Bíblia - Tradição - Magistério

Os Erros de John McArthur sobre a Sola Scriptura II

Recebemos recentemente um material de um irmão Protestante, sobre uma refutação da posição católica contra

a doutrina protestante da “Sola Scriptura”. O autor desta refutação o sr. John MacArthur já teve por sinal um de seus

artigos refutados em nosso site.

Como a doutrina da Sola Scriptura é um dos principais abismos entre a fé Católica e a fé Protestante, e sendo o desejo do

Senhor que os cristãos busquem a unidade, este tema deve sempre ser abordado, com a maior atenção e caridade.

Agradecemos ao irmão que nos enviou este material (mas que infelizmente não se identificou), e esperamos que possamos sempre caminhar para a unidade da fé e no conhecimento Verdadeiro da Sã Doutrina.

O Material enviado para nós está em cor negra e nossa observação em cor azul.

SOLA SCRIPTURA

Capítulo V
A SUFICIÊNCIA DA PALAVRA ESCRITA

Resposta aos Modernos Apologistas Católicos-romanos
Dr. John MacArthur, Jr

A Moderna Apologética Católica e a “Sola Scriptura”

Em outras palavras, a posição católica oficial sobre a Escritura é que a Escritura não fala, nem pode falar, por si mesma. Ela deve ser interpretada pela autoridade ensinadora da Igreja e à luz da “tradição viva”. De fato isso diz que a Escritura não possui uma autoridade inerente, mas, como toda verdade espiritual, deriva sua autoridade da Igreja. Somente o que a Igreja diz é julgada a verdadeira Palavra de Deus, a “Escritura Sagrada… escrita principalmente no coração da Igreja, e não em documentos e registros”.

Já neste segundo parágrafo começam os equívocos do sr. MacArthur. Muito astutamente ele afirma que a necessidade do Magistério da Igreja para o real entendimento da Sagrada Escritura, diminiu a Escritura.

Dizer que um remédio somente deve ser receitado pelo médico de modo algum é dizer que o remédio não possui propriedades medicinais, se assim fosse não seria remédio. Todos sabemos que um remédio embora tenha poder de curar, se não for corremantente ministrado ao doente provará a doença e poderá levar até à morte.

A Sagrada Escritura como divinamente inspirada que é, obviamente está repleta de Verdade, obviamente é toda Verdadeira, e nenhuma mentira nela se encontra. No entanto a Sagrada Escritura não foi escrita pela vontade do homem, mas foi escrita pela Vontade de Deus e somente através do mesmo Espírito Santo que a inspirou é que a pode revelar. Ensinando isto São Pedro escreveu: “Ante de tudo sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular. Porque jamais uma profecia foi proferida pela produção de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.” (2Pd 1,20-21). E este mesmo Espírito Santo nos revela a Sagrada Escritura através do Magistério da Igreja. O livro de Atos dos Apóstolos que relatava o Ministério nascente da Igreja nascente, mostra claramente que somente através do colégio dos Apóstolos, é que os primeiros cristãos recebiam a mensagem do Evangelho, a Catequese, orientações doutrinais e administrativas da Igreja. Somente através da Autoridade Apóstólica é que nos foi revelada a verdadeira exegese do Antigo Testamento. Foi através da Igreja, que as Sagradas Letras, que até então eram envoltas em grande mistério, é que foram reveladas e foi dado o seu real cumprimento.

Notem que os Judeus até hoje guardam como sagrados muitos dos livros que nós cristãos também guardamos, no entanto a Letra em a Igreja não foi capaz de conduzí-los á Verdadeira Fé. E ainda dizemos mais, foi exatamente por não admitirem o Ministério da Igreja, é que também não reconheceram como livros Sagrados o que hoje guardamos como Novo Testamento.

Essa posição obviamente enfraquece a Escritura. Isso ocorre por que a posição católica contra a SOLA SCRIPTURA tem sempre causado um problema mais sério para os apologistas católicos-romanos. De um lado, por enfrentarem a tarefa de defender a doutrina católica, e, por outro lado, por desejarem afirmar o que a Escritura diz de si mesma, eles ficam entre a cruz e a caldeirinha.

Este parágrafo deixa ainda mais claro o erro do sr. MacArthur. Ora, como dissemos a pouco a Igreja Católica reconhece sim que a Sagrada Escritura possui autoridade. Assim diz o Catecismo da Igreja Católica:

can 102. Por meio de todas as palavras da Sagrada Escritura, Deus pronuncia uma só Palavra, seu Verbo único, no qual se expressa por inteiro; “Lembrai-vos que é uma mesma a Palavra de Deus que está presente em todas as Escrituras, que é um mesmo Verbo que ressoa na boca de todos os escritores sagrados; ele que, sendo no início Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, por não estar submetido ao tempo.” (Sto. Agostinho, En. in Ps. 103,4; PL 37,1378.).

can 103. Por este motivo, a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como venera também o Corpo do Senhor. Ela não cessa de apresentar aos fiéis o Pão da Vida tomado da Mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo.

can 104. Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus. “Com efeito, nos Livros Sagrados o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala.” (DV 21)

can 107. Os livros inspirados ensinam a Verdade. “Portanto, já que tudo que os autores inspirados (ou hagiógrafos) afirmam deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, deve-se professar que os livros da Sagrada Escritura ensinam com certeza, fielmante e sem erro a verdade que Deus em vista de nossa salvação quis que fosse consignada nas Sagradas Escrituras.” (DV 11.)

Não podem afirmar a autoridade da Escritura sem esbarrar com o inconveniente de que a tradição é necessária para explicar o real significado da Bíblia.

A Sagrada Escritura mesmo afirma não conter toda a Revelação Divina: “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fôssem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.”(Jo 21,25)

Os Evangelhos, as Cartas Apostólicas, foram escritos devido às circunstâncias especiais, ora porque tal comunidade ainda não tinha seu Bispo, então os apóstolos a exortava à fé através de Carta, ora para enviar uma palavra de confiança. De modo algum o objetivo central dos Escritores Sagrados do Novo Testamento fora escrever, antes sim pregar o Evangelho.

Santo Estevão, o primeiro Mártir da Igreja, antes de sofrer o martírio (cf. At 7.54-59) já era um cristão formado na Sã Doutrina. Neste tempo São Paulo ainda nem era convertido quanto mais ter escrito alguma de suas Epístolas. Foi a Palavra Vida da Igreja, que formou Estevão na Verdadeira Fé. Por isso o Catecismo da Igreja Católica também diz:

can 108 – Todavia, a fé cristã não é uma “religião do Livro”. O Cristianismo é a religião da “Palavra” de Deus, “não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo” (S. Bernador, Homilia super missus est, 4,11: Pl 183,86B.)

Assim como para pronunciar corretamente uma palavra em uma determinada língua, devemos considerar as sílabas desta palavra dentro do berço fonético da língua que se deseja falar – já que uma mesma sílaba possui pronúncias diferentes em variadas línguas- da mesma forma devemos interpretar a Sagrada Escritura dentro de seu berço, que é a Igreja que lhe deu origem – escrevendo muitos de seus livros e definindo seu catálogo bíblico.

De modo bem claro, isso faz da tradição uma autoridade superior.

O sr. MacArthur erra tremendamente ao afirmar que a autoridade da Tradição anula a autoridade da Sagrada Escritura. Ora, tanto a Tradição quanto a Sagrada Escritura embora sejam veículos distintos da Palavra de Deus, possuem a mesma fonte Divina, a Revelação de Deus. Por isso tanto uma quanto a outra possuem autoridade própria, não cabendo ao homem excluir esta ou aquela.

Assim como a própria Tradição aponta para a autoridade da Sagrada Escritura, esta também aponta para a autoridade da Sagrada Tradição:

“Assim, pois irmãos, permaneceis firmes, e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” (2Ts 2,15)

“E o que de mim, através de muitas testemunhas ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para ensinarem outros.” (2Tm 2,2)

“Ó Timóteo, guarda o depósito [a tradição] que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência [gnose].” (1Tm 6,20)

“E [os cristãos] perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2,42)

Além disso, realmente ela faz com que a Escritura se torne supérflua, pois, se a tradição católica, infalível, abarca e explica toda a verdade da Escritura, segue-se que a Bíblia é simplesmente redundante. Compreensivelmente, por essa razão a SOLA SCRIPTURA tem sido sempre um argumento altamente eficaz para os defensores da Reforma.

Aqui encontramos outro equívoco grave do sr. MacArthur: que a Tradição Apostólica “faz com que a Escritura se torne supérflua, pois, se a tradição católica, infalível, abarca e explica toda a verdade da Escritura, segue-se que a Bíblia é simplesmente redundante”

O Primeiro erro desta afirmação é de que a Tradição envolva toda a Verdade da Sagrada Escritura. É verdade que “a Sagrada Escritura está escrita mais no coração da Igreja do que nos instrumentos materiais.” (Sto Hilário de Poiter, Liber ad Constatium imperatorem 9; CSEL 65, 204 (PL 10,570)) e que “com efeito, a Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus.” (CIC can 113). Como dissemos acima o Espírito Santo é autor das Sagradas Letras, e somente Ele pode interpretá-la através do Magistério da Igreja.

O segundo erro é afirma que para a Igreja a Escritura torna-se supérfula e redundante.

O Senhor colocou tudo a seu tempo, tempo de plantar e colher, rir e chorar, nascer e morrer. Assim também dispôs o real sentido das Sagradas Letras. Sabemos que os Apóstolos aplicaram uma exegese que até então permaneceu obscura aos primeiros judeus. Como já dissemos foi através do Magistério da Igreja, que o Espírito Santo foi revelando o real sentido das Sagradas Letras, até então envolto em mistério. E assim continua fazendo, revelando a cada tempo o que a Sagrada Escritura realmente quer dizer, pois Deus revela-se com o tempo, conforme nossa maturidade para entender e receber de todo amor Sua mensagem. Por isso a Igreja Católica também diz em seu Catecismo que: “é o Espírito Santo que lhe dá [a Igreja] a interpretação espiritual da Escritura (‘… segundo o sentido espiritual que o Espírito dá à Igreja’ (Orígines, Hom. in Lv 5,5)” (CIC can 113).

Assim a Sagrada Escritura é fonte de água Viva na Vida da Igreja, e jamais algo redundante que mereça o desprezo e esquecimento.

Portanto, não é difícil compreender por que, em anos recentes, os apologistas católicos atacaram a SOLA SCRIPTURA com espírito de vingança. Se eles puderem derrubar essa doutrina especifica, todos os pontos em discussão caem com ela.

Nós Católicos atacamos a Sola Scriptura pelo simples fato de ser uma doutrina humana que se contrapõe à Doutrina Divina. A Sola Scriptura só foi professada depois da Reforma. Nenhum dos primeiros cristãos disseram ser a Sagrada Escritura a única fonte de fé, e nem disseram que ela é menor que a Sagrada Tradição. Como uma doutrina que surgiu no século XVI, e que não foi professada pelos antigos pode ser verdadeira?

Como podemos aceitar a Bíblia como fonte única da Verdade, se foi o Magistério da Igreja e a Tradição Apostólica que lhe deu origem? Como pode a Bíblia legitimar “uma igreja” se dependeu para sua própria legitimação do Múnus da Santa Igreja?

Porquanto, sob o sistema católico, qualquer coisa que a igreja disser deve ser o padrão por meio do qual toda a Escritura deve ser interpretada.

Claro. Para o protestante, é a Escritura a única fonte da Verdade. Assim para ele somente o que estiver fundamentado na Escritura é padrão de fé. No entanto a Sagrada Escritura afirma que “a Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade” (cf. 1Tm 3,15).

A Tradição é a “verdadeira” Escritura, escrita no coração da Igreja.

Não, isso é afirmação do autor. Dizer que “a Sagrada Escritura está escrita mais no coração da Igreja do que nos instrumentos materiais.” e que “com efeito, a Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus.”(cf. CIC can 113) , é afirmar que a Sagrada Tradição por ser a memória vida da Palavra de Deus, faz com que a Sagrada Escritura esteja mais escrita em suas entranhas que nos instrumentos materiais. E não que a Tradição seja a Verdadeira Escritura.

A Igreja – não a Escritura escrita nos “documentos e registros” – define a verdade sobre a justificação pela fé, veneração de santos, transubstanciação, e uma infinidade de outras matérias que separam os Reformadores de Roma.

A Escritura não só afirma isso, com dá testemunho que o mesmo era crido pelos primeiros Cristãos: “E, quando [Paulo, Timóteo e Silas] iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.” (At 16,4). Vemos aqui acatar as decisões da Igreja não é somente um dever antigo mas também bíblico!

Expondo isso de outra forma, se aceitamos a voz da Igreja como infalivelmente correta, segue-se que tudo o que a Escritura diz sobre essas questões é, no final das contas, irrelevante. E na prática é exatamente isso o que acontece. Para citar apenas um exemplo, a Escritura afirma com muita clareza – “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (l Tm 2.5). Não obstante, a Igreja Católica insiste em que Maria é “co-mediadora” do Filho. E aos olhos de milhões de católicos, o que a igreja diz é visto como a Palavra de Deus final e impositiva. 1 Timóteo 2.5 é, portanto, anulada pela tradição da igreja.

Pelo fato do Magistério da Igreja, a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura possuírem a mesma origem, a Revelação Divina, jamais poderão entrar em contradição uma coisa com a outra. Toda doutrina católica está explícita ou implícita na Sagrada Escritura. O autor disse corretamente: A Igreja afirma que Maria é “co-mediadora” e não “mediadora”. Se a Igreja afirmasse que Maria é Mediadora da Salvação, isto sim, iria contra o que está explícito nas Sagradas Escrituras: “… há um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus”. Um co-piloto não é um piloto. É alguém que auxilia o piloto. Maria apartir do momento que serviu de instrumento divino para a chegada de Cristo, tornou-se Sua auxiliar na realização de Seu plano de Graça. Através dela Cristo veio. Cristo é o único Mediador, pois foi Ele quem remiu a humanidade através de seu Sacrifício Salvífico, nos reconciliando com o Pai. Como vemos são sempre equivocados os argumentos protestantes contra a Igreja.

Evidentemente, se Roma pode provar sua posição contra a SOLA SCRIPTURA , ela aniquila todos os argumentos da Reforma com um golpe fatal. Se ela pode estabelecer sua tradição como uma autoridade infalível, nenhum mero argumento bíblico terá qualquer efeito contra os seus ditames.

Há um ditado que diz: “texto fora de contexto é para mero pretexto”. Para que algum argumento seja realmente bíblico, é preciso que esteja em conformidade com a mensagem única do Evangelho, e não simplesmente ser extraído da Bíblia. Sabemos muito bem que qualquer versículo bíblico extraído de seu contexto normalmente vai levar a entender algo totalmente contrário ao seu contexto. Não é à toa que os muitos protestantes estão abandonando aos poucos a doutrina do Livre Exame, e já começam a ensinar que é necessário saber Teologia, História Eclesiástica, e etc para interpretar a Escritura. Coisa que a Igreja sempre ensinou. E não é também à toa que muitos destes protestantes esclaridos estão cada vez mais se aproximando da Igreja Católica.

Por isso, os apologistas modernos da Igreja Católica armaram cuidadosamente um ataque visando a SOLA SCRIPTURA . Na expectativa de transformar a maior força da Reforma em argumento contra a Reforma, eles começaram a propalar que é possível ridicularizar a SOLA SCRIPTURA usando somente a própria Escritura! Essa linha de argumentação está sendo empregada agora pelos católicos contra o evangelismo em praticamente toda tribuna concebível.

A Sola Scriptura traz tantos transtornos que até mesmo entre os protestantes não há consenso no que seja Sola Scriptura. Para algums de linha mais histórica (Luteranos, Calvinistas, Presbiterianos, Anglicanos, Metodistas, etc) Sola Scriptura é que qualquer doutrina tenha base Bíblica. Para os fundamentalistas e a maioria pentecostal, Sola Scriptura tem que estar na Bíblia. De qualquer forma a Sola Scritptura não está na Bíblia. Já que eles dizem crer somente na Bíblia, como podem crer na Sola Scriptura que não é Bíblica?

E ainda tem outra. Se a Sola Scritptura é doutrina Divina, porque não é professada pelos Cristãos Coptas do Egito (que se separaram da Igreja Católica a quase 1500 anos), pelos Cristãos Ortodoxos (que se separaram da Igreja Católica a quase 1000 anos)? Enfim, por que não é professada pelos primeiros cristãos?

E se a Sola Scriptura é realmente divina, por não é capaz de fazer os cristãos protestantes caminharem para a unidade de doutrina, em vez desta pulverização doutrinária que promovem? Exitem divergências doutrinárias entre Católicos Coptas, Ortodoxos e Romanos? Sim, elas existem sim. E não são nehum abismo intransponível, como acontece no protestantismo.

Como exemplo, temos estes trechos extraídos de artigos divulgados pela Internet:

O ensino protestante de que a Bíblia é a única autoridade espiritual – SOLA SCRIPTURA – em parte alguma é encontrado na Bíblia. São Paulo escreveu a Timóteo dizendo que a Escritura é “útil” (o que é uma dedução), porém nem ele nem outro qualquer na Igreja Primitiva ensinou SOLA SCRIPTURA . E, na realidade, ninguém acreditava nisso até a Reforma.

Em nenhum lugar a Bíblia ensina que ela é a única autoridade em matéria de crença. De fato, a Bíblia ensina que a Tradição – os ensinos orais transmitidos por Jesus e os apóstolos e seus sucessores, os bispos – é uma fonte paralela da crença autêntica. [Conforme citações de 2 Tessalonicenses 2.15 e 1 Coríntios 11.2].

De alguns livros escritos por apologistas católicos:

De forma alguma [a Bíblia] reduz a Palavra de Deus unicamente à Escritura. Contrariamente, a Bíblia nos diz em muitos lugares, que a Palavra autorizada de Deus deve ser encontrada na igreja: em sua tradição (2Ts 2.15; 3.6), bem como em sua pregação e ensino (1Pe 1.25; 2Pe 1.20,21; Mt 18.17). Eis por que penso que a Bíblia sustenta o princípio católico de sola verbum Dei , “a Palavra de Deus somente” [com a “Palavra de Deus” abrangendo tanto a tradição como a Escritura], em lugar do moto protestante, SOLA SCRIPTURA, a “Escritura somente”

A Bíblia realmente nega que ela seja a regra de fé completa. João nos diz que nem tudo o que se refere à obra de Cristo está na Escritura (Jo 21.25), e Paulo diz que muito do ensino cristão deve ser encontrado na tradição, que é transmitida pela palavra [saída] da boca (2Tm 2.2). Ele nos instrui a “permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2Ts 2.15). Os primeiros cristãos deveriam perseverar “na doutrina dos apóstolos” (At 2.42), a qual era o ensino oral dado muito antes de o Novo Testamento ser escrito – e séculos antes que o cânon do Novo Testamento fosse estabelecido.

E extraído de um debate público sobre a questão SOLA SCRIPTURA:

A própria SOLA SCRIPTURA deve ser provada somente pela Escritura. E se ela não puder fazê-lo, SOLA SCRIPTURA é uma proposição auto-refutável, e portanto é falsa.

[Em] 2 Tessalonicenses 2.15, Paulo ordena que a Igreja permaneça firme e retenha as tradições que lhes haviam sido concedidas, quer oralmente, falada ou por meio de uma epístola. Portanto, em outras palavras, a tradição é de maior categoria, havendo dois subgrupos em uma categoria: tradição oral, tradição escrita. E isso o que a
Palavra de Deus diz.

Muitas dessas alegações serão refutadas em partes deste livro. Meu objetivo principal será a explanação de passagens bíblicas citadas em sustentação à veneração da tradição católica. Mas permita-me uma breve réplica resumida aos ataques de todos esses argumentos.

A Suficiência da Escritura

Primeiro, é necessário compreender o que a SOLA SCRIPTURA faz e o que ela não declara. O princípio Reformador da SOLA SCRIPTURA associa-se à suficiência da Escritura como nossa autoridade suprema em todas as questões espirituais. SOLA SCRIPTURA significa simplesmente que toda verdade necessária para nossa salvação e vida espiritual é ensinada tanto explícita como implicitamente na Escritura.

Muito bem. E onde a Escritura afirma a Sola Scriptura? Onde a Escritura afirma “que toda verdade necessária para nossa salvação e vida espiritual é ensinada tanto explícita como implicitamente na Escritura.”? Anteriormente citei exemplos de que a Escritura aponta para a autoridade do Magistério da Igreja (cf. 16,4) e para a autoridade da Sagrada Tradição (2 Tess 2,15).

Não se pretende que toda verdade de todo tipo seja encontrada na Escritura. Os defensores mais ardorosos da SOLA SCRIPTURA admitem, por exemplo, que a Escritura tem pouco ou nada a dizer acerca das estruturas do DNA [ácido ribonucléico], microbiologia, regras da gramática chinesa ou a ciência dos foguetes interplanetários. Esta ou aquela “verdade científica”, por exemplo, pode ou não ser realmente verdadeira, pode ou não ser abonada pela Escritura – mas a Escritura é uma “Palavra mais segura”, mantendo-se acima de toda outra verdade em sua autoridade e exatidão.

Quando nós católicos afirmamos que nem toda Verdade está na Sagrada Escritura, estamos nos restringindo á Verdade do Evangelho e nada mais. Também cremos que a Verdade Revelada não abrange toda Verdade, isto é, tudo que possa ser verdadeiro, como as descobertas ciêntíficas e etc.

Ela é “mais confiável”, de acordo com o apóstolo Pedro, do que os dados que conseguimos de primeira mão por intermédio de nossos sentidos (2Pe 1.19). Conseqüentemente, pois, a Escritura é a autoridade mais alta e suprema acima de qualquer matéria em que ela se manifeste.

Temos aqui o problema de texto fora do contexto. O autor cita 2Pe 1,19 afirmando que o Apóstolo apela para a autoridade da Palavra Escrita em caso de dúvida. O Texto completo é: “Na realidade, não é baseando-nos em hábeis fábulas imaginadas que nós vos temos feito conhecer o poder e vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos visto a sua majestade com nossos próprios olhos. Porque ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando do seio da magnífica glória lhe foi dirigida esta voz: ‘Este é o meu Filho muito amado, em quem tenho pôsto todo o meu afeto’. Esta mesma voz que vinha do céu, nós a ouvimos, quando estávamos com ele no monte santo. Assim demos ainda maior crédito à palavra dos profetas, á qual fazeis bem em atender, como a uma lâmpada que brilha em um lugar tenebroso até que desponte o dia e a estrela da manhã se levante em vossos corações.” (1Pe 1,16-19).

Segundo o autor, o Apóstolo baseou-se na autoridade da Escritura para verificar a autenticidade do que ele presenciou. No entanto não é isso que diz a Bíblia. Ela diz totalmente o contrário; diz que depois da Revelação que Deus lhe deu é que ele assim deu “maior crédito à palavra dos profetas”. Isto mostra a garantia da doutrina apostólica sobre a Letra, pois foi por causa do testemunho dos Apóstolos, é que a Letra ganhou sentido, e consequentemente maior crédito e autoridade. Mais um belo testemunho bíblico de que é a Igreja que interpreta e legitima a Sagrada Escritura, através da ação Divina sobre Ela.

Há muitas questões importantes, porém, sobre as quais a Escritura silencia. SOLA SCRIPTURA não diz o contrário. Nem advoga que tudo o que Jesus ou os apóstolos ensinaram está preservado na Escritura. Ela tão-somente indica que tudo o que nos é necessário, tudo o que se acumula em nossa consciência e tudo o que Deus requer de nós é proporcionado pela Escritura.

Isso já é um grande passo. Infelizmente a grande maioria dos protestantes não pensa assim. No entanto, como o autor pode ter tanta certeza de que o que não foi escrito pode ser esquecido? Se o que não foi escrito pode ser esquecido porque São Paulo pede para que Timóteo guarde a Tradição e que a transmita a homens fiéis, que sejam fiéis para transmitir a outros? Se Deus nos comunicou Sua Sã Doutrina é para que a observássemos e fôssemos fiéis. Assim não cabe ao homem julgar qual parcela da doutrina Divina deve guardar. Mas sim guardar toda doutrina Divina, como foi confiada à Igreja.

Além disso, somos proibidos de acrescentar ou retirar palavras ou conceitos da Escritura (cf. Dt 4.2; 12.32; Ap 22.18,19). Fazê-lo é pôr sobre os ombros das pessoas um fardo que o próprio Deus não tencionou que elas carregassem (cf. Mt 23.4).

A Escritura é, portanto, o padrão perfeito e único de verdade espiritual, revelando infalivelmente tudo o que devemos crer para nossa salvação, e tudo isso devemos fazer para glorificar a Deus. Isso – nem mais, nem menos – é o que SOLA SCRIPTURA ensina.

A Confissão de Fé de Westminster define a suficiência da Escritura nestas palavras: “Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens”(1.6).

Os Trinta e Nove Artigos da Igreja Anglicana incluem a seguinte declaração sobre SOLA SCRIPTURA “A Escritura Sagrada contém todas as coisas necessárias à salvação: de modo que tudo quanto não for lido nela, nem puder ser provado por meio dela, não deve ser requerido de nenhum homem” (artigo 6).

Portanto, SOLA SCRIPTURA proclama simplesmente que a Escritura é suficiente. O fato de Jesus ter feito e ensinado muitas coisas não registradas na Escritura (Jo 20:30; 21:25) é totalmente irrelevante para o princípio da SOLA SCRIPTURA. O fato de a maioria dos sermões dos apóstolos nas primeiras igrejas formadas não terem sido escritos e preservados para nós não diminui em nada a verdade da suficiência bíblica. O que é certo é que tudo quanto é necessário está na Escritura – e estamos proibidos de ultrapassar o que está escrito (I Co 4.6).

Fonte :Sola Scriptura – 1995, Soli Deo Gloria Publications. – 1a Edição – 2000
Joel Beeke, John Armstrong, John MacArthur Jr., Michael Horton, RC Sproul, Sinclair Ferguson e outros.Tradução: Rubens Castilho – EDITORA CULTURA CRISTÃ.

Aqui o autor embora tenha um pensamento correto parte de um princípio errado. Embora seja verdadeiro que somos proibidos de ascrescentar ou retirar coisas da Palavra de Deus, o autor erra apelar para um conceito errado: que a Palavra de Deus é somente o que foi Escrito.

Moisés recebeus duas Torás, uma oral e outra Escrita. Pergunte isso a qualquer Judeu. Encontramos ainda os seguintes problemas na firmação do autor:

  • Dt 4,2; 12,32 não afirmam dizer que os preceitos divinos sejam somente o que foi escrito;
  • mesmo considerando que Dt 4,2; 12,32 se refira aos preceitos divinos que foram escritos, isto não se aplica à Bíblia, mas somente á Torá Escrita, já que naquele tempo não havia um cânon Bíblico, que encerrasse a totalidade de livros que deveriam ser considerados inspirados;

O que já foi dito nos tópicos anteriores se aplica em Ap 22, 18-19, considerando que o livro referido seja o próprio livro do Apocalipse, já que também não havia um cânon Bíblico.

Aproveitando o “gancho” deixado pelo autor, da mesma forma como sabemos que Deus não confiou à Igreja somente a Revelação Escrita (Bíblia) mas também a Revalação Oral (Tradição), e sendo estas duas reflexo perfeito da Verdade Revelada, portanto ambas são Palavras de Deus, se recusarmos a Tradição estaremos retirando algo da Palavra de Deus, coisa que não devemos fazer.

E mesmo os protestantes considerando somente a Bíblia a Palavra de Deus, cometeram o erro de tirar dela 7 livros. Vemos que os protestantes encontram-se em situação grave! Tanto se considerarmos a Tradição como Palavra de Deus ou não.

Volto com as seguintes perguntas:

  • Se o que não foi escrito pode ser esquecido porque São Paulo pede para que Timóteo guarde a Tradição e que a transmita a homens fiéis, que sejam fiéis para transmitir a outros?
  • Se Deus nos comunicou Sua Sã Doutrina é para que a observássemos e fôssemos fiéis. Como podemos julgar qual parcela da doutrina Divina devemos guardar?

Não deveríamos guardar toda doutrina Divina, assim como foi confiada à Igreja?

Como outros capítulos neste volume têm demonstrado e demonstrarão, a Escritura invoca para si mesma essa suficiência e em lugar algum mais nitidamente do que em 2 Timóteo 3.15-17. Um breve resumo dessa passagem é apropriado também aqui. Em resumo, o versículo 15 afirma que a Escritura é suficiente para a salvação: “…desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.” O versículo 16 declara a autoridade absoluta da Escritura, a qual é “inspirada por Deus” (em grego, theopneustos) e útil para a nossa instrução. E o versículo 17 diz que a Escritura é capaz de equipar o homem de Deus “para toda boa obra”. Portanto, a afirmação de que a Bíblia por si mesma não ensina SOLA SCRIPTURA é simplesmente equivocada.

2 Tm 3,15-17 afirma que a Escritura é Divina, e por ser Divina é capaz de instruir o homem. No entanto não diz que a Escritura é a única fonte a Revelação, e nem diz que é a Escritura Suficiente. São Paulo antes de dizer a Timóteo que a Sagrada Escritura lhe será útil, mostra o caminho que Timóteo percorreu para conhecer e tirar proveito da Escritura: “Tu, porém, te empenhastes a seguir-me de perto na minha doutrina, no modo de vida, nos planos, na fé, na paciência, na caridade, na constância, nas perseguições, nas provações, que me sobrevieram em Antioquia, em Icônio e em Listra.” (2Tm 3,10-11).

Timóteo primeiramente seguiu a doutrina de Paulo, isto é, ouviu suas pregações, foi sua testemunha ocular, teve contato permanente com a Tradição dos Apóstolos. Timóteo gozava do carisma do Episcopado, era Bispo de Éfeso, por tanto contava com auxílio especial do Espírito Santo para entender e ensinar o que revelava as Sagradas Letras.

É óbvio que a Sagrada Escritura por ser Divina, possui o papel de conduzir o homem ao Conhecimento de Deus. Mas a própria Escritura jamais afirmou ou afirma se a única Fonte da Palavra de Deus, ao contrário, aponta também para o Sagrado Magistério da Igreja e para a Sagrada Tradição, como já citamos. E ainda em várias passagens dá forte testemunho da Necessidade da Igreja para que Lhe possa Revelar seguramente.

De forma alguma queremos dar este assunto por encerrado nesta refutação, mas esperamos que este artigo que preparamos possa fazer com que os protestantes repensem sua posição e sua fé e que possamos cada vez mais trocar informações a fim de estreitar nossos caminhos e enfim abraçarmos o que é realmente Verdadeiro.

 

Autor: Alessandro Lima *.
* O autor é arquiteto de software, professor, escritor, articulista e fundador do Apostolado Veritatis Splendor.

Autor: Alessandro Lima *.

* O autor é arquiteto de software, professor, escritor, articulista e fundador do Apostolado Veritatis Splendor.

Facebook Comments

Livros recomendados

Vida de Cristo (Quadrante)Tremendas TrivialidadesUm Esboço da Sanidade – Pequeno Manual do Distributismo

About the author

Veritatis Splendor

Leave a Comment

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.