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Que Horror! A Bíblia Plagiou… (Parte 1/2)

Autor: Pato Acevedo

A epopeia de Gilgamesh no relato do dilúvio;
a vida de Sargão de Acade no Êxodo;
os pactos hititas nos Dez Mandamentos;
os hinos cananeus nos Salmos;
a lenda de Buda no nascimento virginal de Jesus;
os mitos universais na data do Natal;
as religiões mistéricas no Batismo;
o deus pagão Mitras na Crucificação;
o deus pagão Horus na Ressurreição;
etc., etc., etc.

Muitos creem que se a Bíblia tem origam divina então o seu conteúdo deveria ser tão sublime e elevado que jamais se pareceria com nada escrito por um ser humano. Se o Livro Sagrado não foi entregue por um anjo – pensam alguns – ao menos deve ter sido integralmente ditado por uma voz ultratumba. Talvez o original tenha sido impresso em lâminas de ouro e em uma linguagem totalmente ilegível, impossível de ser compreendida senão por uma revelação especial ou, no mínimo, em um idioma sagrado. Sob este paradigma, achar que o suposto “Livro de Deus” não é totalmente original, que o seu conteúdo foi copiado ou adaptado de outro lugar, seria uma prova irrefutável de que não desceu do céu entre trombetas e cantos angelicais.

Nós cristãos sabemos que a Bíblia não é esse tipo de livro. Conhecemos a sua história e como chegou até nós. Em especial, sabemos que possui dois autores: Deus e os homens inspirados por Ele, que escreveram em línguas e modos humanos apenas o que Deus queria. Contudo, alguns tentam desacreditá-la, descobrindo que tal ou qual relato ou personagem foi plagiado de outras fontes, como se isto fosse “estremecer o Cristianismo até os seus pilares”.

Neste caso, convém mantermos a calma e seguir alguns passos simples:

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1º PASSO: VOCÊ ESTÁ CERTO DAQUILO QUE AFIRMA?

Para desmantelar as acusações de plágio na Bíblia, às vezes basta prestar um pouco de atenção.

É dito que muitos deuses nasceram em 25 de dezembro, como Jesus. Mas seria isto possível? O Calendário Juliano passou a ser usado a partir do ano 49 [a.C.], motivo pelo qual não há sentido em tentar aplicar a data de 25 de dezembro para épocas anteriores. Pior ainda: os povos da Antiguidade costumavam a empregar diversos calendários simultaneamente, alguns para a agricultura, outros para eventos públicos, outros ainda para efemérides religiosas; e [estes calendários] podem ainda seguir ciclos lunares, solares ou astronômicos. Trasladar a data de um calendário para outro só se pode fazer mediante cálculos extensos e pouco práticos. Por essa razão, a data da Páscoa é diferente todo ano. E como se isso não fosse pouco, cada calendário estava sujeito a reformas, para ajustar as defasagens que inevitavelmente ocorriam. Com efeito, a frase “Horus e Mitra nasceram em 25 de dezembro” simplesmente não faz sentido.

O mesmo se dá com a famosa frase “tal ou qual semideus nasceu de uma virgem, como Jesus”. A questão aqui é como definimos o termo “virgem”. Na Antiguidade se entendia que toda mulher solteira de certa linhagem não tinha mantido relações sexuais antes de se casar. Logo, seu primeiro filho sempre era “filho de uma virgem”. Isto não tem nada de extraordinário, nem sequer é uma coincidência; é apenas o que ocorre quando uma mulher respeitável tem o seu primeiro filho. Ao contrário, quando os cristãos pregaram sobre o nascimento virginal de Jesus, estavam falando de algo totalmente diferente.

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Outras vezes estas comparações apenas se fundamentam num jogo de palavras que só funciona num certo idioma. O documentário “Zeitgeist” sustenta que Jesus é uma instância a mais do mito do deus solar pagão, porque seria o “filho de Deus” (=”son of God”) que em inglês soa igual a “sol de Deus” (=”sun of God”). Sem comentários…

Assim, como primeiro passo, antes mesmo de considerarmos a possibilidade de um plágio, vejamos se o que nos dizem faz sentido.

2º PASSO: FONTES, POR FAVOR!

Se parece que um plágio é minimamente possível, o passo seguinte é examinar as fontes. Não podemos apenas aceitar o que nos dizem. Em 90% dos supostos plágios, bastará ler a fonte para dispersar qualquer dúvida. Felizmente, para nós, a Internet coloca ao nosso alcance as fontes originais como nunca antes.

Dizem, por exemplo, que Buda nasceu de uma virgem, como Jesus. Então abrimos a página da Wikipedia e verificamos que Maia, a mãe de Buda, foi casada por 24 anos antes de ficar grávida. Não há nenhuma indicação de que não tenha mantido relações sexuais, nem de que o menino não fosse filho natural do seu marido.

Kelsey Graves, em seu livro “16 Salvadores Crucificados no Mundo” (1875), sustenta que Krishna morreu crucificado, ressuscitou e ascendeu. A Wikipedia novamente nos esclarece:

“Krishna morreu acidentalmente (um caçador o confundiu com um veado) às margens do rio Hiran, em Prabhas Patán, com a idade de 125 anos, 7 meses e 6 dias. Antes de deixar o corpo, Krishna tranquilizou e abençoou o caçador por seu ato e atribuiu seu sofrimento a karmas gerados em sua anterior manifestação como o avatar Rama”.

É necessário dizer algo mais?

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Talvez fazer uso da Wikipedia não seja o mais elegante, mas isto faz parte da questão: quem aponta um plágio deve oferecer uma fonte válida. Contudo, resta que habitualmente tal fonte não é um texto religioso original, mas um livro polêmico e mil vezes desacreditado, como o de Kelsey Graves.

Consideremos, ademais, que tentam comparar a Bíblia com personagens lendários, cujos relatos não foram fixados, mas podem variar de lugar para lugar e de geração para geração. Em algum vilarejo perdido da Índia pode haver a tradição de que Krishna morreu em razão de uma flecha que ficou cravada numa árvore próxima, mas isto não basta para afirmar que estamos diante de um caso análogo à crucificação. Os mitos costumam conter variações, que não contribuem muito.

Por ora, fiquemos por aqui, para não abusar do tempo dos leitores (…). No próximo artigo veremos os dois passos seguintes, que devem ser dados antes de admitirmos que a Bíblia não tem origem divina, pois teria copiado de outras fontes.

Fonte: Blog La Esfera y la Cruz – http://www.infocatolica.com/blog/esferacruz.php
Tradução: Carlos Martins Nabeto

 


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