mim” ( Jo 15,26).
É na crisma que se recebe este Espírito divino através da imposição das mãos do bispo, que é o chefe da milícia espiritual. Pelo batismo, o ser racional se torna templo do Espírito Santo. Na crisma esta casa santa de Deus recebe sua consagração solene. O aumento da graça santificante é outro efeito da recepção condigna da confirmação. Verifica-se uma maior participação na vida de Deus. Cristo significa ungido. O cristão é outro Cristo. Assim é sujeito da unção do crisma, ou seja, do óleo de oliveira misturado com o bálsamo aromático. Extraordinária a nobreza do discípulo do Salvador, escolhido para missão tão sublime de cooperar na salvação do mundo. É preciso então, como deseja o apóstolo Paulo trescalar “o bom odor de Cristo” (2,Cor 2,15).

Adite-se que o óleo, considerado como fonte de força e destreza para os desportistas, patenteia também a situação de quem se tornou, atleta de Cristo: “Não sabeis que os que correm no estádio, correm sim todos, mas um só é que alcança o prêmio? Correi, pois, de tal maneira que o alcanceis” (1 Cor 9,24). Eis aí o duplo simbolismo do óleo na confirmação, significado plurivalente de tanta importância para quem tem o dom da fé. Através dos tempos os teólogos patenteiam que a crisma é o ponto da existência cristã no qual se chega “ao estado do homem perfeito, segundo a medida da idade completa de Cristo” (Ef 4,13).

Esta é a magna responsabilidade de quem foi batizado: ser testemunha autêntica do Redentor. Adite-se que a devoção ao Espírito Santo cumpre seja uma das características da espiritualidade daquele que foi crismado. Esta devoção inclui a maleabilidade e a disponibilidade, uma vez que, o seguidor do Evangelho, atento sempre aos recados interiores do Paráclito, está em estado de permanente vigília para colocar em prática o que lhe é inspirado. Verifica-se, deste modo, a corajosa confissão da fé recebida no batismo. Quem foi crismado se torna valente, revestido com toda a armadura celeste, está apto para a pugna contra os mais fortes inimigos de sua salvação e os vence. A luta pela vida se faz então menos árdua, porque as vitórias se sucedem por força da presença do Consolador. Isto adestra o discípulo de Jesus para obter a coroa imperecível da glória eterna.

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