Todos nós do Veritatis Splendor ficamos espantados com o teor dos comentários dos fãs de Pe. Fábio quando da publicação de artigos comentando a lastimosa entrevista que o Sacerdote deu ao Jô Soares. Não só nos prendemos aos comentários no talk show, mas aproveitamos e fizemos uma reflexão sobre outras barbaridade ditas pelo cantor em seu programa. Com uma argumentação muito bem estruturada, presa aos fatos e tendo como norte um caráter objetivo, os textos eram extremamente honestos. Entretanto, a ira das “fabetes” – tomo a liberdade de cunhar este termo, inaugurado por uma das nossas irmãs de apostolado, e que define com perfeição a postura das seguidoras do Pe. Fábio, adotando uma mentalidade de seita – estava embasada, unicamente, numa paixão tresloucada e no mesmo sentimentalismo difundido pelo Sacerdote.

Como a argumentação usada pelas fabetes foi irrisória e passional fica difícil contra-argumentar, afinal não há argumentos. Entretanto, vou tentar desmontar algumas das mais comuns afirmações feitas pelas fãs do Pe. Fábio. Dizem, em primeiro lugar, que o Sacerdote leva as pessoas para Cristo. Pois bem, um católico acredita que a Igreja Católica é, de fato, a Igreja de Cristo, ou seja, que foi pensada e construída pelo próprio Jesus com a responsabilidade de guardar todos os Seus ensinamentos e, além disso, pregar com o poder do próprio Cristo. Nosso Senhor não só deixou a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição – a primeira interpretada pela Igreja e a segunda protegida e vivenciada dentro da Igreja – mas instituiu o Sagrada Magistério que é, justamente, o múnus de guiar e apascentar o povo de Deus. O que quero dizer com tudo isso? Para um católico, difundir a mensagem cristã é difundir a Igreja, afinal, para um católico, os ensinamentos da Igreja são os ensinamentos de Cristo. Agora vejamos, quando defendemos o contrário daquilo pregado pela Mater Ecclesia estamos, claramente, obstruindo o triunfo da Verdade em Sua plenitude. As fabetes dizem que Pe. Fábio leva as pessoas para Cristo, entretanto, um ponto deve ser alvo de reflexão; ele fala de Cristo contrariando a Igreja, afinal já disse que a Igreja não é meio de salvação, que a Missa é banquete, que a Igreja não é a Barca de Pedro, etc? Ora, tem como seguir a Cristo e rejeitar os Seus ensinamentos e a Sua Igreja? Para um católico não, para um relativista sim, afinal o relativismo coloca como secundária a doutrina.

Outro argumento utilizado é que Pe. Fábio prega o “amor”. Bem, a noção de amor está totalmente relativizada. Quem ama se entrega e obedece o Amado! Levem em conta toda a minha explicação eclesiológica sobredita e reflitam; alguém pode amar a Cristo e renegar a Sua Igreja? Alguém pode contradizer a Igreja de maneira crassa e dizer que é por amor a Cristo? Ora, que amor herético é este? Só podemos concluir, então, que existe um arraigado espírito relativista, afinal o Sacerdote e seus seguidores não mais entendem a profundidade do conteúdo doutrinário e do papel da Igreja na realidade Cristã. Da forma como se portam parece que existe, num primeiro plano, Cristo, apenas Ele, enxergado de maneira açucarada como um Deus que não condena, só abençoa, que não julga, só releva, que não ensina, só “ama”, e como se fosse diferente do segundo plano, a Igreja. Ora, este cenário é totalmente estranho para o catolicismo, já que cremos que Cristo e a Igreja vivem uma relação essencial.

As fabetes seguem dizendo que Pe. Fábio é apenas ecumênico, que fala para todas as religiões; em primeiro lugar, ele não é ecumênico, é relativista mesmo, até porque o verdadeiro ecumenismo tem como fim a conversão, não é apenas um diálogo amistoso como pinta o Sacerdote. Em segundo lugar, o cantor prega e fala num canal católico para um público católico, o mínimo esperado era que ensinasse de acordo com a fé…católica que, ironicamente, é a mesma que ele e a maioria dos seus telespectadores professam. Pelas afirmações de Pe. Fábio (veja aqui) podemos concluir, facilmente, que para ele o que importa é o “amor relativizado”, fazer o bem e seguir a Cristo, mesmo que este seguimento seja através do repúdio à Igreja edificada por Ele e aos Seus ensinamentos contidas nesta Ecclesia que, de fato, existe enquanto instituição clara e com uma objetividade doutrinal. Ensinar num programa com alta audiência dentro da comunidade católica uma exceção doutrinal – a realidade da ignorância invencível – em detrimento da certeza, já é um absurdo, mas Pe. Fábio consegue ir além, ele desabona a própria conversão usando como régua, apenas, um subjetivismo emocional; “fulano se converteu ao catolicismo e tornou-se uma péssima pessoa”. Isto, em nada, desmerece a necessidade de abnegação ao erro protestante, espírita etc e a importância da conversão ao Catolicismo, afinal reconhecemos que na Igreja se encontra a plenitude do conteúdo salvífico, ao menos os que assim pensam, os católicos, sabem da necessidade de pregação em defesa da adesão total à Cristo e à Sua Ecclesia. Não existe caridade sem Verdade, se eu, católico, acredito que a Igreja Católica foi construída pelo próprio Jesus e, além disso, entendo que tem um poder entregue pelo Senhor de guiar e ensinar aos homens, porque, então, em amor ao próximo, não me esforçaria para a sua conversão, porque não me engajaria para que todos conhecessem Cristo em Seu esplendor? Ou seja, aqueles que não crêem na necessidade de conversão ou acreditam que a Verdade possa ser encontrada, totalmente, fora da Igreja – heresia – ou então não amam realmente os próximos e, por isso, não querem que conheçam a Verdade. Seria a mesma coisa que indicar para um viajante um caminho tortuoso e incerto quanto ao destino ao invés de mostrar a estrada asfaltada, segura e livre de complicações.

Pe. Fábio disse no seu programa na Canção Nova que “se nós somos cristãos, não importa que você seja evangélico, que eu seja católico…não importa! O que importa é que a gente descubra o essencial que Jesus nos ensina. Eu por exemplo não concordo com nada de muitas doutrinas que estão por aí, mas eu não vou discutir doutrina com as pessoas porque essa não é a minha missão, a minha missão é anunciar o Evangelho (5:23)” Entretanto, quando Pe. Fábio constrói uma argumentação que coloca como secundária as diferenças doutrinais entre católicos e protestantes e ainda nos induz a acreditar que o essencial de Jesus é um ensinamento acima da eclesiologia, ele claramente quer dizer com isso, ou ao menos é inconsequente com as palavras, que a riqueza doutrinária católica, como o Papado, a devoção aos Santos, a Eucaristia, é irrelevante – o Sacerdote estabelece uma relação dicotômica entre a tal Essência de Jesus e as diferenças doutrinais -, afinal não estaria dentro do “essencial” cristianismo comum a católicos e protestantes. Ora, um Padre católico acredita – ou deveria acreditar – que a edificação da Igreja Católica foi pensada e feita pelo próprio Cristo, que a Eucaristia foi instituída pelo próprio Cristo, que as chaves, e o poder que elas representam, foram dadas pelo próprio Cristo etc, ou seja, tais ensinamentos são essenciais porque, para um católico ortodoxo, vem do próprio Cristo, não existe Cristo sem estes ensinamentos. Não obstante, a afirmação do Sacerdote nos leva ao oposto, que todo o conteúdo contido no catolicismo e deficitário no protestantismo é terceiro frente à essência cristã, que para ele não passa de um amor relativizado.

A última afirmação do Sacerdote é correta; “O que importa é que a gente descubra o essencial que Jesus nos ensina.” Esta essência, quando descoberta, nos leva ao catolicismo, já que descobrimos nela a Verdade contida na instituição católica, no papado, na devoção aos santos, na Eucaristia, na Virgem Santíssima. Entretanto, existe uma óbvia contradição entre a leitura ortodoxa desta afirmação e a primeira parte da fala do Sacerdote: “se nós somos cristãos, não importa que você seja evangélico, que eu seja católico”. Ora, é claro que importa, afinal se você descobriu a essência de Jesus descobriu que ela se encontra na Igreja de Jesus, a Católica, a não ser quando acredita que tal essência nada tem a ver com a doutrina, mas sim com um Jesus que não transmitiu ensinamentos, que não edificou uma Igreja, que não condenou o erro etc. Tal postura pede dois tipos de leitura; ou os ensinamentos católicos não proveriam de Cristo, afinal se fossem originados em Nosso Senhor seriam essenciais, ou então o importante é o relativismo religioso. As duas coisas são estranhas a um católico – ainda mais a um Sacerdote. Desse modo, quando o Padre profere tal afirmação, nos é perfeitamente lícito concluir que ele, realmente, acredita que a doutrina é irrelevante. Na última parte desse trecho nós temos a confirmação do alto grau de relativismo contido na argumentação de Pe. Fábio. Ele diz que não concorda “com nada de muitas doutrinas que estão por aí, mas eu não vou discutir doutrina com as pessoas porque essa não é a minha missão, a minha missão é anunciar o Evangelho”. Ora, o Sacerdote raciocina como se fosse uma contradição anunciar o Evangelho e discutir doutrina, entretanto, como já foi abordado ao longo do texto, a doutrina católica se origina no seio dos ensinamentos de Cristo, nasce na mais pura essência da Revelação. Ou seja, pregar a Boa Nova é pregar, também, a Doutrina, já que nela encontramos a plenitude do conteúdo salvífico. O Sacerdote é católico mas se abstém de ensinar a doutrina porque acredita que não faz parte do que ele considera a anunciação evangélica? Muito estranho!

Pe. Fábio também diz; “como é que nós cristãos podemos organizar a nossa casa, isto é, viver o ecumenismo? Não é a gente começar a pensar igual ao outro não, mas a gente começar a amar o que pensa diferente de nós (…) Eu não deixo de ser católico porque estou diante de um evangélico, mesmo tendo diferenças naquilo que a gente acredita a gente se respeita; eu sou eu, ela é ela, e a gente se completa”. Claro que a Igreja não prega o ódio aos descentres, ao contrário, o nosso amor ao próximo quando submerso no amor à Verdade nos leva ao empenho evangélico, buscando a conversão daqueles que estão fora da plena comunhão, seja por cisma ou heresia. Entretanto, o Sacerdote diz em seguida que “a gente se completa”, pois bem, como podemos nos completar se acreditamos que a Verdade se encontra plenamente no Catolicismo e que aquilo de verdadeiro contido nas outras crenças não passa de heranças católicas indiretas ou as sementes do Verbo? Ou seja, para haver complemento é necessário que haja o que completar, estaria, então, a fé católica incompleta e dividida? A Igreja afirma, categoricamente, que não; “É contrário à fé católica considerar as várias religiões do mundo como vias complementares à Igreja em ordem à salvação. (…) mas não tem qualquer fundamento na teologia católica considerar estas religiões, enquanto tais, caminhos de salvação”

De um lado temos Pe. Fábio: “… ah, aquela pessoa se converteu ao protestantismo, que pena! Peraí… se aquilo que ela está acreditando faz bem ao coração dela, se Deus está ali presente, se Jesus está agindo mais no coração dela através da voz do pastor do que da minha, vamos dar graças a Deus que ela encontrou um pastor que falasse ao coração dela. (3:50)” e do outro a Igreja “No vivo debate contemporâneo sobre a relação entre o Cristianismo e as outras religiões, se torna cada vez mais comum a idéia de que todas as religiões sejam para os seus seguidores caminhos igualmente válidos de salvação. Trata-se de uma persuasão cada vez mais difundida, não só em ambientes teológicos, mas também em setores sempre mais vastos da opinião pública católica e não católica, especialmente aquela mais influenciada pela orientação cultural que hoje prevalece no Ocidente, que se pode definir, sem medo de ser desmentido, com a palavra: relativismo (…) deve-se crer firmemente como verdade de fé católica a unicidade da Igreja por Ele fundada. (…) Seria obviamente contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões”

Vai ver ele aprendeu estas barbaridades no tal Grupo Ecumênico Michel Foucault que ele coloca como o maior exemplo de postura ecumênica. Agora o que esperar de um grupo que se considera crente mas homenageia o filósofo ateu, anticristão, homossexual, defensor da transgressão moral, da explosão sexual, da desordem e da derrubada das estruturas hierárquicas?

Uma das coisas mais irônicas nessa discussão com as fabetes é que não poucas aderiram a uma hipocrisia tamanha. Inicialmente temos a obrigação de dissertar sobre a noção cristã do julgamento. Vamos levar em conta duas afirmações; a primeira faz um julgamento das palavras e dos comentários feitos por um Sacerdote, ou seja, estamos falando de uma estrutura argumentativa externa, a segunda afirmação já é um julgamento que entra na esfera individual, por exemplo, quando alguém diz que fulano não tem uma vivência da fé ou que conhece apenas a teoria da religião, não a prática. Ou seja, um julgamento se prende a pontos objetivos – as palavras – e o outro se prende a pontos subjetivos – a individualidade. Quando alguém diz que Cristo não é Deus, que a Igreja não é Una, que o Papa não é Vigário de Cristo – ensinamentos claros e diretos – defende tais heresias verbalmente, de maneira objetiva. Outra coisa totalmente diferente é o segundo julgamento, afinal entra numa região desconhecida, a da consciência. Você no máximo presume, mas não constata. No primeiro julgamento você julga as afirmações, a esfera externa do indivíduo, no segundo julgamento você julga a própria individualidade, julga algo que desconhece. Exemplificando, quando alguém acredita que Cristo não é Deus mas, por sua vez, não externaliza esta heterodoxia com palavras e atos, o julgamento é ilícito já que não podemos confirmar a heresia, de fato, ela se encontra, apenas, na consciência individual, entretanto, quando a mesma pessoa corrobora com afirmações o erro, a postura se modifica, o julgamento é justo pois não mais se julga a consciência, não mais se presume a heresia, ela se encontra verificada verbalmente.

As fabetes não só ignoraram a licitude do primeiro julgamento como, numa atitude que não pode ser outra coisa que não hipocrisia, passaram a julgar a nossa fé, fazendo afirmações levianas sobre a vida religiosa que cada um levava. Agora vejamos, nós, ao menos, acreditamos – e temos certeza disso – que julgar de maneira objetiva é um ato lícito e legal, entretanto, as fabetes iniciaram o seu contra-ataque às publicações dizendo que eram levianas e injustas porque julgavam o Sacerdote – o que é uma inverdade, afinal nós nos prendemos, unicamente, às afirmações de Pe. Fábio e não à sua fé. Entretanto, a grande ironia da situação foi que não satisfeitas em afirmar de maneira passional e pouco fundamentada o amor que nutriam ao cantor, começaram a julgar a crença de cada um, tentando desmerecer os escritores dos artigos dizendo que não passavam de católicos teóricos que não viviam a religião. Ora, se elas consideravam todo tipo de julgamento ilícito e indigno porque cargas d’água caíram no mais absurdo dos julgamentos, o da consciência? Reclamaram porque nós estávamos fazendo uma sensata reflexão sobre as palavras do Pe. Fábio mas, em compensação, fizeram reflexões sobre a nossa individualidade, sobre a nossa fé. Isso não é outra coisa que não hipocrisia! Condenavam o julgamento objetivo – e, vale frisar, que a maioria das fabetes sequer sabia distinguir o julgamento objetivo do subjetivo – enquanto julgavam a nossa sinceridade na crença? Se tinham tanta certeza da imoralidade do julgamento porque, então, resolveram nos julgar? Será que a defesa do Pe. Fábio era tão relevante que merecia, até mesmo, a contradição de atos, digo, reclamar porque estávamos julgando as afirmações do Sacerdote enquanto, na mesma argumentação, julgavam a nossa fé?

Óbvio que não escrevi este artigo para as fabetes, na verdade não espero que elas milagrosamente entendam as críticas e percebam que a fé não é o sentimentalismo açucarado embebido em relativismo que muitos Sacerdotes pregam. Mesmo sendo extremamente cauteloso e minucioso na dissecação dos comentários realmente não vou me assustar se as “fãs-náticas” de Pe. Fábio, aquelas que colocam as palavras do cantor acima dos ensinamentos da Igreja, continuarem afirmando que estamos julgando de maneira indecorosa o Sacerdote, dizendo que somos fariseus, temos pouco fé e por isso odiamos o Fábio de Melo. Este artigo é mais um protesto contra a ignorância e a decadência civilizacional, onde as pessoas não conseguem enxergar as mais básicas contradições sobre as quais se erguem.

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