a) Quantas listas ridículas de cronologias apresentadas como verdades históricas já vi em textos protestantes na Internet. Neles, costumam também citar descontextualizadas – e, pior, sem nenhuma referência bibliográfica – determinadas passagens atribuídas a Papas e Santos cristãos. Tem até uma citação que, se possível, quererão nos convencer que um Bispo de Roma teria negado sua superior autoridade (ao, supostamente, rejeitar um determinado título). Talvez até, de fato, seja verdade que tenha negado este ou aquele título; mas que o mesmo teria negado o seu superior poder, isso é que não! Nem ele – e nenhum dos Papas – negaram; até porque seria agir contra si próprios. Mesmo porque negar um título não significa, necessariamente, negar uma autoridade superior. Otavio Augusto – até onde eu saiba – negou, por “humildade”, o título de imperador, embora, segundo historiadores, de fato o fosse. E grande poder detinha esse mencionado governante romano.

Creio que o trecho seguinte, da Antiguidade Cristã, pode colaborar para um melhor aclaramento dos fatos concernentes ao primado do Papa na chamada Igreja Primitiva:

– “Pouco a pouco, Tertuliano desencantou-se pela complacência que julgava notar nas chefias cristãs… Quando certo ancião da Igreja, que Tertuliano definia como “Bispo dos Bispos”, declarou que a Igreja podia remir pecados como o adultério ou a apostasia, Tertuliano rompeu com ela”[1].

Será que eu preciso dizer de qual cidade era esse ‘Bispo dos Bispos’ citado por Tertuliano? E isso tudo no início do 3º século, antes mesmo de Constantino nascer…

Ainda que de forma irônica, típico dos sectários que abandonam a Igreja de Deus, Tertuliano (155–220 d.C.), ao nomeclaturar daquela maneira, mostra-nos, ao menos indicativamente, que o Bispo de Roma era considerado (mesmo que não por todos) e igualmente se considerava acima de todos os mais Bispos em autoridade e poder. Nem podia ser o contrário! Porquanto, o epíscopo romano de fato o era – e o é! Gostem ou não os desafetos do Catolicismo…

É verdade, tem que se testemunhar que certos eruditos não-católicos (renomados internacionalmente), como o adventista Bacchiochi, por honestidade, reconhece que não foi no século IV, mas bem antes, que a Igreja de Roma projetou-se proeminentemente sobre as demais ‘comunidades cristãs’. O próprio Samuele Bacchiochi:

– “A Igreja de Roma era uma igreja predominantemente gentia que assumiu a liderança das comunidades cristãs após a destruição de Jerusalém (sic)”[2].

Atrelar a elevação da Cidade de Roma no plano da chefia religiosa do Cristianismo à concomitante destruição de Jerusalém, só me faz pensar, com mais contundência, que tenha, verdadeiramente, o dedo de Deus nessa história (de fato, o Deus único e verdadeiro confessado pelos cristãos é Aquele que se entremeia na História dos Homens, a tal ponto de Se encarnar. É o seu Senhor Absoluto!) Jesus deixou claro que um dos sinais dos tempos era o assolamento de Jerusalém, que sofreria tal evento por se recusar à Boa Nova. Ao mesmo tempo, anunciou que os gentios é que seriam o Povo da Nova Aliança:

– “Por isso vos afirmo: o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que produza seus frutos” (Mateus 21,43).

O Antigo Israel – com capital em Jerusalém –, devido a sua dureza de coração, seria seccionado da santa oliveira até um tempo determinado (separado dele próprio, Jesus, o Senhor de toda História). Não seria providencial que, topograficamente falando, o centro da Fé, da capital judaica, fosse transferido para o centro gentílico, a capital do Império Romano, já que eram os gentios que assumiriam, de modo massivo, o Cristianismo? Foi, inclusive, para essa localidade que o “menorah” (o Candelabro do Templo de Deus) foi levado em “procissão”, depois da queda de Jerusalém, conforme registra artisticamente o Arco de Tito, na cidade de Roma!

Anteriormente, em meus escritos, eu falei de se observar os sinais da Criação (desse majestoso Alfarrábio Divino); agora, aponto-vos para os sinais da História, os quais, conjuntamente, fundem-se num tomo em que o Todo-poderoso nos apresenta a Sua providencial mão – que a tudo conduz – na regência das nações, “com um cetro de ferro” (Apocalipse 12,5).

b) De quando em quando, questiona-se: por que o Papa não tem esposa se o próprio São Pedro tinha, haja vista a Escritura falar que ele possuía sogra? De fato, a Bíblia nos informa que o referido apóstolo tinha sogra; porém, isso não prova que o mesmo, obrigatoriamente, vivesse maritalmente com uma mulher. Primeiramente, pelo simples fato que Pedro poderia ser viúvo e sua sogra viveria com ele (como costumam dizer, ‘de favor’); ademais, mesmo que a mãe da mulher de Pedro tivesse seu próprio lar, naquele dia em que Jesus foi até a casa de Simão Pedro, coincidentemente, ela poderia ter vindo para ver os netos[3] (ou por algum outro motivo qualquer) e acabou ficando enferma. Esta também é uma explicação possível…

E não vou perder muito tempo, aprofundando, por vias especulativas, como a de um suposto divórcio de Pedro com relação a sua esposa, antes dele conhecer Jesus Cristo. Tal hipotético divórcio teria se dado, obviamente, antes de o preceito da indissolubilidade do casamento ser definitivamente estabelecido com a Nova Aliança, pois foi sob a Aliança do Sinai, a Antiga, que Simão Pedro havia contraído núpcias e não sob a Nova; e naquela, permitia-se o divórcio. Assim, naquele dia em que Jesus o acompanhou à sua morada, a sogra estaria na casa do Apóstolo por algum motivo fortuito, como, por exemplo, visitar seus netos que ficaram morando com ele ou levar estes para visitar a Pedro (caso vivessem, por alguma razão, com a mãe e ex-esposa do Apóstolo); e aconteceu de ela adoecer.

Todavia, também vos questiono se seria possível que Pedro tivesse, no início do discipulado, sido casado e com o passar do tempo, estando mais engajado e compromissado, vindo a deixar a sua esposa e, a partir de então, vivido o celibato?… Será que é tão difícil assim alguém largar tudo (inclusive, a própria esposa) por causa de Cristo?… Mesmo que seja dificílimo, eu, de modo algum, acho impossível… Recordemos das palavras de Nosso Senhor:

– “Em verdade vos digo: não há quem tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do Reino dos Deus sem que receba muito mais neste tempo e, no mundo futuro, a vida eterna” (Lucas 18,28-30)[4].

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NOTAS:

[1] READER’S DIGEST. “Depois de Jesus: o Triunfo do Cristianismo”. Rio de Janeiro: Reader`s Digest do Brasil, 1ª ed., 1999, p.163.
[2] Cf. http://minist03.bizland.com/58dENNEDY.html .
[3] Obviamente, quando digo que São Pedro teve filhos é puramente especulativo, pois ele poderia, hipoteticamente e por exemplo, ter apenas um filho ou uma filha tão somente. A Tradição acentua a existência de uma filha do Apóstolo Pedro.
[4] “Tertuliano (falecido após 220) parece ter sido o primeiro a falar de pecados irremissíveis que seriam a apostasia, o homicídio e o adultério. O Papa Calixto (217-220), porém, concedia reconciliação a todo pecador que fizesse a devida penitência” (cf. Site Universo Católico.

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BIBLIOGRAFIA:

– A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.
– AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de. “Escola da Fé I: Sagrada Tradição”. Lorena: Cléofas, 2000.
– LEGIO MARIAE. “Concilium Legionis Mariae”. Bublin. 3ª ed., 1961.
– READER’S DIGEST. “Depois de Jesus: o Triunfo do Cristianismo”. Rio de Janeiro: Reader`s Digest do Brasil, 1ª ed., 1999.
– Site “Universo Católico”.
– Site “Ministério Sola Scriptura”.

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