Eu já sabia...

Presença dos livros deuterocanônicos do AT na Bíblia

“Na Igreja Primitiva as escrituras judaicas eram conhecidas, não em hebraico, mas numa tradução grega chamada ‘Septuaginta’, dos setenta (Septuaginta) anciãos que a tradição judaica ensina haver realizado a obra de tradução. (…) E a Bíblia grega não somente desordenou os livros da Bíblia hebraica; ela na realidade acrescentou outros livros não contidos na Bíblia hebraica, os chamados ‘Apócrifos’. (…)
A grande Bíblia da Idade Média era a Vulgata, a tradução latina produzida por São Jerônimo quase no fim do quarto século (…) [A] ordem comum [dos livros] foi aquela finalmente fixada pela invenção da imprensa, pois o primeiro grande livro impresso foi a Bíblia latina de 42 linhas, produzida em Mainz por volta de 1456.
Mas a Bíblia latina já havia sido traduzida em alemão, na Boêmia, no quarto século, e em inglês por Wyclif e seus auxiliares em 1382-1388. Ambas essas traduções seguiram a ordem latina, tendo os livros Apócrifos espalhados por todo o Velho Testamento.
A nova tradução de Lutero para o alemão, terminada em 1534, foi baseada no hebraico e no grego. e quandpo ele havia terminado o Novo Testamento Grego (1522) e o Velho Testamento Hebraico, ainda permaneciam os livros das Bíblias antigas que se encontravam no Velho Testamento latino mas não no hebraico. Estes, Lutero traduziu por último, como os livros Apócrifos, agrupando-os pela primeira vez sob esse nome, e colocando-os no final do Velho Testamento. Esta foi uma excessiva reorganização dos livros do Velho Testamento – o maior passo jamais dado na reorganização da ordem dos livros da Bíblia, mas que nunca vingou. (…)
Esses livros associaram-se no Egito aos livros do Velho Testamento já traduzidos e assim passaram a fazer parte do Velho Testamento grego, a chamada Versão dos Setenta. E, quando esta versão tornou-se a Bíblia da Igreja Primitiva, esses livros vieram com ela.
Assim os livros Apócrifos, como costumeiramente são chamados, espalharam-se através da Bíblia grega da Igreja Primitiva, e daí passaram para a Bíblia latina antes e depois do trabalho de revisão de Jerônimo. Eles passaram naturalmente, como já vimos, para a primitiva tradução germânica da Bíblia latina, feita na Boêmia, no século catorze, e também para a tradução inglesa feita por Wyclif e seus auxiliares em 1382-88. (…)
Há perigo em ficar-se com uma falsa apreciação da história religiosa cristã e judaica se tentarmos passar diretamente do Velho Testamento [hebraico] ao Novo omitindo os livros Apócrifos. Eles fizeram parte dos fundamentos literários do movimento cristão. Eles nos introduzem a personagens dramáticas do Novo Testamento – santos e pecadores, fariseus e saduceus, anjos e demônios. Sua influência se exerceu em cada livro do Novo Testamento. Talvez o que de mais instrutivo eles têm para nós é o contraste entre a atitude cristã e farisaica que eles mesmos fizeram possível” (GOODSPEED, Edgar J. [Metodista]. “Como nos Veio a Bíblia?”. São Paulo:Imprensa Metodista, 3ª ed., 1981).


“A palavra ‘Apócrifo’ (…) se refere aos livros que em certa época foram cogitados para integrar o cânon do Velho Testamento. Embora nenhum deles tenha sido aceito na Palestina como parte do cânon hebraico das Escrituras, foram mantidos juntos dos rolos das Escrituras gregas da Septuaginta.
Os primeiros cristãos encontraram esses livros quando adotaram a Septuaginta como sua Bíblia e os incluíram nela” (BATCHELOR, Mary [Protestante]. “A Bíblia em Foco: introdução passo a passo aos livros sagrados”.São Paulo:Melhoramentos, 1ª ed., 1995, p. 96).


“A Septuaginta (LXX), tradução do Antigo Testamento em grego, feita entre 280 a.C. e 180 a.C., contém os Apócrifos.
[A Septuaginta] é, talvez, a mais importante das versões, por sua data antiga e influência sobre outras traduções. (…) ‘Septuaginta’ significa ‘setenta’. A abreviação desta versão é LXX. Ela é às vezes chamada de ‘Versão Alexandrina’, por ter sido traduzida na cidade de Alexandria, no Egito. (…) Além dos 39 livros do Antigo Testamento, ela contém todos, ou parte, dos 14 livros conhecidos como Apócrifos. A Septuaginta foi comumente utilizada nos dias do Novo Testamento e mostrou-se muito útil em traduções subseqüentes” (DUFFIELD, Guy P.; VAN CLEAVE, Nathaniel M. [Protestantes Pentecostais]. “Fundamentos da Teologia Pentecostal”, Volume 1. São Paulo:Marli de Souza, 1ª ed., 1991, pp. 11 e 44).


“O vocabulário ‘Apócrifo’ (…) aplica-se genericamente a uma série de livros surgidos no período entre o Antigo e o Novo Testamento. Os livros apócrifos (…) chegaram até nós de certo modo unidos aos livros canônicos da Bíblia. (…) Os judeus da dispersão no Egito revelaram alta estima por esses escritos e os incluíram na tradução do Antigo Testamento para o grego, chamada ‘Septuaginta’. (…)
Segundo o escritor Aristeas, a tradução grega [do Antigo Testamento hebraico] foi feita por setenta e dois sábios judeus (daí o seu nome ‘Septuaginta’), na cidade de Alexandria, a partir de 285 a.C., a pedido de Demétrio Falario, bibliotecário do rei Ptolomeu Filadelfo. Concluída 39 anos mais tarde, essa versão assinalou o começo de uma grande obra que, além de preparar o mundo para o advento de Cristo, deveria tornar conhecida de todos os povos a Palavra de Deus. Na Igreja Primitiva, era essa a versão conhecida de todos os crentes” (AUTORES VÁRIOS, “Bíblia de Referência Thompson” [Protestante]. São Paulo:Vida, 1ª ed., 1996, pp. 1375 e 1377).


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