Espaço do Leitor

Protestante questiona artigo sobre o cânon bíblico

From: Franck Lenzi

Enviado em: 24/02/2003 8:23 PM

Assunto: Uma resposta protestante ao artigo “Bíblias Diferentes?”

Uma resposta protestante ao artigo “Bíblias Diferentes?”

(http://www.veritatis.com.br/article/273)

O autor do artigo, Alessandro Ricardo Lima começa dizendo que muitas pessoas se surpreendem ao saber que a Bíblia utilizada pelos protestantes é diferente da Bíblia utilizada pelos católicos. Na verdade, penso que o autor deveria dizer que muitos católicos se surpreendem ao saber que a Bíblia utilizada pelos protestantes é diferente da Bíblia utilizada pelos católicos, já que para os protestantes este fato não é surpreendente.

O sr. Frack esquece-se que tanto no Catolicismo quanto o Protestantismo, a grande maioria dos fiéis é formada por pessoas simples que não estão inteiradas de assuntos que necessitem um estudo e dedicação mais aprofundados sobre a fé. Quando me referi às “muitas pessoas” me referi neste contexto, mas o sr. não dispensou a oportunidade para sutilmente chamar os católicos de ignorantes.

Pergunta o autor : Mas qual é a diferença? E responde : Como já escrevemos, o catálogo sagrado foi definido pela Igreja Católica em 393 durante o Concílio de Hipona. A Igreja desde os tempos apostólicos, utilizou a versão grega dos livros sagrados, chamada Septuaginta.

Em primeiro lugar, o autor se “esquece” de dizer que o Concílio de Hipona foi apenas o primeiro concílio plenário das províncias africanas (Proconsular, Numídia, Bizacena,Mauritânia, Tripolitânia). Portanto não pode e não deve ser citado para estabelecer uma doutrina que seja obrigatória para a igreja universal. Foi convocado para estabelecer e provar costumes locais. Os atos do concílio constituem um documento da legislação africana apenas. Foram dispostas várias normas, entre elas de fato a definição de um cânon dos livros do Antigo e do Novo Testamento (Cân 36.) Agora note que para garantir a observância de todas as normas aprovadas neste concílio, os padres de Hipona, decidiram a realização anual de um concílio geral apenas das províncias africanas, devendo cada uma ser representada por 3 delegados (Cân.5), concedendo que a Tripolitânia, dada a distância enviasse um só.

O Concílio de Hipona foi sim um Concílio Regional, não podendo estabelecer uma doutrina que seja obrigatória para a Igreja Católica. O sr. já que está estudando mais

o Catolicismo (o que acho ótimo!!!), talvez saiba que um Concílio Regional embora não possa obrigar toda a Igreja, deve professar a fé de TODA IGREJA CATÓLICA, e só é válido se for reconhecido pelo Bispo de Roma (senão não é Concílio é Latrocílio).

Da mesma forma que uma lei municipal não pode contradizer a Constituição Federal (que é geral), um Concílio Regional não pode definir uma fé que contradiga a fé Geral da Igreja.

Portanto o Concílio de Hipona nada mais fez que dar testemunho da Fé Comum da Igreja Católica, além de nos dar um grande tesouro: uma prova HISTÓRICA da Tradição Apostólica quanto aos livros que deveriam ser considerados sagrados.

Hipona começou a registrar a história da Cânon Bíblico, seguido pelo Concílio de Cartago 3º em 397, o Concílio 4º em 419 e o Concílio de Trulos em 692. Mais tarde, em 1442, o Concílio Ecumênico de Florença reafirmou a mesma fé nos 46 livros do AT. Em 1442, Lutero ainda não tinha nascido. Nasceu em 1483.

Quanto ao uso da versão grega, chamada Septuaginta, vejamos o diz o Professor Paulo Anglada.

“A Septuaginta é uma tradução dos livros judaicos para o grego feita, possivelmente, durante o reinado de Ptolomeu Filadelfo (285-245 a.C.) ou até meados do século I a.C., para a biblioteca de Alexandria, no Egito. Os tradutores não se limitaram a traduzir os livros considerados canônicos pelos judeus. Eles traduziram os demais livros judaicos disponíveis. E, a julgar pelos manuscritos existentes, deram um arranjo tópico à biblioteca judaica, na seguinte ordem:

Livros da Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Livros de História: Josué, Juízes, Rute, 1-2 Samuel, 1-2 Reis (chamados 1-2-3-4 reinados), 1-2 Crônicas, 1-2 Esdras (o primeiro apócrifo), Neemias, Tobias, Judite e Ester.

Livros de Poesia e Sabedoria: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares, Sabedoria de Salomão, Sabedoria de Siraque (ou Eclesiástico).

Livros Proféticos: Profetas Menores; Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Baruque, Lamentações, Epístola de Jeremias, Ezequiel, e Daniel (incluindo as histórias de Susana, Bel e o Dragão e o cântico dos Três Varões).

Alguns desses livros foram escritos posteriormente, em grego, possivelmente por judeus alexandrinos, e foram incluídos na biblioteca judaica de Alexandria, tais como Primeiro e Segundo Esdras, adições a Ester, Sabedoria, e a Epístola de Jeremias. Nem sempre todos estes livros estão presentes nos manuscritos antigos da Septuaginta. O Códice Vaticano (B) omite Primeiro e Segundo Macabeus (canônicos para a Igreja Católica) e inclui Primeiro Esdras (não canônico para a Igreja Católica). O Códice Sináitico (À) omite Baruque (canônico para Roma), mas inclui o quarto livro dos Macabeus (não canônico para Roma). O Códice Alexandrino (A) inclui o Primeiro Livro de Esdras e o Terceiro e Quarto Livros dos Macabeus (apócrifos para Roma). O que se pode concluir daí é que, quando a Septuaginta era copiada, alguns livros não canônicos para os judeus eram também copiados. Isso poderia ter ocorrido por ignorância quanto aos livros verdadeiramente canônicos. Pessoas não afeiçoadas ao judaísmo ou mesmo desinteressadas em distinguir livros canônicos dos não canônicos tinham por igual valor todos os livros, fossem eles originalmente recebidos como sagrados pelos judeus ou não. Mesmo aqueles que não tinham os demais livros judaicos como canônicos certamente também copiavam estes livros, não por considerá-los sagrados, mas apenas para serem lidos. Por que não copiar livros tão antigos e interessantes?

Mesmo pessoas bem intencionadas podem ter sido levadas a rejeitar alguns dos livros canônicos, ou a aceitar como canônicos alguns que não o fossem, por ignorância ou má interpretação da história do cânon. Convém lembrar que, embora o testemunho do Espírito Santo seja a principal regra de canonicidade por parte da igreja como um todo, mesmo assim, o crente ainda tem uma natureza pecaminosa que não o livra totalmente de incidir em erro, inclusive quanto ao assunto da canonicidade. Isto acontece especialmente em épocas de transição, como foi o caso de Agostinho que defendeu os livros apócrifos, embora de modo dúbio, e depois o de Lutero, o qual colocou em dúvida a canonicidade da carta de Tiago.

(Extraído de Paulo R. B. Anglada, Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Editora Os Puritanos, 1998)

Frack porquê você que crê na Sola Scriptura, precisa apelar para um fonte extra-bíblica para dizer quais livros são ou não da Bíblia?

Aqui a sua fonte “extra-Sola Scriptura” afirma:

A Septuaginta é uma tradução dos livros judaicos para o grego feita, possivelmente, durante o reinado de Ptolomeu Filadelfo (285-245 a.C.) ou até meados do século I a.C., para a biblioteca de Alexandria, no Egito. Os tradutores não se limitaram a traduzir os livros considerados canônicos pelos judeus.”

Grande problema aqui é que antes da vinda do Senhor, os Judeus ainda não possuíam uma lista canônica fechada.

Pelo testemunho dos livros da Sagrada Escritura que temos hoje, notamos que em seu respectivo tempo, alguns livros já considerados inspirados por Deus. Notem alguns exemplos em Ne 8,1.13-14.18; 1Mc 12, 9; 2Mc 2, 13-15; Dn 9,2.

Os diversos grupos judaicos objservavam listas canônicas distintas:

– Os SADUCEUS reconheciam como inspirados apenas o Pentateuco (Gn, Ex,Lv, Nm e Dt);

– Os SAMARITANOS idem, só que o Pentateuco deles possuía uma redação que levava-os a centralizar o culto de Deus no monte Garizim (na Samaria) e

não em Jerusalém; acreditavam também em profetas, mas não necessariamente naqueles que têm seus livros registrados em nossas Bíblias;

– Os FARISEUS da Palestina não tinham um cânon fechado, assim como os judeus da Diáspora.

No entanto os Judeus aceitavam a Septuaginta, com os deuterocanônicos. Leia nosso artigo

http://www.veritatis.com.br/article/831 (A Aceitação do Cânon Amplo da LXX na Palestina do Século I)

– Os ESSÊNIOS, que viviam em comunidades próximas ao Mar Morto, também não chegaram a definir um cânon, mas, aceitavam os livros sacros dos judeus palestinenses bem como os livros dos judeus de Alexandria (deuterocanônicos), além de uma produção literária própria,

tidos também por inspirados.

A sua fonte extra-Sola Scriptura afirma ainda que:

Mesmo pessoas bem intencionadas podem ter sido levadas a rejeitar alguns dos livros canônicos, ou a aceitar como canônicos alguns que não o fossem, por ignorância ou má interpretação da história do cânon” (grifos meus)

Veja Frack, basta ele supor que “podem ter sido levadas” que para você já basta! Não meu irmão. Rejeitar todo um conjunto riquíssimo de evidênicas históricas para ficar procurando pretexto afim de fundamentar o erro, é um pecado Grave, porque é um pecado contra o Espírito Santo. Isso é engarnar a si mesmo.

Em vez de ficar procurando pretexto para não reconhecer os livros que os “reformadares” arracaram da Bíblia, vc deveria aceitar a Graça de Deus e enchegar que estes livros eram muito queridos e considerados pelos primeiros cristãos e pelos Judeus, ao contrário do que dizem os protestantes.

Diz ainda o autor que desde o séc. IV até o séc. XVI, a Bíblia era a mesma para todos os cristãos. A diferença ocorreu durante a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero renegou 7 livros do antigo testamento (Tobias, Judite, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, trechos de Daniel e Ester) e a carta de Tiago do Novo Testamento. Lutero renegou tais livros porque eram fortemente contrários à sua doutrina. Por causa de uma das colunas de sua doutrina a “Sola Fide” ou Somente a fé, Lutero alterou o famoso versículo “Mas o justo viverá da fé” (Rm 1,17) para “Mas o justo viverá somente pela fé”, e renegava a Carta de Tiago, que ensina que somente a fé não basta, é preciso as obras. Devido ao prestígio que a Carta de Tiago tinha, Lutero não obteve sucesso ao excluir tal livro.

Primeiro vejamos se realmente desde o séc. IV até o séc. XVI, a Bíblia era a mesma para todos os cristãos. A menos que o autor não considere Hugo de São Vitor como cristão ele está enganado. Vejamos.

Hugo de São Vitor – O ESTUDO DAS SAGRADAS ESCRITURAS

Texto compilado com excertos da obra

“Eruditionis Didascalicae libri Septem sive Didascalicon” PL 175, 739-838

3. Definem-se as Sagradas Escrituras.

São sagradas aquelas Escrituras que vieram a lume por meio de homens que cultivaram a fé católica, tendo sido recebidos e conservados pela autoridade da Igreja universal para serem incluídas no número dos escritos sacros para o fortalecimento desta mesma fé. Além destas há ainda outras numerosíssimas obras escritas por homens sábios e religiosos, nas mais diversas épocas, as quais, ainda que não tenham sido aprovadas pela autoridade da Igreja universal, sendo conformes à fé e ensinando muitas coisas úteis, são consideradas como estando incluídas entre os discursos sagrados. Tudo isto, porém, pode ser melhor entendido exemplificando do que definindo.

Seria melhor que você me enviasse o texto original de Hugo de São Vitor, pois acho que a tradução para o protuguês está péssima. Pois não faz o menor sentido dizer que “há ainda outras numerosíssimas obras escritas por homens sábios e religiosos, nas mais diversas épocas, as quais, ainda que não tenham sido aprovadas pela autoridade da Igreja universal” e dizer que são “conformes à fé e ensinando muitas coisas úteis, são consideradas como estando incluídas entre os discursos sagrados“. Como algo que não foi aprovado pode ser incluído “entre os discursos sagragos”?

Você deveria aproveitar o testemunho deste Cristão do século VII, e reconhecer que segundo a fé Cristá primitiva “São sagradas aquelas Escrituras que vieram a lume por meio de homens que cultivaram a fé católica, tendo sido recebidos e conservados pela autoridade da Igreja universal para serem incluídas no número dos escritos sacros para o fortalecimento desta mesma fé.”.

Veja também  Leitor usa santos padres para fundamentar sola scriptura - i

Interessante não, você quere usar um texto que dá testemunho que de Antiga Tradição Cristã é a Igreja Católica a guardiã das Sagradas Escrituras, por causa de sua autoridade, para dar sustento ao seu repúdio pelos livros deuterocanônicos.

Até que a Igreja se pronuncie para todos os cristãos em matéria de fé e moral, o debate teológico é válido. Desde a definição do Cânon Judaico, alguns cristãos questionaram a legitimidade sagrada dos livros deuterocanônicos, o que não foi motivo para evitá-los.

Mesmo estes cristãos reconheciam neles coisas úteis e professavam que não eram contráros a fé, não causando transtorno para a fé geral da Igreja.

A Igreja Católica desde os tempos apostólicos guardaram os deuterocanônicos como diz Hugo de São Victor “sendo conforme à fé e ensinando muitas coisas úteis” por isso “são consideradas como estando incluídas entre os discursos sagrados”. Sobre isso veja os testemunhos primitivos em nosso artigo http://www.veritatis.com.br/article/321 (Os Catálogos Sagrados dos Primeiros Cristãos)

É exatemante por isso que são chamados deuterocanônicos (os que entraram no cânon depois). Se são livros conforme a fé de sempre professada, não há porque não aceitá-los ao cânon “comum” (já que os saduceus só aceitavam a Torah, o nosso Pentateuco).

Os Concílios Regionais foram confirmando a legitimidade destes livros, conforme a Tradição Recebida pelos apóstolos. Finalmente no Concílo Ecumênico de Florença 1442, estes livros foram novamente confirmados, conforme sempre aconteceu. Não há um só

Concílio Regional que tenha desprezado estes livros.

Isto mostra que o Protestantismo não tem muito do Cristianismo primitivo que dizem resgatar.

4. Divisão das Sagradas Escrituras em dois Testamentos, cada um dividido em três ordens.

Toda a Sagrada Escritura está contida em dois Testamentos, o Antigo e o Novo Testamento. Em cada testamento podem ser distinguidas três ordens. O Antigo Testamento contém a Lei, os Profetas e os Agiógrafos. O Novo Testamento contém o Evangelho, os Apóstolos e os Padres.

OK.

5. Elenco dos Livros das três ordens do Velho Testamento.

A primeira ordem do Velho Testamento é a Lei, que os judeus chamam de Torá. A Lei é formada pelos cinco livros de Moisés, chamados, em seu conjunto, de Pentatêuco. O primeiro destes livros é o Gênesis, o segundo o Êxodo, o terceiro o Levítico, o quarto o Livro dos Números, o quinto o Deuteronômio. A segunda ordem do Velho Testamento é a dos profetas, que contém oito volumes. O primeiro volume é o livro de Josué; o segundo, o livro de Juízes; o terceiro o Livro de Samuel, também chamado de Primeiro e Segundo Livro dos Reis; o quinto é o livro de Isaías; o sexto, o livro de Jeremias; o sétimo, o livro de Ezequiel; e o oitavo é o livro que contém as profecias dos doze profetas (menores).

Finalmente, a terceira ordem do Velho Testamento possui nove livros. O primeiro é o livro de Jó; o segundo é o livro de Davi [Ver nota 1] ; o terceiro é o livro dos Provérbios de Salomão; o quarto é o Eclesiastes; o quinto é o Cântico dos Cânticos; o sexto é o livro de Daniel; o sétimo é o livro dos Paralipômenos; o oitavo é o livro de Esdras; o nono é o livro de Ester. Todos estes livros são em número de vinte e dois. (grifo meu)

Há, ademais, outros livros, como o livro da Sabedoria de Salomão, o livro de Jesus filho de Sirac, o livro de Judite, o livro de Tobias e os livros dos Macabeus que são lidos mas não se incluem no Cânon [Ver nota 2] . (grifo meu)

Notas

1) Hugo de S. Vitor chama de livro de Davi ao livro dos Salmos por terem sido compostos, em sua maioria, pelo Rei Davi.

2) Hugo de S.Vitor, seguindo neste ponto o parecer de S. Jerônimo, não considera estes livros como canônicos. Em sua época, o assunto era ainda uma questão aberta; o Magistério da Igreja só tomou uma posição final a este respeito quatro séculos mais tarde, incluindo os livros aqui mencionados no Cânon das Sagradas Escrituras.

(Fonte : http://www.accio.com.br/Nazare/1946/esenota3.htm)

São Jerônimo foi um dos poucos causos da antiguidade que questionou a canonicidade dos deuterocanônicos. Também não era para menos, ele fez a sua tradução na Palestina, consequentemente foi muito influenciado pelos judeus palestinos. No entanto, tanto os judeus palestinos e São Jerônimo reconheciam estes livros como úteis ao ensino e conforme a fé, o que distoa totalmente da posição protestante quanto a estes livros.

Com isso cai por terra a afirmação do autor de que a diferença ocorreu durante a Reforma Protestante, e que Martinho Lutero renegou 7 livros do antigo testamento (Tobias, Judite, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, trechos de Daniel e Ester), quando traduziu a Bíblia para o alemão e posteriormente para outras línguas.

Sinto muito, mas a diferença continua com a Reforma. Lutero simplismente repudiu os livros acusando-os de conter erros, heresias. Este pensamento como já demonstrei através da própria fonte extra-Sola Scriptura que você sitou, não corrobora com o pensamento dos primeiros cristãos que tinham estes livros como úteis e conforme a fé recebida pela Igreja dos Santos Apóstolos.

A sua agulha no palheiro (se compararmos o testemunho de Hugo de São Victor com todos os demais cristãos de outros séculos) não serve para fundamentar o erro protestante de ignorar estes livros, já que os reconhece como úteis e conforme a fé.

Tenho certeza que durante a sua busca de achar erro em meu texto, o Espírito Santo lhe deu oportunidade de conhecer a abundância de textos antigos que veneram os deuterocanônicos, mas você renegou todos, para agarrar-se na sua agulha no palheiro.

Muito cuidado para que esta agulha não lhe fira gravemente!!!

Quanto a carta de Tiago já esclarecemos acima.

Onde?

Quanto a questão levantada pelo autor de que Lutero renegou tais livros porque eram fortemente contrários à sua doutrina, por causa de uma das colunas de sua doutrina, a “Sola Fide”, o leitor que conclua ao terminar de ler este artigo se realmente isto é verdade ou se a Igreja Romana incluiu os apócrifos em Trento para justificar suas heresias, como a oração pelos mortos ou o purgatório.

Como já vimos suas acusações gratuitas à Igreja Católica por causa dos livros deuterocanônicos, não corroboram nem com a Antiga Tradição Judaica e nem com a Antiga Tradição Cristã.

Creio que seja necessário repetir que ao longo dos séculos os Concílios Regionais da Igreja (todos aprovados pela Sé Romana, senão não seria Concílio seria Latrocílio) foram confirmando a veneração dos primeiros Cristãos quanto aos deuterocanônicos, sendo provas históricas de que estes livros não contém heresias, e que eram usados tanto quanto os protocanônicos (aceitos primeiro no cânon).

Também creio que seja necessário repetir que antes de Trento a Igreja já havia confirmado solenemente durante o Concílio Ecumênico de Florença (1442) a inspiração divina dos deuterocanônicos (muito antes de Lutero nascer!!!!), o que desmente mais uma acusação gratuita protestante de que a Igreja incluiu estes livros em Trento para confrontar os “reformadores”.

O autor do artigo, finaliza afirmando que quanto ao Antigo Testamento, os protestantes então revolveram ficar com o catálogo definido pelos Judeus da Palestina. Este catálogo Judaico foi definido por volta de 100 DC na cidade de Jâmnia, e estes foram os critérios estabelecidos pelos judeus para formarem seu cânon bíblico:

O livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel;

O livro teria que ser totalmente redigido em Hebraico;

O livro teria que ser redigido até o tempo de Esdras (458-428 AC);

O livro não poderia contradizer a Torah de Moisés (os 5 livros de Moisés).

Devido à enorme conversão de judeus ao cristianismo, principalmente os judeus de língua grega, é que os judeus que não aceitaram a Cristo, desenvolveram um judaísmo rabínico, isto é, um judaísmo ultra-nacionalista, para frear a conversão das comunidades judaicas ao cristianismo. Com este cânon bíblico, era proibida pelo menos a leitura de todo o Novo Testamento, que mostra fortemente o cumprimento da promessa do Messias na pessoa de Cristo. Estes livros do Antigo Testamento que não foram unânimimente aceitos são chamados técnicamente de deuterocanônicos. Os protestantes entram então em grande contradição pois aceitam a autoridade dos Judeus da Palestina para o Antigo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Novo Testamento. Aceitam a autoridade da Igreja Católica para o Novo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Antigo Testamento. Os apóstolos em suas pregações utilizavam a versão grega dos livros antigos, note que das 350 sitações que o Novo Testamento faz dos livros do Antigo Testamento, 300 também se referem aos livros deuterocanônicos.

A bem da verdade, o autor novamente “esquece” algumas coisas importantíssimas, fundamentais. Vejamos novamente o que nos tem a dizer novamente o Rev. Paulo Anglada.

O cânon protestante do Antigo Testamento é exatamente igual ao cânon hebraico massorético. O cânon massorético é a Bíblia hebraica em sua forma definitiva, vocalizada e acentuada pelos massoretas. A ordem dos livros, entretanto, segue a da Vulgata e da Septuaginta. (…) Embora o conteúdo do cânon protestante seja o mesmo do cânon hebraico, a divisão e a ordem dos livros são diferentes. Eis a divisão e ordem do cânon hebraico:

O Pentateuco (Torá): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.

Os Profetas (Neviim):

Anteriores: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis.

Posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Profetas Menores.

Os Escritos (Kêtuvim):

Poesia e Sabedoria: Salmos, Provérbios e Jó.

Rolos ou Megilloth (lidos no ano litúrgico): Cantares (na páscoa), Rute (no pentecostes), Lamentações (no quinto mês), Eclesiastes (na festa dos tabernáculos) e Ester (na festa de purim).

Históricos: Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas.

(…) A divisão e ordem dos livros no cânon hebraico consonantal (anterior) era a mesma. O número de livros, entretanto, era diferente. O conteúdo era o mesmo, mas agrupado de modo a formar apenas vinte e quatro livros. Os livros de 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas eram unidos, formando apenas um livro cada (o que implica em três livros a menos em relação ao nosso cânon. Os doze profetas menores eram agrupados em um só livro (menos onze livros). Esdras e Neemias formavam um só livro, o Livro de Esdras (menos um livro).

(..) A referência mais antiga ao cânon hebraico é do historiador judeu Josefo (37-95 AC). Em Contra Apionem ele escreve: “Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos.” Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas, e aos demais escritos (os quais “incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas”), ele continua afirmando: Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja.

Josefo é suficientemente claro. Como historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas vinte e dois os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon massorético. E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424) até a sua época nada se lhe havia sido acrescentado. Outros livros foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.

Veja também  Existiram citações de Jesus dos livros deuterocanônicos?

Mais uma afirmação equivocada. Se você perguntar a um judeu alexandrino (que guarda o cânon de Alexandria que é o mesmo AT Católico) quantos livros estão na Bíblia, ele lhe dirá 22. Sabe por quê? Porque 22 são as letras do alfabeto hebraico, por isso os judeus sempre organizam seus livros em 22, juntando 4 livros aqui, dois ali, o importante é que sejam representados por um conjunto de 22 livros. Conforme o testemunho de Orígenes: “Observe-se que os livros do Antigo Testamento, segundo a tradição hebraica, são vinte e dois, número das letras de seu alfabeto.”

Josefo não diz que os vinte dois livros são aqueles escritos até o Rei Artaxerxes. Ele diz que apenas que os livros “Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou”.

Ele apenas diz que os livros desta época apenas não eram tidos como canônicos por todos e isto nós sabemos. E apesar disto não eram considerados heréticos. O texto de Josefo não deixa claro se os escritos a que ele se refere incluem os livros escritos após a época do Rei Artaxerxes ou não. No entanto por Josefo ser um judeu da diáspora ele com certeza guardava o cânon Alexadrino, isto é, o cânon que inclui os deuterocanônicos.

Além de Josefo, Mileto, Bispo de Sardes, diz ter viajado para o Oriente, em 170, com o propósito de investigar a ordem e o número dos livros do Antigo Testamento; Orígenes, o erudito do Egito, que morreu em 254; Tertuliano (160-250), pai latino contemporâneo de Orígenes; e Jerônimo (340-420), entre outros, confirmam o cânon hebraico de vinte e dois ou vinte e quatro livros (dependendo do agrupamento ou não de Rute e Lamentações).

O que se afirma aqui não é verdade. Segundo o historiador primitivo Eusébio de Cesaréia Melitão (e não Mileto) de Sardes apresenta um cânon praticamente igual ao hebraico, exceto por excluir o livro de Ester (História Eclesiástica IV,26,14). Aqui a afirmação está quase correta.

Orígenes em seu testemunho sobre o Cânon Bíblico dos hebreus não cita os 12 profetas menores e nem Cântico dos Cânticos. Dos deuterocanônicos apenas reconhece os dois livros dos Macabeus e Sabedoria de Sirácida.

Tertuliano nao somente tinha muito apreço pelos livros deuterocanônicos como também os citava em suas obras.

É interessante observar que o próprio Jerônimo, tradutor da Vulgata latina, que daria origem ao cânon católico, embora considerasse os livros apócrifos úteis para a edificação, não os tinha como canônicos.

Certo, como já foi dito São Jerônimo traduziu os livros do Hebraico para o Latim (que era a lingua vulgar, isto é do povo) na Palestina, sofrendo grande influência dos Rabinos. No entanto como está na afirmação acima os livros deuterocanônicos (e não apócrifos) eram considerados úteis para a edificação. Agora me explique com livros “heréticos” podem ser úteis para a edificação?

Embora tendo traduzido outros livros não canônicos, ele escreveu que “deveriam ser colocados entre os apócrifos,” afirmando que “não fazem parte do cânon.” Referindo-se ao livro de Sabedoria de Salomão e ao livro de Eclesiástico, ele diz: “Da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite e Tobias e Macabeus (no culto público), mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros úteis para a edificação do povo, mas não para receber as doutrinas da igreja.”

Primeiro é preciso dizer que Apócrifo não significa herético mas sim “de inspiração divina ou procedência duvidosa”. Jamais a Igreja nos primeiros séculos poderia utilizar livros que possuíssem material herético. A dúvida que existia nos primeiros séculos não foi quanto á credibilidade dos livros em matéria doutrinal, mas sim quanto à sua inspiração divina. Os protestantes querem simplismente distorcer as coisas, afirmando que a questão era quanto à credibilidade dos livros em matéria doutrinal.

Vale salientar ainda que a versão siríaca Peshita, que bem pode ter sido feita no século II ou III, ou até mesmo no século I, nos manuscritos mais antigos, não contém nenhum dos apócrifos.

A Peshita não tinha os livros deuterocanônicos e isso não tem problema algum. Afinal esta versão siríaca é oriunda do século II (segundo a grande maioria dos estudiosos). No entanto os Cristão da Síria também consideravam muito os deuterocanônicos, e os possuíam em volumes distintos da Peshita. Um exemplo disto é a Igreja Maronita, que é exatamente a Igreja Católica Oriental da Síria (Igreja que nunca entou em cisma com a Igreja Católica Romana) que até hoje guardam os deuterocanônicos.

Outras versões tão antigas quanto a Peshita, como por exemplo as versões coptas saídica ou tebaica (originárias do séc. II no Sul do Egito), a Hexapla de Orígines (séc. III), a própria Septuaginta, a Vulgata de São Jerônimo, incluem os livros deuterocanônicos. Antes de São Jerônimo fazer a Vulgata, já havia no séc. II uma tradução em Latin Antigo, que também incluía dos deuterocanônicos.

Enfim a definição da Bíblia Cristã se deu ao longo dos séculos, resultante da Tradição e Magistério da Igreja Católica. A versão siríaca chamada Peshita (que é mais uma agulha no palheiro) quanto ao Novo Testamento por exemplo não incluía o livro do Apocalipse, 2 Pedro, 2-3 João e Judas. E esta versão for parâmetro para vc e outros protestantes (principalmente os fundamentalistas), então o irmão não pode aceitar estes livros do NT como inspirados, já que não se encontram no cânon da Peshita.

Da mesma forma como os deuterocanônicos estes livros também eram estimados pelos Cristãos Orientais. Não foi atoa que após o século IV Peshita foi revisada com base na Septuaginta, correspondendo desde então ao cânon Católico.

Quanto a afirmação do autor de que os protestantes entram em grande contradição pois aceitam a autoridade dos Judeus da Palestina para o Antigo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Novo Testamento e. aceitam a autoridade da Igreja Católica para o Novo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Antigo Testamento, o melhor que podemos fazer é convocar um juiz acima de qualquer suspeita. O próprio Jesus.

Mais uma vez recorremos a ajuda do Rev. Paulo Anglada.

Embora as evidências já mencionadas sejam importantes, a principal testemunha do cânon protestante do Antigo Testamento é o Novo Testamento. Jesus e os apóstolos não questionaram o cânon hebraico da época (época de Josefo, convém lembrar). Eles citaram-no cerca de seiscentas vezes, de modo autoritativo, incluindo praticamente todos os livros do cânon hebraico. Entretanto, não citam nenhuma vez os livros apócrifos.

Aqui o sr. Paulo Anglada que é um cego guia de cegos (cf. XXXX) engana-se redondamente. Para começo de conversa não havia ainda um cânon hebraico para que Nosso Senhor e os seus Santos Apóstolos pudessem ou não recusar.

Depois, podemos demonstrar com toda tranquiliade que Cristo e seus apóstolos não só guardavam a Septuaginta, como em vários de seus discursos citam os livros deuterocanônicos (que gostaria de lembrar que são chamados por vocês protestantes de livros heréticos, mas que esta menção desrespeitosa não se encontra no Cristianismo Antigo, conforme a própria fonte por você mencionada e referida.).

Dizer que os apóstolos não mencionaram os deuterocanônicos é um inverdade imensa. Veja aqui em nosso artigo (http://www.veritatis.com.br/article/580), as riquísimas referências que o NT faz a estes livros.

Por exemplo, Hebreus 11 nos encoraja a imitar os heróis do Antigo Testamento e no Antigo Testamento ‘mulheres houve, até, que receberam ressuscitados os seus mortos. Alguns foram torturados, rejeitados, não querendo o seu resgate, para alcançarem melhor ressurreição‘ (Hb 11,35).

Existem alguns exemplos de mulheres recebendo de volta seus mortos pela ressurreição no Antigo Testamento protestante. Você pode achar Elias ressuscitando o filho da viúva de Sarepeta em 1 Reis 17, e você pode achar seu sucessor Eliseu ressuscitando o filho da mulher sunamita em 2 Reis 4, mas uma coisa não se poderá achar ? em nenhum lugar no Antigo testamento protestante, do começo ao fim, de Gênesis a Malaquias ? alguém é torturado e rejeita o seu resgate para alcançarem melhor ressurreição. Querendo achar tal fato, deve procurar no Antigo Testamento da Bíblia católica ? justamente nos livros deuterocanônicos que Martinho Lutero Retirou de sua Bíblia.

Esta história é encontrada em 2 Mac 7, onde lemos que durante a perseguição dos Macabeus, ‘Aconteceu também que, tendo sido presos sete irmãos com sua mãe, o rei os queria obrigar a comer carne de porco contra a lei…os outros irmãos exortavam-se mutuamente com sua mãe, a morrerem corajosamente, dizendo: ‘O Senhor Deus vê e consola-se em nós’…Morto deste modo o primeiro, levaram o segundo ao suplício…respondendo na língua dos seus pais, disse: Não! Pelo que este também padeceu os mesmos tormentos que o primeiro. Estando já para dar o último suspiro, disse desta maneira: ‘tu ó malvado, faze-nos perder a vida presente, mas Deus, o Rei do universo, nos ressuscitará para a vida eterna, a nós que morremos, por fidelidade às suas leis’ (2 Mac 7,1.5-9).

Os filhos morreram um por um, proclamando que eles serão recompensados pela ressurreição. ‘Entretanto a mãe deles, sobremaneira admirável e digna de memória, vendo morrer os seus sete filhos em um só dia, suportou heroicamente a sua morte, pela esperança que tinha no Senhor. Cheia de nobres sentimentos, exortava, na língua dos seus pais, a cada um deles em particular, dando firmeza… Dizia-lhes: ‘não sei como fostes formados em meu ventre; não fui eu quem vos deu o espírito e a vida, ou que formei os membros do vosso corpo. O criador do mundo, que formou o homem no seu nascimento e deu a origem a todas as coisas, vos tornará a dar o espírito e a vida, por sua misericórdia, em recompensa do quanto agora vos desprezais a vós mesmos, por amor das suas leis“, Diz o último irmão, “Não temas este algoz, mas sê digno de teus irmãos, aceita a morte, para que eu te encontre com eles no dia da misericórdia’ (2 Mac 7,20-23.29).” (James Akin, veja em nosso artigo http://www.veritatis.com.br/article/825)

 

 

Também é errado afirmar que os Judeus da Judéia não aceitavam os livros deuterocanônicos. Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos lemos que “Santo Estêvão, cheio do Espírito Santo (At. 6,10), foi levado ao Sinédrio pela multidão (At. 6,12); Estêvão, então, se dirigiu aos judeus e contou-lhes como Jacó trouxe seus 75 descendentes para o Egito:Atos 7,14-15: ‘Então José mandou buscar Jacó, seu pai, e toda sua parentela, em número de setenta e cinco pessoas. Desceu Jacó para o Egito e aí morreu, ele e também nossos pais’.

Mas os manuscritos hebraicos nos dizem que Jacó trouxe 70 descendentes para o Egito (cf. Gên. 46,26-27; o texto hebraico também recorda ’70’ em Deut. 10,22 e Ex. 1,5). Ora, o Sinédrio judaico e os sacerdotes bem sabiam que Deut. 4,2; 12,32; Sal. 12,6-7 e Prov. 30,6 proíbem que se acrescente ou retire algo da Palavra de Deus. Com efeito, por que o Sinédrio e os sacerdotes não se escandalizaram com a afirmativa feita por Estêvão, de que Jacó trouxera 75 descendentes? Por que não o acusaram de ‘perverter a Escritura’? Quando lemos esses versículos, notamos que os judeus pareciam nem mesmo piscar. Em ponto algum desta passagem encontramos qualquer sugestão de que a raiva nutrida pelos judeus contra Estêvão havia se originado de uma possível “perversão das Escrituras”. Ao contrário, eles mataram Estêvão porque foram por este confrontados com a pessoa do Senhor Jesus ? que era realmente o Cristo, e, ao contrário de ser por eles recebido, foi assassinado do mesmo modo que seus predecessores, os profetas (At. 7,51-53)!

Veja também  Ressurreição da carne: o que essa alma ganha com isso?

A explicação para a discrepância numérica na história de Jacó narrada por Estêvão é simples: ele está citando Gênese (46,26-27) a partir da versão grega da Septuaginta, a qual possui cinco nomes a mais (total de 75 nomes) que o texto massorético hebraico. Os cinco nomes que faltam no texto hebraico foram preservados na Septuaginta, em Gên. 46,20, onde Makir, filho de Manassés, e Makir, filho de Galaad (=Gilead, no hebraico), são apontados, posteriormente, como os dois filhos de Efraim, Taam (=Tahan, no hebraico) e Sutalaam (Shuthelah, no hebraico) e seu filho Edon (Eran, no hebraico).

O Sinédrio certamente teria contestado a afirmação de Estêvão se a Septuaginta não fosse usada ou aceita pelos judeus da Judéia. Com efeito, o fato de a Septuaginta ter sido encontrada entre os manuscritos do Mar Morto bem demonstra que esse era o caso.” (Charles The Hammer, ver artigo completo em http://www.veritatis.com.br/article/831)

 

Pode-se concluir, portanto, que Jesus e os apóstolos deram o imprimatur deles ao cânon hebraico e, conseqüentemente, ao cânon protestante.

Como se pode ver isso não se pode concluir de forma alguma.

O autor deve afirmar então, que além dos protestantes o próprio Jesus e os apóstolos entram em grande contradição pois aceitaram também a autoridade dos Judeus da Palestina para o Antigo Testamento, exatamente como os protestantes fazem. O autor teria a coragem de fazer tal afirmação ?

Não só tenho coragem de reafirma isso, como as linhas que escrevi acima desmentem descaradamente a sua afirmação. O Cânon Hebre foi definido definitivamente pelo menos 60 anos após a morte de Cristo. Como a sinagoga dos Judeus poderão ter autoridade sobre os Cristãos?

Gostaria muito de lembrá-lo que não existem livros deuterocanônicos (aceitos depois) apenas no AT, mas também no NT. II Pedro, II e III João, Tiago, a Epístola aos Hebreus e o Apocalipse não foram unanimente aceitos pelos cristãos. Só entraram definitivamente do cânon do NT durante o Concílio Ecumênico de Nicéia.

Foi o Magistério Universal da Igreja Católica que discerniu o cânon Bíblico. Seja ele para o AT ou NT. É entrar em contradição sim aceitar autoridade da Sinagoga dos Judeus para o AT – que definindo seu cânon muito depois da Morte do Senhor (portanto quando agora a autoridade é da Igreja e não da Sinagoga) excluíram os livros do NT (que os protestantes aceitam) – não aceitando esta mesma autoridade para o NT. E rejeitando a autoridade da Igreja para o AT aceitam esta mesma autoridade para os livros do NT.

Para finalizar, ouçamos ainda mais uma vez o Rev. Paulo Anglada.

O cânon católico, origina-se da Vulgata latina, que por sua vez provém da Septuaginta.

(….) ao traduzir a Vulgata, Jerônimo também incluiu alguns livros apócrifos.

Não o fez, contudo, por considerá-los canônicos, mas apenas por considerá-los úteis, como fontes de informação sobre a história do povo judeu.

Este argumento protestante só convence quem realmente deseja se enganar. Se o livros deuterocanônicos possuem doutrinas heréticas, à margem da fé (como afirmam os protestantes em grande contraste com o sendo cristão primitivo que os consideravam úteis para o ensino e conforme a fé) não poderiam entrar na Septuaginta jamais!!! Nem como livros históricos!!!

Eu já acompanho e propagação do erro protestante desde longa data. Primeiro disseram que a Igreja Católica incluiu estes livros durante o Concílio de Trento (o que é uma grande mentira conforme vimos). Depois, que “descobriram” que na Septuaginta lá estavam eles incluídos, aí vieram com esta conversa que estavam alí porque eram históricos.

O problema aqui é que muitos protestantes (não todos é claro) estão procurando pretexto para continuarem pregando o erro. Como já dizia Santo Ireneu de Lião “desmontam o mosaico que traz a figura do rei e criando então a figura da raposa. Enganando os inocentes por causa do brilho e beleza das pedras” (Contra as Heresias)

Na Idade Média a versão francamente usada pela igreja foi a Vulgata latina. A partir dela e da Septuaginta também foram feitas outras traduções. Ora, multiplicando-se o erro, e afastando-se cada vez mais a igreja da verdade (como aconteceu crescentemente nesse período), tornou-se mais e mais difícil distinguir entre os livros que deveriam ser considerados canônicos ou não.

Se durante a Idade Média o erro propagou-se livremente então Deus não existe e Cristo seria então um mentiroso, pois prometeu que “as portas do inferno” nao prevaleceriam contra a Igreja. Este é mais um argumento daqueles argumento que só convence quem quer enganar-se. É quase a mesma coisa que dizer que Jesus fundou uma Igreja que só saberia a Verdade 1500 anos após Sua Vinda. Isso é um abusurdo!!!

Esses livros nunca foram completamente aceitos, mesmo nessa época. Mas, por estarem incluídos nessas versões, a igreja em época de trevas, geralmente falando, não teve discernimento espiritual para distinguir entre livros apócrifos e canônicos.

Errado novamente. A grande maioria dos Cristãos consideravam os livros deuterocanônicos inspirados, pois como já foi mostrado os mesmos já eram usados pelos Apóstolos. Os que não os consideravam inspirados, no mínimo os consideravam úteis e conforme a fé. Portanto a difamação de tais livros possui origem meramente protestante. Alguns Concílios Regionais da Igreja os reconheceram como canônicos, pois isso não feria a Antiga Tradição Apostólica. Outras Igrejas Particulares (assim são chamadas as porções da Igreja Católica espalhadas no mundo inteiro) embora exitando em incluí-los em seu cânon, os utilizavam na catequese dos novos convertidos.

Por fim, no Concílio de Trento, em 1546, também em reação contra os protestantes, que reconheceram apenas o cânon hebraico, a igreja de Roma declarou canônicos os livros apócrifos relacionados acima, bem como autoritativas as tradições orais: “O Sínodo… recebe e venera todos os livros, tanto do Antigo como do Novo Testamento… assim como as tradições orais.” A seguir são relacionados todos os livros considerados canônicos, incluindo os apócrifos. Concluindo, o decreto adverte:

Se qualquer pessoa não aceitar como sagrado e canônico os livros mencionados em todas as suas partes, do modo como eles têm sido lidos nas igrejas católicas, e como se encontram na antiga Vulgata latina, e deliberadamente rejeitar as tradições antes mencionadas, seja anátema.

É muito interessante como os protestantes das mesmas pedras do mozaico que formam a figura do Rei conseguem fazer surgir a figura da Rapoza. O Concílio de Trento não incluiu os deuterocanônicos em reação aos Protestantes, apenas confirmou a fé Cristã de sempre, confirmando a antiquíssima Tradição Apostólica. Antes de Trento, em 1442 durante o Concílio ECUMÊNICO de Florença a Igreja já havia confirmado mais uma vez o Cânon Bíblico, 41 anos antes de Lutero nascer e pelo menos um século antes da Reforma.

A igreja grega seguiu mais ou menos os passos da igreja ocidental. Houve sempre dúvida na aceitação dos apócrifos, mas, no Concílio de Trulano, em 692, foram todos aceitos (quatorze). Ainda assim, como sempre houve reservas quanto à plena aceitação de muitos deles, a igreja grega, em 1672, acabou reduzindo para quatro o número dos apócrifos aceitos: Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Judite.

Não sei de onde o tal sr. Paulo Anglada tirou a informação de que em 1672 a Igreja Grega recusou parte dos deuterocanônicos. Pelo que me consta O mesmo ocorreu os sínodos de Constantinopla (1638), de Yassi (1642) e de Jerusalém (1672) continuaram confirmando a fé Católica nos livros deuterocanônicos.

A Sociedade Bíblica Unida (representada no Brasil pela Sociedade Bíblica do Brasil), instituição protestante que produz Bíblias, afirma em sua Agenda de Oração-1996, pág. 5: “Deuterocanônicos: As Bíblias para as Igrejas Católica Romana e Ortodoxa contêm livros extras, que não fazem parte da Bíblia usada pelas Igrejas Protestantes”. A única exceção entre os ortodoxos trata-se da Igreja Ortodoxa Russa; ainda assim, é livre entre estes aceitar ou não os deuterocanônicos como inspirados, no entanto os consideram úteis e conforme a fé Cristã de sempre.

Conclui o Rev. Paulo Anglada :

Por ironia da História, a Vulgata de Jerônimo, o qual não considerava canônicos os livros apócrifos, veio a ser a principal responsável pela inclusão destes mesmos livros no cânon católico.

São Jerônimo embora não os considerasse inspirados por Deus, não viam neles nada que ferisse a autêntica Tradição dos Apóstolos. Os protestantes em uma manobra bem maliciosa e perniciosa, querem deturpar a Verdade.

A obra dos reformadores foi maior do que se pode pensar à primeira vista. Eles não apenas redescobriram as doutrinas básicas do evangelho, como a doutrina da salvação pela graça mediante a fé. Eles redescobriram também o cânon. Graças a eles e ao testemunho do Espírito Santo, a igreja protestante reconhece como canônicos, com relação ao Antigo Testamento (é claro), os mesmos livros que Jesus e os apóstolos, e os judeus de um modo geral sempre reconheceram.

Espero sinceramente que Nosso Senhor dê a Graça da Conversão a você e a este sr. Anglada (que anda arrastando muito para o erro após si). Os mulçumanos e os Espíritas também dizem que redescobriram a fé autêntica. É a chamada “Teoria do Resgate” que nada mais é que mais uma armadilha do Inimigo para desviar as ovelhas de Cristo.

A Verdade de Deus sempre esteve presente em todos os tempos como o Sol que brilha radiante no Céu, nada e ninguém pode escondê-la ou privar os homens de conhecê-la plenamente. Pode alguém impedir que o Sol que Deus colocou no céu brilhe e ilumine os dias na terra? De forma alguma, o mesmo acontece com a Luz que Cristo nos Revelou, luz esta que nenhum homem ou governo jamais pode e jamais poderá impedir que brilhe plenamente.

Alguns dos apócrifos são realmente úteis como fontes de informação a respeito de uma época importante da história do povo de Deus: o período inter-testamentário. Os protestantes reconhecem o valor histórico deles. Seguindo a prática dos primeiros cristãos, as edições modernas protestantes da Septuaginta normalmente incluem os apócrifos, e até algumas Bíblias protestantes antigas os incluíam, no final,, apenas como livros históricos.

Como já disse quem quiser acredite que livros “heréticos” estavam incluídos na Bíblia por causa de seu valor histórico….

Mas as igrejas reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas edições da Bíblia, e, “induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que incluíssem esses livros em suas edições.”

Infelizmente no século XVII confirmou-se a mutilação da Bíblia que os protestantes tanto dizem amar e seguir fielmente.

Melhor assim, tendo em vista o que aconteceu com a Vulgata! Melhor editá-los separadamente.

Se restar alguma dúvida após ler este artigo, ao leitor indeciso basta procurar um judeu e consultá-lo.

De preferência um Judeu estudioso e conhecedor da Tradição Judaica. Se for Alexandrino melhor ainda.

Espero que o Senhor tenha misericórdia destes falsos mestres que propagam o erro, enganando os simples, pois sobre eles já foi dito: “Jesus disse também a seus discípulos: É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm!

Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos.” (Lc 17,1-2)

Que não nos falte a Graça do Senhor e a Intecessão poderosa da Virgem Maria.


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Veritatis Splendor