Nossa sociedade é basicamente filha da Igreja. É nela que se encontraram todas as raízes que, unidas, vieram a dar no mundo ocidental: o monoteísmo de Jerusalém, unido à racionalidade de Atenas e ao amor romano pelo Direito. E esse mundo parou para assistir à escolha do novo Pontífice. A Igreja, que era tida pela mídia como ultrapassada e decadente, mostrou-se mais uma vez crucial, por constituir o cerne da civilização em que vivemos. Não seria possível fingir que não importa a eleição papal.

Isso vale para todo o Ocidente – ainda que num país culturalmente católico, como o nosso, seja ainda mais forte. Os protestantismos surgiram como negações do Catolicismo. O espiritismo idem. O ateísmo e o deísmo iluministas idem. O próprio comunismo é, em última instância, uma versão radicalmente materialista do Catolicismo, em que o “Povo” faz as vezes da Comunhão dos Santos e os meios de produção tomam o lugar da graça.

A universalidade da Igreja – “católico” significa “universal”, afinal! – foi manifestada, primeiro, na procissão de cardeais de todas as cores e línguas, unidos na mesma fé. E, com a escolha do papa Francisco, nosso “vizinho” argentino, fez-se ela ainda mais patente.

A trama dos nomes na origem do Santo Padre, aliás, permeia a própria história: Francisco era originalmente um apelido, que só se tornou nome ao ser adotado pelo italiano e católico São Francisco de Assis. Ele fundou os Franciscanos; séculos mais tarde, o católico e espanhol Santo Inácio de Loyola fundou os Jesuítas, dentre os quais se conta o novo papa. É o primeiro jesuíta, o primeiro papa nascido em nosso continente, o primeiro papa Francisco.

Sua missão, contudo, é a mesma de todos os seus antecessores; o trabalho que ele continua é o mesmo trabalho de – nas palavras de quem estabeleceu o papado – “confirmar seus irmãos na fé”.

Confirmar significa dizer o que já se sabe, ajudar a discernir, a crer e viver de maneira correta. Os séculos passam, mas os erros são sempre os mesmos. As tentações são sempre as mesmas. As armadilhas são sempre as mesmas.

A voz que clama, sempre igual, lembrando o certo e o errado, é odiada por quem quer inovar, como se fosse isso possível. A voz que lembra a natureza humana e os perigos que ela traz atrai o ódio de quem quer negá-la, de quem quer inventar para si uma outra natureza, como se isso fosse possível.

E é essa a voz que soará pelos lábios do novo Pontífice, que ora abraçou a árdua missão de confirmar os irmãos na fé. Que Deus ajude o Santo Padre Francisco.

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