– “E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens” (cf. Mateus 9,2-8). Falsos profetas: os carismas não salvam!

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O Evangelho segundo São Mateus nos narra o caso de um paralítico que é levado até Nosso Senhor Jesus Cristo, em busca da cura do seu corpo; no entanto, o Senhor não lhe propicia a cura esperada, mas uma outra cura que o paralítico não buscava. Pode haver algo mais importante que a cura corporal? Vejamos:

  • “E, entrando no barco, passou para o outro lado, e chegou à sua cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico, deitado numa cama. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: ‘Filho, tem bom ânimo, perdoados te são os teus pecados’. E eis que alguns dos escribas diziam entre si: ‘Ele blasfema’. Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: ‘Por que pensais mal em vossos corações? Pois, qual é mais fácil? dizer: ‘Perdoados te são os teus pecados’; ou dizer: ‘Levanta-te e anda?’ Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): ‘Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa’. E, levantando-se, foi para sua casa. E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens” (Mateus 9,1-8).

É de se observar que este texto da Bíblia só fala de um poder que é superior e mais importante do que a cura corporal: o poder para perdoar pecados!

E a multidão maravilhou-se e glorificou a Deus, que dera tal poder aos… homens!

Os cristãos evangélicos afirmam que se trata do poder da cura, sobre o qual não negamos que existe, mas que nem sequer é mencionado no texto anteriormente visto. Eles, portanto, reclamam possuir esse poder de cura e os vemos em seus cultos curando a torto e a direito o câncer, os tumores, os paralíticos etc. Milagres que ninguém consegue comprovar, que se tratam de fraudes, enganos e inverdades lançadas a um povo faminto de enxergar milagres e espetáculos.

  • “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mateus 24,24).
  • “Ouvindo este que Jesus vinha da Judeia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte. Então Jesus lhe disse: ‘Se não virdes sinais e milagres’, não crereis. Disse-lhe o nobre: ‘Senhor, desce, antes que meu filho morra'” (João 4,47-49).

Sempre há pessoas que apenas querem ver milagres e nada mais, mas os Apóstolos e discípulos do Senhor, quando curavam, o faziam não no Templo ou nas sinagogas, mas nas ruas e praças, bem ao contrário de certos cristãos que apenas “curam” em seus cultos e em mais nenhum outro lugar; nunca nas ruas, nos hospitais ou outros locais.

Nossos sacerdotes [católicos], que de fato possuem o poder para perdoar pecados, andam nas ruas, onde quer que sejam necessários, confessando pessoas sadias e doentes, ainda que não sejam católicas; ou em acidentes, quando os presenciam, a fim de que todos possam ser perdoados por Deus através deles: a todo mundo e a todos.

Os falsos milagres e curas abundam às centenas, sobretudo nos cultos evangélicos e até em alguns círculos católicos. No entanto, na Igreja Católica, um milagre somente é aprovado após [muitos] anos de pesquisas científicas e da própria Igreja. E várias vezes ocorreu que quando um suposto milagre não foi reconhecido, algumas comunidades abandonaram a Igreja Católica. Mas para a Igreja o que importa é a verdade e não satisfazer as pessoas que apenas querem enxergar sinais, caso contrário não creem.

Para outras pessoas, basta aceitar Jesus como Senhor e ver ou realizar milagres, curas e profecias para afirmarem que já estão salvos. Contudo, a Bíblia mostra que não basta aceitar Jesus como Senhor e Salvador e que os carismas, as profecias e os milagres não salvam:

  • “Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?’ E então Eu lhes direi abertamente: ‘Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade'” (Mateus 7,21-23).

Jesus Cristo não diz que as profecias, os exorcismos e milagres foram falsos ou não, mas Ele condena essas pessoas porque não cumpriram a Sua vontade:

  • “E por que me chamais ‘Senhor, Senhor’, e não fazeis o que Eu digo?” (Lucas 6,46).

Ao longo da História tem havido e continuará a haver falsos milagres e falsos profetas:

  • “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mateus 7,15).
  • “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mateus 24,24).

As profecias de Jesus Cristo e dos seus Apóstolos podem ser constatadas hoje através do surgimento de milhares e milhares de seitas pseudocristãs, que semeiam heresias, difamam a Igreja Católica e enganam as pessoas através de dízimos, ofertas, pactos e um sem fim de outros pedidos:

  • “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não demora” (2Pedro 2,1-3).

A grande maioria delas saíram da Igreja Católica, saíram dentre nós mesmos; hoje, combatem a única e verdadeira Igreja fundada por Cristo:

  • “Filhinhos: é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1João 2,18-19).

Porém, não esqueçamos que muitos nos odiarão; dirão que a nossa Igreja é “a grande prostituta”, que o nosso Papa é “o anticristo” e que nós somos idólatras. O nosso Mandamento, porém, é este: perseverar até o fim:

  • “E odiados de todos sereis por causa do meu Nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mateus 10,22).
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