São os principais códices que se conservaram, servindo para que se possa conhecer os nomes, as datas e o valor comparativo dos principais exemplares do Texto Sagrado. Segundo S. Agostinho em sua obra “De doctrina Cristiana”, “O primeiro cuidado de quem quer entender a Divina Escritura deve ser o de corrigir os códices”.

1. UNCIAIS

-(N) Alef – Sinaiticus (01 Aleph) – Foi descoberto no convento de Santa Catarina, no monte Sinai, em 1859, pertence ao século IV d.C. Contém o Antigo Testamento grego e todo o Novo Testamento, além das Epístolas de Barnabé e uma parte do Pastor de Hermas. Está no Museu Britânico desde 1933.

– (A) Alexandrinus (02 Alexandrino) – Foi oferecido ao Rei Carlos I da Inglaterra, por Cirilo Lucar, Patriarca de Constantinopla, em 1627. Pertence ao século V d.C. Contém o Velho Testamento grego e o Novo Testamento desde Mateus 25,6, havendo algumas falhas (João 6,50-8,1-52; 2Coríntios 4,13–12,1-6). Contém também a Primeira Epístola de Clemente de Roma, com uma pequena parte da segunda (uma homilia). Está no Museu Britânico.

– (B) Vaticanus (03 Vaticano) – Foi colocado na Livraria do Vaticano em Roma, pelo Papa Nicolau V (1447-1455). Pertence ao século IV d.C. Contém o Velho Testamento em grego com omissões e o Novo Testamento até Hebreus 9,14; contém as Epístolas Católicas, mas faltam as Pastorais (1-2Timóteo e Tito), Filemon e o Apocalipse. Uma edição foi publicada em 1857 pelo cardeal Mai, por ordem do Papa Pio IX (1846-1878).

– (C) Ephraemi (04 Efrém rescrito) – É um palimpsesto (codex rescriptus), resultante do fato de, no séc. XII, terem sido copiadas diversas obras de Efrém da Síria sobre o texto bíblico original. Felizmente, a tinta do último copista era de menor duração e qualidade que a do primeiro, escrito no século V d.C. muito provavelmente no Egito [, tendo sido possível recuperar o texto bíblico]. Contém fragmentos do Velho Testamento e todos os livros do Novo Testamento com grandes omissões, à exceção de 2Tessalonicences e de 2João. Está na Biblioteca Nacional de Paris.

– (D1) Bezae (05 Beza) – É um manuscrito [que dispõe o texto bíblico], em grego e latim, em colunas paralelas. Foi descoberto no Mosteiro de Santo Irineu em Lião, e oferecido à Universidade de Cambridge, em 1581 por Teodoro Beza. Foi escrito no princípio do século VI d.C. Contém, com algumas omissões, os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos. É notável pelos seus desvios do texto comum e pelas edições.

– (D2) Claromontanus (06 Claromontano) – Foi descoberto em Clermont, próximo de Beauvais, donde lhe deriva seu nome. Foi escrito no século VI d.C. Está escrito em grego e latim, tal como o códice Bezae, sendo um suplemento deste, pois contém as Cartas de S. Paulo (com omissões) e a Carta aos Hebreus, sendo estes os únicos livros do Novo Testamento que se encontram. Pode-se perceber no manuscrito, o trabalho de vários copistas posteriores. Está na Biblioteca Nacional de Paris.

Esses seis códices descritos acima formam a lista dos unciais de 1ª Classe. Citaremos agora alguns que, apesar de parciais e incompleto,s são de grande valor e oferecem sugestivas leituras e um bom estudo:

– (E) Codex Basiliensis – Pertence ao século VII/VIII d.C. Trazido provavelmente de Constantinopla para a Basiléia pelo Cardeal J. B. Ragúsio, em 1431. Contém os Evangelhos quase completos.

– (L) Codex Regius – Pertence ao século VIII d.C. Está na Biblioteca Nacional de Paris. Contém os Evangelhos (com omissões); é valioso por se ver nele a dupla conclusão do Evangelho de Marcos [a breve e a longa].

– Codex Zacynthius – É um palimpsesto de Zanete, oferecido pelo general Macaulay à Sociedade Bíblica de Londres em 1821, onde encontra-se guardado em sua biblioteca. Contém a maior parte do Evangelho de Lucas, com comentários.

– Codex Augiensis – Pertence ao século IX d.C, existente no Trinity College, Cambridge (F), vindo do mosteiro de Augia Dives (Reichenau) no Lago de Constança. Contém a maior parte das Epístolas Paulinas, com a versão Latina.

– (T) Manuscrito da Biblioteca Bodleiana de Oxford – Digno de citação, por ser um manuscrito muito antigo, com data explícita de 844 d.C.

– (S) Manuscrito Roma – Existente na Biblioteca do Vaticano, também digno de citação, por ser um manuscrito bastante antigo, com data explicita de 949 d.C.

2. CURSIVOS

Com o aumento da procura por manuscritos dos textos do Novo Testamento ao longo dos séculos, era necessário o emprego de uma forma de escrita com letra menor e mais fácil [de se entender]. Dessa forma foi introduzida a letra “corrente” ou “cursiva”, que já era empregada nas correspondências sociais e comerciais.

Durante quase dois séculos, usou-se o uncial e o cursivo, mas pouco a pouco o cursivo foi prevalecendo. Foi com essa letra que nos chegaram a maioria dos manuscritos do Novo Testamento, que começaram a ser escritos na forma cursiva do século IX d.C. até a invenção da Imprensa no século XV d.C. Eram empregados o papel e o pergaminho, que variavam muito na forma e duração.

3. PAPIROS

São antiquíssimos testemunhos do texto original do Novo Testamento, com alguns remontando ao ano 200 d.C. Segundo o teólogo Felipe Aquino, alguns deles estão distribuídos da seguinte forma:


FONTE: Escola da Fé II – A Sagrada Escritura. Lorena-SP, 2000, p.38.

4. LECIONÁRIOS

Os Lecionários são coleções dos Evangelhos e Epístolas, para a leitura nas celebrações da Igreja Católica, desde os primórdios do Cristianismo. São escritos com especial cuidado, com caracteres grandes e claros. Não existe testemunho mais valioso dos textos Sagrados para a mesma época em que foram escritos nos Lecionários.

Dos chamados “Evangelistaria”, que são lições dos Evangelhos, existem mais de mil exemplares.

Dos “Praxapostoli”, que são lições dos Atos dos Apóstolos e Epístolas, conhecem-se aproximadamente três mil exemplares.

Todos estes Lecionários são de grande importância para o estudo do texto original das Sagradas Escrituras.

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BIBLIOGRAFIA

– Parte integrante do opúsculo: “A Formação da Bíblia ao longo dos Séculos e a importante participação da Igreja Católica neste processo”, de autoria de Leandro Martins de Jesus, 2005.
– ANGUS, Joseph e GREEN, Samuel G. “História Doutrina e Interpretação da Bíblia”. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1951.
– AQUINO, Felipe. “Escola da Fé I: A Sagrada Tradição”. Lorena: Cléofas, 2000.
– AQUINO, Felipe. “Escola da Fé II: A Sagrada Escritura”. Lorena: Cléofas, 2000.
– AQUINO, Felipe. “Escola da Fé III: O Sagrado Magistério”. Lorena: Cléofas, 2001.
– BATTISTINI, Francisco. “A Igreja do Deus Vivo: Curso Popular sobre a Verdadeira Igreja”. 29ª ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
– Bíblia Sagrada. 47ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1985.
– Bíblia Sagrada. 38ª ed. São Paulo: Edições Paulinas, 1982
– SARMENTO, Francisco de Jesus Maria. “Minidicionário Compacto Bíblico!”. 3a ed. São Paulo: Rideel, 2001.
– SILVA, Rogério Amaral. “A Fundação da Igreja Católica por Nosso Senhor Jesus Cristo” .ACI Digital – www.acidigital.com.br. Acesso em 16/06/2004.
– SILVA, Severino Celestino. “Pequena História das Traduções Bíblicas”. Disponível em www.nossosãopaulo.com.br. Acesso em 01/07/2004.
– (Autor Desconhecido). “Como a Bíblia foi escrita”. ACI Digital – www.acidigital.com.br. Acesso em 16/06/2004.

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