É fato público e notório que a Sra. Marta Suplicy, em total consonância com as diretrizes do seu partido (PT), defende a legalização do aborto e o “casamento” homossexual (eufemisticamente chamado de “união civil entre pessoas do mesmo sexo”). Também é mais do que conhecida a doutrina da Igreja com relação a esses dois temas: o aborto, além do crime de assassinato (pois se trata da morte de um ser humano, e pior, de um ser humano inocente e indefeso), é um pecado, um delito punido com pena de excomunhão automática (cân. 1398 do Código de Direito Canônico em vigor). Com relação ao “casamento” gay, o ensino da Igreja também é claro e insofismável. Expõe-no o Catecismo da Igreja Católica, n. 2357:

“A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que ‘os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados’. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.”

Sendo assim, é evidente que qualquer proposta que favoreça, de alguma forma, a prática homossexual contraria os preceitos católicos.

Todavia, embora o ensino da Igreja com relação ao aborto e à homossexualidade seja claríssimo, na semana passada tomamos conhecimento, atônitos, de um manifesto de padres, religiosos, religiosas, leigos e leigas católicos (?) em defesa da candidatura da Sra. Marta Suplicy à prefeitura da cidade de São Paulo. A notícia veio a público em uma matéria do jornal O Estado de São Paulo, de 17/10/2008. O argumento usado por esse grupo é o de que a Sra. Marta Suplicy “sempre seguiu os princípios da fraternidade e da solidariedade”. Dizem também que o primeiro governo da Sra. Marta Suplicy foi voltado para “os pobres e a prática da caridade”. A idéia subjacente é a de que seguir os princípios da fraternidade, da solidariedade e da caridade é mais importante do que obedecer ao ensino da Igreja. Ou seja, se um político segue os referidos princípios, pouco importa que ele defenda causas que não se coadunem de forma alguma com a doutrina da Igreja.

A verdade é que as pessoas responsáveis por esse manifesto em apoio à candidata do PT à prefeitura de São Paulo estão mais preocupadas em seguir a cartilha esquerdista do que em obedecer à Igreja. Para tais pessoas, o ensino bimilenar da Igreja Católica pode ser relativizado, desrespeitado e desobedecido, bastando que essa relativização, esse desrespeito e essa desobediência sejam “por uma boa causa”. Na realidade, essas pessoas não estão nem um pouco preocupadas em seguir o que a Igreja ensina e manda. O que realmente lhes interessa é trabalhar em prol do projeto socialista. E o que é mais triste é ver sacerdotes entre esses que, desrespeitando a autoridade da Santa Igreja Católica, apóiam uma candidata e um partido que notoriamente defendem causas anticristãs. Ademais, a verdadeira caridade cristã não pode abrir mão da verdade. O ensino da Igreja é claro quando reprova o aborto e a prática homossexual. Essa é a verdade, e ela não pode ser desconsiderada em nome de uma aparente caridade. A verdadeira caridade cristã nos impele a fazer o bem, mas também a ensinar a verdade. Mesmo porque, como ensinou Nosso Senhor Jesus Cristo, de que adianta a pessoa ganhar o mundo inteiro, ou seja, satisfazer as suas necessidades materiais, e perder a sua alma (Lc 9,25)?

Católicos paulistanos, não se deixem enganar! Sejam fiéis ao ensino e à autoridade da Igreja, e não dêem ouvidos a pessoas, sejam elas sacerdotes, religiosos ou leigos, que consideram mais importante seguir a cartilha socialista do que obedecer à Igreja. Não votem em candidatos(as) nem em partidos que contrariem o ensino da nossa verdadeira mãe e mestra, a santa Igreja Católica Apostólica Romana!

Leiam também [no site do Apostolado Veritatis Splendor]:

– Quem é católico pode ser “de esquerda”?

– Dossiê sobre socialismo, teologia da libertação e doutrina social da Igreja

P.S.: por uma questão de justiça, temos o dever de informar que, no dia 20 de outubro de 2008, a Arquidiocese de São Paulo divulgou uma nota na qual o Bispo Auxiliar de São Paulo, Dom Pedro Luiz Stringhini, manifestou-se contrário ao apoio dos párocos ao referido manifesto. Não obstante, é preciso que se diga que a contrariedade do Bispo não se deveu propriamente ao caráter e às propostas anticristãs da Sra. Marta Suplicy e do seu partido (PT), mas tão-somente à alegação de que “a participação da Igreja na sociedade existe em vista do bem comum e da justiça, mas não é partidária e, por isso mesmo, jamais se posiciona em favor deste ou daquele candidato/a”. Ou seja, para Dom Pedro, o erro não está em sacerdotes apoiarem uma candidata defensora da legalização do aborto e do “casamento” homossexual, mas apenas no fato desses sacerdotes manifestarem-se publicamente em favor de uma determinada candidata, quando, no entender do Bispo, os párocos deveriam ficar neutros, isto é, não deveriam manifestar apoio nem reprovação por nenhum candidato (incluindo aqueles que defendem causas que contrariam o ensino da Igreja!). O que se percebe é que o Bispo Dom Pedro, ao que parece, não quis deixar sem resposta aqueles bons católicos que se manifestaram de forma contrária ao manifesto em apoio à Sra. Marta Suplicy, mas ao mesmo tempo não quis “desagradar” os partidários da Sra. Marta Suplicy e do PT.

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