Prezada equipe do Veritatis Splendor,
Gostaria que o venerável apostolado colocasse em um de seus artigos sobre o arrependimento de Pedro. Dizem que Pedro somente se arrependeu do ato de negar Nosso Senhor Jesus Cristo na vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecostes (At 2,1-13), essa informação procede?
Pergunto-o por que se isso for verdade,o que representa a passagem bíblica em que Jesus pergunta a Pedro:
“Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”Pedro ficou triste, porque lhe perguntou pela terceira vez se era seu amigo. E respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Jesus disse-lhe: “Cuida das minhas ovelhas. “?(Evangelho de São João, Cap. 21, Vers. 17)
Na passagem acima,em que se evidencia um momento anterior ao dia de Pentecostes, citado nos Atos dos Apóstolos, é possível verificar o arrependimento real de Pedro, já que ele (o texto bíblico) afirma que Pedro ficara chateado pois Jesus havia lhe perguntado pela terceira vez se o discípulo citado amava realmente o seu mestre?
Se Pedro ficou chateado pela pergunta do Mestre dos Mestres, Nosso Senhor Jesus Cristo, é porque realmente estava arrependido e queria que Jesus percebesse que ele o amava, não é mesmo? Como Nosso Senhor Jesus Cristo diria a Pedro, Primeiro Papa da Santa e amável Igreja Católica, para “cuidar de suas ovelhas”, se Pedro não tivesse se arrependido de ter negado Cristo, a quem ele amava e a quem serviria até os últimos dias, a ponte de ser morto pela causa maior, Jesus Cristo, como se atesta na passagem:
“Em verdade, em verdade, te digo: quando eras jovem, tu mesmo amarravas teu cinto e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te porá o cinto e te levará para onde não queres ir”.
(Disse isso para dar a entender com que morte Pedro iria glorificar a Deus.)”? (Evangelho de S. João. Cap. 21. Versículos 18 e 19)
Essa visão antecipada de Jesus a Pedro é confidenciada após Jesus entregar a seu discípulo a missão de “cuidar das suas ovelhas”, como líder e chefe de sua verdadeira Igreja, a Católica, cuja tradição é apostólica; nessa situação, Jesus declara a um Pedro já arrependido do ato de negar Jesus três vezes a sua confiança no discípulo citado, o que só pode ser depositada, pela importância e singularidade da missão, “cuidar das ovelhas”, a alguém bastante arrependido da negação de Jesus e da convicção de lutar pela causa de Cristo nesse mundo, não é mesmo?
Em síntese: Pedro se arrependera realmente do ato de negar Jesus três vezes antes do dia de Pentecostes, citado nos Atos dos Apóstolos?
Desde já, humildemente agradeço a disponibilidade da equipe do Veritatis Splendor de iluminar os fiéis católicos, sedentos do Esplendor da Verdade, tão essencial na formação humana e espiritual.
Peço que o Apostolado possa colocar as perguntas expostas em um artigo próximo ou manter contato comigo, por meio de meu e-mail, citado.
Que Deus, fonte de todo o Bem e Sabedoria, e a Virgem Maria, modelo de virtudes e Mãe incomparável, acompanhem este projeto valiosíssimo,que é o Apostolado Veritatis Splendor.
Que a paz do Senhor esteja sempre convosco! (Anônimo)

Caríssimo leitor,

Que a graça e a paz de Nosso Senhor estejam conosco!

Peço que reze por nosso apostolado cotidianamente.

Sobre a sua dúvida, a sagrada Escritura e a Tradição Apostólica deixam claro que Pedro se arrependeu de ter negado a Cristo, assim que o galo cantou e o mesmo se recordou das palavras do Senhor, chorando amargamente.

“34. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. (…)
74. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo.
75. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente”. (Mt 26,34.74-75).

O fato de Pedro ter se recordado das palavras de Jesus e chorado amargamente, exprimem o seu arrependimento pela negação realizada.

A tríplice pergunta do Cristo a Pedro se o amava bem com o tríplice pedido para que apascente as Suas ovelhas, exprimem a Missão dada por Nosso Senhor, a Pedro, que se arrependera de tê-lo negado.

É o que pode ser observado nas sábias palavras de Santo Agostinho:

“Não fique triste, ó apóstolo! Responde uma vez, responde uma segunda, responde uma terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que por três vezes o temor venceu a tua presunção. Desliga por três vezes o que por três vezes ligastes. Desliga por amor o que ligaste por temor. E, assim, o Senhor confiou suas ovelhas a Pedro, uma, duas e três vezes” (Santo Agostinho in: Estes mártires viram o que pregaram apud AQUINO, Felipe. Alimento Sólido. Cachoeira Paulista: Canção Nova, 2005, p.89)

O Catecismo da Igreja, falando sobre a conversão cita o episódio de São Pedro como exemplo:

“Ora o apelo de Cristo à conversão continua a soar na vida dos cristãos. Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que “reúne em seu próprio seio os pecadores” e que “e ao mesmo tempo santa e sempre, na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação”. Este esforço de conversão não é apenas uma obra humana. E o movimento do “coração contrito” atraído e movido pela graça a responder ao amor misericordioso de Deus que nos amou primeiro.

Comprova-o a conversão de S. Pedro após a tríplice negação de seu mestre. O olhar de infinita misericórdia de Jesus provoca lágrimas de arrependimento, depois da ressurreição do Senhor, a afirmação, três vezes reiterada, de seu amor por ele. A segunda conversão também possui uma dimensão comunitária. Isto aparece no apelo do Senhor a toda uma Igreja: “Converte-te!” (Ap 2,5.16). Santo Ambrósio, referindo-se às duas conversões, diz que na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência”.” (CIC § 1428-29)

Diante do exposto, não resta dúvidas do arrependimento de Pedro, no momento em que se lembrando das palavras do Mestre, chorou amargamente.

In caritate Christi,
Leandro.

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