Da idade de 14 até os 21 anos, eu pertencia a um grupo religioso chamado Testemunhas de Jeová. Outrora, em 1965, minha irmã que havia permanecido na fé Católica, fez uma novena a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para meu retorno a Igreja. Suas orações foram respondidas.

As Testemunhas de Jeová acusam os católicos de adorar a Maria,o que segundo eles é condenado em Exodo 20:3: “Não terás outros deuses diante de minha face”. A Igreja em resposta nega a alegação. O ensino oficial Católico sempre foi que a adoração pertence somente a Deus. Nenhuma criatura (incluindo Maria) merece adoração. O Credo de Nicéia ensina que “Cremos em um só Deus”. A doutrina do politeísmo é repudiada. Maria não é uma deusa. Qualquer católico que coloca Maria no mesmo nível que Deus é culpado de violar o Primeiro Mandamento e de pecar.

A próxima acusação levantada pelas Testemunhas é de que os católicos violam Êxodo 20.4: “Não farás para ti ídolo, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.”

Novamente as Testemunhas não entendem a visão da Igreja Católica que categoricamente rejeita a adoração de estátuas ou imagens de Maria, dos santos ou mesmo Cristo como idolatria e superstição. Esses objetos não têm poder nem divindade intrínseca a si próprios.

Obviamente, as Testemunhas não seguem esse mandamento literalmente. A sua literatura está cheia de desenhos ou imagens de Cristo, figuras bíblicas, etc.

Auxílios visuais em devoção ou entendimento bíblico não servem a outro propósito que não o de chamar a mente os personagens que são lembrados. Qualquer um que atribui divindade a estas imagens ou estátuas é culpado do pecado da idolatria.

Então o que os católicos realmente dizem sobre Maria? Isto. Maria deve ser venerada da mesma maneira que Deus a honrou. Lembre-se que o próprio Deus enviou o anjo Gabriel para anunciar que o Senhor estava com ela e que ela havia sido grandemente abençoada e que Deus havia sido benevolente com ela. (Veja Lucas 1:28, 30)

Deus a escolheu para ser a mãe de Seu Filho. As Testemunhas de Jeová deveriam entender que Deus não criou Jesus como humano independentemente e o enviou diretamente a terra. Não, Jesus nasceu da mulher Maria.

Nenhuma mulher antes ou desde então, foi tão privilegiada de carregar o Filho de Deus. (Veja Gálatas 4.45) Maria não é uma simples mulher como as Testemunhas admitem.  Carregar o Filho de Deus a colocou totalmente em outra categoria.

Os católicos também são ensinados a respeitar e estimar Maria por causa de sua fé e obediência. Maria, no verdadeiro sentido da palavra, foi a primeira crente, a primeira Cristã. Em Lucas 1.38 ela respondeu ao anjo que “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” Maria disse “sim” a Deus por começar a carregar a Cristo para o mundo. Se Maria não acreditava no Pai, no Filho e no Espírito Santo, quem acreditaria? (Veja Lucas 1.31-33, 35).

Na mensagem do anjo, ela recebeu a Palavra de Deus em seu coração e em seu útero, e deu a Vida (Jesus), para o mundo através do Espírito Santo. Lucas 2.19 e 51 indicam que Maria fielmente ouviu a palavra de Deus e a manteve em seu coração.

Contraste sua resposta as do incrédulo Zacarias em Lucas 1.20.

O próprio Jesus declarou abençoados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a guardam. (Marcos 3.35; Lucas 11.27-28). Jesus certamente não estava rebaixando sua mãe nesta passagem, como as Testemunhas de Jeová certa vez sugeriram para mim.

Maria fez o que Deus queria que ela fizesse; ela ouviu a Palavra de Deus, a entesourou em seu coração e a obedeceu. (Ver Lucas 1.45) Jesus está realmente dizendo a seus ouvintes para imitar a sua mãe porque ela guardou a Palavra de Deus. Jesus também ensinou a necessidade de desprendimento da família pelo amor de Deus. Mas, por colocar a Deus acima de sua família não pretende ser um sinal de desrespeito. O mesmo Jesus também disse: “Honra a teu pai e a tua mãe.” (Veja Mateus 15.4)

Através da intercessão de Maria, Jesus realizou o seu primeiro milagre em Caná (João 2.1-11). As palavras de Maria aos servos aplicam-se a nós até hoje: “Fazei o que Ele (Jesus) vos disser”. Aliás, ao abordar Sua mãe como “mulher, isto compete a nós?” não significa “isto não é da sua conta”, como asTestemunhas disseram-me, mas “não se preocupe, tudo vai dar certo”. Isto é o que certamente significava para Jesus para que ele imediatamente fizesse o milagre da transformação de água em vinho a pedido de sua Mãe!

A utilização da palavra “mulher” na antiguidade num grau mais baixo não implicava em qualquer desrespeito – equivale hoje em dia ao termo “Senhora”, muito distante do que as Testemunhas de Jeová gostariam que acreditássemos que a expressão significa.

Em vez de sempre tentar desvirtuar o papel de Maria e o devido respeito dela, as Testemunhas de Jeová fariam bem em seguir o exemplo da Igreja Católica, que ao longo de séculos tem cumprido as palavras da própria Maria nas Escrituras: “Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações”. “(Veja Lucas 1.48)

É por isso que nós lhe chamamos de Virgem Maria Abençoada (ver também Lucas 1.30, 35).

Uma vez que Deus foi a primeiro a honrar Maria, por que seria errado para os cristãos a fazer o mesmo?

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