A paz de Cristo!

Tenho uma dúvida e precisava de relativa pressa no responder.Sou faço atendimento psicológico com um paciente homossexual.Minha dúvida é se eu, como católico, posso trata-la, sendo homossexual.Há questões envolvidas no tratamento que me levaram a essa dúvida, até onde devo deixar minha crença de lado para trata-la e ate onde devo colocar minha fé sem nega-la quando preciso afirma-la?

Caríssimo,

Em si, não há problema algum que um psicólogo católico atenda um paciente homossexual, da mesma forma que não há problema que ele atenda um ateu, alguém que viva em adultério e assim por diante.

Haveria problema somente no caso de o psicólogo aconselhar o paciente a ter comportamentos homossexuais ou fazer intervenções que visem reforçar tais condutas (como se dá em relação à quaisquer condutas imorais).

É preciso compreender aqui que, se por um lado não é lícito negar a fé ou os princípios morais em contexto algum, por outro lado, em alguns contextos, é lícito silenciar à respeito deles, como uma tolerância ao erro, mas jamais como uma aprovação do mesmo.

Uma psicoterapia tem a função de promover a saúde psicológica do paciente, assim como um atendimento médico tradicional tem a função de promover a saúde física do paciente…e (fazendo uma analogia) um motorista de taxi tem a função de levá-lo ao local solicitado. Nenhum destes profissionais tem a função direta de, dentro do seu ambiente de trabalho, catequizar o paciente ou passageiro – normalmente, o taxista que não catequiza o passageiro não peca por omissão, como também não peca por omissão o médico ou o psicólogo que não catequizam seus pacientes.

Sabemos, porém, que a saúde psicológica está relacionada com a vida espiritual. Pessoas que possuem uma vida espiritual normalmente possuem uma maior satisfação com a vida e uma potencialidade maior para lidar de forma emocionalmente equilibrada com as dificuldades. O inverso também é verdade: pessoas mais saudáveis psicologicamente, que possuem uma mais adequada percepção de si, dos outros e do mundo tendem a desenvolver mais suas potencialidades, buscar descobrir o sentido da sua vida, e por si mesmo, naturalmente se dar conta daquilo que é adequado e daquilo que é prejudicial para si enquanto pessoa humana.

Desta forma, um bom terapeuta católico estará sempre colaborando para o desenvolvimento integral do seu paciente, e um silêncio tolerante em questões que envolvam os princípios morais não é empecilho para isso.

Questões mais específicas e complexas à este respeito podem ser trabalhadas em direção espiritual com um sacerdote que seja fiel à doutrina católica.

(Resposta elaborada por um colaborador do site Veritatis Splendor)

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