• Autor: Jesús Urones
  • Fonte: Blog Convertidos Católicos-Religion en Libertad
  • Tradução: Apostolado Veritatis Splendor

ESCÂNDALOS NA IGREJA DE CRISTO

Por acaso Jesus não disse: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (João 8,7)?

Condenamos todos os executivos das grandes companhias em razão das más ações de uns poucos?

Condenados Pedro e os demais Apóstolos por causa de Judas?

É o que sempre fizeram os protestantes, hereges e demais sectários, esquecendo-se que o próprio Cristo sentava-se à mesa com pecadores. Este é um sinal de que todos somos bem-vindos à Sua mesa:

  • “E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: ‘Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?’ Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: ‘Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: ‘Misericórdia quero, e não sacrifício’. Porque eu nào vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento'” (Mateus 9,10-13).

Ou seja: a Igreja Católica é – e sempre foi – um hospital de enfermos e não um hotel de Santos (cf. Marcos 2,17). A Igreja Católica visível está povoada com seres humanos pecadores. A obra e o objetivo da Igreja Católica é transformar os pecadores da terra em Santos do céu. Quem quiser, pode comparar isto com o pensamento dos protestantes e hereges: os protestantes afirmam que “uma vez salvos, sempre salvos”; tal declaração, na verdade, quer dizer que “podemos pecar tanto quanto quisermos porque já fomos salvos”; porém, qualquer um que afirme estar salvo nesta vida não estaria desde logo se autoproclamando Santo?

Por que há tantos escândalos na Igreja Católica? Simplesmente porque a Sagrada Escritura nos ensina que haverá escândalos dentra da únida Igreja fundada por Jesus Cristo. Se não houvesse escândalos, então a Bíblia estaria errada, não é verdade? Então, por que se surpreender quando surgem escândalos na Igreja?

  • “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” (Mateus 18,7).
  • “E disse aos discípulos: ‘É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!'” (Lucas 17,1).

O fato de que na mesma árvore existam Papas Santos e Papas corruptos é a prova mais clara de que a Igreja Católica foi fundada por Cristo, pois Ele sabia ao certo – como já provei – que viriam escândalos e, mesmo assim, fundou uma Igreja infalível. Ademais, o próprio Cristo nos ensina que:

  • “Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora” (Mateus 13,47-48).

Cristo compara o Reino dos Céus – do qual Pedro possui as chaves – a uma rede que apanha peixes bons e ruins. Jamais Cristo disse que no Reino, na Igreja, haveria apenas peixes bons. Ele claramente fala de peixes ruins na rede, juntamente com peixes bons.

Cristo claramente afirmou que na sua Igreja haveria santidade e pecado. Mas é melhor deixarmos que Ele mesmo nos explique essa doutrina:

  • “E ele, respondendo, disse-lhes: ‘O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; o campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; o inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo: mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade; e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mateus 13,37-43).

As pseudo-igrejas que se gabam de ter todos [os membros já] salvos e não possuir “pecadores” entre eles, não são a Igreja de Cristo, pois não foi isso o que Cristo pregou.

Muitos podem pensar: se o Espírito assiste a Igreja, por que então há Papas corruptos? A resposta é evidente:

No mesmo grupo de Jesus, um grupo de Apóstolos escolhidos pelo próprio Deus, quantoso foram limpos, castos e puros? Zero! Todos eram pecadores: Pedro mentiu; Tiago e João lutaram pelos primeiros postos; Judas O traiu; Tomé duvidou Dele e do seu infinito podeer; André, Mateus, Felipe, Bartolomeu, etc., O abandonaram durante sua Paixão e morte, abandonaram o seu Deus. E todos eles foram [individualmente] escolhidos pelo próprio Deus! É óbvio que é a pessoa quem decide escolher o caminho e é por este caminho que escolheu que ela será julgada. Se Cristo não errou ao escolher os seus Apóstolos, foram eles, da mesma forma, quem decidiram pecar contra Deus: assim, quanto aos maus Papas, não foi a Igreja quem errou ao escolhê-los; foram eles que tomaram o caminho errado.

Agora devemos deixar claro que a Infalibilidade é um dom de Deus. Desde o Gênesis, vemos como Deus outorga este dom a diferentes pessoas – Moisés, Davi, os Apóstolos, os Evangelistas – para dar constância à Sua Palavra. Todos eles foram infalíveis e pecadores, como demonstramos, porém o dom da infalibidade não é perdido pelo pecado. A Bíblia é clara:

  • “Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Romanos 11,29).

É assim que a Palavra de Deus ensina o contrário do que é ensinado pelos protestantes, que creem que com o pecado a Igreja perdeu a infalibilidade e se corrompeu. Além disso, a mesma Bíblia nos deixa um exemplo bastante ilustrativo deste caso:

  • “‘Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação’. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação” (João 11,50-51).

Apesar do grande pecado de Caifás, Deus não lhe tirou o dom da profecia, porque o que Deus dá, ninguém – nem o Diabo – o pode tirar.

Caifás cometeu um grande pecado, mas ainda assim foi infalível em sua profecia: esta é uma prova irrefutável de como não se retira os dons que Deus dá.

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