Diante da explanação anterior, podemos derrubar de vez todo o edifício doutrinário protestante, refutando as palavras do senhor Aníbal e mostrando como elas próprias o condenam na sua doutrina herética.
O citado ?ex-Padre? assevera:

O significado do vocábulo “tradições” nesse texto não é sinônimo da Tradição no conceito católico. Lá no original grego, o termo é paradoseis que tem o significado de doutrina ou ensinamentos para o caso.
Paradoseis é o conjunto das doutrinas ou o depósito exposto por Paulo aos fiéis. Este depósito que ele não recebeu de nenhum dos Doze e de ninguém, mas diretamente de Jesus Cristo (Gl. 1.9,11,12).
Paulo, portanto, depois de prevenir os tessalonicenses contra os deturpadores do Evangelho, inculca-lhes a necessidade de se manterem firmes nas doutrinas por ele ensinadas através também das suas pregações.
Ainda mais. O próprio texto ressalta a sintonia entre a pregação e a escrita das doutrinas ensinadas pelo mesmo Apóstolo. De maneira alguma ele sugere apoio a ensinamentos alheios ou diversos das Escrituras.

Em resumo, segundo o autor:

1 – ?Paradoseis? significa doutrina ou ensinamentos para o caso, recebido por São Paulo diretamente de Nosso Senhor Jesus Cristo;
2 ? São Paulo exorta os fiéis a ficarem firmes nestes ensinamentos ou doutrinas;
3 ? O texto sugere sintonia entre a pregação e a escrita ensinadas pelo Apóstolo.

Que relação existe entre as duas primeiras afirmações e a terceira?

Que relação existe entre o termo grego ?paradoseis? e o termo ?Sola Scriptura? (Somente as Escrituras)? Ora, claro que nenhuma; o que São Paulo Apóstolo queria separar era justamente a tradição eclesiástica (a doutrina da Igreja) das tradições meramente humanas condenadas por Nosso Senhor nas passagens Sâo Mateus XV,3; São Mateus XV,6; São Marcos VII,8; São Marcos VII,9 e Cl II,8.

A chamada Tradição dos Antigos (São Mateus XV,2; São Marcos 7,3-5) não era condenada por ser uma tradição, do contrário, a Bíblia também seria condenável, porque seu cânon é transmitido ao longo do tempo e foi definida pelo Sagrado Magistério da Santa Igreja e incorporado na Sagrada Tradição começando pelo Concílio de Roma em 382 d.C., passando pelos Concílios de Hipona, Cartago até ser dogmaticamente definido pelo Concílio de Trento em 1545 d.C.

A tradição condenada no escritos católicos (evangelhos e epístolas) refere-se à Tradição dos Antigos (ver São Mateus XV,2; Mc VII,8-9). Esta deu origem ao chamado Talmud judaico que se contrapõe à Torá (o Pentateuco: cinco primeiros livros da Bíblia). Se você estudar a história do povo judeu no Velho Testamento, constatará que este se entregou a um pecado que muito desagrada a Deus, Nosso Senhor: a idolatria. Leia os capítulos oitavo e nono do livro do profeta Ezequiel, episódio conhecido como ?Abominação da Desolação?.

A Tradição dos Antigos dá suporte a essa idolatria judaica. Sugiro que após ler esta resposta, faça um estudo do texto ?Escribas, Doutores da Lei e Fariseus? do Professor Católico Orlando Fedeli, PhD em História pela Universidade de São Paulo, presidente da Associação Cultural Montfort, (clique em http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=escribas1&lang=bra para ter acesso ao texto). Por este estudo, além de entender por que os sacerdotes judaicos tanto odiaram a Nosso Senhor Jesus Cristo a ponto de assassiná-lo, compreenderá que tradição Nosso Senhor e os Apóstolos dirigentes de sua Igreja condenavam.

É preciso atentar para outro engodo protestante presente no texto do senhor Aníbal. Veja:

As cartas de Paulo contêm a mesma mensagem que ele transmitira oralmente?
Ao se referir Paulo aos seus ensinamentos por palavra não quer isto dizer que se constituíam eles em ensinamentos diferentes dos escritos em suas cartas. Tanto assim que, desejando prevenir os crentes contra as investidas de Satanás, adverte energicamente: “Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado” (2 Tessalonicenses 3.14).

Nesta passagem, o autor do texto infame insinua que a Sagrada Tradição da Igreja de Cristo se contrapõe às Sagradas Escrituras. Pergunta-se com que autoridade ele pode asseverar tal disparate, se o protestantismo admite o livre-exame da Bíblia? Ele simplesmente toma a sua interpretação que faz do texto sagrado como verdade absoluta, e a partir deste pressuposto afirma que a Sagrada Tradição é oposta ao que está escrito no livro sagrado. Mas, com que autoridade ele o faz? Quem lhe concedeu tal prerrogativa? Estava ele presente, há 2000 anos, no meio dos Apóstolos quando Nosso Senhor ordenou a estes que evangelizassem o mundo? Ou pelo menos algum Apóstolo concedeu-lhe autorização para tal? Ele foi ordenado por alguma autoridade legítima da Igreja?

“Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. (Em At 15,24-26. Novamente sugerimos a leitura de todo o capítulo 15 do livro dos Atos dos Apóstolos, conhecido também como Atos da Igreja)

Veja que ele induz o leitor a adotar a interpretação da herege doutrina protestante como verdadeira para condenar a doutrina católica. Ele simplesmente parte de um fundamento (o seu fundamento), como se somente ele pudesse interpretar, mesmo com a contraditória doutrina luterana de que todos podem interpretar com auxílio do Espírito Santo (imagine só, o Evangelho segundo o senhor Aníbal!!!!):

Ao se referir Paulo aos seus ensinamentos por palavra não quer isto dizer que se constituíam eles em ensinamentos diferentes dos escritos em suas cartas. Tanto assim que, desejando prevenir os crentes contra as investidas de Satanás, adverte energicamente: “Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado” (2 Tessalonicenses 3.14).

Dos seus treze documentos, as duas pequenas Cartas à Igreja em Tessalônica são os dois primeiros. Evidentemente que, ao se referir às doutrinas que por palavra havia ensinado lá, não demonstra ser a Tradição Oral uma Fonte de Revelação, como querem os teólogos católicos.

De onde o senhor Aníbal retirou o termo ?Somente as Escrituras?, pelo menos subentendido? Não se encontra isso nas Escrituras Sagradas, isto é invenção do autor e das milhões de seitas protestantes existentes no mundo, com suas milhões de doutrinas discrepantes (verdadeira Babel doutrinária). Da Bíblia que não foi; muito pelo contrário:

“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever”. (São João XXI,25)

Será mesmo que tudo esta na Bíblia? Se nem tudo que Nosso Senhor fez está relatado na Bíblia, por serem muitas coisas, como atesta São João, então porque ?Somente as Escrituras? como vomitou primeiramente Lutero?

?Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.? (At I,1-3)

Nosso Senhor ensinou doutrinas durante quarenta dias. Seriam estas inúteis porque não se encontram na Bíblia? E os ensinamentos acerca do Reino de Deus? Seriam sem valor? Só porque não estão nos Evangelhos escritos?

E como fica a imposição das mãos, se elas não são mencionadas nos Evangelhos, mas em At VIII,14-17 e Hb VI,1-2? Será que os Apóstolos estariam inventando coisas não ensinadas por Nosso Senhor? Claro que Ele os ensinou, mas não foi escrito. Mas, nem por isso a Igreja de Cristo (entenda-se Igreja Católica) abandonou esse costume.

Outro sofisma é o uso da palavra depósito em II Tm I,12-14:

“Sei em quem tenho crido e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia. Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós” (2 Timóteo 1 .12-14).

Qual o significa do termo “depósito”?
O vocábulo grego paralheke empregado por Paulo é de alta significação por ser, no seu tempo, um termo técnico da linguagem jurídica entre os gregos. romanos e judeus. Paratheke (“depósito”) indicava um tesouro valioso confiado pelo seu proprietário à guarda de um amigo de irrestrita confiança. que se obrigava a guardá-lo) e a restitui-lo. não lhe sendo lícito, ainda, utilizar-se dele em proveito pessoal ou na conformidade do seu bel-prazer. Severas penas, outrossim, se impunham aos que violassem as normas da absoluta fidelidade exigidas nesse caso do paratheke ou “depósito”.

Ora, o termo depósito refere-se apenas ao que a Igreja fundada por Deus denomina ?Depositum Fidei?, ?Depósito da fé? em Latim, o conjunto de seus ensinamentos. Não há nada na Bíblia que assevera ser esse depósito apenas livros escritos; afinal, como poderia ser, se somente no Século IV, os cristãos ficaram sabendo quais eram os livros autênticos que formaram o Novo Testamento (Conforme o tópico acima). Novamente, o senhor Aníbal ?coloca chifre na cabeça de cavalo?. De onde ele tirou que depósito refere-se a escritos? Cita ainda este senhor:

Certa ocasião, quando foi à Macedônia, Timóteo permaneceu em Efeso para advertir alguns “que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim” (1 Timóteo 1 .3-4).
Lembra a Timóteo em sua Primeira Carta de que “nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (4.1); suplica-lhe que rejeite “as fábulas profanas e de velhas caducas” (4.7); recomenda-Lhe que persistisse em ler (4.13) e na Segunda Carta assemelha a Janes e a Jambres, que resistiram a Moisés, os que resiste m à verdade, sendo “homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé” (3.8) e agora. nas vésperas de sua morte em Roma, de onde remetera esta Carta a Timóteo, concita-o: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na .Iustiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (3.14-17).
“Se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.9).

Novamente, o autor parte de seu fundamento pessoal, da sua interpretação como verdade absoluta condenando a Doutrina da Igreja Católica esta sim, a verdadeira autoridade para ensinar e definir esta ou aquela doutrina como autêntica. Nosso Senhor Jesus Cristo não deixaria suas ovelhas sem pastores, é óbvio que ele instituiu autoridades para reger sua Igreja. É muita pretensão dos protestantes 1600 anos depois quererem mudar aquilo que já era ensinado desde o início da Igreja Cristã, Igreja que, a partir do século II, passou a se chamar Igreja Católica.

“Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas. São todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? Fazem todos milagres? Têm todos a graça de curar? Falam todos em diversas línguas? Interpretam todos?” (I Cor XII,28-30) [Será que todos podem interpretar como asseverou Lutero, note também a hierarquia da Igreja].

“Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem”. (At XV,7)
“Toda a assembléia o ouviu silenciosamente [a São Pedro]. Em seguida, ouviram Barnabé e Paulo contar quantos milagres e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios”. (At XV,12)
[Prova cabal: São Pedro foi o escolhido dentre os Apóstolos. Leia o capítulo 15 do livro dos Atos dos Apóstolos do versículo 1 ao 12]

“Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas”. (Jo 21,15-17) [Esta passagem é vista como uma remissão concedida por Nosso Senhor a São Pedro pela sua tripla negação ao Mestre antes de sua morte na cruz]

“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos”. (São Lucas XXII,31-32)

E a mais famosa:

“E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (São Mateus XVI,18-19) [São Pedro usou esta chave em At XV,1-12 para proscrever a circuncisão].

O que seriam da Igreja e dos seus fiéis sem uma referência de autoridade? Simples, seria o protestantismo com suas milhares de doutrinas onde ninguém se entende. Eles afirmam que seguem e pregam a Bíblia, no entanto, atribuem às Sagradas Escrituras múltiplas interpretações, conflituosas entre sim, como se depreende das inúmeras denominações protestantes que se digladiam para impor a sua interpretação como verdadeira. Mas, o problema do protestantismo é que nenhuma das denominações pode reclamar a autoridade para ensinar, porque quando Lutero vomitou seu brado iníquo: ?não servirei?, os Apóstolos há mais de mil anos já proclamavam ?Irmãos, quem como Deus??

Ao leitor do Veritatis Splendor exortamos: Deus é somente um, e somente uma é sua Igreja, e ela tem de ser una, santa, católica (universal, absoluta, se aplica a todos), apostólica (porque vem dos Apóstolos e formada por estes) e romana (porque a sua sede foi estabelecida por São Pedro, o primeiro líder da Igreja, o Papa, em Roma).

Bruno, espero ter atendido às suas expectativas, qualquer dúvida escreva-nos.

São Miguel Arcanjo, Príncipe dos Exércitos do Senhor, rogai por nós.
Santo Inácio de Loyola, Martelo da heresia protestante, rogai por nós.

Facebook Comments

Livros recomendados

Progresso na Vida Espiritual (Edições Livre)Teoria do Protecionismo e da Permuta InternacionalA Selva – Sobre o Sacerdócio