The only thing necessary for the triumph of evil is for good men to do nothing.1 (Edmund Burke – 1729-1797)

Nesta virada de milênio, assistimos de camarote a um fenômeno que nunca ocorreu antes, em toda a História conhecida da humanidade.

Pela primeira vez, vemos uma sociedade em que não há senso comum, em que não há um conjunto de valores que opere a união de seus membros, conferindo legitimidade às regras de vida, sistema de governo e padrões éticos e morais. As bases do tecido social estão se esgarçando. A família, graças aos movimentos “gay” e feminista, à revolução sexual, etc., está sendo a tal ponto atacada que em alguns lugares a definição de “família” é ampla o suficiente para definir a tripulação de um barco pesqueiro.2 A propriedade particular é desconsiderada (como qualquer agricultor que tenha tido suas terras invadidas pelo MST sabe perfeitamente). “Pecado” é sinônimo de virtude e a virtude é vista como “fundamentalismo”.

O Estado-Nação está sendo progressivamente desmantelado e paulatinamente substituído por instâncias supranacionais a que os atuais responsáveis pelos governos nacionais devem, cada vez mais, obediência. Estas instâncias supranacionais são controladas pelas mesmas pessoas que, na última metade do século passado, procuraram destruir por vias violentas os Estados. Naquela época, seu objetivo confesso era a instauração por todo o mundo de cópias do sistema do então centro de seu movimento: a União Soviética.

Tendo percebido que não era possível operar no nível de cada nação, eles partiram para uma ação realmente internacionalizada. Ao invés de, por exemplo, reunir milhares de terroristas e tomar o poder pela força das armas em um determinado país, eles passaram a agir através das instituições formadoras de opinião (mídia impressa e televisada) para angariar apoio a suas intervenções feitas no plano internacional. Os que obstaram suas ações terroristas no século que se foi estão atualmente sendo perseguidos, desta feita não mais por grupelhos armados, mas por tribunais internacionais e organizações supranacionais que almejam a destruição daquilo por que eles lutaram.

O caso mais evidente deste tipo de perseguição é a ação vingativa que procura tornar do que resta de vida ao já ancião Gen. Pinochet uma espécie de Inferno em vida. De nada lhe valeu ter um passaporte diplomático. De nada lhe valeu estar na Inglaterra em nome do governo chileno, que ele mesmo entregou pacificamente após perder um plebiscito. Um juiz espanhol ligado a organizações supranacionais, unido a um governo que tinha como uma de suas metas a formação de uma unidade supranacional na Europa inteira, conseguiu sequestrá-lo ilegalmente, permitindo que voltasse para sua casa apenas quando descoberta por seus colaboradores no Chile uma maneira de continuar a ação vingativa, ao arrepio da lei.

No Brasil, vemos do mesmo modo – ainda que em menor escala, devido à cordialidade de nosso povo – ações de vingança operadas pelos que apelaram ao terrorismo na segunda metade do século passado. O simples fato de haver pertencido ou colaborado, direta ou indiretamente, com a repressão ao terrorismo em nosso solo já é o bastante para que qualquer candidato a cargo importante no governo seja vilipendiado, ameaçado e considerado por toda a imprensa como um brutal criminoso. Ao mesmo tempo, os que assaltaram bancos, seqüestraram pessoas inocentes e, em suma, propagaram o terror, ocupam sem problemas os cargos mais altos de nosso governo. Sua ação violenta e ofensiva é considerada, por eles e pela mídia, como digna de uma medalha de honra. A busca – então feita por meios violentos – da derrocada das liberdades mais essenciais em nosso país é para eles sinônimo de luta justa, de bom combate. Enchem a boca ao falar dos atos criminosos que perpetraram, atacando ao mesmo tempo aqueles que, em acordo com a maioria da população brasileira e exercendo seu dever, procuravam impedir suas ações.

Naquela época, sua ação era mais descoordenada. Revoadas de terroristas seguiam a “Revolução” de país em país, aterrando no Chile, na Argélia, onde quer que houvesse uma chance de unir suas forças aos grupos subversivos locais. Esta ação, porém, provou-se contraproducente. Ao instilar o terror nas populações, só o que conseguiram fazer foi aumentar o nível de adesão e aprovação popular às medidas – freqüentemente, por necessidade, draconianas – tomadas pelos governos estabelecidos para preservar a integridade dos países que atacavam. Foi então tomada a decisão de modificar esta ação. Já que o terror levava à busca pelo povo de apoio por parte do governo, nada mais lógico que buscar tornar-se o governo. Assim, os mesmos que buscaram a subversão pelas armas começaram a mudar de estratégia.

As armas e o modo de organização guerrilheira foram passados adiante, para colaboradores úteis porém totalmente dissociados dos movimentos subversivos. Os criminosos comuns aprenderam com seus mestres guerrilheiros a conquistar áreas e mantê-las fora do alcance da polícia. Aprenderam a organizar-se em células. Aprenderam a mobilizar, pelo terror misturado com pequenos favores, a população das áreas que submetessem. Em homenagem aos que lhes ensinaram todas estas técnicas, a primeira organização criminosa de monta que usou estes recursos foi batizada de “Falange Vermelha”, tendo pouco depois seu nome trocado por “Comando Vermelho”. É interessante perceber que esta troca de nome foi feita depois da libertação dos criminosos, depois que o contato entre criminosos comuns e subversivos já havia teoricamente acabado.

Ora, o que poderia fazer com que esta mudança ocorresse se não a repulsa que o nome “Falange” traz aos comunistas? “Falanges” eram as tropas anticomunistas comandadas por Francisco Franco na Guerra Civil da Espanha, em que os comunistas foram fragorosamente derrotados – não sem vitimar tamanha parcela da população civil que os mártires da Guerra Civil canonizados pelo Papa João Paulo II são contados às centenas. Assim – teoricamente após haver cessado o contato entre criminosos comuns e subversivos – ocorre uma mudança no nome da organização criminosa, teoricamente sem fins subversivos, que só pode ter sido causada por protestos feitos aos criminosos pelos representantes daqueles que as Falanges derrotaram!

Estes são os mesmos que depois passaram – como, em ato de patriotismo e revelação de verdade que liberta, é demonstrado cabalmente pela página do Ternuma – a representar o governo. São os mesmos que buscaram e conseguiram, pela demagogia eleitoral e por intermédio de concursos públicos, ocupar os lugares-chave no governo civil que se instaurou em nosso país após o fim da intervenção militar iniciada em 1964. São os mesmos que hoje, rasgando a Lei da Anistia que possibilitou sua volta e o perdão dos atos criminosos por eles cometidos, buscam vingar-se dos que procuraram impedir sua ação subversiva. São os mesmos de quem hoje a população indefesa espera socorro, procurando desesperadamente uma saída do caos e da violência que eles mesmos fazem questão de aumentar em nosso país.

No campo, temos o MST. O MST é um movimento abertamente comunista, que não esconde de ninguém o seu desejo de instaurar no Brasil uma ditadura do proletariado no modelo estalinista. Mesmo com seus líderes declarando em alta e forte voz seus intuitos subversivos, mesmo com seus manuais e cursos declarando aos sete ventos que a busca pela terra é apenas uma etapa na busca de seu verdadeiro alvo, o poder, o MST ainda aparece na mídia como um inofensivo movimento em busca de uma mal explicada “justiça social”.3

Nas cidades, temos os movimentos guerrilheiros voltados ao tráfico de drogas, herdeiros diretos das aulas ministradas no cárcere pelos subversivos do século passado.

O MST – e isto é outra coisa que não é escondida de ninguém – é treinado pelas FARC, movimento narco-terrorista que domina grande parcela do território colombiano. O narcotráfico, como ficou agora cabalmente comprovado pela prisão do traficante Fernandinho Beira-Mar na Colômbia, é aliado igualmente das FARC. Ambos, cada qual em seu meio, cumprem a missão que lhes foi dada pelos mestres subversivos que montaram, no século que se encerrou, um plano de transformação do Brasil em território comunista. Ambos, cada qual em seu meio, transtornam a vida da população, que busca em seu governo a tranqüilidade que lhe é negada.

Ora, quem é este governo? São os mesmos que treinaram os que perturbam a tranqüilidade! São os mesmos que – real e metaforicamente – desarmam as Forças Armadas, que impedem a ação das polícias em nome dos Direitos Humanos e que procuram, agora, desarmar completamente a população obediente às leis.

Os nomes que controlam os movimentos pelos Direitos Humanos dos criminosos são os mesmos que controlam os movimentos “contra a violência” (leia-se “contra a justa reação à violência desordenada”: desarmamento da população honesta, restrição à ação das polícias, etc.), são os mesmos que controlam a claque que aplaude as ações do MST. São também os mesmos que treinaram os traficantes e os mesmos que hoje controlam o governo brasileiro.

Seu interesse, porém, continua não sendo restrito ao Brasil. Assim como no século passado eles viajavam como aves migratórias, seguindo a “Revolução”, hoje eles permanecem unidos por todo o globo. O primeiro-ministro da França acaba de ter revelado o seu treinamento em movimento subversivo trotskista para infiltração no governo francês. A mais alta cúpula do governo brasileiro – sabemo-lo pelas páginas do Ternuma – tampouco tem em seu passado uma inofensiva militância nos Escoteiros. São eles aliados em todas as esferas, indo muito mais além do que seus sonhos mais fantásticos lhes permitiriam pensar no século que se foi.

Antes eles pregavam “um, dois, três, mil Vietnãs”. Hoje eles pregam um mundo unido em instituições supranacionais controladas por eles. Por toda parte, no mundo inteiro, as mesmas figuras que no século passado procuraram pela força derrubar os governos estão hoje à proa destes mesmos governos, tendo lá chegado por pura manipulação demagógica do eleitorado. Ninguém votaria em um candidato que afirmasse que iria fechar as igrejas e incentivar os filhos a denunciar seus pais a uma polícia política comunista. Todos votam em candidatos que calam sobre estes assuntos enquanto os mantém em sua agenda.

No mundo inteiro, assim, está sendo orquestrada esta união transnacional. Os seus representantes brasileiros não são a exceção. Eles são a regra. Seu ideário tampouco mudou. Eles continuam buscando a mesma coisa: o poder total, completo e absoluto. O Estado comunista, dono de tudo e de todos. O silêncio da oposição, obtido inicialmente pela pressão e em seguida pela força e até pelo genocídio.

A sua arma não é mais a luta violenta direta contra o governo. Eles agora buscam a dissolução do tecido social, unida à ocupação pacífica dos postos de controle – tanto no governo quanto nos meios de comunicação, instituições educacionais, etc. -, que eles forçam à inatividade diante da dissolução em andamento, para que quando chegue o momento sejam aclamados como salvadores.

Eles constróem a destruição, impedem a reação e assim apressam o momento em que parecerão aos olhos de todos ser os verdadeiros representantes da ordem.

É importante lembrar que para o marxista, o comunismo é inevitável. Não se trata de uma utopia a ser construída, mas sim de um resultado final inexorável que pode apenas ser apressado ou atrasado. Para eles, o comunismo surgirá triunfante como resultado dos confrontos internos da sociedade atual. Assim, sua técnica de aceleração dos conflitos faz pleno sentido dentro de sua visão de mundo.

O que é necessário, pois, é impedir sua ação. Isto pode ser feito de várias maneiras, mas todas elas apresentam um ponto em comum: a luta contra o ponto fraco deste movimento. O marxismo não é uma conclusão a que se chega após examinar os fatos, sim uma idéia à qual se busca modelar a realidade. Ele é, assim, um sistema que vive de mentiras e de desinformação. Para o marxista, o que importa é a adequação da realidade a seu modo de pensar, não que seu pensamento reflita o que realmente ocorre.

Isto faz com que seja sincero o ex-guerrilheiro treinado em Cuba que afirma abominar a violência enquanto protege traficantes de drogas. Ele não percebe as incoerências de seu próprio raciocínio em relação à realidade. Para ele o traficante de drogas não é um traficante de drogas, sim alguém que ele consegue encaixar no modelo ideal de “vítima da sociedade” que o padrão marxista o obriga a empregar. Para ele a violência justa empregada por um policial no cumprimento de seu dever não é jamais justa, pois o policial – ainda que esteja defendendo uma mãe de família pobre do ataque de um estuprador – está, por definição e não importando a realidade dos fatos, defendendo os interesses dos “exploradores”. Para ele os assassinatos que cometeu – seja de guardas de bancos que assaltava, de companheiros de guerrilha condenados à pena capital por um “tribunal revolucionário” ou de vítimas inocentes de uma bomba – não são violência, sim ação revolucionária justa.

Ora, a população em geral, apesar de sofrer há pelo menos duas gerações com a doutrinação marxista obrigatória em nossas escolas, ainda é capaz de perceber que a realidade existe, e que quando o policial usa de força contra o estuprador ele está certo. Devemos assim – e, mais uma vez, este é o importantíssimo papel que tem sido cumprido pelo Ternuma – levar à luz do dia as mentiras e falsidades atrás das quais se escondem os comunistas. Devemos mostrar à população que o preto é preto e o branco é branco, ainda que uns se digam o contrário do que são.

No século que se foi, os militares conseguiram impedir todas as tentativas de tomada de poder pelos comunistas que agiam de maneira diretamente violenta. Desta vez, cabe não só aos militares, que têm ainda o papel importantíssimo de defesa da Nação, mas a toda a sociedade lutar para que eles não consigam, desta feita por subterfúgios, roubar de nossos filhos sua liberdade. Ataquemos as mentiras, desmascaremos os atores deste perverso teatro. Só assim a liberdade poderá triunfar.

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NOTAS:

1 – “A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons nada façam”
2 – Por exemplo, em São Francisco, nos EUA, uma família é definida como “Uma unidade de pessoas interdependentes em interação, relacionando-se juntas no tempo por laços sociais ou emocionais fortes e/ou por laços de casamento, nascimento e adoção, cujo propósito central é criar, manter e promover o desenvolvimento emocional, físico, mental e social e o bem estar de cada um de seus membros.” (“A unit of interdependent and interacting persons, related together over time by strong social and emotional bonds and/or by ties of marriage, birth, and adoption, whose central purpose is to create, maintain, and promote the social, mental, physical and emotional development and well being of each of its members.”), in “Approaching 2000: Meeting the Challenges to San Francisco’s Families,” The Final Report of the Mayor’s Task Force on Family Policy, City and County of San Francisco, 13 de Junho de 1990, p. 1). Creio que qualquer tripulação de barco pesqueiro poderia ser incluída nesta definição.
3 – A noção comunista de que qualquer desigualdade é injusta e errada, que os leva a premiar os incompetentes e punir os esforçados, conseguiu fazer-se de senso comum no Brasil graças à incessante campanha de imprensa e à doutrinação nas escolas. Esta noção, totalmente contrária ao senso comum – eu, por exemplo, detestaria me casar com um baixinho gordinho igual a mim. Viva a diferença! -, é um dos motivos da derrocada do comunismo de Estado na antiga União Soviética. Como os talentos eram sufocados e a mediocridade premiada em nome da igualdade, não foi possível manter o sistema em funcionamento. Aqui no Brasil vemo-la em ação no ódio instilado pelos comunistas na população contra qualquer pessoa de posses. O cavalheirismo do povo brasileiro conseguiu ser pervertido ao ponto de ver na desigualdade uma injustiça. Este é um processo, aliás, semelhante ao ocorrido na China Comunista no final da década de 60 do século passado. Um dos pontos principais das tradições do povo chinês sempre foi o extremo respeito prestado aos idosos e à sua sabedoria e experiência. na Revolução Cultural, os comunistas conseguiram fazer com que a população jovem se voltasse em massa contra os mais velhos, atacando-os e humilhando-os. Do mesmo modo, no Brasil vemos ataques a senhoras e moças de família considerados justos por serem elas ricas e o atacante pobre.

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