A reflexão filosófica tratou longamente da tristeza durante os séculos. Como vimos em outros artigos, a inveja é um tipo de tristeza que abate o indivíduo pelo bem que cabe atualmente a um outro, como se esse bem a ele pertencesse. Por causa deste equívoco de julgamento (erro de raciocínio, portanto) é que a inveja cega sua vítima para a realidade. Outro tipo de tristeza é o desespero (desperatio).

A sabedoria cristã também denominou o desespero (assim como a preguiça) de “demônio do meio-dia”. E ele é assim cognominado porquanto abate sua vítima e dá-lhe a impressão de que é muito tarde para voltar à casa e continuar o repouso; e muito cedo para retornar ao descanso do trabalho cumprido.

O desespero é esse vício que paralisa o indivíduo, tornando sem sentido todas as ações. Não adianta rezar, pois não há modo de escapar dessa dor; não adianta trabalhar, pois o peso do cansaço e das contas não cessará; não adianta tomar banho, pois novamente virá a imundície. Em muitos casos, o desespero termina com o suicídio.

Por este motivo, Giotto representa este vício com a imagem de uma suicida. Alguém que, tomada pela dor imensa, vê na morte uma solução plausível. Os punhos fechados dão ideia do sofrimento a que a personagem atravessa. Para compor a cena, o pintor introduz um demônio, um personagem sombrio que, com um gancho enfiado na cabeça da personagem, a arrasta para o inferno. Segundo a doutrina cristã bimilenar, os que negam a possibilidade do perdão divino são os que representam o único pecado sem perdão: não deixar-se perdoar. Por isso, Giotto nos instrui sobre o fim da personagem.

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BIBLIOGRAFIA

As Virtudes de Giotto.
– STUBBLEBINE, James H. Giotto: The Arena Chapel Frescoes.

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