Espaço do Leitor

Qual a origem da Igreja Católica?

Por favor, eu queria obter informações sobre a origem da Igreja Católica. Não preciso de nada muito complexo, apenas umas poucas páginas e um pouco explicado. É para um trabalho de colégio e não consigo achar em nenhum site na Internet. […] Queria falar também que o seu foi um dos sites mais completos e de mais rápido acesso que encontrei. Abraços e cumprimentos. (Marcos)

Prezado Marcos,

Pax Domini!

[…] A Igreja tem origem divina, como seria de se esperar. Mas antes mesmo de ser fundada de fato, Cristo fez questão de manifestar este seu desejo e interesse divino aos seus Apóstolos. É São Mateus, em seu Evangelho (aliás, muito apropriadamente chamado de “O Evangelho da Igreja”, por ser o único Evangelho a utilizar o termo), que coloca na boca de Jesus a intenção explícita da criação da Igreja:

– Em Mt 16,18, Jesus promete edificar a Sua Igreja sobre Pedro que, momentos antes (vers. 16) testemunhara em seu nome e no dos demais Apóstolos a Messiandade e Filiação Divina de Cristo. A Igreja de Jesus terá como principal característica a indestrutibilidade, mesmo quando sondada pelas artimanhas do demônio. A Igreja, portanto, ainda não havia sido fundada, mas já tinha o seu chefe (papa) escolhido entre os discípulos: é Pedro que recebe as chaves do Reino, com o poder de ligar e desligar as coisas no céu…

– Posteriormente, em Mt 18,17, Jesus volta a falar da Sua futura Igreja, confirmando a sua autoridade perante seus fiéis: o pecador que não escutasse o seu irmão e fosse entregue à Igreja, se ainda assim permanecesse no pecado, não ouvindo seus irmãos na fé e nem, por último, a Igreja (isto é, não se submetendo à autoridade eclesiástica), deveria ser excluído da comunidade cristã [eis a remota origem da excomunhão]. O versículo 18 do mesmo capítulo estende o poder de “ligar e desligar” aos demais apóstolos sem, porém, retirar de Pedro a primazia (=chaves) sobre os demais, como podemos confirmar em Lc 22,32 e Jo 21,15-17.

Temos, então, que a Igreja do Senhor foi fundada após a ressurreição de Jesus. É o livro dos Atos dos Apóstolos, a partir do capítulo 1, vers. 12 que oferece os dados mais importantes sobre o início da Igreja. Poucos dias antes da fundação oficial da Igreja, em aparição aos seus discípulos, antes de ascender aos céus, Jesus promete-lhes o Espírito Santo (vers. 8) para que o Evangelho possa atingir todas as nações (v.tb. Mc 16,15). Assim, os discípulos aguardam em Jerusalém a vinda do Espírito Santo, que marcará o início da Igreja, e, enquanto esperam, elegem o substituto para a vaga deixada por Judas Iscariotes, o traidor de Cristo que cometera o suicídio (At 1,15-26).

Chega, então, o dia da festa de Pentecostes e os apóstolos estão todos reunidos no Cenáculo; eis que de repente cumpre-se a promessa de Jesus e o Espírito Santo vem sobre todos os discípulos que começam a pregar a Palavra de Deus em vários idiomas, de forma que pudessem ser compreendidos por todos, especialmente pelos estrangeiros que estavam presentes em Jerusalém para as festividades. Como poderiam aqueles homens rudes – boa parte composta por pescadores ignorantes – estarem demonstrando cultura, se expressando perfeitamente em línguas que jamais tiveram a oportunidade de conhecer (At 2,1-13)?

Pedro aproveita a oportunidade e, como líder primaz da Igreja, discursa testemunhando fervorosamente Jesus Cristo e obtém a conversão de aproximadamente 3000 pessoas de uma só vez! É a ação do Espírito Santo em favor da Sua Igreja! (At 2,14-41).

Essa comunidade cristã passa a se reunir no primeiro dia da semana (domingo), recordando o dia da ressurreição de Jesus, para a realização da “fração do pão e orações” (cf. At 2,42), isto é, para celebrarem a Santa Missa em sua forma mais primitiva.

Mas a Igreja deve ainda pregar as boas novas de Jesus para todos os povos e, para isso, necessita de missionários que estejam dispostos a partir para outras nações… é certo que todos os Apóstolos partiram em missão, permanecendo apenas Tiago, parente de Jesus, em Jerusalém. Para aumentar a expansão da Igreja pelo mundo pagão, o próprio Senhor seleciona a dedo um de seus grandes perseguidores: Saulo de Tarso. Após converter-se por intermédio de uma visão particular de Jesus (At 9,3-9) e mudar seu nome para Paulo, este ex-perseguidor passa a ser o principal missionário da Igreja primitiva, e realiza importantes pregações e conversões entre os gentios, podendo ainda ter atingido a Espanha! (Rom 15,24.28). A Igreja cresce e a hierarquia começa a surgir, com a nomeação de presbíteros e diáconos (At 6,1-6; 1Tim 4,14) para liderar e auxiliar as várias comunidades que surgem a partir de então.

Porém, como a mensagem cristã foi primeiramente voltada para os judeus, surgindo as primeiras conversões a partir desse grupo, logo, com a conversão dos gentios, surgiu um dilema: estariam estes obrigados a seguir a Lei de Moisés como os judeus? Os missionários judaizantes (cristãos convertidos do judaismo), por conta própria, começam a impor as regras mosaicas – inclusive a circuncisão – também para os gentios e, em pouco tempo, passam a confrontar Paulo diretamente, que defendia a não validade da Lei para estes. A solução para o problema é obtida mediante um Concílio reunido em Jerusalém (At 15), onde os Apóstolos, seguindo a orientação de São Pedro (o 1º papa!), decidem que os gentios não estão obrigados a observar a lei mosaica, com exceção de pouquíssimos detalhes claramente disciplinares e, por isso mesmo, de aplicação temporária.

Estava agora a Igreja – por inspiração do Espírito Santo – libertada de uma vez por todas das correntes que a prendia ao judaismo e, daí pra frente, expandiu-se por todo o mundo, tornando a mensagem salvífica de Cristo conhecida de todos os povos e guardando até hoje, com respeito e cuidado, o sagrado Depósito da Fé. Mas, para o sucesso da expansão do Evangelho, foi primordial a mudança estratégica da sede da Igreja, deixando Jerusalém e se estabelecendo definitivamente em Roma (1Pd 5,13), de onde partiam todas as estradas para o mundo até então conhecido, o que certamente facilitou as missões…

Concluindo, percebemos que a verdadeira Igreja de Cristo possui 3 características, além da própria unidade:

– É Católica: porque o Evangelho deve chegar a todos os homens de todas as nações, isto é, ser universal (v. Is 2,2-5; 56,6-8; 1Cor 12,13; Gál 3,27-28; Col 3,11).

– É Apostólica: pois a mensagem de Cristo passa *necessariamente* pelos Apóstolos, que representam as 12 tribos de Israel (Mt 19,28) e se tornaram colunas da Igreja (Ap 21,14).

– É Romana: porque o chefe visível da Igreja – o papa – legítimo sucessor de São Pedro, está estabelecido em Roma; com ele, todos os bispos do mundo (sucessores dos demais Apóstolos) devem estar em plena comunhão (At 15) – (obs.: o título “romana” não tem sentido de nacionalidade ou restrição, em contraste com o título “católica”, que tem o sentido de universalidade; “romana” simplesmente indica a localizaçã da sede mundial da Igreja, e apenas isso…).

Para maiores detalhes a partir daí, leia a mini-obra Do Nascimento ao Triunfo existente [no site do Agnus Dei].


Livros recomendados

A Cruz de CristoNossa Senhora de FátimaO Banquete do Cordeiro (Cléofas)





About the author

Veritatis Splendor