Blog de Carlos Martins Nabeto

REFLEXÃO PATRÍSTICA – “O MISTÉRIO SEMPRE NOVO” (São Máximo Confessor, +662)

“O Verbo de Deus nasceu segundo a carne uma vez por todas. Mas pela sua bondade e condescendência para com os homens, quer nascer sempre espiritualmente naqueles que o desejam. Quer tornar-se criança, que vai se formando neles com o crescimento das virtudes; e manifesta-Se na medida em que pode compreendê-Lo quem o recebe. Se não se comunica com o esplendor de Sua grandeza, não é porque não deseje, mas porque conhece as limitações das faculdades receptivas de cada um. Assim, o Verbo de Deus revela-Se sempre a nós do modo que nos convém, e contudo ninguém pode conhecê-Lo perfeitamente, por causa da imensidade do Seu mistério.

Por isso, o Apóstolo de Deus, considerando com sabedoria a força deste mistério, diz: ‘Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade’ [Hebreus 13,8]. Ele contemplava esse mistério sempre novo, que nunca envelhece para a compreensão da inteligência humana.

Nasce o Cristo, Deus que Se faz homem, assumindo um corpo dotado de uma alma racional; Ele por quem tudo que existe saiu do nada. No Oriente brilha uma estrela visível em pleno dia e conduz os magos ao lugar onde está deitado o Verbo feito homem, para demonstrar misticamente que o Verbo, contido na Lei e nos Profetas, supera o conhecimento sensível e conduz as nações à plena luz do conhecimento.

Com efeito, a palavra da Lei e dos Profetas, entendida à luz da fé, é semelhante a uma estrela que conduz ao conhecimento do Verbo encarnado todos os que foram chamados pelo poder da graça, segundo o desígnio de Deus.

Deus Se fez homem perfeito, sem que nada Lhe faltasse do que é próprio da natureza humana, à exceção do pecado (o qual, aliás, não era inerente à natureza humana). Ele queria assim apresentar Sua carne como alimento para provocar o dragão insaciável que queria devorá-la.

Mas ao arrebatar esta carne que seria um veneno para ele, o dragão foi destruído pelo poder da Divindade nela oculta. Para a natureza humana, porém, esta carne seria o remédio que lhe restituiria a graça original, pelo próprio poder da Divindade.

Assim como o Inimigo, tendo inoculado o seu veneno na árvore da ciência, havia corrompido a natureza do homem que provara do seu fruto, também ele, ao pretender devorar a carne do Senhor, foi enganado e destruído pela força da Divindade que Nele habitava.

O grande mistério da encarnação de Deus permanecerá sempre um mistério! Como pode o Verbo que está em pessoa e essencialmente na carne existir ao mesmo tempo em pessoa e essencialmente junto do Pai? Como pode o Verbo, totalmente Deus por natureza, fazer-se totalmente homem por natureza, sem detrimento algum das duas naturezas; nem da divina, na qual é Deus, e nem da humana, na qual se fez homem?

Só a fé pode alcançar estes mistérios, ela que é precisamente a substância e o fundamento das realidades que ultrapassam toda inteligência e compreensão” (Sentenças, Centúria 1,8-13; PG 90,1182-1186).


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