Documentos da Igreja

Redemptoris missio – caps vii, viii e conclusão

CAPÍTULO VII

A COOPERAÇÃO NA ACTIVIDADE MISSIONÁRIA

77. Membros da Igreja por força do baptismo, todos os cristãos são corresponsáveis pela actividade missionária. A participação das comunidades e dos indivíduos cristãos neste direito-dever, é chamada « cooperação missionária ».

Tal cooperação radica-se e concretiza-se, antes de mais, no estar pessoalmente unidos a Cristo: só se estivermos unidos a Ele, como 0 ramo à videira (cf. Jo 15, 5), é que poderemos dar bons frutos. A santidade de vida possibilita a cada cristão ser fecundo na missão da Igreja: « o Sagrado Concílio convida a todos a uma profunda renovação interior, para que, uma vez adquirida uma viva consciência da própria responsabilidade na difusão do Evangelho, cumpram a sua parte na actividade missionária no meio dos não cristãos »,166

A participação na missão universal, portanto, não se reduz a algumas actividades isoladas, mas é o sinal da maturidade da fé e de uma vida cristã que dá fruto. Deste modo o crente alarga os horizontes da sua caridade, ao manifestar solicitude por aqueles que estão longe e pelos que estão perto: reza pelas missões e pelas vocações missionárias, ajuda os missionários, acompanha-lhes a actividade com interesse e, quando regressam, acolhe-os com aquela alegria, com que as primitivas comunidades cristãs ouviam, dos Apóstolos, as maravilhas que Deus operara pela sua pregação (cf. At 14, 27).

Oração e sacriflcio pelos missionários

78. Entre as várias formas de participação, ocupa o primeiro lugar a cooperação espiritual: oração, sacrifício, testemunho de vida cristã. A oração deve acompanhar os passos dos missio nários, para que o anúncio da Palavra se torne eficaz pela graça divina. São Paulo, nas suas Cartas, pede tantas vezes aos fiéis que rezem por ele, para que lhe seja concedido anunciar o Evangelho com confiança e coragem.

A oração deve-se juntar o sacrifício: o valor salvífico de qualquer sofrimento, aceíte e oferecido a Deus por amor, brota do sacrifício de Cristo, que chama os membros do Seu Corpo místico a associarem-se aos seus padecimentos, a completá-los na sua própria carne (cf. Col l, 24). O sacrifício do missionário deve ser partilhado e apoiado pelo dos fiéis. Por isso, àqueles que desempenham o seu ministério pastoral junto dos doentes, recomendo que estes sejam instruídos sobre o valor do sofrimento, encorajando-os a oferecê-lo a Deus pelos missionários. Com esta oferta, os doentes tornam-se também missionários, como sublinham alguns movimentos surgidos entre eles e para eles. Nesta perspectiva é que a solenidade do Pentecostes, que assinala o início da missão da Igreja, é celebrada, em algumas comunidades, como « jornada do sofrimento pelas Missões ».

«Eis-me, senhor, estou pronto! Enviai-me! » (cf. Is 6, 8)

79. A cooperação exprime-se principalmente na promoção das vocações missionárias, que constituem o seu elemento indispensável. A este propósito, apesar da validade reconhecida às diversas formas de empenhamento missionário, todavia é necessário reafirmar ao mesmo tempo a prioridade da doacção total e perpétua à obra das missões, especialmente nos Institutos e Congregações míssionárias, masculinas e femininas. A promoção de tais vocações representa o coração da cooperação: o anúncio do Evangelho requer proclamadores, a messe tem necessidade de trabalhadores, a missão realiza-se sobretudo através de homens e mulheres que consagraram a vida à obra do Evangelho, dispostos a irem por todo o mundo levar a salvação.

Desejo, portanto, recomendar insistentemente esta solz’citude pelas vocações missionárias. Conscientes da responsabilidade universal dos cristãos de contribuirem para a obra missionária e para o progresso das populações pobres, todos nos devemos interrogar porquê, em diversas nações, enquanto por um lado crescem os donativos materiais, por outro ameaçam de saparecer as vocações missionárias, que constituem a verdadeira medida da entrega aos irmãos. As vocações ao sacerdócio e à vida consagrada são um sinal seguro da vitalidade de uma Igreja.

80. Pensando neste problema grave, dirijo 0 meu apelo, com particular confiança e afecto, às famílias e aos jovens. As famílias, e sobretudo os pais, estejam conscientes do dever que têm de dar « um contributo particular à causa missionária da Igreja, cultivando as vocações missionárias entre os seus filhos e filhas ».167

Uma vida de intensa oração, um sentido real do serviço ao próximo, e uma generosa colaboração nas actividades eclesiais oferece às famílias as condições favoráveis à vocação dos jovens. Quando os pais estão prontos a consentir que um dos seus filhos parta para a missão, quando eles rogaran ao Senhor uma tal graça, Deus os recompensará, na alegria, no dia em que um dos seus filhos ou filhas escutar o Seu chamamento.

Aos jovens, eu peço que escutem a palavra de Cristo, a eles dirigida hoje, como então foi dita a Simão Pedro e a André na margen do lago: « Vinde após Mim, e Eu farei de vós pescadores de homens » (Mt 4, 19). Que eles tenham a coragem de responder como Isaías: « Eis-me Senhor, estou pronto! Enviai- me! » (cf. Is 6, 8). Esses jovens encontrarão à sua frente uma vida fascinante, e conhecerão a alegria profunda de anunciar a « Boa Nova » aos irmãos e irmãs que orientarão pelo caminho da salvação.

« Há mais alegria em dar do que em receber » (at 20, 35)

81. São muitas as necessidades materiais e económicas das missões: não apenas para dotar a Igreja de estruturas mínimas, tais como capelas, escolas para catequistas e seminaristas, residências, mas também para sustentar as obras de caridade, de educação e de promoção humana, campo vastíssimo de acção, especialmente nos Países pobres. A Igreja missionária dá aquilo que recebe, distribui aos pobres aquilo que os seus filhos mais dotados de bens materiais lhe põem generosamente à disposição. Neste momento, desejo agradecer a todos quantos, com sacrifício, contribuem para a obra missionária: as suas renúncias e a sua participação são indispensáveis para construir a Igreja e testemunhar a caridade.

Quanto às ajudas materiais, é importante ver o espíríto com que se dá. Para isso torna-se necessário rever o próprio estilo de vida: as missões não solicitam apenas uma ajuda, mas uma partilha do anúncio e da caridade para os pobres. Tudo o que recebemos de Deus – tanto a vida como os bens materiais – não é nosso, mas foi-nos confiado em uso. Que a generosidade no dar seja sempre iluminada e inspirada pela fé! Então verdadeiramente haverá mais alegria em dar do que em receber.

O Dzá Mundial das Missões, orientado à sensibilização para o problema missionário, mas também para a recolha de fundos, constitui um momento importante na vida da Igreja, porque ensina como se deve dar o contributo: na celebração eucarística, ou seja, como oferta a Deus, e para todas as missões do mundo.

Novas formas de cooperação missionária

82. A cooperação alarga-se hoje para novas formas, não só no âmbito da ajuda económica, mas também no da participação directa. Situações novas, conexas com o facto da mobilidade, exigem dos cristãos um autêntico espírito missionário. Recordo algumas, a título de exemplo.

O turismo a nível internacional é já um fenómeno de massa, certamente positivo, se for praticado numa atitude respeitadora, para mútuo enriquecimento cultural, evitando ostentação e esbanjamento, e procurando o contacto humano. Mas, aos cristãos, é pedida sobretudo a consciência de que devem ser sempre testemunhas da fé e da caridade de Cristo. O conhecimento directo da vida missionária e das novas comunidades cristãs também pode enriquecer e revigorar a fé. Não posso deixar de louvar as visitas às missões, em particular as dos jovens que vão trabalhar e fazer uma experiência forte de vida cristã.

A necessidade de emprego leva hoje numerosos cristãos de comunidades jovens, para áreas onde o cristianismo é desconhecido e, às vezes, banido ou perseguido. O mesmo acontece aos fiéis de Países de antiga tradição cristã, que vão trabalhar temporariamente para Países não cristãos. Estas estadias são de certeza uma oportunidade para viver e testemunhar a fé. Nos primeiros séculos, o cristianismo es palhou-se graças sobretudo aos cristãos, que, tendo de se estabelecer, noutras regiões onde Cristo não tinha sido anunciado, testemunhavam corajosamente a sua fé e fundavam aí as primeiras comunidades.

Mais numerosos, porém, são os cidadãos dos Países de missão e membros de religiões não cristãs que se vão estabelecer noutras Nações, por motivos de estudo e de trabalho, ou forçados pelas condições políticas ou económicas do lugar de origem. A presença destes irmãos, nos Países de antiga tradição cristã, constitui um desafio às comunidades eclesiais, estimulando-as ao acolhimento, ao diálogo, ao servíço, à partílha, ao testemunho e ao anúncio directo. Praticamente, também nos Países cristãos, se formam grupos humanos e culturais que necessitam da missão ad gentes, e as Igrejas locais, inclusive com a ajuda de pessoas vindas dos países originários e de missionários regressados, devem ocupar-se destas situações.

A cooperação missionária está também ao alcance e empenha os responsáveis da política, da economia, da cultura, do jornalismo, bem como os peritos dos vários organismos interna cionais. No mundo actual, é cada vez mais difícil traçar linhas de demarcação geográfica ou cultural: há uma interdependência crescente entre os povos, o que representa um estímulo para o testemunho cristão e para a evangelização.

Animação e formação missionária do Povo de Deus

83. A formação missionária é obra da Igreja local, com a ajuda dos missionários e dos seus Institutos, bem como dos cristãos das jovens Igrejas. Este trabalho não deve ser visto como marginal, mas central na vida cristã. Mesmo para a « nova evangelização » dos povos cristãos, o tema missionário pode ser de grande proveito: o testemunho dos missionários mantém efectivamente e seu fascínio sobre os que se afastaram e os descrentes, e transmite valores cristãos. As Igrejas locais, pois, insiram a animação missionária como elemento fulcral, na pastoral ordinária das dioceses e paróquias, das associações e grupos, especialmente juvenis.

Para este fim serve antes de mais a informação através da imprensa missionária, e dos vários subsídios audiovisuais. O seu papel é extremamente importante, enquanto dão a conhecer a vida da Igreja, a palavra e as experiências dos missionários e das Igrejas locais, junto daqueles para quem trabalham. É necessário, pois, que nas Igrejas mais novas, que ainda não sáo capazes de possuir um serviço de imprensa e outros subsídios, a iniciativa seja assumida pelos Institutos missionários que, para tal, dedicarão o pessoal e meios necessários.

Para tal formação, estão chamados os sacerdotes e seus colaboradores pastorais, os educadores e professores, os teólogos, especialmente aqueles que ensinam nos seminários e nos centros para leigos. O ensino teológico não pode nem deve prescindir da missão universal da Igreja, do ecumenismo, do estudo das grandes religiões e da missionologia. Recomendo que, sobretudo nos seminários e nas casas de formaçao para religiosos e religiosas, se faça tal estudo, procurando também que alguns sacerdotes, ou alunos e alunas se especializem nos diversos campos das ciências missiológicas.

As actividades de formação sejam sempre orientadas para os seus fins específicos: informar e formar o Povo de Deus para a missão universal da Igreja, fazer nascer vocações ad gentes, suscitar cooperação para a evangelização. Não podemos, de facto, dar uma imagem redutora da actividade missionária, como se esta fosse principalmente auxílio aos pobres, contributo para a libertação dos oprimidos, promoção do desenvolvimento, defesa dos direitos humanos. A Igreja missionária está empenhada também nestas frentes, mas a sua tarefa primária é outra: os pobres têm fome de Deus, e não apenas de pão e de liberdade, devendo a actividade missionária testemunhar e anunciar, antes de mais, a salvação em Cristo, fundando as Igrejas locais, que serão depois instrumento de libertação integral.

A responsabilidade primária das Obras Missionárias Pontifícias

84. Nesta obra de animação, ‘o dever primeiro compete às Pontifícias Obras Missionárzás, como várias vezes afirmei nas Mensagens para o Dia Mundial das Missões. As quatro Obras – Propagação da Fé, S. Pedro Apóstolo, Santa Infância e União Missionária – têm em comum o objectivo de promover o espírito missionário universal, no seio do Povo de Deus. A União Missionária tem como fim imediato e específico a sensibilização e formação missionária dos sacerdotes, religiosos e religiosas, que por sua vez a deverão promover nas comunidades cristãs; além disso, ela procura impulsionar as outras Obras, de que é a alma.l6g « A palavra de ordem deve ser esta: todas as Igrejas pela conversão de todo o mundo »,169

Sendo do Papa e do Colégio episcopal, estas Obras ocupam, também no âmbito das Igrejas particulares, « justamente o primeiro lugar, já que são meios quer para infundir nos ca tólicos, desde a infância, um espírito verdadeiramente universal e missionário, quer para favorecer uma adequada recolha de fundos em favor de todas as missões, segundo a necessidade de cada uma ».170 Uma outra finalidade das Obras Missionárias é a de suscitar vocações ad gentes, por total consagração de vida, tanto nas Igrejas antigas como nas mais jovens. Recomendo que orientem cada vez mais para este fim, o seu serviço de animação.

No exercício da sua actividade, estas Obras dependem, a nível universal, da Congregação para a Evangelização, e, a nível local, das Conferências episcopais e do Bispo de cada diocese, devendo colaborar com os centros de animação existentes: elas geram, no mundo católico, aquele espírito de universalidade e de serviço à missão, sem o qual não existirá verdadeira cooperação.

Não só dar à missão, mas também receber

85. Cooperar para a missão, não significa apenas dar, mas também saber receber. Todas as Igrejas particulares, jovens e antigas, são chamadas a dar e a receber da missão universal, e nenhuma se deve fechar em si própria. « Em virtude desta catolicidade – diz o Concílio -, cada uma das partes traz dons próprios às outras e a toda a Igreja, de modo que o todo e ca da uma das partes aumentem pela comunicação mútua entre todos e pela aspiração comum à plenitude na unidade (…). Daí nascem, entre as diversas partes da Igreja, laços de íntima união quanto às riquezas espirituais, obreiros apostólicos e ajudas materiais ».171

Exorto todas as Igrejas e os pastores, os sacerdodes, os religiosos e os fiéis, a abrirem-se à unz’versalzáade da Igrejá, evitando toda a forma de particularismo, exclusivismo, ou qualquer sentimento de autosuficiência. As Igrejas locais, radicadas no seu povo e na sua cultura, devem todavia manter, em concreto, esse sentido universalístico da fé, isto é, dando e recebendo das outras Igrejas dons espirituais, experiências pastorais de primeiro anúncio e de evangelização, de pessoal apostólico e meios materiais.

De facto, a tendência para se fechar em si própria pode ser forte: as Igrejas antigas, preocupadas com a nova evangelização, pensam que agora devem realizar a missão em casa, e correm o risco de refrear o ímpeto para o mundo não cristão, sendo pouca a vontade de dar vocações aos Institutos missionários, às Congregações religiosas. Ora é dando generosamente do nosso, que se recebe, e as jovens Igrejas, muitas das quais conhecem um prodigioso florescimento de vocações, estão já hoje em condições de enviar sacerdotes, religiosos e religiosas para as Igrejas antigas.

As Igrejas jovens, por outro lado, sentem o problema da própria identidade, da inculturação, da liberdade de crescer sem influências externas, com a possível consequência de fe charem as portas aos missionários. A estas Igrejas, digo: longe de vos isolardes, acolhei de boa vontade os missionários e os meios, vindos das outras Igrejas, e vós próprias enviai- os também. Precisamente para os problemas que vos angustiam, tendes necessidade de vos manterdes em contínua relação com os irmãos e irmãs na fé. Servindo-vos de todo o meio legítimo, fazei valer a liberdade a que tendes direito, pensando que os discípulos de Cristo têm o dever de « obedecer antes a Deus do que aos homens » (At 5, 29 ) .

Deus prepara uma nova primavera do Evangelho

86. Se se olha superficialmente o mundo moderno, fica-se impressionado pela abundância de factos negativos, podendo-se ser levado ao pessimismo. Mas este sentimento é injustificado: nós temos fé em Deus Pai e Senhor, na Sua bondade e misericórdia. Ao aproximar-se o terceiro milénio da Redenção, Deus está a preparar uma grande primavera cristã, cuja aurora já se entrevê. Na verdade, tanto no mundo não cristão como naquele de antiga tradição cristã, existe uma progressiva aproximação dos povos aos ideais e valores evangélicos, que a presenÇa e a missão da Igreja se empenha em favorecer. Na verdade, manifesta-se hoje uma nova convergência por parte dos povos para esses valores: a recusa da violência e da guerra; o respeito pela pessoa humana e pelos seus direitos; o desejo de liberdade, de justiça e de fraternidade; a tendência à superação dos racismos e dos nacionalismos; a afirmação da dignidade e a valorização da mulher.

A esperança cristã apoia-nos num empenhamento profundo a favor da nova evangelização e da missão universal, e faz-nos rezar como Jesus nos ensinou: « venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu » (Mt 6, 10 ) .

Os homens, à espera de Cristo, constituem ainda um número imenso: os espaços humanos e culturais, aonde o anúncio evangélico ainda não chegou, ou a Igreja está escassamente presente, são tão amplos que requerem a unidade de todas as suas forças. Preparando-se para celebrar o jubileu do ano Dois mil, toda a Igreja está ainda mais empenhada num novo advento missionário. Temos de alimentar em nós a ânsia apostólica de transmitir aos outros a luz e a alegria da fé, e, para este ideal, devemos educar todo o Povo de Deus.

Não podemos ficar tranquilos, ao pensar nos milhões de irmãos e irmãs nossas, também eles redimidos pelo sangue de Cristo, que ignoram ainda o amor de Deus. A causa missionária deve ser, para cada crente tal como para toda a Igreja, a primeira de todas as causas, porque diz respeito ao destino eterno dos homens e responde ao desígnio misterioso e misericordioso de Deus.

CAPÍTULO VIII

A ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA

87. A actividade missionária exige uma espiritualidade específica, que diz respeito de modo particular, a quantos Deus chamou a serem missionários.

Deixar-se conduzir pelo Espírito

Tal espiritualidade exprime-se, antes de mais, no viver em plena docilidade ao Espírito, e em deixar-se plasmar interiormente por Ele, para se tornar cada vez mais semelhante a Cristo. Não se pode testemunhar Cristo sem espelhar a Sua imagem, que é gravada em nós por obra e graça do Espírito. A docilidade ao Espírito permitirá acolher os dons da fortaleza e do discernimento, que são traços essenciais da espi ritualidade missionária.

Paradigmático é o caso dos Apóstolos, que durante a vida pública do Mestre, apesar do seu amor por Ele e da generosidade da resposta ao Seu chamamento, se mostram incapazes de compreender as Suas palavras, e renitentes em segui-l’O pelo caminho do sofrimento e da humilhação. O Espírito transformá-los-á em testemunhas corajosas de Cristo e anunciadores esclarecidos da Sua Palavra: será o Espírito que os conduzirá pelos caminhos árduos e novos da missão.

Hoje a missão continua a ser difícil e complexa, como no passado, e requer igualmente a coragem e a luz do Espírito: vivemos tantas vezes o drama da primitiva comunidade cristã, que via forças descrentes e hostis « coligarem-se contra o Senhor e contra o seu Cristo » (At 4, 26). Como então, hoje é necessário rezar para que Deus nos conceda o entusiasmo para proclamar o Evangelho. Temos de prescrutar os caminhos misteriosos do Espírito e, por Ele, nos deixarmos conduzir para a verdade total (cf. Jo 16, 13).

Viver o mistério de « Cristo enviado »

88. Nota essencial da espiritualidade missionária é a comunhão íntima com Cristo: não é possível compreender e viver a missão, senão na referência a Cristo, como Aquele que foi enviado para evangelizar. Paulo descreve assim o Seu viver: « tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus: Ele, que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus; mas despojou-se a Si mesmo, tomando a condição de servo, tornando-se semelhantes aos homens. Tido pelo aspecto como homem, humilhou-se a Si mesmo, feito obediente até à morte de cruz » (Fp 2, 5-8).

Aqui aparece descrito o mistério da encarnação e da redenção, como despojamento total de Si mesmo que leva Cristo a viver plenamente a condição humana e a aderir até ao fim ao desígnio do Pai. Trata-se de um aniquilamento que, todavia, está permeado de amor e exprime o amor. Muitas vezes a missão percorre esta mesma estrada, com o seu ponto de chegada aos pés da Cruz.

Ao missionário, pede-se que « renuncie a si mesmo e a tudo aquilo que antes possuía como seu, e se faça tudo para todos »:172 na pobreza que o torna livre para o Evangelho, no distanciar-se de pessoas e bens do seu ambiente originário para se fazer irmão daqueles a quem é enviado, levando-lhes Cristo salvador. A espiritualidade do missionário conduz a isto: « com os fracos, fiz-me fraco (…) Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a todo 0 custo. Tudo faço pelo Evangelho… » (1 Cor 9, 22-23 ) .

Precisamente porque « enviado », o missionário experimenta a presença reconfortante de Cristo, que o acompanha em todos os momentos de sua vida: « não tenhas medo ( … ) porque Eu estou contigo » (At 18, 9-10), e espera-o no coração de cada homem.

Amar a igreja e os homens como Jesus os amou

89. A espiritualidade missionária caracteriza-se, além disso, pela caridade apostólica – a de Cristo que veio « para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos » (Jo 11, 52), o Bom Pastor que conhece as suas ovelhas, procura-as e oferece a sua vida por elas (cf. Jo 10). Quem tem espírito missionárío sente o ardor de Cristo pelas almas e ama a Igreja como Cristo a amou.

O missionário é impelido pelo « zelo das almas », que se inspira na própria caridade de Cristo, feita de atenção, ternura, compaixão, acolhimento, disponibilidade e empenhamento pelos problemas da gente. O amor de Jesus en volvia o mais fundo da pessoa: Ele, que « sabia o que há em cada homem » (Jo 2, 25 ), amava a todos para lhes oferecer a redenção e sofria quando esta era rejeitada.

O missionário é o homem da caridade: para poder anunciar a todo o irmão que Deus o ama e que ele próprio pode amar, ele terá de usar de caridade para com todos, gastando a vida ao serviço do próximo. Ele é o « irmão universal », que leva consigo o espírito da Igreja, a sua abertura e amizade por todos os povos e por todos os homens, particularmente pelos mais pequenos e pobres. Como tal, supera as fronteiras e as divisões de raça, casta, ou ideologia: é sinal do amor de Deus no mundo, que é um amor, sem qualquer exclusão nem preferência.

Por fim, como Cristo, o missionário deve amar a Igreja: « Cristo amou a Igreja e entregou-se a Si mesmo por ela » (Ef 5, 25 ) . Este amor, levado até ao extremo de dar a vida, constitui um ponto de referência para ele (…) Só um amor profundo pela Igreja poderá sustentar o zelo do missionário: a sua obsessão de cada dia – a exemplo de S. Paulo – é « o cui dado de todas as Igrejas » (2 Cor 11, 28)! Para qualquer missionário e comunidade, « a fidelidade a Cristo não pode ser separada da fidelidade à Sua Igreja ».173

O verdadeiro missionário é o santo

90. O chamamento à missão deriva por sua natureza da vocação à santidade. Todo o missionário só o é autenticamente, se se empenhar no caminho da santidade: « a santidade deve-se considerar um pressuposto fundamental e uma condição totalmente insubstituível para se realizar a missão de salvação da Igreja ».174

A universal vocação à santidade está estritamente ligada à universal vocação à missão: todo o fiel é chamado à santidade e à missão. Este foi o voto ardente do Concílio ao desejar, « com a luz de Cristo reflectida no rosto da Igreja, iluminar todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura ».175 A espiritualidade missionária da Igreja é um caminho orientado para a santidade.

O renovado impulso para a missão ad gentes exige missionários santos. Não basta explorar com maior perspicácia as bases teológicas e bíblicas da fé, nem renovar os métodos pastorais, nem ainda organizar e coordenar melhor as forças eclesiais: é preciso suscitar um novo « ardor de santidade » entre os missionários e em toda a comunidade cristã, especialmente entre aqueles que são os colaboradores mais íntimos dos missionários.176

Pensemos, caros Irmãos e Irmãs, no ímpeto missionário das primitivas comunidades cristãs. Não obstante a escassez de meios de transporte e comunicação de então, o anúncio do Evangelho atingiu, em pouco tempo, os confins do mundo. E tratava-se da religião de um Homem morto na cruz, « escândalo para os judeus e loucura para os pagãos » (1 Cor 1, 23 ) ! Na base deste dinamismo missionário, estava a santidade dos prímeiros cristãos e das primeiras comunidades.

91. Dirijo-me aos baptizados das jovens comunidades e das jovens Igrejas. Vós sois hoje a esperança desta nossa Igreja, que tem já dois mil anos: sendo jovens na fé, deveis ser como os primeiros cristãos, irradiando entusiasmo e coragem, numa generosa dedicação a Deus e ao próximo: numa palavra, deveis seguir pelo caminho da santidade. Só assim podereis ser sinal de Deus no mundo, revivendo em vossos Países a epopeia missionária da Igreja primitiva. E sereis também fermento de espírito missionário para as Igrejas mais antigas.

Por sua vez, os missionários reflictam sobre o dever da santidade, que o dom da vocação Ihes exige, renovando-se dia a dia em seu espírito, e actualizando também a sua formação doutrinal e pastoral. O missionário deve ser « um comtemplativo na acção ». Encontra resposta aos problemas, na luz da palavra de Deus e na oração pessoal e comunitária. O contacto com os representantes das tradições espirituais não cristãs e, em particular, as da Ásia, persuadiu-me de que o fruto da missão depende em grande parte da contemplação. O missionário, se não é contemplativo, não pode anunciar Cristo de modo credível. Ele é uma testemunha da experiência de Deus e deve poder dizer como os Apóstolos: « O que nós contemplamos, ou seja o Verbo da vida ( … ) nós vo-l’O anunciamos » (1 Jo 1, 1-3).

O missionário é o homem das Bem-aventuranças. Na verdade, no « discurso apostólico » (cf. Mt 10), Jesus dá instruções ao Doze, antes de os enviar a evangelizar, indicando-lhes os caminhos da missão: pobreza, humildade, desejo de justiça e paz, aceitação do sofrimento e perseguição, caridade que são precisamente as Bem-aventuranças, concretizadas na vida apostólica (Mt 5, 1-12). Vivendo as Bem-aventuranças, o missionário experimenta e demonstra concretamente que o Reino de Deus já chegou, e ele já o acolheu. A característica de qualquer vida missionária autêntica é a alegria interior que vem da fé. Num mundo angustiado e oprimido por tantos problemas, que tende ao pessimismo, o proclamador da « Boa Nova » deve ser um homem que encontrou, em Cristo, a verdadeira esperança.

CONCLUSÃO

92. Nunca como hoje se ofereceu à Igreja a possibilidade de, com o testemunho e a palavra, f azer chegar o Evangelho a todos os homens e a todos os povos. Vejo alvorecer uma nova época míssionária, que se tornará dia radioso e rico de frutos, se todos os cristãos e, em particular, os missionários e as jovens Igrejas corresponderem generosa e santamente aos apelos e desafios do nosso tempo.

Como os Apóstolos depois da ascensão de Cristo, a Igreja deve reunir-se no Cenáculo « com Maria, a Mãe de Jesus » (At 1, 14), para implorar o Espírito e obter força e coragem para cumprir o mandato missionário. Também nós, bem mais do que os Apóstolos, temos necessidade de ser transformados e guiados pelo Espírito.

Na vigília do terceiro milénio, toda a Igreja é convidada a viver mais profundamente o mistério de Cristo, colaborando com gratidão na obra da salvação. Fa-lo-á com Maria e como Maria, sua mãe e modelo: é Ela, Maria, o exemplo daquele amor materno, do qual devem estar animados todos quantos, na missão apostólica, cooperam para a regeneração dos homens. Por isso, « confortada pela presença de Cristo, a Igreja caminha no tempo para a consumação dos séculos indo ao encontro do Senhor que vem. Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria ».177

A « mediação de Maria, toda Ela orientada para Cristo e disponível para a revelação do seu poder salvífico »,178 confio a Igreja e, em particular, aqueles que se empenham na actuação do mandato missionário, no mundo de hoje. Como Cristo enviou os seus apóstolos no nome de Pai, do Filho e do Espírito Santo, também renovando o mesmo mandato, eu estendo a todos vós a Bênção Apostólica no nome da mesma Trindade Santíssima. Amen.

Dado em Roma, junto de S. Pedro, no dia 7 de Dezembro do ano de 1990, no XXV aniversário do Decreto conciliar Ad gentes, décimo terceiro do Pontificado.


1 Cf. PAULO VI, Mensagem para o Dia Mundial das Missões/1972 », Insegnamenti X (1972) 522: « Estas tensões internas, que debilitam e laceram algumas Igrejas e instituições locais, desapareceriam frente à firme convicção de que a salvação das comunidades locais se conquista pela cooperação na obra missionária, a fim de que esta se estenda até aos confins da terra ».

2 Cf. BENTO XV, Epist. ap. Maximum illud (30/XI/1919): AAS 11 (1919) 440-455; Pio XI, Carta Enc. Rerum Ecclesiae (28/II/1926): AAS 18 (1926) 65-83; Pto XII, Carta Enc. Evangelii praecones (2/VI/1951): AAS 43 (1951) 497-528; Carta Enc. Fidei donum (21/IV/1957): AAS 49 (1957), 225-248; JoÃo XXIII, Carta Enc. Princeps Pastorum (28/XI/1959): AAS 51 ( 1959) 833-864.

3 Carta Enc. Redemptor hominis (4/III/1979), 10: AAS 71 (1979) 274 s.

4 ibid., 10: l.c., 275. 5

5 Credo niceno-constantinopolitano: DzS 150.

6 Carta Enc. Redemptor hominis, 13: l.c., 283.

7 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gatrdtüm et spes, 2.

8 ibid., 22.

9 Carta Enc. Dives in misericordia (30/XI/1980), 7: AAS 72 (1980) 1202.

10 Homilia da celebração eucarística em Cracóvía, 10 de Junbo de 1979: AAS 71 (1979) 873.

11 Cf. João XXIII, Carta Enc. Mater et magútra (15/V/1961), IV: AAS 53 (1961) 451-453.

12 Declaração sobre a liberdade religiosa Dtgnitatts humanae, 2.

13 Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi (8/XII/1975), 53: AAS 68 (1976) 42.

14 Declaração sobre a líberdade religiosa Dignitatis humanae, 2.

15 Cf. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 14-17; Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 3.

16 Cf. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 48; Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 43; Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 7. 21.

17 Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 13.

18 ibid., 9.

19 Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 22.

20 Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 14.

21 Carta Enc. Dives in misericordia, 1: l.c., 1177.

22 Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 5.

23 Cf. Conc. ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 22.

24 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium 4.

25 ibid., 5.

26 Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 16: l.c., 15.

27 Discurso de Abertura da III Sessão do Conc. Ecum. Vat. II, 14 de Setembro de 1904: AAS 56 (1964) 810.

28 PAULO VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 34: l.c., 28.

29 Cf. COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL, Temi SceIti d’ecclesiologia no XX aniversário do encerramento do Conc. Ecum. Vat. II (7/X/1985), 10: « L’indole escatologica della Chiesa: Regno di Dio e Chiesa ».

30 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 39.

31 Carta Enc. Dominum et Vivificantem ( 18/V/1986), 42: AAS 78 (1986), 857.

32 ibid., 64: l.c., 892.

33 A expressão « sem medo » corresponde ao termo grego parresia, que significa também entusiasmo, vigor; cf. At 2, 29; 4, 13. 29. 31; 9, 27. 28; 13, 46; 14, 3; 18, 26; 19, 8. 26; 28, 31.

34 Cf. PAULO VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 41-42: l.c., 31-33.

35 Cf. Carta Enc. Dominum et Vivificantem, 53: l.c., 874 s.

36 Cf. Conc. Ecum. Var. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 3. 11. 15; Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 10-11. 22. 26. 38. 41. 92-93.

37 CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudaium et spes, 10. 15. 22.

38 ibid., 41.

39 Cf. Carta Enc. Dominum et Vivificantem, 54: l.c., 875 s.

40 CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaud:úm et spes, 26.

41 ibid., 38; cf. 93.

42 Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 17; Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 3. 15.

43 Conc. Ecum. Var. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 4.

44 Cf. Carta Enc. Dominum et Vivificantem, 53: l.c., 874.

45 Discurso aos Dirigentes das religiões não cristãs, em Madras (Índia), a 5 de Fevereiro de 1986: AAS 78 (1986), 767; cf. Mensagem aos Povos da Asia, em Manila, a 21 de Fevereiro de 1981, 2-4: AAS 73 ( 1981 ), 392 s.; Discurso aos representantes das religíões nâo cristãs, em Tóquio, a 24 de Fevereiro de 1981, 3-4: Insegnamenti IV/1 ( 1981 ), 507 s.

46 Discurso aos Cardeais, à Família Pontifícia e à Cúria e Prelatura Romana, 22 de Dezembro de 1986, 11: AAS 79 (1987), 1089.

47 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 16.

48 Conc. Ecum. Var. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 45; cf. Carta Enc. Dominum et Vivificantem, 54: l.c., 876.

49 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 10.

50 Exort. Ap. pós-sinodal Christifideles laici (30/XII/1988), 35: AAS 81 (1989), 457.

51 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 6.

52 Cf. ibid., 6.

53 ibid., 6. 23; cf. 27.

54 Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 18-20: l.c., 17-19.

55 Exort. Ap. pós-sinodal Christifideles laici, 35: l.c., 457.

56 Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 80: l.c., 73.

57 Cf. Conc. Ecumt. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 6.

58 Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 80: l.c., 73.

59 Cf. Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 6.

60 Cf. ibid., 20.

61 Cf. Discurso aos membros do Simpósio do Conselbo das Conferências Episcopais da Europa, 11 de Outubro de 1985: AAS 78 (1986), 178-189.

62 Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 20: l.c., 19.

63 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 5; cf. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 8.

64 Cf. Conc. Ecum. VAT. II, Declaração sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 3-4; Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 79-80: l.c., 71-75; João Paulo II, Carta Enc. Redemptor hominis, 12: l.c., 278-281.

65 Epist. Ap. Maximum illud: l.c., 446.

66 PauLo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 62: l.c., 52.

67 Cf. De praescriptione haereticorum, XX: CCL I, 201 s.

68 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 9; cf. cap. II, 10-18.

69 Cf. PAULO VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 41: l.c., 31 s.

70 Cf. Conc. Ecum. VAT. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 28. 35. 38; Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 43; Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 11-12.

71 Cf. Paulo VI, Carta Enc. Populorum progressio (26/III/1967), 21. 42: AAS 59 ( 1967), 267 s., 278.

72 Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 27: l.c., 23.

73 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 13.

74 Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 15: l.c., 13-15; Coce. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 13-14.

75 Cf. Carta Enc. Dominum et Vivificantem, 42. 64: l.c., 857-859, 892-894.

76 Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 60: l.c., 50 s.

77 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 6-9.

78 Conc. ECUM. VAT. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 2; cf. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 9.

79 Cf. Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, cap. III, 19-22.

80 ibid., 15.

81 ibid., 6.

82 ibid., 15; cf. Decreto sobre o ecumenismo Unitatis redintegratio 3.

83 Cf. Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 58: l.c., 46-49.

84 Assembleia Extraordinária em 1985, Relação final, II, C, 6.

85 ibid., II, D, 4.

86 Cf. Exort. Ap. Catechesi tradendae (16/X/1979), 53: AAS 71 (1979), 1320; Epist. Enc. Slavorum apostoli (2/VI/1985), 21: AAS 77 (1985), 802 s.

87 Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 20: l.c., 18 s. 88 Cf. Discurso aos Bispos do Zaire, em Kinshasa, a 3 de Maio de 1980, 4-6: AAS 72 (1980), 432-435; Discurso aos Bispos do Quénia, em Nairóbi, a 7 de Maio de 1980, 6: AAS 72 (1980), 497; Discurso aos Bispos da Índia, em Nova Déli, a 1 de Fevereiro de 1986, 5: AAS 78 ( 1986), 748 s.; Homilia em Cartagena, a 6 de Julho de 198G, 7-8: AAS 79 (1987), 105 s.; cf. também Carta Enc. Slavorum apostoli, 21-22: l.c., 802-804.

89 CONC. ECUM. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 22.

90 Cf. ibid., 22.

91 Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 64: l.c., 55.

92 As Igrejas particulares « têm a missão de assimilar o essencíal da mensagem evangélica, de o traduzir, sem a mínima alteração da sua verdade fundamental, na linguagem que estes homens compreendem, e depois anunciá-lo nessa mesma linguagem … O termo “linguagem” deve ser entendido aqui não tanto no sentido semântico ou literário, como sobretudo naquele que podemos designar antropológico ou cultural » (ibid., 63: l.c., 53).

93 Cf. Discurso na Audiência Geral de 13 de Abril de 1988: Insegnamenti XI/1 (1988), 877-881.

94 Exort. Ap. Familiaris consortio (22/XI/1981), 10, que trata da inculturação « no âmbito do matrimónio e da família »: AAS 74 (1982), 91.

95 Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 63-65: l.c., 53-56.

96 Cocc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 17.

97 Discurso aos participantes no Simpósio dos Bispos da África, em Kampala, a 31 de Julbo de 1969, 2: AAS 61 (1969), 577.

98 Paulo VI, Discurso na Abertura da II Sessão do Conc. Ecum. Vat. II, a 29 de Setembro de 1963: AAS 55 (1963), 858; cf. Conc. Ecum. Vat. II, Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs Nostra aetate, 2; Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 16; Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 9; PAULO VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi; 53: l.c., 41 s.

99 Cf. Paulo VI, Carta Enc. Ecclesiam suam (6/XII/1964): AAS 56 ( 1964), 609-659; Conc. Ecum. Vat. II, Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs Nostra aetate; Decreto sobre a actividade missionáría da Igreja Ad Gentes, 11. 41; SECRETARIADO PARA OS NÃO CRISTÃOS, A atitude da Igreja face aos sequazes de outras religiões: reflexões e orientações do dialogo e missão (4/IX/1984): AAS 76 (1984), 816-828.

100 Carta aos Bispos da Ásia, por ocasião da Va Assembleia Plenária da Federação das suas Conferências Episcopais (23/VI/1990), 4: L’Osservatore Romano, de 18 de Julho de 1990.

101 Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 14; cf. Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 7.

102 Cf. Conc. Ecum. VAT. II, Decreto sobre o ecumenismo Unitatis redintegratio, 3; Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 7.

103 Cf. Carta Enc. Redemptor hominis, 12: l.c., 279.

104 Cone. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 11. 15.

105 Conc. Ecum. Vat. II, Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs Nostra aetate, 2.

106 Exorc. Ap. pós-sinodal Christifideles laici, 35: l.c., 458.

107 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 41.

108 Carta Enc. Sollicitudo rei socialis (30/XII/1987), 41: AAS 80 ( 1988), 570 s.

109 Documentos da III Conferência Geral do Episcopado latino-americano, em Puebla ( 1979), 3760 (1145).

110 Discurso aos Bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, em Jacarta, a 10 de Outubro de 1989, 5: L’Osservatore Romano de 11 de Outubro de 1989.

111 Cf. PAULO VI, Carta Enc. Populorum progressio, 14-21. 40-42: l.c., 264-268, 277 s.; JOÃO PAULO I I, Carta Enc. Sollicitudo rei socialis, 27-41: l.c., 547-572.

112 Cf. Carta Enc. Sollicitudo rei socialis, 28: l.c., 548-550.

113 Cf. ibid., cap. IV, 27-34: l.c., 547-560; Paulo VI, Carta Enc. Populorum progressio, 19-21. 41-42: l.c., 266-268, 277 s.

114 Discurso aos habitantes da favela do Vidigal, no Rio de Ja neiro, a 2 de Julho de 1980, 4: AAS 72 (1980), 854.

115 Documentos da III Conferência Geral do Episcopado latino-americano, em Puebla, 3757 (1142).

116 ISAAC DE STELLA, Sermone 31: PL 194, 1793.

117 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 20.

118 Exort. Ap. pós-sinodal Christifideles laici, 35: l.c., 458.

119 Cf. Conc. Ecum. VAT. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 38.

120 Discurso aos membros do Sacro Colégio e a todos os colaboradores da Cúria Romana, da Cidade do Vaticano e do Vicariato de Roma, em 28 de Junho de 1980, 10: Insegnamenti III/1 (1980), 1887.

121 Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 23.

122 Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 38.

123 ibid., 29.

124 Cf. ibid., 38.

125 ibid., 30.

126 Documentos da III Conferência Geral do Episcopado latíno-americano, em Puebla, 2941 (368).

126 Cf. Notas directivas para a promoção da mútua cooperação entre as Igrejas particulares e em especial para uma distribuição mais correcta do Clero Postquam Apostoli (25/III/1980): AAS 72 ( 1980), 343-364.

128 Cf. Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, cap. IV, 23-27.

129 ibid., 23.

130 ibid., 23.

131 Cf. ibid., 23. 27.

132 CE. CONGREGAÇÃO PARA OS RELIGIOSOS E OS INSTITUTOS SECULARES e CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS, Notas directivas para as relações mútuas entre os Bispos e os Religiosos na Igreja Mutuae relationes (14/V/1978), 14b: AAS 70 (1978), 482; cf. ainda n. 28, do mesmo documento.

133 CONC. ECUM. VAT. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 27.

134 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre o ministério e a vida sacerdotal Presbyterorum ordinis, 10; cf. Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 39.

135 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a formação sacerdotal Optatam totius, 20. Cf. « Guide de vie pastorale pour les prêtres diocésains des Eglises qui dépendent de la Congrégation pour l’Evangélisation des Peuples o (Roma, 1989).

136 Discurso aos participantes à Assembleia Plenária da Congregação para a Evangelização dos Povos, a 14 de Abril de 1989, 4: AAS 81 (1989), 1140.

137 Mensagem para o Dia Mundial das Missões/1982: Insegnamenti V/2 (1982), 1879.

138 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 38; CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, Notas Directivas Postquam Apostoli, 24-25: l.c., 361.

139 CF. CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, Notas directivas

Postquam Apostoli, 29: l.c., 362 s.; Conc. ECUM. VAT. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 20.

140 C.I.C., cán. 783.

141 Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 40.

142 Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 69: l.c., 58 s.

143 Carta Ap. Mulieris dignitatem (15/VIII/1988), 20: AAS 80 (1988), 1703.

144 Cf. PIO XII, Carta Enc. Evangelii praecones: l.c., 510 s.; Carta Enc. Fidei donum: l.c., 228 s.; João XXIII, Carta Enc. Princeps Pastorum: l.c., 855 s.; Paulo VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 70-73: l.c., 59-63.

145 Exort. Ap. pós-sinodal Christifideles laici, 35: l.c., 457.

146 Cf. Carta Enc. Evangelii praecones: l.c., 510-514.

147 Cf. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 17. 33 s.

148 Cf. Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 35-36. 41.

149 Exort. Ap. pós-sinodal Christifideles laici, 14: l.c., 410.

150 C.I.C., cán. 225, I; cf. Conc. Ecum. VAT. II, Decreto sobre o apostolado dos leigos Apostolicam Actuositatem, 6. 13.

151 Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 31; cf. C.I.C., cán. 225, 2.

152 PAULO VI, Exort. Ap. Evangelii nuntiandi, 70: l.c., 60.

153 exort. ap. pós-sinodal Christifideles laici, 35: l.c., 458.

154 Corrc. Ecum. VAT. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 17.

155 Exort. Ap. Catechesi tradendae, 66: l.c., 1331.

156 Cf. cán. 785, 1.

157 Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 17.

158 Cf. Assembleia Plenária da Congregação para a Evangelização dos Povos, do ano 1969, sobre os catequistas, e a correlativa « Instrução » de Abril de 1970: Bibliografia missionaria 34 (1970), 197-212, e ainda Sacra Congreg. de Propaganda Fide Memoria Rerum, III/2 ( 1976), 821-831.

159 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 28.

160 Const. Ap. sobre a Cúria Romana Pastor Bonus, (28/VI/1988), 85: AAS 80 (1988) 881; cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 29.

161 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 29; cf. JOÃO PAULO II, Const. Ap. Pastor Bonus, 86: l.c., 882.

162 Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 31.

163 Cf. ibid., 33.

164 Cf. Paulo VI, Cart. Ap. sob forma de motu proprio data Ecclesiae Sanctae (6/VIII/1966), II, 43: AAS 58 (1966), 782.

165 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missíonária da Igreja Ad gentes, 34; PAULO VI, Motu proprio Ecclesiae sanctae, III, n. 22: l.c., 787.

166 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 35; cf. C.I.C. cán. 211. 781.

167 Exort. ap. Familiaris consortio, 54: l.c., 147.

168 Cf. PAULO VI, Cart. Ap. Graves et increscentes (5/IX/1966): AAS 58 (1966), 750-756.

169 P. MANNA, Le nostre « Chrise » e la propagazione del Vangelo, Trentola Ducenta, 1952, 2 p. 35.

170 Conc. ECUM. VAT. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 38.

171 Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 13.

172 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 24.

173 Conc. Ecum. Vat. II, Decreto sobre o ministério e vida sacerdotal Presbyterorum ordinis, 14.

174 Exort. Ap. pós-sinodal Christifideles laici, 17: l.c., 419.

175 Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 1.

176 Cf. Discurso à Assembleia do CELAM, em Porto Príncipe, a 9 de Março de 1983: AAS 75 ( 1983 ) 771-779; Homilia na Abertura da « Novena de anos », promovida pelo CELAM em S. Domingos, a 12 de Outubro de 1984: Insegnamenti VII/2 ( 1984) 885-897.

177 Carta Enc. Redemptoris Mater (25/III/1987), 2: AAS 79 (1987) 362 s.

178 ibid., 22: l.c., 390.

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