“Todos os homens são chamados a pertencer ao novo Povo de Deus. Por isso este Povo, permanecendo uno e único, deve estender-se a todo o mundo e por todos os tempos, para que se cumpra o desígnio da vontade de Deus, que no início formou uma natureza humana e finalmente decretou congregar seus filhos que estavam dispersos… Este caráter de universalidade que marca o Povo de Deus é um dom do próprio Senhor, pelo qual a Igreja Católica, de maneira eficaz e perpétua, tende a recapitular toda a humanidade com todos os seus bens sob Cristo Cabeça, na unidade do seu Espírito” (LG 13).

Sobre a “salvação” das pessoas de outras religiões, inclusive cristãos cismáticos[1] (protestantes, anglicanos e ortodoxos), reafirmo aquilo que recebi do Senhor através da Igreja: Jesus Cristo é o único caminho para nossa Salvação (cf. João 10,9), e a Igreja Católica é a única Igreja fundada por Cristo, que é seu Corpo Místico continuando na História, de forma que nos leva PLENAMENTE a Jesus[2].

O Mediador único, Cristo, constituiu e incessantemente sustenta aqui na terra sua santa Igreja, comunidade de fé, esperança e caridade, como um ‘todo’ visível pelo qual difunde a verdade e a graça a todos (CIC §771).

Caracteriza-se a Igreja por ser humana e ao mesmo tempo divina; visível, mas ornada de dons invisíveis; operosa na ação e devotada à contemplação presente no mundo e, no entanto, peregrina. E isso de modo que nela o humano se ordene divino e a ele se subordine, o visível ao invisível, a ação à contemplação e o presente à cidade futura, que buscamos.

“A Igreja é, em Cristo, como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (LG 1, cf. CIC §775).

Neste sentido “Extra ecclesia nulla salus!”[3], porque a Igreja é o próprio Corpo de Cristo presente no mundo a nos comunicar a salvação. Como? Pelos Sacramentos. Quando somos Batizados, a Igreja nos batiza em nome de Jesus Cristo[4]! Quando nos confessamos, a Igreja nos perdoa em nome de Jesus Cristo! Quando comungamos, Jesus Cristo se dá a nós através da Igreja (celebração eucarística), etc.

“(…) Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente em seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do batismo, ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Batismo, como que por uma porta. Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus por meio de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar (CIC §846, cf. LG 14).

O Mistério da Igreja é grande! Não se limita apenas a uma manifestação da cultura, mas atinge uma realidade sobrenatural e divina! Entendeu? Não “é muita pretensão nossa (=católicos) querer ser a Igreja de Cristo”, é uma questão de Verdade!

Porém, quando dizemos que “fora da Igreja não há salvação”, não estamos condenando aqueles que desconhecem Cristo e a Igreja (outras religiões), pois estes, vivendo de acordo com os ditames da consciência (Lei natural infusa), podem salvar-se pela graça e misericórdia de Deus[5].

“Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna”. “Deus pode, por caminhos Dele conhecidos, levar à fé todos os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho. Pois ‘sem a fé é impossível agradar-lhe’. Mesmo assim, cabe à Igreja o dever e também o direito sagrado de evangelizar” todos os homens (CIC §§847–848; cf. LG 16).

Em relação aos cristãos cismáticos (protestantes, anglicanos e ortodoxos), eles se separaram da plena comunhão da Igreja (cf. CIC §817), mas imbuídos da Fé em Cristo, justificados pela fé recebida no Batismo, são reconhecidos por nós como cristãos e irmãos no Senhor. Reconhecemos nestas comunidades separadas, “muitos elementos de santificação e de verdade” (cf. CIC 818-819) que conduzem para a unidade católica da Igreja do Senhor. Por isso, dizemos que a Igreja Católica tem a plenitude dos meios que nos levam à Salvação[6] (que é JESUS), enquanto que as outras comunidades possuem “alguns elementos”.

A palavra “católico” significa “universal” no sentido de “segundo a totalidade” ou “segundo a integralidade”. A Igreja é católica em duplo sentido. Ela é católica porque nela Cristo está presente (“Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja católica”). Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça, o que implica que ela recebe dele “a plenitude dos meios de salvação” que Ele quis: confissão de fé correta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e o será sempre, até o dia da Parusia (CIC §83, cf. AG 6).

Assim sendo, os Cristãos cismáticos podem salvar-se mesmo fora da Igreja Católica (visível), na “candura subjetiva”[7] – como diz D. Estevão Bettencourt, osb – de professar a Fé em Cristo da forma que aprenderam (no erro da separação, sem os sacramentos, etc). Porém, de forma “invisível” eles estão na Igreja, pois só há um Corpo Místico de Cristo, mesmo que com as “feridas” da separação. Em suma, devemos ter fé em Deus, “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” e esperar na Misericórdia de Deus!

“A Igreja é o navio que navega bem neste mundo ao sopro do Espírito Santo com as velas da Cruz do Senhor plenamente desfraldadas” (Santo Ambrósio[8], +397).

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NOTAS:

[1] Separados. * [2] CIC § 771-780. * [3] “Fora da Igreja não há salvação” * [4] “In Persona Cristi” * [5] CIC § 847 – 848. * [6] CIC § 830-831. * [7] Estar no erro de boa fé, crendo firmemente que professa a verdade. * [8] Bispo de Milão, doutor da Igreja. Foi o mestre de Santo Agostinho.

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BIBLIOGRAFIA:

– Bíblia Sagrada.
– Catecismo da Igreja Católica.
– Constituição Dogmática Lumen Gentium (LG), Concílio Vaticano II.
– Decreto Ad Gentes (AG), Concílio Vaticano II.

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