Protestantismo

Os problemas com o livro de mórmon

Atualmente é de costume sermos visitados por missionários mórmons. Durante a conversa, os jovens missionários irão oferecer uma cópia do Livro de Mórmon, para quer você leia, ore e ?peça ao Espírito Santo para que mostre o caminho da verdade?. Então eles começaram a tentar provar para você que o livro em questão contém a verdade, que é a Palavra verdadeiramente inspirada por Deus, e que é o único que contém ?a totalidade do Evangelho eterno?.

 

Costumam afirmar que se você ler o livro em espírito de oração profunda, você receberá o testemunho do Espírito Santo. Este testemunho o convencerá, sem dúvidas, de que o livro é verdadeiro, exatamente o que afirmam ser.

 

Na realidade, os missionários querem que você tenha uma impressão prévia sobre o Livro de Mórmon antes mesmo de lê-lo. Que você vai receber o Espírito Santo em forma de chama ardente no peito após o ler de forma orante de verdade. Esta sensação é a prova de que o livro é verdadeiro, e que eles estão certos.

 

Mas, pense nisso: quantas vezes, após a leitura de determinada obra, nossas emoções não se alteram? Nossas sensações mudam várias vezes dentro de um mesmo dia, e várias vezes em uma única ora, dependendo do estímulo que se imprime ao nosso redor. Nossas sensações não são estáticas. Muitas pessoas podem se sentir bem lendo o Mein Kampf, enquanto outras podem ter sensações ruins lendo a Bíblia Satânica. Uns se alegram ao ouvir Mozart, outros se incomodam ao ouvir Marilyn Mason. Todas essas sensações não são prova de inspiração divina, são prova do impacto em nossos sentidos, apenas isso. A inspiração do Livro de Mórmon não pode ser provada pelas sensações que provoca.

 

Os Mórmons acreditam que o seu livro é inspirado porque Joseph Smith disse que era. Acreditam que ele possuiu a autoridade divina para determinar a inspiração do Livro de Mórmon, porque o próprio livro diz que Smith é um profeta e que tem tal autoridade.

 

Vejamos alguns trechos do livro que os missionários oferecem às nossas portas. À primeira vista o Livro de Mórmon parece ser bíblico em seu conteúdo e estilo. É baseada na versão do Rei Tiago (King James Version), e apresenta algumas ilustrações coloridas, como nas páginas da Bíblia.

 

A introdução diz que o Livro de Mórmon é um volume da Sagrada Escritura comparável á Bíblia. É a memória dos feitos de Deus com os habitantes antigos da América e contém, assim como a Bíblia, a plenitude do Evangelho eterno. Talvez você esteja se perguntando o que significa essa frase.

 

De acordo com os mórmons, o cristianismo autêntico não é encontrado em nenhuma das igrejas que reclamam ser cristãs, apenas na igreja Mórmon o cristianismo é plenamente representado.

 

Os mórmons ensinam que, após a ascenção de Jesus, os apóstolos pregaram as doutrinas de Cristo e administraram as suas ordenanças (equivalentes aos sacramentos católicos). Após a morte dos apóstolos, os seus sucessores deram continuidade aos trabalhos, mas com um rápido declínio da pregação. Em poucos séculos, a grande apostasia prevista na Bíblia suplantou a igreja cristã (ao contrário da promessa de Jesus em Mt 16,18).

 

Os mórmons dizem que a igreja que Jesus fundou tornou-se progressivamente corrupta por idéias pagãs e por membros nefastos (parece familiar, não é mesmo?). Em pouco tempo, a igreja perdeu a característica da doutrina ensinada por Cristo. Em conseqüência disso, a autoridade do sagrado sacerdócio foi retirado da terra, e nenhum homem jamais possuiu autoridade em nome de Deus.

 

Neste tempo não houve batismos válidos, transmissão do Espírito Santo pela imposição das mãos, bênçãos de qualquer tipo, e nenhum sacramento foi validamente ministrado. A confusão que se instalou após isto gerou a guerra entre as seitas cristãs que existem hoje.

 

Para restabelecer a Igreja de Jesus Cristo na terra, os mórmons dizem que em 1820 Jesus apareceu para Joseph Smith em um pequeno bosque perto de sua casa. Disse a ele que todas as igrejas da terra eram abomináveis e corruptas, e que a verdadeira Igreja deveria ser restabelecida por Joseph Smith.

 

Como Cristo, que conhece melhor a Palavra de Deus (por motivos óbvios aos cristãos…), ter dito o que se lê em Mt 16,18, se saberia que a igreja mergulharia na corrupção? Ele mentiu? Foi engano? Foi um erro de cálculo? Não, a divindade de Jesus impede tais falhas.

 

O que podemos concluir? Poderiam os mórmons estar errados em interpretar tão crucial passagem da Bíblia? Esta é a conclusão mais plausível. Se não houve apostasia, não há necessidade de restabelecimento da autoridade religiosa na terra. Não há evangelho a ser restaurado, e toda a igreja Mórmon deveria acabar.

 

O fato é que a única Igreja que possui relação histórica direta com os tempos apostólicos é a Igreja Católica. Apesar de muitos protestantes reconhecerem isto, muitos afirmam que houve a necessidade de reestruturação da Igreja no século 16.

 

Muitos historiadores não-católicos admitem que, como pode ser facilmente demonstrado nos escritos antigos, que os antigos cristãos, como Inácio de Antioquia, Eusébio, Clemente e Policarpo não tinham conhecimento da doutrina Mórmon e que não mencionam nada sobre a ?grande apostasia?. Nenhuma de suas obras mostra Jesus ensinando qualquer doutrina ensinada pelos Mórmons, como politeísmo, poligamia, casamentos celestiais. Se a igreja foi corrompida em um determinado ponto, porque não vemos escritos sobre a doutrina mórmon em épocas anteriores à ?apostasia??

 

Na realidade, não há nenhuma evidência histórica ou arqueológica de qualquer tipo de que a Igreja primitiva não foi outra que não a Igreja Católica. Quando conversar com os missionários mórmons, lembre que todas as evidências estão a favor da Igreja Católica.  Pergunte aos missionários sobre provas históricas do ensino das doutrinas mórmons, provas de que a igreja primitiva era Mórmon. Eles não podem fazer isso porque não existem tais evidências.

 

O Livro de Mórmon descreve uma suposta civilização pré-colombiana que viveu por séculos nas Américas do norte e do sul. Faz uma impressionante descrição detalhada das civilizações derivadas dos Nefitas e Lamanitas, que eram judeus que deixaram a palestina e construíram cidades no Novo Mundo, trabalharam na agricultura, produziam obras de arte, e travaram grandes guerras que culminou com a destruição dos nefitas em 421 A.D. Os Mórmons reverenciam o Livro de Mórmon como a lembrança inspirada desses povos e a aparição de Cristo a eles logo depois de sua crucifixão em Jerusalém.

 

Uma grande fragilidade do Livro de Mórmon é a total falta de provas ou evidências históricas que suportem tais relatos. Por exemplo, após a batalha final entre os Nefitas e Lamanitas, não sobrou ninguém para limpar a bagunça. Centenas de milhares de homens e bestas morreram na batalha, e o campo ficou repleto de armas e munição.

 

421 A.D., em termos arqueológicos, é o mesmo que ?ontem?. Seria muito fácil verificar evidências deste relato, pois, no mínimo, não houve tempo para as armas virarem pó. A Bíblia relata batalhas grandiosas antes de 421 e que foram comprovadas pela arqueologia. Nenhum cientista, mórmon ou não, conseguiu provar tais relatos presentes no Livro de Mórmon, para embaraço dos seus membros.

 

Existem outros problemas com o livro de Mórmon. Críticos do mormonismo mostram que o livro de Mórmon é uma síntese de obras anteriores (escritas por outros autores), da imaginação de Joseph Smith e de um plágio da Bíblia do Rei Tiago. Esta foi a única versão usada por Joseph Smith. Porém é uma versão imperfeitamente traduzida a partir de manuscritos gregos e hebraicos da Bíblia.

 

Estudiosos reconhecem que o textus receptus contém erros, o que significa que a versão do rei Tiago também possui erros. O problema com os mórmons é que estes erros também se encontram no Livro de Mórmon.

 

É de se pensar que se Smith fosse um profeta enviado por Deus para dar a plenitude de sua doutrina, ao encontrar os erros da versão do rei Tiago, os corrigisse. Mas os erros permaneceram os mesmos, sem correções.

 

De acordo com a principal obra teológica mórmon, Doutrinas da Salvação, encontramos esta definição: Por plenitude do Evangelho entendemos todas as ordenanças e princípios que pertencem  à exaltação do reino celeste (vol I, p.160). Esta é a definição oficial dos mórmons. Mas há um problema.

 

Se o Livro de Mórmon possui todas as ordenanças e princípios pertencentes ao Evangelho, porque todas as doutrinas mórmons não aparecem nele? A doutrina de que Deus é um ?homem exaltado em um corpo de carne e osso? não aparece em lugar algum no livro. Nem a de que Jesus é um ?espírito irmão? de Lúcifer, ou de que o homem pode virar deus e que Deus-Pai tem um deus acima dele, que tem outro deus acima de si, ad infinitum.

 

Estas doutrinas heterodoxas não aparecem no livro de Mórmon. Pior ainda, as principais doutrinas mórmons, na verdade, são refutadas pelo Livro de Mórmon.

 

Por exemplo, a doutrina mórmon de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses diferentes é refutada em Alma 11:28-31: Disse Zeezrom: ?há mais de um deus?? e Amulek respondeu: ?não?. E Zeezrom perguntou novamente: ?como sabes destas coisas?? Ele disse: ?um anjo me fez conhecê-las?.

 

O Livro de Mórmon falha em três principais pontos. Primeiro, ele falha na evidência histórica de suas alegações. Segundo, o livro não contém as principais doutrinas mórmons. O que é de se estranhar, pois alegam que o livro possui ?a plenitude do Evangelho?. Terceiro, o Livro de Mórmon apresenta vários erros textuais, factuais, e plágios de outras obras.

 

Se um missionário mórmon lhe pedir para mostrar alguns desses erros, aqui vão dois exemplos.

 

Lemos que Jesus ?nascerá de Maria em Jerusalém, terra de nossos antepassados? (Alma 7,10), mas em Mateus 2,1 lemos que Jesus nasceu em Belém, não em Jerusalém.

 

O missionário deve dizer que Jerusalém e Belém são cidades próximas e que o livro de Mórmon se refere à região ao redor de Jerusalém. Entretanto a cidade de Betânia é ainda mais próxima de Jerusalém que Belém, e mesmo os Evangelhos fazem referência a Betânia como uma cidade aparte.

 

Outro problema: cientistas já demonstraram que as abelhas produtoras de mel vieram para o novo mundo junto com os exploradores espanhóis no século 15, mas o Livro de Mórmon, em Ether 2,3, diz que elas chegaram lá em 2000 B.C.

 

O problema é que Joseph Smith não era naturalista. Não sabia nada de abelhas nem onde nem como elas apareceram. Ele as viu na América e as colocou no Livro de Mórmon. Ele não imaginava que elas o denunciariam.

 

Diga aos missionários: ?Olhem, não é bom orar sobre coisas que não são da vontade de Deus. Seria inútil que eu orasse pela legalização do adultério, quando a Bíblia claramente diz que é pecado. Da mesma forma, seria inútil eu aceitar o Livro de Mórmon quando eu posso facilmente demonstrar que ele não é a Palavra de Deus?.


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